As Viagens no Tempo na Ficção

   Viagem no Tempo é o conceito de nos movermos entre diferentes pontos no tempo, mas de uma maneira análoga àquela em que nos movemos entre diferentes pontos no espaço, quer ao enviarmos algum objecto para trás no tempo, ou para a frente do presente para o futuro sem a necessidade de estar presente no período intermédio.
   Apesar de ter sido apenas no século XIX que as viagens no tempo ganharam alguma notariedade com a publicação, em 1895, do livro "The Time Machine" (A Máquina do Tempo) escrito por H.G.Wells, sabe-se que outros trabalhos escritos em épocas anteriores já incluiam elementos  que sugeriam a possibilidade de se viajar no tempo. Folclore e mitos da antiguidade, por vezes, incluiam algo que tinha a ver com o viajar para o futuro; por exemplo, na Mitologia Hindú, "O Mahabharata" (circa 700 a.C.), fala no Rei Revaita, que viaja até ao céu para conhecer o seu criador Brahma e fica chocado quando se apercebe que muitos anos se passaram quando regressa à Terra; outra das histórias antigas que involve viagens ao futuro é o conto Japonês  de Urashima Tarõ, descrita no "Nihongi"(720 d.C.), em que um jovem pescador chamado Urashima Taro visita um palácio subaquático onde fica três dias. Quando regressa á sua vila, descobre que se passaram cerca de 3000 anos, a sua casa está  em ruínas, a sua familia morreu hà muitos anos e ninguém se lembra dele; mais recentemente, em 1819, Washington Irving escreveu a história de Rip Van Winkle em que mexe nos mesmos conceitos do conto japonês. Rip Van Winkle quando acorda duma soneca, descobre que está 20 anos á frente da sua época, foi esquecido pelos seus pares, a mulher faleceu e a sua filha já é mulher adulta.
   Mais moderna parece ser a ideia da viagem de regresso ao passado, mas a sua origem também é um pouco ambígua. Aqui, uma das primeiras histórias a abordar o tema é "Memoirs of the Twentieth Century" escrita por volta de 1733 onde, através  de cartas escritas entre 1997 e 1998, vários embaixadores de vários países descrevem ao Ministro dos Negócios Estrangeiros Britânico as condições de vida naquela era.
   Charles Dickens, em 1843, publicou aquela que é uma das primeiras obras contemporâneas a abordar as viagens no tempo. Em "A Christmas Carol" (Um Conto de Natal), a personagem principal, Ebenezer Scrooge é transportada aos natais do seu passado, presente e no futuro. Estas são consideradas meras visões fugazes e não viagens no tempo, porque a personagem não chega a interagir com eles; em 1889, Mark Twain e o seu "A Connecticut Yankee in King Arthur's Court" (Um Americano na Corte do Rei Arthur) ajudou a cimentar a ideia de viagem ao passado, já que o seu protagonista, depois de uma luta, vê-se transportado para o tempo de Rei Arthur e onde, pela primeira vez, a história é alterada devido ás acções do viajante do tempo (este termo tornar-se-á popular através da obra de H.G.Wells).
   As viagens no tempo podem ser o tema central de um livro, ou podem simplesmente ser um instrumento do enredo para alcançar a imaginação do público. Ambas as ideias estão bem patentes em  "A Máquina do Tempo", a obra que ainda hoje, mais de um século depois da sua publicação, ainda encanta o público das mais diversas idades.
   Os mais variados temas de viagens no tempo têm sido recorrentes nas histórias de ficção cientifica, com muita imaginação de modo a torná-las mais interessantes. Eis alguns exemplos:
- Aquelas em que o viajante do tempo (insisto no termo por ser o que melhor se aplica a este efeito) altera o curso da história, quer seja para o bem ou para o mal, por vezes acidentalmente, recorrendo a ajuda tecnológica do seu tempo. Em "Lest Darkness Fall"( A Luz e as Trevas)  de L.Sprague de Camp é o que acontece.
- Aquelas histórias em que o viajante do tempo vem dum futuro obscuro até ao presente para tentar resolver o problema de modo a que este influencie totalmente o futuro. Estas histórias podem aplicar-se a um ou a vários personagens até a uma sociedade em geral. Os filmes e os livros da série "Terminator" (Exterminador Implacável) são disso o melhor exemplo.
 - Finalmente as histórias em que o viajante do tempo altera os acontecimentos acidentalmente porque  apenas quer observar o passado, ou é para lá enviado contra sua vontade e tenta regressar ao seu tempo, mas pode acontecer que as suas acções alterem a história do que se vai passar. A série cinematográfica "Back to the Future" (Regresso ao Futuro) brinca com este último conceito.
   As viagens no tempo têm também uma função ideológica porque literalmente providenciam o necessário afastamento que a ficção cientifica precisa para poder aludir aos temas e assuntos que dizem respeito ás pessoas no presente.
   A Ficção Centifíca é, na sua essência, um tipo de Viagem no Tempo. Os acontecimentos dão-se num passado alterado, num tempo presente transformado ou num futuro próximo, transportando o leitor ou o espectador para outro tempo, outro local, dimensão ou mundo. Quando a ficção cientifica viaja, sabemos que estamos no seu dominio porque somos confrontados com uma narrativa dinâmica necessária para o género.


Nota: Todas as imagens que ilustram o texto foram retiradas da Internet
  

Comentários

  1. Já aprendi aqui qq coisa sobre os conceitos das viagens do tempo e penso que esse continuará a ser um tema que preencherá o imaginário do ser humano durante muitos bons anos. Um abraço.

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