Vídeos Musicais

   Os Videoclipes, como são conhecidos agora ou  telediscos como se chamavam à alguns anos, são pequenos filmes ilustrados com suporte musical que na maior parte das vezes, serve para ajudar na promoção de um grupo, de uma canção ou mesmo de um álbum.
   O vídeo musical tem antecedentes directos no cinema vanguardista dos anos 20 do século passado, nomeadamente as experimentações de Dziga Vertov e Walther Ruttmann, cineastas europeus que tentaram articular montagem, música e efeitos para criar um novo tipo de narrativa do meio audivisual que se afastasse da literatura e do teatro. As obras-primas que criaram "O Homem com a Camêra" e "Berlim: Sinfonia da Cidade", têm muitas semelhanças com a estética do vídeo musical dos dias de hoje.
O Filme Musical influenciou muito o vídeo musical
   Durante as décadas de 30 até 50, época de ouro do filme  musical e estes foram considerados como um dos grandes percursores dos vídeos musicais e muitos desses vídeos são baseados e imitam quase na perfeição a estética e a linguagem deste género cinematográfico ímpar. "Material Girl" de Madonna é um dos melhores exemplos.
   Foi com os Beatles que, em meados da década de 60, se começaram a utilizar pequenos filmes que viriam a ser os percursores dos vídeoclipes. O grupo tinha muitas solicitações para se apresentarem ao vivo e como não lhes era humanamente possível ir a todas, começaram então a gravar as suas actuações e depois apresentavam-nas na televisão. Mais tarde, alguns desses vídeos começaram a assumir uma forma semelhante aos de hoje. Em 1965, o grupo começou a fazer clips (então chamados "insertos filmados"), para promover e distribuir os seus álbuns noutros países, não tendo assim que fazer aparições em público. Quando terminaram de fazer tournées, em finais de 1966, os clipes promocionais tinham-se tornado mais sofisticados. A estratégia resultou pois antes do final da década, grupos como "The Byrds", "The Doors", "Rolling Stones", "The Who",  ou cantores como Bob Dylan, Joni Mitchell, o duo Sonny & Cher, entre outros, estavam também a usar esta técnica.
   Em 1970, "Woodstock,  realizado por Michael Wadleigh, ganha o Oscar para Melhor Documentário e as coisas mudam radicalmente. As imagens de concertos, misturadas com clips onde se utilizam truques de camera, efeitos especiais e dramatização de letras de canções, são o prato forte dos vários concertos que são filmados no inicio da década como "Joe Cocker's Mad Dogs and Englishmen, ou Pink Floyd's Live at Pomeii". Ao longo da década vai-se assistir a uma cada vez maior proliferação dos chamados "filme-concerto" em que todo o filme gira em volta de um qualquer concerto de um qualquer grupo. Aqui destaca-se "The Song Remains the Same" (Christopher Crowe, 1975) onde se assiste aos preparativos para um concerto dos Led Zeppelin e ao próprio concerto quase integral onde o realizador utiliza um truque que já Michael Wadleigh utilizara em "Woodstock": o écran tripartido, ou seja, dividido em três partes para uma melhor perspectiva do concerto; ou "The Last Waltz - A Última Valsa" (Martin Scorsese, 1978) em que o realizador filma aquele que foi o memorável último concerto do grupo "The Band", além de enorme quantidade de convidados musicais, os temas são intercalados com excertos das conversas de Scorsese com os membros do grupo, o que torna o filme uma daquelas experiências gratificantes de se assistir.
O canal  responsável pelo boom dos vídeos musicais
   Em 1981, o tema "Video Killed the Radio Star" dos Buggles era exibido na estreia do canal  MTV, que marcou o inicio duma nova era na música que passou a dispôr de um canal que exibia música e vídeos musicais 24 horas por dia. Com esta nova ferramenta, a música popular viria a ter um papel central no mercado internacional. Foi também nesta altura que muitos realizadores saltaram para a ribalta, graças ao trabalho apurado em forma e estilo que puseram nos vídeos que realizaram, usando efeitos cada vez mais sofisticados, na mistura de vídeo e filme ou adicionando um argumento ou uma situação aos seus vídeos musicais. Ocasionalmente os vídeos eram feito de modo "não representativo", no qual o artista ou o grupo não aparecia. Bons exemplos desta forma foram os vídeos de Bruce Springsteen para o tema "Atlantic City", realizado por Arnold Levine, o tema "Under Pressure" de Queen e David Bowie, realizado por David Mallet, ou "The Chauffeur" dos Duran Duran e realizado por Ian Emes. Ao longo da década de 80, os vídeos tornaram-se parte integrante para a maior parte dos grupos e artistas de todos os quadrantes musicais, o que levou á inevitável paródia por parte de vários programas de televisão e, inclusivamente, Frank Zappa no seu estilo inconfundível e satírico, fez um tema, em 1984, a parodiar a sede dos seus contemporâneos musicais em fazer vídeos, "Be in my vídeo" desenrola-se durante um concerto de Zappa e a sua genailidade é incontestável.
"Thriller" mudou para sempre a face do vídeo musical
   Porém, em 1983, a face do vídeo musical muda radicalmente e encosta-se ao cinema. Para esta mudança  contribuiu inevitavelmente "Thriller" de Michael Jackson, tema-título daquele que ainda hoje é o álbum mais vendido da história da música, e que se tornou no vídeo de maior sucesso de todos os tempos. John Landis, o seu realizador, transformou uma canção de cerca de seis minutos e meio num vídeo de 14 minutos que mais parece uma curta-metragem, onde o espectador se sente como se estivesse no cinema, tal é a técnica empregue neste vídeo, onde tudo encanta  e nada falta, a começar na coreografia excepcional criada pelo artista, passando pela bela, vítima da fome dos Zombies, Michael a dançar rodeado de mortos-vivos até à voz arrepiante e macabra de Vincent Price, actor veterano em produções série B de terror,  que na altura custou cerca de 500.000 dólares e que estabeleceu novos valores de produção. Em 1989, Martin Scorsese seguiria as pisadas de Landis e transformaria "Bad", outro tema de Michael Jackson, numa versão moderna de "West Side Story" com cerca de 10 minutos de duração, onde reconstitui o combate que põe frente a frente os Jets e os Sharks, os gangs rivais no filme em mais uma coreografia genial idealizada pelo próprio Jackson.


