quinta-feira, 26 de março de 2015

A Cor do Dinheiro - Para fans de snooker!


   
Em 1961 Paul Newman (1925-2008) interpretava um dos papéis mais marcantes na sua longa carreira de actor. "Fast" Eddie Felson assim se chamava a personagem e era um ingénuo jogador de snooker que, irá sentir na pele os altos e baixos da vida até se reencontrar. O filme chamava-se "The Hustler - a Vida é um Jogo", realizado por Robert  Rossen. Vinte e cinco anos e sete nomeações para os óscares depois, ele retoma o papel e vence a concorrência.
    "A Cor do Dinheiro", assim se chama o filme e vamos encontrar "Fast" Eddie, mais de vinte anos depois dos acontecimentos do filme anterior,  reformado dos grandes torneios nas fumarentas salas de snooker à procura de alguém em quem possa investir o seu dinheiro e esse alguém encontra-o na pele de Vincent (Tom Cruise), um jovem vigarista que tem uma incrível técnica a jogar snooker e que lhe faz lembrar ele próprio quando era jovem. Eddie resolve então apostar em Vince, fazê-lo rodar por vários salões e levá-lo até ao topo onde cada vitória ronda os milhões de dólares. Mas sabe "Fast" Eddie que esta aposta irá levá-lo a algo mais que ele não está à espera.
    Quando se começou a falar numa possível continuação de “The Hustler”,  Walter Tevis, autor do romance com o mesmo título do filme, adaptou  directamente a sua obra, mas realizador e produtores, resolveram não seguir o livro e delinearam uma história completamente nova, conservando apenas o título do livro. Ausente desta continuação está a personagem de Minnesota Fats, o adversário de “Fast” Eddie em “ The Hustler”, interpretado por Jackie Gleason que, tal como Newman, também foi nomeado para os Oscares. Paul Newman queria que ele aparecesse e, até certa altura da pré-produção, a personagem fazia parte do primeiro esboço de argumento que chegou ás mãos de Scorsese. Mas, a dada altura, pareceu aos produtores que não havia nenhuma cena em que Minnesota coubesse, pelo que a sua presença foi abandonada.
 
Não se deve considerar “A Cor do Dinheiro” como uma sequela directa de “The Hustler”, até porque nunca foi essa a intenção do realizador. A sua ideia era apresentar o ex-jogador de snooker mais velho, mais maduro e com outra ocupação ( neste caso “Fast” Eddie é um vendedor de bebidas de sucesso), que ainda  se passeia pelas salas de jogo das  pequenas e grandes cidades, no seu Cadillac branco, do qual tem muito orgulho, juntamente com a sua namorada, Janelle ( a bonita actriz Helen Shaver), antiga empregada de bar. Eddie ainda joga Snooker mas não pelas grandes apostas e nem com os jogadores que correram com ele do jogo
    
As interpretações são magnifícas, a começar por Paul Newman que ganharia o Oscar de Melhor Actor, ao interpretar um "Fast" Eddie Felson muito mais maduro e experiente do que em "The Hustler". As sequências em que ele é énganado por um "Hustler" mais novo e aquela em que ele regressa às grandes competições, são de antologia e dignas de figurar no panteão das grandes interpretações. Tom Cruise, ao interpretar Vincent, o protegido de "Fast" Eddie e depois o seu oponente ( no final, Mestre e  Discípulo enfrentam-se no único campo de batalha que ambos conhecem e o resultado não se sabe qual será, já que “Fast” Eddie avisa Vincent de que se o não vencer ali, fa-lo-á noutra altura qualquer porque, como ele diz, “I’m Back”!), tem aqui uma interpretação honesta de quem ainda estava em princípio de carreira.
   
Realizado por Martin Scorsese, "A Cor do Dinheiro", mostra-nos o ambiente vivido nas salas de snooker, os jogos, as apostas e a constante mudança do dinheiro de mão em mão, tudo isto intercalado com algumas das melhores sequências de snooker alguma vez filmadas que têm o seu ponto alto no inicio do grande torneio de Atlantic City onde, num magnifíco grande plano, se vêm as mesas de snooker reluzentes como se fossem campos prontos para as batalhas que se vão seguir. O realizador encarou este filme como uma “obra de encomenda”, que fez, juntamente com “After Hours – Nova York fora de Horas” (1985), para se recuperar do fracasso comercial que fora “The King of Comedy – O Rei da Comédia” (1983)., apesar dos nomes grandes e dum tema banal, mas popular e Scorsese, sendo um realizador que gosta de criar histórias novas, completamente pessoais a partir da sua própria imaginação e não  terminar algo que outro começou antes, neste caso, 25 anos antes, não se sentirá plenamente realizado.
   Apesar de não ser um dos melhores filmes de Martin Scorsese, o seu estilo está bem patente em cada imagem que se vê, é uma realização em constante movimento, contribuindo para isso a montagem de Thelma Schoonmaker, colaboradora habitual do realizador, tal como as personagens do filme. 
   
