Robert Ludlum

Robert Ludlum (1927- 2001)
    Escritor Americano, nascido a 25 de Maio de 1927, em Nova York, mas, porque o seu pai era um homem de negócios, Os Ludlum nunca tinham um poiso certo. Robert  teve lições privadas em casa e fez o parte da sua aprendizagem enquanto crescia em New Jersey, na Rectory School e mais tarde completou a sua educação na Academia de Chesire, no Connecticut. Aos 16 anos teve a sua primeira experiência de palco  e começou a aparecer regularmente em produções teatrais da escola. Mas a sua grande ambição era ser ponta-de-lança no futebol americano.
     Durante a II Guerra Mundial, Ludlum tentou entrar na Força Aérea Canadiana, mas não conseguiu e acabou por ingressar nos Marines onde serviu entre 1945-47. Colocado no Pacifico Sul, escreveu um manuscrito de cerca de 200 páginas com as sua impressões. Desmobilizado, ingressou na Universidade de Wesleyan (que anos mais tarde iria servir de modelo ao seu livro "The Matlock Paper - O Papel Prateado") , no Connecticut, onde se formou em 1951. Durante a década de 50, Ludlum foi actor de teatro e televisão, em 1957 tornou-se produtor de teatro e durante a década de 60 produziu mais de 300 espectáculos em Nova York. Mas queria mudar e fazer algo de mais importante na vida.
     Em 1971 Robert Ludlum publica o seu primeiro livro "The Scarlatti Inheritance - A Herança Scarlatti", uma história que gira à volta de nazis e financeiras internacionais. A ideia nasceu a partir de um artigo de jornal em que se via uma fotografia dum alemão a empurrar um carrinho de mão cheio de notas. Apesar de inicialmente ter sido rejeitado por diversas vezes, acabou por ser um best-seller e facilitou a continuação da sua carreira como escritor. No livro seguinte de Ludlum, "The Osterman Weekend - Operação Omega",  publicado em 1973, um apresentador e produtor executivo de noticiários de televisão, John Tanner, é recrutado pela CIA para desmascarar uma rede de agentes soviéticos infiltrados nos Estados Unidos e que são os seus amigos mais próximos. É a partir deste livro e de John Tanner, que se forma o protótipo de protagonista de Robert Ludlum nos seus livros, é mais sortudo e engenhoso do que os seus inimigos podem imaginar e que tem dificuldade em confiar nas pessoas que o rodeiam. Desde meados da década de 70, que Ludlum se tornou escritor a tempo inteiro e viajou imenso pelo mundo inteiro para recolher dados para os seus livros. Paris tornou-se a sua cidade favorita.
     Em muitos dos seus livros, as intrigas multinacionais, quase sempre de direita, nascem de razões económicas. Além de muitos paralelos que estabelece entre os nazis e fanáticos modernos sedentos de poder. Em "The Aquitaine Progression - A Conspiração dos Generais" (1984), a dado momento uma das personagens tem esta linha de raciocinio "Quando o caos se tornar intolerável, é chegada a hora de fazer avançar as forças militares, assumir o controle e inicialmente estabelecer a Lei Marcial". Ou em "The Matarese Circle - O Círculo Matarese" (1979), A CIA e o KGB juntam-se, tal como os Estados Unidos e a União Soviética na II guerra mundial, para lutar contra um círculo de terroristas que conspiram contra as superpotências. A dinastia Matarese regressaria à obra do autor em "The Matarese Countdown", publicado em 1997, no qual alguns membros estão infiltrados na CIA e tentam estabelecer uma nova ordem económica. Alias esta não seria a primeira vez em que o autor revisita a sua obra.
    Em 1980 Robert Ludlum inicia uma série de livros em que um super assassino contratado se confronta, com um seu igual de nome Carlos (supostamente baseado em "Carlos, O Chacal", assassino capturado em 1994) em diversas partes do mundo. Até aqui nada de novo, parece que já lemos isto milhares de vezes, mas Ludlum introduz algo inovador, que torna esta série diferente de tantas outras: O super assassino perdeu a memória e ficou amnésico! assim em "The Bourne Identity - A Identidade de Bourne", o protagonista é encontrado semi-morto e sem qualquer memória de quem é. Vem a descobrir que a CIA lhe criou uma identidade de nome Jason Bourne, cuja missão principal é encontrar e eliminar "Carlos", um assassino profissional, ao mesmo tempo que tenta descobrir qual a sua verdadeira identidade, mas que é traído pelos seus superiores. No segundo livro "The Bourne Supremacy - A Supremacia de Bourne" publicado em 1986, surge em cena um sósia de Bourne que assassina pessoas em Hong Kong com requintes sádicos. Finalmente, em 1990, no terceiro livro da série "The Bourne Ultimatum - O Ultimato de Bourne", o confronto final entre Bourne e Carlos tem lugar na Rússia e só um sairá vencedor. Após a morte de Ludlum, em 2001, os seus herdeiros autorizaram Eric Van Lustbader a dar continuidade às aventuras deste quase alter-ego de Ludlum, cujo primeiro livro (ou quarto como se quiser ler) intitulado "The Bourne Legacy" foi publicado em 2004.
   Autor de inúmeros romances de sucesso quer em nome próprio, como "The Gemini Contenders - Os Gémeos Rivais"(1976 onde a procura de um documento perdido há séculos, caso seja encontrado, pode alterar a história e lançar a civilização num caos; "The Chancellor Manuscript - O Manuscrito Chancellor" (1977) onde se especula se J.Edgar Hoover, criador do FBI morreu de morte natural ou terá sido assassinado por uma organização infiltrada bem dentro do governo dos Estados Unidos; "The Holcroft Covenant - O Convénio de Holcroft"(1978) onde o Quarto Reich aguarda o momento da nascer e apenas um homem pode impedir que isso aconteça,  ou utilizando vários pseudónimos, como "Trevayne - Nos Bastidores do Poder" (1973); "The Cry of the Hallidon" ( 1974), ambos sob o nome de Jonathan Ryder; "The Road to Gandolfo - A Estrada para Gandolfo" (1975), sob o nome de Michael Shepherd. Posteriormente, na década de 80 e 90, alguns destes títulos seriam reeditados em nome próprio. 

