O Tempo passa sem parar, como um rio que corre em direcção ao mar, dissipa-se nas brumas da Memória colectiva... É o Tempo que serve a memória ou é a memória que serve o Tempo?
quarta-feira, 19 de junho de 2019
domingo, 12 de maio de 2019
ACONTECEU NO OESTE
Há, no cinema, inúmeros momentos que, só por si, valem toda a pena e tornam os filmes dignos de serem vistos e alguns deles, por via desses mesmos momentos, transformam-se em verdadeiras obras-primas destinadas a serem vistas e revistas, analisadas e re-analisadas por gerações de espectadores e estudiosos da Sétima Arte. É assim com a cena final de “The Searchers – A Desaparecida” (1956), a última obra-prima de John Ford; ou com o anti-heroismo que Alan Ladd mostra em “Shane” (George Stevens, 1953). Dificil mesmo é superar o início de “Aconteceu no Oeste”.
Flagstone, uma cidade no oeste americano é o centro duma luta pela posse das terras, por onde o caminho- de-ferro terá de passar e que tem a única fonte de água da região, entre Brett McBain, dono das terras, e Morton, um milionário dos caminhos-de- -ferro que quer as terras a todo o custo e não olha a meios para o conseguir, mesmo que seja preciso matar; pelo meio desta luta surgem a mulher de Brett e um ladrão romântico acabado de fugir da prisão. Entretanto um homem sem nome, desembarca na cidade, parece ter um encontro marcado com alguém mas como esse alguém não aparece, ele deambula pela cidade observando tudo e todos e acaba por tomar uma posição em relação ao conflicto eminente.
Depois de terminar “The Good, the Bad and the Ugly – O Bom, o Mau e o Vilão” (1966), Sergio Leone tinha decidido não voltar a fazer westerns pois queria ter tempo para fazer outros filmes e já tinha começado a trabalhar numa ideia baseada num livro intitulado “The Hoods”, escrito por Harry Grey, no qual ele contava as suas experiências como jovem Judeu durante a Lei Seca (esta ideia seria transformada na sua obra-prima final, “Once Upon A Time in America – Era Uma Vez na América”, mas apenas em 1984!), quando os estúdios da Paramount lhe ofereceram a possibilidade de trabalhar com Henry Fonda, que era o actor favorito de Leone e com quem ele já queria trabalhar desde o início da sua carreira de realizador, liberdade criativa e um orçamento considerável. Leone nem pensou duas vezes e aceitou de imediato.
Com “Aconteceu no Oeste”, Leone, mudou a sua forma de abordar a temática e, ao contrário dos seus anteriores westerns que eram mais ritmados e com um ligeiro humor á mistura, este é mais sombrio na temática e lento no ritmo, obrigando o espectador a estar atento a todas as cenas. Tal como na chamada “Trilogia dos Dólares” que antecedeu este filme, o estilo do realizador continua muito influenciado por Akira Kurosawa, o grande realizador japonês, cuja sombra paira sobre em alguns dos mais belos planos cinematográficos desta obra-prima que foi o início de uma nova trilogia cinematográfica que alguns apelidaram de “Once Upon a Time Trilogy”, que o realizador nunca confirmou, preferindo apenas chamar-lhe “Uma Trilogia sobre a América”.
Com o elenco escolhido, as filmagens tiveram início em 1967 e prolongaram-se até princípios de 1968 em diversos locais de itália, espanha e estados unidos.
“Aconteceu no Oeste” serve também para meditar sobre o avanço da civilização e da modernização do Novo Mundo em oposição á destruição do Oeste e daquilo que o tornou famoso e que Leone tão bem soube mostrar nas suas obras anteriores: o Oeste masculino, a lei dos homens, no qual a personagem de Jill McBain parece não ter lugar adquirido nem por via do seu casamento com McBain, mas que terá de o conquistar a pulso e que, invariavelmente, virá a conseguir (a cena final dela a caminhar entre os trabalhadores do caminho de ferro para lhes dar água e comida é o resultado dessa conquista). ![]() |
| Ennio Morricone e Sergio Leone |
Quando estreou, “Aconteceu no Oeste” foi um enorme sucesso em frança e em toda a europa. Nos Estados Unidos a recepção foi menos calorosa do que a “Trilogia dos Dólares, mas acabou por ganhar algum estatuto durante as décadas de 70 e 80 quando jovens realizadores como Martin Scorsese, John Carpenter, George Lucas, John Boorman ou Quentin Tarantino falaram sobre a influência do filme nas suas carreiras e abertamente o reconheceram como uma obra-prima.