Em diversas cenas, como quando Eddie vê Vince pela primeira vez a jogar e apercebe-se de que a namorada do rapaz, Carmen (Mary Elizabeth Mastrantonio, sensual), apesar de gostar do ambiente das salas, está obviamente a ficar aborrecida, resolve aproximar-se dela e fazer um acordo que lhes permita ganhar muito dinheiro; ou quando Eddie usa Carmen num jogo de sedução entre ambos para fazer ciúmes a Vince e assim perceber qual é o grau de auto-confiança do jovem, são cenas extremamente bem encenadas e muito próximas da sensibilidade que Scorsese põe em tua a sua obra no que toca nas relações entre personagens, principalmente femininas. Também a “voz off” no início do filme ( é o próprio Martin Scorsese que o faz numa apresentação não creditada), a explicar as regras do jogo é também um reflexo do tema do filme. A cena, filmada por entre o fumo dos cigarros e pedaços de giz para o taco, é  a melhor apresentação para mergulhar o espectador nos ambientes reais do filme.
   O filme estreou a 8 de outubro de 1986 nos estados unidos e a 17, do mesmo mês, na europa. A critica geral foi positiva, apesar de muitos o considerarem inferior ao seu antecessor. Mesmo assim rendeu cerca de 53.000.000 de dólares, só nos estados unidos. O filme elevou a popularidade do bilhar e do snooker um pouco por todo o mundo.
 Tal como "Fast" Eddie Felson, em dado momento do filme, vê o seu reflexo numa bola de snooker, este filme reflecte a carreira de um grande actor, finalmente recompensada com o Oscar da Academia, prémio máximo a que qualquer actor pode e deve aspirar, no seu penúltimo grande papel. O último grande momento seria em "Estrada para Perdição" (Sam Mendes, 2002).

Nota: As imagens e vídeo que ilustram o texto foram retiradas da Internet




sábado, 28 de fevereiro de 2015

“Heaven’s Gate” - Ás Portas do Céu – Um Filme injustiçado


   
Há filmes que ficam na história do cinema pelas melhores razões, mas também é verdade que também os há que figuram na mesma história pelas piores razões. E desses quase nunca reza a história. “Heaven’s Gate – Ás Portas do Céu”,  realizado em 1980 por Michael Cimino, foi um desses filmes que ficou na sétima arte pelas segundas razões, mas que, ao contrário de muitas outras produções, esta acabou por ser reconhecida como uma das maiores injustiças do cinema.
   Em 1890, a cidade de Casper, no Condado de Johnson, no Wyoming, está a ferro e fogo, pois a Associação dos Criadores de Gado, constituida por homens ricos já estabelecidos no território está em Guerra com os emigrantes europeus recém-chegados ao Wyoming que por vezes lhes roubam o gado para alimentar as suas numerosas familias. Os nativos têm na sua posse uma lista com 125 nomes  que irão ser assassinados. Será a Jim Averill, um “Marshall” de passagem pela cidade a quem os emigrantes irão recorrer para impedir que aquele massacre aconteça.
   Em 1971, Michael Cimino era um aspirante a realizador. O seu nome já aparecera nos créditos de alguns filmes de Hollywood como argumentista e foi nessa qualidade que apresentou o argumento de “Heaven’s Gate” (então chamado “The Johnson County War”) aos executivos da United Artists. O argumento circulou pelos estúdios durante algum tempo, mas, por não atrair nenhum nome sonante, acabou por ser arrumado durante alguns anos. Foram precisos dois sucessos do realizador “Thunderbolt and Lightfoot – A Última Golpada” (1974, produzido e protagonizado por Clint Eastwood) e o multipremiado  “The Deer Hunter – O Caçador” (1978) para que recebesse luz verde dos executivos da United  e voltasse a pegar no argumento.
   
O filme é dividido em três partes: o início, passa-se em 1870 em Harvard e funciona como uma espécie de prólogo e nele conhecemos Jim Averill (Kris Kristofferson) e Billy Irvine (John Hurt), que são dois finalistas daquela universidade que, depois de serem formados, tomam parte, juntamente com os restantes finalistas, numa serenata ás suas namoradas presentes no evento. Na segunda parte, a acção passa para Johnson County, no Wyoming, em 1890 onde decorre praticamente toda a acção do filme. Passaram-se 20 anos desde a sua formatura, Averill, agora “Marshall” dos Estados Unidos, reencontra Billy Irvine que está do lado da Associação dos Criadores de Gado e toma conhecimento do que está para acontecer, mas não se quer meter porque acha que o assunto não lhe diz respeito por que ele está apenas de passagem pela cidade e a sua atenção está focada na bela Ella Watson (Isabelle Huppert), dona dum bordel, dividida entre dois amores, por Averill e por Nate Champion (Christopher Walken), pistoleiro de renome e amigo de Averill. Mais tarde ou mais cedo, as posições de cada um terão que se extremar e as consequências que dai resultantes  serão penosas para todos os envolvidos.
   
Finalmente a terceira parte passa-se em Newport, Rhode Island, em 1903 e funcionará como um epílogo. Jim Averill já não é o mesmo homem que era, as feridas do passado são mais que muitas e profundas (apesar de já se terem passado mais de dez anos e estarmos num novo século), dos acontecimentos sangrentos que testemunhou e que viveu “in loco” e isso nota-se na longa cena que encerra o filme, é uma cena feita de silêncios cúmplices e acusatórios e recordações dolorosas de perdas  duma vida que, apesar de toda a sua classe e riqueza nunca mais foi a mesma.
   A rodagem teve início em abril de 1979 e seria terminada quase um ano depois, em março de 1980. A data inicial para terminar a rodagem era dezembro de 1979, mas Cimino achava-se um perfeccionista e queria tudo o mais realista possível, por isso mandou desmontar cenários, repetir “takes”, alterou a ordem da rodagem, reescreveu o argumento inúmeras vezes para que tudo ficasse o mais fiel possível á sua ideia. Conforme ia atrasado a produção, assim também aumentaram os custos.
 
