Os Intocáveis - A Lei de Chicago!



                                                      




    Vários são os filmes baseados em séries de televisão que fazem justiça à fonte inspiradora. Citamos por exemplo "Missão Impossível" (Brian DePalma, 1996), baseado na série de sucesso da década de 60 do século passado, que foi um grande sucesso de bilheteira quando estreou. Mas, anos antes, este mesmo realizador acertava em cheio com outro sucesso de bilheteira inspirado na televisão, que, de resto, foi o inicío da carreira do realizador.
Os Intocáveis da série de televisão
    Baseado numa série de televisão chamada "The Untouchables", ela própria baseada no livro de memórias de Elliot Ness intitulado "The Untouchables",  exibida entre 1959 e 1963, em que o agente federal Elliot Ness e outros agentes, cuja incorruptabilidade, lhes granjeia o nome de "Os Intocáveis", lutavam contra o crime organizado  em Chicago, durante a Lei Seca, na década de 30
    O filme de De Palma, igualmente baseado na obra, conta a história de Elliot Ness (Kevin Costner) um oficial do Tesouro Americano que quer acabar com o império do mais famoso gangster da década de 30: Al Capone (Robert De Niro), para isso conta com um pequeno grupo de outros agentes da lei a que alguém, a dado momento no filme  chama, lhes chama "Intocáveis".
    Realizado  por Brian De Palma, autor de, entre outros, "Carrie" (1976), "Vestida para Matar" (1980), "Blow-Out - A Explosão" (1981) ou "Scarface - A Força do Poder" (1983), este último, pode, de certa forma,  considerar-se como o percursor de "Os Intocáveis", já que o assunto é o tráfico de droga e a luta pelo poder levada a cabo por um exilado Cubano.
Os Intocáveis de De Palma
   Ajudado por um elenco excepcional onde se salienta Kevin Costner, num dos seus melhores papéis, como Elliot Ness, o agente que quer acabar com Al Capone e o seu império do mal;  Sean Connery (vencedor do Oscar de Melhor Actor Secundário), é Jimmy Malone, o policia que vai influenciar Ness e que o convence a não desistir da luta na fabulosa cena da igreja onde diz ao agente federal como é que se deve agir em Chicago, é uma interpretação acima da média de quem inúmeras vezes interpretou no cinema o agente secreto mais famoso do mundo; Andy Garcia, aqui a dar os seus primeiros passos no cinema, é George Stone, aluno da Academia  da policia que Malone recruta devido à sua excepcional pontaria e inteligência de raciocínio em situações de pressão; Charles Martin Smith, é Oscar Wallace, contabilista emprestado pelo FBI a Ness, que descobre a maneira de se apanhar Al Capone e que se vê arrastado na acção muito mais do que pretendia; e Robert De Niro num registo secundário mas de grande vigor, é Al Capone, numa interpretação "bigger than life", a que o actor já nos habituou.

  O filme é um festival de boas interpretações, um especial cuidado de direcção artística na reconstituição da Chicago da década de 30, uma banda sonora composta pelo mestre Ennio Morricone, que capta na perfeição os sons da época, com eles  percorre todo o filme marcando uma certa cadência na acção e, principalmente, um argumento excepcional escrito por David Mamet.  Tudo isto faz de "Os Intocáveis" um filme inesquecível.
Brian De Palma, um realizador competente
    Graças à técnica de realização apurada de DePalma, que utiliza planos, movimentos e rotações de camera absolutamente incriveis, muitos deles em "slow motion", para que o espectador se sinta parte integrante da acção, fruto de uma montagem habilidosa, patente em todos os filmes do realizador acima citados, algumas cenas são de antologia como por exemplo a carga dos intocáveis e da polícia montada Canadiana; a da morte de Malone ou ainda aquela que fica na memória de toda a gente: a sequência do tiroteio na estação de comboios que é absolutamente brilhante em termos técnicos, onde o virtuosismo do realizador está mais patente e vai muito para além duma qualquer cena convencional.
Uma homenagem ao cinema
   Qualquer espectador mais atento perceberá que essa cena é uma homenagem ao próprio cinema e, particularmente, ao pai da montagem cinematográfica moderna: Sergei Eisenstein, na fabulosa  sequência do massacre das escadas de Odessa  em "Couraçado Potemkin" (Sergei Eisenstein,1925). A cena em que o carrinho de bébé desce a escada sózinho, é decalcada plano-a-plano do original.São 75 segundos de puro brilhantismo cinematográfico que De Palma estica e homenageia até à exaustão.
Um clássico moderno e obrigatório.


Nota: As imagens e vídeos que ilustram este texto foram retirados da Internet

Comentários

  1. O que é mais engraçado é que a mítica sequência da estação só foi feita assim, porque não havia dinheiro para o que Brian de Palma queria fazer: uma perseguição com um comboio em movimento (ele viria a fazeralgo semelhante em Missão Impossível). Mas ainda bem que não o fez, pois a cena resultou num das mais deslumbrantes em toda a sua já extensa carreira de realizador. Um abraço.

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