“Aconteceu no Oeste” é um grande triunfo cinematográfico, figura em practicamente todas as listas dos melhores filmes de sempre, incluindo a distinção que lhe foi atribuída em 2009, quando foi selecionado para figurar no Registo de Filmes da Biblioteca Nacional do Congresso dos Estados Unidos pela sua importância Cultural e Histórica. Em suma, uma Obra-prima!
Nota : as imagens e vídeo que ilustram o texto foram retiradas da Internet
domingo, 6 de janeiro de 2019
The Moody Blues – Entre os Blues e o Progressivo
Em 1964, a Inglaterra ainda estava sob o efeito da fama e do histerismo que os “Os Quatro de Liverpool” tinham provocado no início da década e continuavam a provocar, quando em Warwickshire, perto da cidade de Birmingham, Ray Thomas, John Lodge e Mike Pinder, todos músicos que costumavam tocar juntos no liceu e ocasionalmente em “pubs” e festas sob o nome de “El Riot & The Rebels”, davam os primeiros passos na formação de um grupo musical que, tal como os Beatles, fizesse história. Mas, com a mesma rapidez com que se formaram, rapidamente se separaram, com Lodge a entrar para um Curso Profissional e Mike Pinder a ingressar no exército. Voltariam, no entanto a reencontrar-se com Thomas e, uma vez que continuavam com vontade de fazer música, recrutaram um vocalista/ guitarrista de nome Denny Laine. O manager da banda, Graeme Edge, tornou-se baterista e Clint Warwick assumiu o baixo. Os cinco apresentaram-se como “Moody Blues” em Birmingham. O nome do grupo nasceu de uma cervejaria, a “M&B”, que esperava ser patrocinada e lançada no mercado, mas que nunca o chegou a ser. O grupo, a principio, actuava sob a designação de “The M Bs” ou “The M B Five”, mas era também uma referência muito subtil a um tema famoso de Duke Ellington, “Mood Indigo”.
De Birmingham a Londres foi um pequeno salto dado no início de 1965. Foi Alex Murray, que entretanto se tornara “manager” e ex-homem forte da “A&M Records”, quem conseguiu que o grupo fosse contratado pela “Decca Records”, que estava a dar os primeiros passos na indústria, para gravar as suas primeiras músicas. Gravaram o seu primeiro single, “Steal Your Heart Away”, nesse mesmo ano, mas foi completamente ignorado nos tops musicais. Entre aparições na televisão e alguns concertos em pequenas salas, “Os Moody Blues” gravaram um segundo single “Go Now”, que foi editado ainda no mesmo ano e que conseguiu alguma atenção do público e da crítica e permitiu o lançamento da sua carreira e que a “Decca Records” começasse a apostar no grupo e lhes desse luz verde para a gravação de um mini-álbum com quatro temas, intitulado “The Moody Blues”, que haviam sido os quatro lados dos dois singles anteriores, mas em versões longas. O seu álbum de estreia viu a luz do dia ainda em 1965, “The Magnificent Moodies” vinha ainda envolto numa grande componente de “Rhythm & Blues”. Um dos lados era inteiramente preenchido com com covers de “R&B” e o outro trazia quatro temas originais de Mike Pinder e Denny Laine.
A edição de alguns temas, sem sucesso, em single, não ajudaram em nada e trouxeram divergências entre o grupo e Alex Murray, levando a que este abandonasse o seu papel de “manager”. O pouco sucesso conseguido nesta altura deve-se aos temas “From the Bottom of My Heart (I Love You)”, com um coro perto do final que já antecipava aquilo que viria mais tarde noutro tema do grupo e “Everyday”, ambos escritos pela dupla Pinder/Laine, que, apesar da prestação discreta nos tops, começaram a afirmar o som do grupo que por esta altura procurava fazer apresentações ao vivo fora do seu ambiente natural e que graças ao tema “Bye Bye Bird”, desenterrado do álbum, fazia uma boa carreira nos Estados Unidos e em França onde conseguiu um 3º lugar no top nacional.