 De um orçamento inicial de cerca de 11.000.000 de dólares, a produção final ficou em cerca de 44.000.000 de dólares! O triplo daquilo que estava planeado. Entre muitas histórias que se contaram sobre a rodagem e contadas num livro intitulado “The Final Cut”, algumas houve que davam Cimino como despedido por incompatibilidades pessoais (e essa hipótese esteve várias vezes em cima da mesa dos executivos do estúdio durante a interminável rodagem), não só com os actores, como também com os técnicos, e que estaria a ser considerado convidar David Lean para tomar o leme das rodagens. O realizador britânico negou que tivesse sido convidado para o terminar o filme pois isso era contra os regulamentos da “Directors Guild of America”, pois o realizador original ainda não tinha sido despedido. Outra história famosa, do mesmo livro, conta que durante a pos-produção, o realizador terá mudado a fechadura da sala de montagem para proibir os executivos do estúdio (que já estavam fartos do realizador e da sua megalomania), de verem o filme até a montagem estar concluída. A equipa de editores queixou-se, mais tarde, de que Cimino os obrigava a montar o filme de acordo com a sua visão, desprezando a técnica de cada um, porque estava convencido que o seu filme se iria tornar numa obra-prima. Algum tempo depois, um elemento anónimo de dentro do estúdio terá dito que “O nível de pretensão dentro daquela sala de montagem só foi igualado pelo nível do desastre financeiro em que o filme se tornou”.
   
Em Junho de 1980, o realizador faz um visionamento do filme aos executivos da United Artists. Com uma duração de cerca de cinco horas e vinte e cinco minutos, que Cimino disse “ ser quinze minutos mais longa do que seria a versão final”. Os executivos recusaram-se a estrear um filme com aquela duração e consideraram novamente despedir o realizador. Mas Cimino prometeu-lhes que iria remontar o filme para uma duração mais aceitável. Durante quatro meses, o realizador fechou-se na sala de montagem a trabalhar na versão do filme que estreou em novembro de 1980, com a duração de 219 minutos.
   Lá diz a sabedoria popular que “o que nasce torto  tarde ou nunca se endireita” e foi precisamente isso que aconteceu a “Heavens  Gate”. Ao fim duma semana de exibição, de más receitas de bilheteira e de péssimas críticas, a United Artists e o realizador, retiraram o filme  de circulação e adiaram a sua estreia mundial.  Em april de 1981, o filme estreou novamente numa versão do realizador de 149 minutos, ou seja, pela terceira vez consecutiva, o filme foi remontado e desta vez foram cortados mais de dois quartos de cenas. Esta versão, não só era menor em duração, mas também se diferenciava radicalmente da anterior na montagem de cenas e escolha de “takes” dessas mesmas cenas. Mas ainda não seria desta que o filme iria resultar. Ao fim de duas semanas de exibição e tendo feito uma bilheteira de apenas 1.300.000 dólares, o filme saiu de exibição e, desta versão, nunca mais se ouviu falar porque nunca foi editada nos Estados Unidos, mas chegou á europa onde obteve algum sucesso porque o público europeu ainda se lembrava do sucesso mundial que fora “O Caçador”. A promissora carreira de Cimino pareceu ter-se afundado com a United Artists. O seu nome passou a ser sinónimo de desastre e nem sequer os dois únicos filmes que conseguiu realizar na década de 80, “The Year of the Dragon - O Ano do Dragão” (1985) e “The Sicilian - O Siciliano” (1987) conseguiram retirar o seu nome da lista dos mais indesejáveis de Hollywood
   
Em 1982, o canal de TV por cabo,  “Z Channel” exibiu a versão de 219 minutos que estreara em 1980 – foi a primeira vez que essa versão foi exibida e foi também graças a essa exibição que a expressão “Director’s Cut”, largamente publicitada por esse canal, se tornou tão popular que, hoje em dia, as “Director’s Cut”, são como que o “Santo Graal” de qualquer filme!
Durante vários anos, esta versão, de 219 minutos, distribuída posteriormente pela MGM, que adquiriu todo o catálogo da United Artists quando esta faliu, foi a única a circular em todos os circuitos e era vulgarmente chamada de “Uncut” ou “Original Version”, ou ainda “Heaven’s Gate…The Legendary Uncut Version”. Inúmeras vezes, Michael Cimino, quando questionado sobre a “Original Version”, insistia de que não a considera como tal porque, por se encontrar sob demasiada pressão para estrear o filme nas datas previstas, mas, essencialmente como uma espécie de “Filme inacabado”
   
Em 2005, foram localizados diversos negativos, ainda em boas condições que incluíam diversas cenas que nunca tinham sido vistas no cinema. O filme foi remontado, aumentando consideravelmente a metragem. a MGM estreou o filme em algumas salas nos estados unidos e na europa, sempre com casas cheias de um público que começava a mudar a sua opinião acerca do filme, e a presença, além de todo o elenco que incluía, Kris Kristofferso, Christopher Walken, Isabelle Huppert, John Hurt, Sam Waterston, Jeff Bridges, entre outros, de Michael Cimino. Por falta de verba dentro da MGM, esta versão nunca foi comercializada.
   
