O Tempo passa sem parar, como um rio que corre em direcção ao mar, dissipa-se nas brumas da Memória colectiva... É o Tempo que serve a memória ou é a memória que serve o Tempo?
Em 1961 Paul Newman (1925-2008) interpretava
um dos papéis mais marcantes na sua longa carreira de actor. "Fast"
Eddie Felson assim se chamava a personagem e era um ingénuo jogador de snooker
que, irá sentir na pele os altos e baixos da vida até se reencontrar. O filme
chamava-se "The Hustler - a Vida é um Jogo", realizado por
RobertRossen. Vinte e cinco anos e sete
nomeações para os óscares depois, ele retoma o papel e vence a concorrência.
"A
Cor do Dinheiro", assim se chama o filme e vamos encontrar
"Fast" Eddie, mais de vinte anos depois dos acontecimentos do filme
anterior, reformado dos grandes torneios
nas fumarentas salas de snooker à procura de alguém em quem possa investir o
seu dinheiro e esse alguém encontra-o na pele de Vincent (Tom Cruise), um jovem
vigarista que tem uma incrível técnica a jogar snooker e que lhe faz lembrar
ele próprio quando era jovem. Eddie resolve então apostar em Vince, fazê-lo
rodar por vários salões e levá-lo até ao topo onde cada vitória ronda os
milhões de dólares. Mas sabe "Fast" Eddie que esta aposta irá levá-lo
a algo mais que ele não está à espera.
Quando se começou a falar numa possível
continuação de “The Hustler”,Walter
Tevis, autor do romance com o mesmo título do filme, adaptoudirectamente a sua obra, mas realizador e
produtores, resolveram não seguir o livro e delinearam uma história
completamente nova, conservando apenas o título do livro. Ausente desta
continuação está a personagem de Minnesota Fats, o adversário de “Fast” Eddie
em “ The Hustler”, interpretado por Jackie Gleason que, tal como Newman, também
foi nomeado para os Oscares. Paul Newman queria que ele aparecesse e, até certa
altura da pré-produção, a personagem fazia parte do primeiro esboço de
argumento que chegou ás mãos de Scorsese. Mas, a dada altura, pareceu aos
produtores que não havia nenhuma cena em que Minnesota coubesse, pelo que a sua
presença foi abandonada.
Não se deve considerar “A Cor do Dinheiro”
como uma sequela directa de “The Hustler”, até porque nunca foi essa a intenção
do realizador. A sua ideia era apresentar o ex-jogador de snooker mais velho,
mais maduro e com outra ocupação ( neste caso “Fast” Eddie é um vendedor de
bebidas de sucesso), que aindase
passeia pelas salas de jogo daspequenas
e grandes cidades, no seu Cadillac branco, do qual tem muito orgulho, juntamente
com a sua namorada, Janelle ( a bonita actriz Helen Shaver), antiga empregada
de bar. Eddie ainda joga Snooker mas não pelas grandes apostas e nem com os
jogadores que correram com ele do jogo
As
interpretações são magnifícas, a começar por Paul Newman que ganharia o Oscar
de Melhor Actor, ao interpretar um "Fast" Eddie Felson muito mais
maduro e experiente do que em "The Hustler". As sequências em que ele
é énganado por um "Hustler" mais novo e aquela em que ele regressa às
grandes competições, são de antologia e dignas de figurar no panteão das grandes
interpretações. Tom Cruise, ao interpretar Vincent, o protegido de
"Fast" Eddie e depois o seu oponente ( no final, Mestre e Discípulo enfrentam-se no único campo de
batalha que ambos conhecem e o resultado não se sabe qual será, já que “Fast”
Eddie avisa Vincent de que se o não vencer ali, fa-lo-á noutra altura qualquer
porque, como ele diz, “I’m Back”!), tem aqui uma interpretação honesta de quem
ainda estava em princípio de carreira.
Realizado por Martin Scorsese, "A Cor do
Dinheiro", mostra-nos o ambiente vivido nas salas de snooker, os jogos, as
apostas e a constante mudança do dinheiro de mão em mão, tudo isto intercalado
com algumas das melhores sequências de snooker alguma vez filmadas que têm o
seu ponto alto no inicio do grande torneio de Atlantic City onde, num magnifíco
grande plano, se vêm as mesas de snooker reluzentes como se fossem campos
prontos para as batalhas que se vão seguir. O realizador encarou este filme
como uma “obra de encomenda”, que fez, juntamente com “After Hours – Nova York
fora de Horas” (1985), para se recuperar do fracasso comercial que fora “The
King of Comedy – O Rei da Comédia” (1983)., apesar dos nomes grandes e dum tema
banal, mas popular e Scorsese, sendo um realizador que gosta de criar histórias
novas, completamente pessoais a partir da sua própria imaginação e nãoterminar algo que outro começou antes, neste
caso, 25 anos antes, não se sentirá plenamente realizado.