Reformulado o grupo, com a chegada de John Lodge, que já havia tocado com Pinder nos “El Riot” e Justin Hayward, que vinha recomendado por Eric Burdon dos
“Animals”. Pinder, depois de ouvir os seus acordes de guitarra num tema por si escrito, “London is Behind Me”, contactou Hayward e este foi imediatamente recrutado.
“Days of Future Passed”, viu a luz do dia em novembro de 1967 e, apesar de algum cepticismo por parte dos executivos da “Decca” no que respeita a “Concept Albuns”, acabou por ser um dos discos mais celebrado e vendido de sempre. O álbum é constituído por um ciclo de canções que decorre no espaço de um só dia (de manhã á noite) e no que respeita á produção e arranjos, o álbum inspirou-se no pioneirismo de uso de instrumentos clássicos dos Beatles e na utilização do Mellotron (sintetizador) que Pinder introduzira nesse mesmo ano. O grupo utilizaria ainda a designação de “The London Festival Orchestra” (nome fictício utilizado pelos músicos de estúdio da Decca Records) para criar uma ligação orquestral aos temas já escritos e interpretados pela banda e ainda uma abertura e conclusão poética interpretada por Mike Pinder.
O álbum, mais os dois singles dele extraídos (“Nights in White Satin” e “Tuesday Afternoon”) demoraram algum tempo a encontrar a sua audiência, principalmente na Grâ-Bretanha onde os dois singles andaram discretamente pelos tops, em que o primeiro mais não conseguiu que um modesto 9º lugar e o segundo, inicialmente não esteve em nenhum top, mas veria a conseguir triunfar fora do seu país. “Nights in White Satin”, viria, posteriormente a ser considerado um dos melhores temas de sempre de Rock Progressivo e, inevitavelmente, o melhor cartão de apresentação do grupo.
Na primavera de 1974, depois de completarem uma longa tournée mundial que os levou pela primeira até ao continente asiático, o grupo decidiu fazer uma pausa na sua carreira (que na altura foi entendida como uma ruptura) porque todos os seus membros se encontravam exaustos e tinham também alguns projectos a solo paralelos que iriam ver a luz do dia ao longo dos anos seguintes. Mike Pinder, que entretanto se mudara para a Califórnia, ainda tentou, no início de 1975, juntar os restantes membros do grupo para a gravação de um novo álbum. Viajou até inglaterra para se juntar a eles, mas a resposta foi tão fraca que ele regressou aos Estados Unidos. Os “Moody Blues” só se voltariam a reunir como grupo no final de 1977.
Mas a reunião do grupo não iria correr como se pretendia. A editora Decca, como que a antecipar um novo álbum e para espevitar o interesse do público, faz sair uma série de gravações, contra a vontade dos músicos, de temas com cerca de oito anos e mal misturados, do grupo a tocar no Royal Albert Hall. As sessões de gravação do novo álbum foram feitas num clima de grande tensão e divisão evidentes. Algumas causas naturais, como um incêndio no estúdio ou deslizamentos de terras causadas por chuvadas intensas, contribuíram definitivamente para que o novo álbum fosse atrasado. Mike Pinder saiu do grupo antes das gravações estarem concluídas, obrigando ao recurso a músicos de estúdio e o produtor Tony Clarke, alegando razões pessoais, foi forçado a sair deixando a produção do álbum a meio.
Por esta altura, Mike Pinder já tinha sido substituído por Patrick Moraz, que acabara de ser dispensado dos “Yes”, outro grupo de rock progressivo britânico, e passou a integrar os “Moody Blues” nos concertos, passando a membro integrante do grupo no final da tournée. O álbum vendeu ainda melhor quando formou a base da “Octave World Tour” que levou o grupo um pouco a todo o mundo entre outubro de 1978 e grande parte de 1979.