   A década não terminaria sem dois outros vídeos fazerem história e lançar as bases do que hoje se faz no tocante a vídeos musicais: em 1985 o tema "Money For Nothing" do grupo Dire Straits, foi pioneiro na utilização de animações gráficas computorizadas e transformou-se num enorme sucesso mundial. A grande ironia é que o tema em si faz um comentário sardónico acerca do fenómeno dos vídeos musicais, é cantado do ponto de vista de um aparelho de entregas, que se sente ao mesmo tempo atraído e repelido pelas imagens bizarras e personalidades que aparecem na MTV; um ano depois, Peter Gabriel e o seu tema "Sledgehammer" tornar-se-iam um fenómeno de enorme sucesso à escala planetária. O vídeo, ao utilizar efeitos especiais e técnicas de animação desenvolvidas de propósito para o tema, viria a ganhar nove prémios MTV.
O Vídeo Musical no Séc.XXI
   Já em pleno século XXI, a MTV e outros canais semelhantes, abandonam a exibição de vídeos para se dedicarem em exclusivo á apresentação de "Reality Shows", que são, hoje em dia, muito mais populares que a exibição de vídeos e que, de certa maneira, a própria MTV ajudou a criar quando exibiu o programa "The real World" em 1992. Em 2005 apareceu o "YouTube", que tornou o visionamento de vídeos online, mais rápido e mais fácil, Tal como Google Vídeos, Yahoo, Facebook, ou MySpace, que além de tecnologia vídeo, usam tecnologia similar e tiveram um profundo efeito na maneira de ver vídeos musicais e alguns grupos e artistas começaram a obter sucesso a partir de vídeos exibidos parcial ou totalmente na internet que se tornou na ferramenta principal  para as editoras e os vídeos que lançam, como o fez a Apple quando inicialmente apresentou o ITunes e este continha uma secção de vídeos musicais de alta-qualidade, que se podiam descarregar gratuitamente. Mais recentemente, o ITunes começou a vender vídeos musicais para serem utilizados em Ipods, leitores .com capacidade de reprodução de vídeo.
   Qual será o próximo estádio da evolução do vídeo musical? não sabemos...só o tempo o dirá...


Nota: Todas as imagens e vídeos utilizado neste texto foram retirados da Internet



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