Em 2012, 32 anos depois da estreia, a MGM estreia no Festival de Veneza, uma versão digitalmente restaurada de “Heaven’s Gate” com a duração de 216 minutos, supervisionada pessoalmente por Michael Cimino e na qual ele explica que (finalmente) esta é a versão que ele sempre quis fazer e que é a sua preferida…longe vão os tempos da megalómana (suposta) versão de mais de cinco horas de duração cuja, existência, de resto, nunca foi confirmada por ninguém, nem pelo próprio realizador e argumentista, que continua em busca de um rumo que terá perdido algures durante a produção deste filme.
   Com a chegada do novo século, a obra tem sido reavaliada pela crítica e pelo público e tem sido objecto de uma nova atenção, não sei se, por obra e graça das novas tecnologias, se pelo facto de já se ter escrito e falado tanto deste filme. Hoje, grande parte do que se escreve sobre ele, é para explicar o porquê de se ter injustiçado tanto a visão grandiosa (embora algo megalómana) e crítica de um realizador sobre um episódio verídico que ocorreu no seu próprio país, mais do que a explicar o próprio filme.

Nota: as imagens e vídeo que ilustram o texto foram retiradas da internet





quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

O Grande Mestre do Crime – O Jogo do Gato e do Rato



   
Em 1956, o filme “ The Killing – Um Roubo no Hipódromo”, reaiizado por Stanley Kubrick, deu nas vistas entre a crítica, apesar do relativo fracasso nas bilheteiras, muito por culpa da distribuidora que não soube (ou não quis) promover o filme. A história, simples, do planeamento e assalto a um hipódromo durante um dia de corridas de cavalos, do qual iriam resultar cerca de 2.000.000 de dólares para os cinco executantes, começou a correr bem até acabar mal para todos. Apesar da banalidade da história, já diversas vezes vista no grande écran, nomeadamente no filme “Asphalt Jungle – Quando a Cidade Dorme” (John Huston, 1950), o que chamou a atenção foi a técnica que o jovem realizador, então com 29 anos, usou para contar a história: a divisão do écran para mostrar o que cada personagem faz antes, durante e depois do assalto, a câmara subjectiva mostrando o ponto de vista de cada um dos envolvidos e a narrativa em “voz off”. O filme trouxe também um novo  sub-género para o policial, o chamado “Caper Movie”.
   
O “Caper Movie”  também chamado  filme de esquema,  golpe e /ou assalto, é um tipo de filme cuja premissa principal é baseada em algo que alguém faz, motivado por um qualquer motivo, seja ele de vingança ou puro prazer, como por exemplo, montar um esquema para extorquir dinheiro a alguém ou alguma organização, ou assaltos a bancos, supermercados, instituições variadas, depois de ser meticulosamente planeado e feito ilegalmente. O “Caper Movie” nunca foi um género muito explorado pela sétima arte, embora tenham existido alguns filmes que deram expressão ao género, tais como os supra-citados, aos quais podemos ainda juntar “Ocean’s Eleven –Os Onze de Oceano” (Lewis Milestone, 1960), com Frank Sinatra, Sammy Davis, Jr. E Dean Martin, entre outros; ou o famosíssimo  “The Sting – A Golpada” (George Roy Hill, 1973). Com Paul Newman, Robert Redford. Entre estes dois, surge também “The Thomas Crown Affair – O Grande Mestre do Crime”, realizado em 1968 por Norman Jewison. Com Steve McQueen e Faye Dunaway.
   
Thomas Crown é um milionário e empresário de sucesso. Jovem, inteligente,  gosta de jogar Pólo e de fazer desportos radicais como voar de planador. Tem tudo para ser o mais feliz dos homens, mas quer sempre mais e, como tal, gosta de correr riscos. Quando não está na pele do empresário milionário, entretem-se a planear  assaltos a bancos cada vez mais audaciosos. Vickie Anderson, agente de seguros, é chamada para investigar o roubo de cerca de 2.000.000 de dólares num banco em plena luz do dia e  colaborar na investigação da polícia na tentativa de deslindar o assalto e assim receber uma percentagem do que for recuperado. Vickie vê em Thomas um possível envolvido no roubo e pretende prova-lo. Entre os dois começa então um jogo de gato e rato, do qual, independentemente, do resultado, só um é que pode sair vencedor.
   
O filme começa com uma série de múltiplas imagens no écran: uma cabine telefónica no écran superior direito, um dedo a marcar um número de telefone no écran abaixo e alguém a aguardar uma chamada telefónica algures. Ao longo de todo o início do filme estas imagens, mostrando uma mesma acção  a decorrer em diversos locais, darão o mote para o que se segue: quando Crown pousa o telefone, acontece o assalto e os dados estão lançados.
Esta técnica, de imagens múltiplas em vários écrans, tinha sido introduzida no ano anterior, nomeadamente no filme-documentário “A Place to Stand”,  escrito, realizado e montado por Christopher Chapman, que serviu para apresentar o estado do Ontário, na “Expo ‘67” que decorreu em Montreal , no Canadá e antes já tinha sido usada, num modo muito mais simplista, no filme “Grand Prix – Grande Prémio” (John Frankenheimer, 1966).
   