Em 1980, o grupo, agora reformulado, estava pronto para entrar novamente em estúdio. Mike Pinder, ao ver-se substituído pelo teclista suíço e percebendo que o grupo já não contava consigo, apesar de ter deixado presente que não quereria voltar a tocar em concertos, ainda tentou mover um processo aos seus antigos companheiros para impedir que um novo álbum fosse editado. Mas em vão. O músico nunca mais voltou ao grupo.
“The Other Side of Life”, editado em 1986, realinhou o universo o grupo novamente no caminho do sucesso graças ao tema “Your Wildest Dreams” que lhes trouxe um novo alento á carreira: foram uns dos poucos sobreviventes que passaram das sonoridades psicadélicas dos anos 60 para os novos sons da década de 80 sem grandes alterações na sua própria sonoridade. O renovado interesse na banda, obtido graças a uma escolha variada de estilos e sons incluídos neste álbum (desde o uso e abuso de sintetizadores, sequenciadores e caixas de ritmos ao ponto de quase ser classificado como “Synth-Pop”), trouxe-lhes uma audiência mais jovem que timidamente os começara a ouvir em 1981, acompanhada por aqueles que já vinham do início, apesar de uma parte achar que os álbuns desta nova fase eram muito mais suaves no seu conteúdo do que os primeiros. Moraz, com o seu som moderno, ajudado por Barry Radman, um programador de sintetizadores, tudo misturado por Tony Visconti, o novo produtor do grupo, trouxe-lhes algo que o grupo ainda procurava para se poder manter competitivo com os grupos pop contemporâneos (nomeadamente os “New Romantics”, como “Duran Duran”, “Spandau Ballet”, “Classix Nouveaux”, “Visage” ou “Ultravox”, só para citar alguns, que surgiram em força no início dos anos 80).
Firmes na nova fase da sua carreira, o grupo edita, em 1988, “Sur La Mer” como uma possível continuação do álbum anterior, mas acaba por ficar apenas na intenção porque, apesar de começar bem com “I Know you’re out There Somewhere” (visto pela maior parte dos críticos da altura como uma extensão de “Your Wildest Dreams”, mas superior em termos de letra e de música), fica-se só por aí.
Mas apesar das quebras de qualidade musical do grupo, este permanecia grande em termos de concertos ao vivo e em 1992, numa série de concertos para angariação de fundos, o grupo actua no Anfiteatro das Red Rocks no Colorado com a Orquestra Sinfónica do Colorado na comemoração dos 25 anos do álbum “Days of Future Passed”. O sucesso é tão grande que, no ano seguinte, é edtado o álbum “A Night at the Red Rocks with the Symphony Orchestra of Colorado” que vinha acompanhado de um vídeo com o concerto filmado integralmente. Foi o último grande sucesso do grupo.
Em 2015, o grupo foi introduzido no “Rock and Roll Hall of Fame”, depois de terem sido considerados como uma das bandas que mais influenciaram a música na história do Rock.
Nota: as imagens e vídeo que ilustram este artigo foram retirados da Internet
sábado, 15 de abril de 2017
Jesus Christ Superstar
A Broadway sempre teve (e terá), através do seu poderio artístico,
grande influência na Sétima Arte e, na altura em que o Musical, género maior no
cinema, dava cartas, durante as décadas de 40, 50 e um pouco na década de 60,
muitos filmes foram buscar inspiração (escrita e artística) á Broadway, dando
origem a muitos sucessos cinematográficos que fizeram as delícias dum público
cada vez mais exigente.
Foi durante a
rodagem do filme “A Fiddler On the Roof – Um Violino no Telhado”, em 1971, que Barry
Dennen, actor no filme e que também entrava na peça da Broadway onde
interpretava Poncio Pilatos, quem sugeriu a Norman Jewison, realizador do
filme, que este deveria realizar a versão cinematográfica de “Jesus Christ
Superstar”. O realizador ouviu o álbum e assistiu á peça e decidiu que queria fazer
a dita adaptação. Mas o realizador queria que aquela fosse a sua versão e não
apenas uma adaptação de um sucesso da Broadway e para isso optou por
distanciar-se um pouco da peça. O argumento, escrito por Jewison e Melvyn
Bragg, inspirado na peça, mostra-nos então uma encenação feita por um grupo de
turistas, da última semana de vida de Cristo, vista do ponto de vista de Judas,
que começa com a sua entrada triunfal em Jerusalém e termina co
a
Crucificação.