    Ludlum, é também autor de dois livros que se tornaram obras-primas da literatura de acção e espionagem: o primeiro é "The Parsifal Mosaic - O Mosaico Parsifal" lançado em 1982. Michael Havelock, funcionário do Departamento de defesa norte-americano, assiste, impotente, à morte de Jenna Karas, que se provou ser  espia do KGB. Dois anos depois, Michael vê-a na estação ferroviária de Roma e dá inicio a uma corrida contra tudo e contra todos para a encontrar. Neste livro ficam patentes o ambiente da guerra fria e possibilidade de guerra nuclear, que caracteriza alguma da obra do autor e a sua aversão ao fanatismo. É um daqueles livros que não se consegue parar de ler.

     A outra obra-prima chama-se "The Icarus Agenda - Agenda Ícaro"  ,publicado em 1988 e é quase um retrato fiel do que se passa nos dias de hoje. Em Masqat, capital do Sultanato de Omã, a embaixada americana é tomada de assalto por terroristas e são feitos reféns. Graças aos conhecimentos que mantém no país, Evan Kendrick, congressista americano consegue a libertação dos reféns , não sem a perda de vidas. Um ano depois Kendrick está prestes a ser nomeado candidato á vice-presidência, quando o seu passado vem a lume e a partir daquele momento. ele é um alvo a bater, não só pelos árabes, como também por assassinos domésticos. O livro trata novamente da temática de fanatismo. Mantém um ritmo imparável, talvez seja o livro de Ludlum com mais acção por capítulo. Apesar das suas mais de 600 páginas, lê-se com muito agrado. É considerado como uma sequela de "O Manuscrito Chancellor", já que são apresentadas personagens neste livro que voltaram a aparecer em "A Agenda Ícaro".
   O seu último foi romance foi "The Prometheus Deception" lançado em 2000 e é considerado o  livro mais profético de toda a sua obra. Na história acontecem uma serie de atentados terroristas envolvidos numa conspiração internacional para restringir os Direitos Civis da população e aumentar a vigilância electrónica por razões de segurança. A ideia é boa: proteger as cooperações e impedir guerras e crimes de acontecerem.  Ludlum deixa um aviso claro: não se deve aceitar como dados adquiridos tudo o que é geralmente aceite como verdade clara, assim como não se deve tomar por verdadeira a palavra dum líder mundial ou até mesmo do Secretário-Geral das Nações Unidas!. Uma vez mais temos o agente, rodeado de inimigos, a lutar contra tudo e todos, incluindo organizações governamentais, a CIA, o FBI, o KGB, e muitos outros.
   Claro que o cinema e a televisão estiveram atentos ao sucesso deste escritor e, com maior ou menor qualidade, transpuseram alguns dos seus livros para o écran:  "The Rhinemann Exchange" (Burt Kennedy, 1977) foi adaptado para televisão, assim como "The Bourne Identity - Memória à flor da Pele" (Roger Young, 1988). Já o cinema soube tirar melhor partido de alguns títulos do escritor: "The Osterman Weekend - O Fim-de-semana de Osterman" (Sam Peckinpah, 1983); "The Holcroft Covenant - O Documento Secreto" (John Frankenheimer, 1985). Mas seria  já depois da morte do autor que viria a melhor adaptação dos livros de Ludlum: "The Bourne Identity - Identidade Desconhecida" (Doug Liman, 2002) com Matt Damon,. A adaptação actualiza a história para o século XXI e põe ao seu serviço toda uma parafernália de efeitos especiais e uma realização dinâmica fazem do actor uma estrela e do filme um sucesso, que levou a que as duas continuações também fossem adaptadas ao cinema. "Bourne Supremacy - Supremacia" e   "Bourne Ultimatum - Ultimato" foram adaptados em 2004 e 2007 por Paul Greengrass, tendo o último obtido um sucesso à escala planetária e ganho três Oscares da Academia.
   Autor de uma obra que redefiniu o género de acção, mestre incontestado da espionagem, tem vindo a ser descoberto por um público novo. Robert Ludlum tinha o dom especial de captar a imaginação dos seus leitores desde as primeiras páginas  e mantê-los absortos na história até ao final, capacidade que, como é sabido, somente alguns é que a têm.


Nota: Todas as imagens que ilustram este texto foram retiradas da Internet
   
   

Comentários

  1. Concordo contigo quando dizes que o Mopsaico Parsifal é um daqueles livros que não se copnsegue parar de ler. Pena que ainda não tenha sido adaptado, tanto quanto sei. Em relação a Bourne, penso que terá sido uma das grandes inspiurações de uma bd muito popular que se chama XIII. Mas, isto, claro é apenas uma suposição minha. Um abraço.

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