Norman Jewison e os dois protagonistas
Norman Jewison, depois do triunfo com  “In the Heat of the Night – No Calor da Noite”, que, no ano anterior, levara para casa o Oscar de Melhor Filme do Ano, entre outros prémios, queria fazer um filme diferente daquele. O realizador  foi um dos convidados para ver a ante-estreia do documentário de Chapman  e ficou entusiasmado  com aquela técnica inovadora. Algum tempo depois chegou-lhe ás mãos um argumento escrito por  Alan R. Trustman, Jewison achou-o adequado para utilizar aquela nova  técnica e chamou o director de fotografia Haskell Wexler e o editor Hal Ashby, que haviam trabalhado com o realizador no filme anterior, tendo este último sido vencedor dum  Oscar com “No Calor da Noite” e falou-lhes na sua ideia. Ambos aceitaram e a técnica foi incorporada depois do produto ter sido finalizado. Apesar da fotografia  inovadora  e a montagem primorosa, o filme não obteve o devido reconhecimento.
   
“It’s about me,  me and the System”, é assim que Thomas Crown justifica o puro prazer que lhe dava conceber assaltos cada vez mais arrojados. À luz dos dias de hoje é difícil conceber estas palavras ditas por qualquer outro actor que não fosse Steve McQueen, eterno galã da sétima arte e rei do “cool” que o imortalizara em produções anteriores como “Os  Sete Magnifícos” (John Sturges, 1960),; “ A Grande Evasão” (John Stuges, 1963); “O Aventureiro de Cincinnatti” (Norman Jewison, 1965) , entre outros, nem o haveria de perder em “Bullitt” (Peter Yates, 1968), que na altura ainda não estreara nos cinemas. Faye Dunaway interpreta Vickie Anderson , a agente de seguros que , mal  conhece Crown, inicia um jogo de gato e rato com o seu alvo que tem o seu momento mais alto na cena da famosa partida de xadrez que se transforma num autêntico jogo de sedução, brilhantemente montado (com o écran dividido em duas partes para mostrar ambas as personagens e suas reacções) e fotografada em tons quentes para apimentar  sedução. Dunaway foi uma segunda escolha já que inicialmente o papel seria para Eva Marie Saint, mas  como a primeira estava no topo da fama , pois no ano anterior participara em “Bonnie & Clyde” (Arthur Penn) e pareceu ser a escolha certa pois a actriz não teve qualquer problema em adaptar-se aquela personagem  duma beleza avassaladora, carregada de sensualidade, inteligência e pouco escrupulosa nos seus meios para alcançar os fins.
O xadrez como jogo de sedução
 
Tirando a quimíca quase perfeita entre os dois protagonistas que resulta dos brilhantes diálogos de um argumento bem escrito, ficamos com uma história bem contada, um constante jogo de perspicácias levadas a cabo por cada uma das partes   (bem patente na cena em que Vickie, por entre os inúmeros suspeitos possíveis, agarra na foto de Crown , olha-a profundamente e diz sem rodeios “That’s  the one!”),graças a uma realização estilizada de Norman Jewison que nunca deixa o o filme cair na monotonia ou na vulgaridade e cujo desfecho permanece um mistério até á última cena. Além da já citada cena do xadrez, um outro aspecto, muitas vezes ignorado pelo público, contribuiu para que este filme se viesse a tornar numa obra de culto ao longo das décadas: a excelência da banda sonora, da autoria de Michel Legrand adequadamente composta para criar todo o ambiente em que o filme decorre, além do famosíssimo tema “The Windmills of Your Mind”,  cantado por Noel Harrison, com o tom certo, ponderado e até algo frio para estar de acordo com o personagem de Steve McQueen. A canção, um dos mais belos temas que alguma vez se ouviu num filme, seria muito justamente premiado com o Oscar da Academia para Melhor Canção, um dos dois prémios para que o filme foi nomeado.
   Em 1999, foi feito um remake do filme, “O Caso Thomas Crown”, realizado por John McTiernan e com Pierce Brosnan e Rene Russo como protagonistas. Faye Dunaway faz um breve papel como psicanalista de Brosnan. Talvez devido ao mediatismo de Brosnan, que na altura interpretativa o papel de James Bond 007 no cinema, o filme foi um inesperado sucesso, apesar de não ter a frescura do original, acaba por ser um interessante filme de polícias e ladrões.

Nota: as imagens e vídeo que ilustram o texto foram retiradas da internet







sábado, 27 de dezembro de 2014

Jack Ryan – Um “Techno-herói” para o Séc. XXI

 

    Não é tão charmoso como James Bond ou Dirk Pitt, nem desenrascado como McGyver, também não é azarado como John McLane, nem tão mortífero como Jack Bauer ou Jason Bourne. Ele é um pouco de todos eles e chama-se John Patrick Ryan, mais conhecido como Jack Ryan.
 