Inicialmente, Jewison queria
Ian Gillan no papel de Jesus porque este tinha-o interpretado no álbum e na
peça, mas o cantor recusou, porque
entendeu que alegraria mais os seus fans se andasse em tournée com os “Deep
Purple”, o seu grupo musical. Outros nomes, como Micky Dolenz, vocalista dos
“The Monkees” ou David Cassidy, foram considerados pelos produtores para
interpretar Jesus, mas acabaram por se decidir por Ted Neeley, que já o
interpretava na peça, depois de ter levado a cabo um exaustivo estudo sobre a
personagem. O mesmo viria a acontecer com Carl Anderson, no papel de Judas, no
qual o actor se revezava com Ben Vereen no mesmo espectáculo na Broadway. Do
mesmo elenco teatral transitariam para o filme retomando os seus papéis: Yvonne
Elliman, no papel Maria Madalena; Barry Dennen, no papel de Poncio Pilatos e
Bob Bingham, no papel de Caiafás (Yvonne Elliman e Barry Dennen também tinham
feito parte do elenco do álbum original), além de outros actores e actrizes da
peça.
Reunido o elenco
necessário, escrito o argumento, toda a equipa partiu para Israel e outros
locais no Médio Oriente, para filmar em
localizações que se assemelhassem o mais possível com a realidade de há mais de
2000 anos. A rodagem decorreu durante grande parte de 1972.
O “Jesus Cristo
Superstar” de Norman Jewison é uma brilhante versão, por vezes, de cortar a
respiração, de uma ópera rock, em alguns momentos chega mesmo a ser superior, á
peça teatral do mesmo nome. Usando a maior parte das mesmas músicas (apesar de
para a banda sonora do filme terem sido compostos dois novos temas) e as mesmas
letras (com algumas pequenas modificações em relação á peça teatral), o filme
ganha por ser uma abordagem mais ligeira em vez de manter o tom pesado da peça
e por mostrar um olhar de fora para dentro (do ponto de vista de Judas) em vez
do olhar narcisista que por vezes se assumia na peça. Tudo isto conduzido pela
mão talentosa de Jewison ( que não resiste a fazer uma breve aparição no filme
como o ancião que reconhece Pedro no
tema “Peter’s Denial”).
Mas, na minha
opinião, num filme cheio de tantos e tão bons momentos, tem de haver aquele que
marca tudo e todos, elevando-se acima da
acção e esse acontece no tema “Superstar” quando Jesus, depois de ter sido
traído, vaiado, espancado e flagelado, encontra-se às portas do Céu e surge-lhe
o espírito de Judas, pendurado numa cruz, que vem questioná-lo sobre o porquê
da sua vinda naquele tempo e daquela maneira, se tudo aquilo que lhe aconteceu,
teria sido parte de um Plano Divino e se ele acredita mesmo naquilo que dizem
que ele é (Superstar). O tema termina num “plongée” estudado (o único momento
em que vemos a acção do ponto de vista de Jesus, no início da sua Ascensão ao
Céu) e intercalado com imagens da caminhada para a Crucificação. Este tema é
talvez o momento mais marcante de todo o filme.
Apesar de ser um filme
datado, “Jesus Christ Superstar" não perdeu nenhuma da sua frescura desde que
estreou em 1973. Continua a ser referido
como uma das melhores adaptações da peça teatral e certamente a melhor produção
cinematográfica do género. Não existe em nenhum momento aquela sensação de que
o espectador está a ser manipulado para acreditar naquilo que acontece diante
dos olhos, não se vê nenhuma situação em que se perceba que as personagens são
forçadas a ter aquela pose obrigatória numa coreografia de palco. As
personagens vivem naquele deserto livremente, encenando aquela história como se
ela não fosse o acontecimento que é, nem tivesse a importância que tem no seio
da religião Católica.
E isso é muito bom.
Nota: as imagens e vídeo que ilustram o texto foram retiradas da Internet.
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