Os rostos de Jack Ryan no cinema (1990-2014)
Jack Ryan é uma personagem fictícia criada por Tom Clancy (1947-2013), antigo agente de seguros, apaixonado por história, particularmente história naval. Após obter  o seu grau universitário em Literatura Inglesa, em 1973, inscreveu-se no Centro de Treinos de Oficiais do Exército, mas foi excluído devido a um problema de visão que o obrigava a usar uns óculos semi-escuros.  Foi então trabalhar para a agência de seguros que fora fundada pelo avô da sua esposa.
No início de 1980 comprou a agência, continuando a trabalhar lá. Nas horas vagas aproveitava para escrever. Escreveu inúmeros livros de acção, sempre bem recheados de detalhes  militares (diz-se que tinha grande facilidade em aceder a informação secreta e classificada como tal) e tecnológicos, além de alguns livros-guia em que analisa profundamente alguma vida militar, como os Marines, os blindados, os submarinos, os Porta-Aviões, entre outros. Escreveu várias séries  como “NetForce”  e “Op-Center”, além de diversos livros em que entra a sua criação mais famosa de todas: o analista de dados da CIA, Jack Ryan.
  
   
A sua primeira aparição acontece no livro “The Hunt for Red October – Caça ao Outubro Vermelho”, primeiro livro escrito por Tom Clancy e publicado em 1984, mas, como se verá mais á frente, não será a primeira aventura de Ryan.
Nele, o então Analista de Dados da CIA, Jack Ryan,  descobre que Marko Ramius, o mais famoso comandante de submarino Soviético, pretende desertar, com os seus oficiais, para os Estados Unidos, a bordo do “Outubro Vermelho”, o submarino mais avançado do mundo. Ryan tem que convencer os seus superiores  que as intenções de Ramius são verdadeiras.
    O enorme sucesso literário que foi “Caça ao Outubro Vermelho”, permitiu que Tom Clancy se tornasse numa referência literária da américa dos anos 80, sendo-lhe frequentemente atribuida a paternidade de um novo género literário intitulado “TechnoThriller”. O livro foi a primeira obra de ficção publicada pelo Instituto Naval Americano e também a sua obra mais popular.
Ao longo do livro, extremamente bem escrito,  com pormenores técnicos interessantes e momentos cheios de tensão e suspense, percebemos que Jack Ryan teve um passado aventuroso antes de ser recrutado pela CIA e pelo Almirante James Greer.  Passado esse que iremos conhecer, assim como o seu presente e futuro, nas obras subsequentes de  Clancy.
   Os antecedentes de Ryan são apresentados em “Patriot Games” e  continuam em “Red Rabbit”:  Nascido em 1950, estudou na escola preparatória de Loyola,  em Towson do estado de Maryland. Inscreveu-se na universidade de Boston onde foi Bacharel em Economia e Artes (com uma nota fraca em História).  Enquanto aguardava a incorporação nos Marines, passou no Exame de Certificação de Contabilidade Pública.
Depois de fazer o curso básico de Oficial na Base Militar de Quantico, graduando-se como Segundo-Tenente, foi comandar um pelotão, mas foi-o por pouco tempo, já que, durante um exercicio militar das forças da NATO, o helicóptero onde seguia com os seus homens, despenhou-se ao largo da ilha de Creta, ferindo-o gravemente nas costas, apesar dos inúmeros esforços cirúrgicos dos médicos militares, ficou com uma lesão permanente que o levou a abandoner a carreira militar e, graças ao seu grau em Contabilidade, propôs-se a exame para Bolsista,  passou  e tornou-se especulador na firma Merrill Lynch, sediada em Baltimore.
Após quatro anos a trabalhar e fazer uma fortuna avaliada em cerca de 8.000.000 de dólares, Ryan abandonou a firma e inscreveu-se na Universidade de Georgetown para se doutorar em História. Depois de fazer o seu estágio, aceitou o lugar de professor de história na Academia Naval Americana. A partir deste momento na sua vida, começam as aventuras de Jack Ryan. Cronologicamente, decorrem como se segue e é assim que deverão ser lidas:
    Em “Patriot Games” (1987), Durante uma viagem  de férias e também de alguma pesquisa para as suas aulas, Ryan testemunha uma tentativa de assassinato ao Princípe de Gales levada a cabo por membros do Exército de Libertação do Ulster. Intervindo rapidamente, ele salva a vida ao menbro da familia Real, ao matar um dos terroristas e fazendo  prisioneiro um outro. Por ter salvo a vida ao princípe, Ryan é feito Cavaleiro pela Rainha Isabel II e quando regressa aos Estados Unidos, é convidado a integrar os quadros da CIA como Analista de Dados na procura de terroristas internacionais. Ele inicialmente recusa, mas depois de um ataque fracassado, levado a cabo pelo ULA (Ulster Liberation Army), á sua família, na qual a sua mulher Caroline e a sua filha, Sally, ficam seriamente feridas e em perigo de vida. Resolvido esse incidente  que termina com a prisão de membros do grupo, Ryan aceita o cargo e é colocado em Londres como membro de ligação entre a CIA e os Serviços Secretos Britânicos.
   
Em “Red Rabbit” (2002),  Ryan, ainda colocado em londres, tem como missão ajudar um Oficial de Comunicações e sua familia a desertar para o ocidente . O Oficial de Comunicações descobriu que o director do KGB ordenou o assassinato do Papa João Paulo II. Ryan e um pequeno grupo de agentes secretos conseguem salvar “O Coelho”  e a sua família, mas falham o “timing” para impedir a tentativa de assassinar o Papa, apesar deste ficar só ferido,  o seu assassino é capturado. A deserção do “Coelho” para o ocidente acaba por ser extremamente útil aos americanos e ingleses, pelas  informações que trazia consigo e, á luz dessas informações, Ryan acabará por sugerir uma solução não-militar para apressar o colapso da União Soviética.
   Em “The Hunt for Red October – A Caça ao Outubro Vermelho” (1984), Ryan, que ainda está em Londres, já é analista de dados, viaja até langley, na virgínia para entregar umas fotografias ao Almirante Greer, de um novo protótipo de submarino soviético que lhe chegaram ás mãos e, após falar com alguns amigos, desconfia que as intenções do comandante do submarino é desertar para o ocidente com o novo protótipo, o “Outubro Vermelho”, e vai tentar ajudar o militar a desertar, mas, para isso, terá que convencer os seus superiores de que são essas as suas intenções. Por ter sido o primeiro livro da série, algumas personagens, além de Jack Ryan, aparecerão em muitas obras seguintes, nesta série e noutras, ligadas entre si. 
   
   “The Cardinal of the Kremlin – O Cardeal do Kremlin” (1988), Jack Ryan é colocado em Langley, na Virgínia e torna-se assistente do almirante Greer com o título oficial de Assistente Especial do Director-Adjunto de Espionagem. Percebe-se que o almirante o está a preparar para altos cargos dentro da CIA. Ryan é então enviado a Moscovo integrado num grupo estratégico que vai tentar negociar a redução das armas nucleares. Fica então a saber que um agente da CIA infiltrado na união soviética e cujo nome de código é “Cardeal” é o coronel Mikhail Semyonovich Filitov,  o adjunto do Ministro da Defesa Soviético e herói nacional, que, para se vingar da morte da mulher e dois filhos ao serviço do exército vermelho,  à muitos anos passa segredos políticos e militares para o ocidente. No decorrer das conversações, Ryan conhece Sergey Golovko, um agente em ascensão dentro da hierarquia do KGB e entre os dois estabelece-se uma relação de amizade (que se fortalecerá em livros subsequentes) e mútuo respeito. Será este agente quem irá ajudar Ryan a planear a deserção de Filitov para os Estados Unidos quando a sua identidade é descoberta pelo KGB e a sua vida posta em risco.
O livro é uma sequela de “Caça ao Outubro Vermelho” já que explica qual foi o destino do submarino russo: este foi despido de toda a tecnologia revolucionária que trazia consigo e foi afundado numa fossa ao largo de Puerto Rico para evitar ser encontrado e recuperado. Jack Ryan e Marko Ramius são as únicas testemunhas que presenciaram o facto.
   Já “Clear and Present Danger” (1989) , apresenta-nos Jack Ryan promovido a Director-Adjunto interino da CIA porque o Almirante Greer foi internado com um cancro numa fase quase terminal. Apesar da posição que tem dentro da organização, Ryan desconhece que a CIA e o governo americano financiam uma guerra contra os cartéis da droga na Colômbia. Após a descoberta, pela guarda costeira americana, de um iate de recreio cujo dono e sua família, foram mortos por assassinos envolvidos em esquema de lavagem de dinheiro de droga, o presidente dos estados unidos, em ano eleitoral e a concorrer para a re-eleição, manda tomar medidas drásticas contra os cartéis da droga. Ryan, ao tomar conhecimento destes acontecimentos e ao deparar-se com uma barreira de silêncio com os seus superiores, junta-se ao FBI e viaja até á Colômbia para tentar saber o que se passa.
   Em “The Sum of All Fears” (1991),  Jack Ryan atinge a posição  mais alta dentro da CIA: é confirmado como Director –Adjunto do Director. A sua nova carreira corre perigo quando Rober J.Fowler, ex-governador do Ohio e antigo candidato a Presidente dos Estados Unidos, se torna Presidente e Elizabeth Elliott, antiga conselheira dos Negócios Estrangeiros, é promovida a Conselheira para a Segurança Nacional. Ambos tiveram confrontos com Jack no passado e estão apostados em dificultar-lhe a vida e isso fica provado quando não lhe é dado crédito nenhum pelo seu plano inovador de paz no Médio Oriente.
Quando uma bomba nuclear é detonada em Denver durante a “Super Bowl” atirando o mundo para uma quase guerra nuclear,  é Ryan que, arriscando tudo aquilo que tem, tenta resolver a crise provando que tudo aquilo não passa de um esquema montado para o desacreditar.  Ao recusar confirmar uma ordem presidencial  para lançar mísseis nucleares contra Qom, uma cidade do médio oriente, Jack retira-se da CIA, não sem antes destruir o Presidente Fowler.
   
Com “Debt of Honor” (1994),  a série atinge o seu climax, do qual nunca mais se libertará e obriga Tom Clancy a aperfeiçoar cada vez  a sua personagem e a dar mais espaço de manobra a outras personagens que até então eram secundárias.
Passaram-se dois anos desde que Jack Ryan se retirou da CIA e que Robert J.Fowler se demitiu da presidência e o seu então Vice-Presidente, Roger Durling, cumpre o mandato para que foi legitimamente eleito. Ryan regressa ao serviço do governo, agora como Conselheiro para a Segurança Nacional.
A Administração e Jack Ryan vão ter que se confrontar com uma segunda guerra contra o Japão, cujo governo é controlado por uma série de magnatas conhecidos como “Zaibatsu” assim como com um ataque ás infraestruturas económicas dos Estados Unidos. Depois duma limpeza ás forças japonesas no pacífico sul, o vice-presidente dos estados unidos,  Ed Kealty, é obrigado a demitar-se das suas funções devido a um escândalo sexual em que está envolvido. O presidente convida Ryan para o lugar, este aceita na condição de que apenas o fará enquanto durar o mandato presidencial de Durling. É uma maneira de Ryan encerrar a sua vida pública ao serviço dos Estados Unidos e ir finalmente dedicar-se á família e às suas aulas de história na Academia Naval Americana.
Mas, inesperadamente, minutos após Jack Ryan ser confirmado no cargo, um piloto japonês, deliberadamente, atira um 747 contra o Capitólio, durante a sessão do Congresso, matando quase toda a gente lá dentro, incluindo o presidente, quase todo o Congresso, membros do Supremo Tribunal, e quase todo o governo federal. Sobrevive um Jack Ryan que, atónito, se vê elevado á presidência dos Estados Unidos da América.
    “Executive Orders” (1996) é a sequela directa de “Debt of Honor” já que, a seguir á dramática conclusão dos acontecimentos, um relutante, mas determinado Jack Ryan, ajuramentado Presidente dos Estados Unidos,  tenta reconstruir o governo americano. Com praticamente todos os elementos executivos, legislativos e judiciais mortos, Ryan é o único poder que representa os Estados Unidos e vai ter defrontar-se com diversas dificuldade e crises enquanto tenta reconstruir o governo e o senado; além de ter de enfrentar os truques políticos com que o ex-vice-presidente Ed Kealty desafia a legitimidade de Ryan no cargo, ainda tem de se confrontar com uma ameaça militar levada a cabo pela china contra  Taiwan e  uma devastadora praga iniciada no Médio Oriente, cujas consequências atingirão os Estados Unidos e o Presidente Ryan tem  de declarar a Lei Marcial em todo o país.
   Em “The Bear and the Dragon” (2000),  Jack Ryan completou, como Presidente, o mandato que pertencera a Roger Durling, faz campanha para – e ganha – a eleição seguinte. Mantém a maior parte dos membros que haviam pertencido ao seu gabinete de emergência,  nomeia Robby Jackson, o primeiro afro-americano, como Vice-Presidente, enquanto tenta arrumar a casa.
Em Moscovo, Sergey Golovko, presidente do Gabinete dos Serviços Estrangeiros (antigo KGB) e amigo do presidente Ryan, é vítima dum atentado do qual, graças ao seu instinto de sobrevivência e da rápida actuação do seu motorista. Ele escapa miraculosamente. 
Algumas semanas depois, em Pequim, uma equipa de reportagem da CNN filma o assassinato do representante do Papa e de um dos seus Bispos, perpretado pelas autoridades chinesas. A comunidade internacional reprova o crime e são impostas sanções económicas á china. Com a economia de restos, devido ás recentes expansões militares contra Taiwan, a china planeia invadir e anexar a Sibéria para tomar posse de lençóis de petróleo e minas de ouro recém-descobertas. Com a escalada de violência  subir cada vez mais de tom, o presidente Ryan convence a NATO a aceitar a Rússia como membro e promete ajuda á Rússia na luta contra o imperialismo chinês, cujos líderes, em desespero, activam os misseis ICBM para os lançar sobre Moscovo, Washington D.C. e toda a comunidade ocidental. Será uma operação especial conjunta entre a Nato e a Rússia que irá pôr termo ás pretensões chinesas e, com a ajuda de estudantes chineses, derrubará o governo, pondo termo ao comunismo no país que irá iniciar a sua transição para a democracia.
   
Tom Clancy
Paralelamente á série principal, Tom Clancy escreveu outros livros, ligados por pequenos acontecimentos e/ou personagens que, apesar de alguma secundarização na série principal onde contribuíam de alguma forma para o desenvolvimento da acção, viriam a ter um desempenho próprio noutros livros e noutras séries.  Assim nasceu a série de John Clark, um operacional da CIA a quem Ryan recorre diversas vezes para resolver algumas situações pontuais, composta pelos livros “Without Remorse” (1993) e “Rainbow Six” (1998); e a série Jack Ryan, Jr, em que o filho do antigo analista de dados da CIA e actual presidente dos estados unidos vai fazer a sua aprendizagem no “Campus”, um campo militar privado secreto  situado num meio termo entre a CIA e a Agência Nacional de Segurança cujos fundos são geridos pela “Hendley & Associates” sob a forma de acções de mercado.
È constituída pelos livros “The Teeth of the Tiger” (2003); “Dead or Alive” (2010); “Locked On” (2011); “Threat Vector” (2012); “Command Authority” (2013); “Support and Defend” (Mark Greaney, 2014); “Full Force and Effect” (Mark Greaney, 2014).
    Tom Clancy faleceu em outubro de 2013  e o último livro que escreveu, em parceria com Mark Greaney, foi “Command Authority”, postumamente, publicado em dezembro desse ano.

                                                         

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