Apesar de não ser um dos melhores filmes de
Martin Scorsese, o seu estilo está bem patente em cada imagem que se vê, é uma
realização em constante movimento, contribuindo para isso a montagem de Thelma
Schoonmaker, colaboradora habitual do realizador, tal como as personagens do
filme.
Em diversas cenas, como quando Eddie vê Vince
pela primeira vez a jogar e apercebe-se de que a namorada do rapaz, Carmen
(Mary Elizabeth Mastrantonio, sensual), apesar de gostar do ambiente das salas,
está obviamente a ficar aborrecida, resolve aproximar-se dela e fazer um acordo
que lhes permita ganhar muito dinheiro; ou quando Eddie usa Carmen num jogo de
sedução entre ambos para fazer ciúmes a Vince e assim perceber qual é o grau de
auto-confiança do jovem, são cenas extremamente bem encenadas e muito próximas
da sensibilidade que Scorsese põe em tua a sua obra no que toca nas relações
entre personagens, principalmente femininas. Também a “voz off” no início do
filme ( é o próprio Martin Scorsese que o faz numa apresentação não creditada),
a explicar as regras do jogo é também um reflexo do tema do filme. A cena,
filmada por entre o fumo dos cigarros e pedaços de giz para o taco, éa melhor apresentação para mergulhar o
espectador nos ambientes reais do filme.
O filme estreou a 8 de outubro de 1986 nos
estados unidos e a 17, do mesmo mês, na europa. A critica geral foi positiva,
apesar de muitos o considerarem inferior ao seu antecessor. Mesmo assim rendeu
cerca de 53.000.000 de dólares, só nos estados unidos. O filme elevou a
popularidade do bilhar e do snooker um pouco por todo o mundo.
Tal
como "Fast" Eddie Felson, em dado momento do filme, vê o seu reflexo
numa bola de snooker, este filme reflecte a carreira de um grande actor,
finalmente recompensada com o Oscar da Academia, prémio máximo a que qualquer
actor pode e deve aspirar, no seu penúltimo grande papel. O último grande
momento seria em "Estrada para Perdição" (Sam Mendes, 2002).
Nota: As imagens e vídeo que ilustram o texto foram retiradas da Internet
Há filmes que ficam na história do cinemapelas melhores razões, mas também é verdade que também os há que figuram na
mesma história pelas piores razões. E desses quase nunca reza a história. “Heaven’s
Gate – Ás Portas do Céu”, realizado em
1980 por Michael Cimino, foi um desses filmes que ficou na sétima arte pelas
segundas razões, mas que, ao contrário de muitas outras produções, esta acabou
por ser reconhecida como uma das maiores injustiças do cinema.
Em 1890, a cidade de Casper, no Condado de Johnson, no
Wyoming, está a ferro e fogo, pois a Associação dos Criadores de Gado,
constituida por homens ricos já estabelecidos no território está em Guerra com
os emigrantes europeus recém-chegados ao Wyoming que por vezes lhes roubam o
gado para alimentar as suas numerosas familias. Os nativos têm na sua posse uma
lista com 125 nomes que irão ser
assassinados. Será a Jim Averill, um “Marshall” de passagem pela cidade a quem
os emigrantes irão recorrer para impedir que aquele massacre aconteça.
Em 1971, Michael Cimino era um aspirante a realizador. O
seu nome já aparecera nos créditos de alguns filmes de Hollywood como
argumentista e foi nessa qualidade que apresentou o argumento de “Heaven’s
Gate” (então chamado “The Johnson County War”) aos executivos da United
Artists. O argumento circulou pelos estúdios durante algum tempo, mas, por não
atrair nenhum nome sonante, acabou por ser arrumado durante alguns anos. Foram
precisos dois sucessos do realizador “Thunderbolt and Lightfoot – A Última
Golpada” (1974, produzido e protagonizado por Clint Eastwood) e o
multipremiado “The Deer Hunter – O
Caçador” (1978) para que recebesse luz verde dos executivos da United e voltasse a pegar no argumento.
O filme é dividido em três partes: o início, passa-se em
1870 em Harvard e funciona como uma espécie de prólogo e nele conhecemos Jim
Averill (Kris Kristofferson) e Billy Irvine (John Hurt), que são dois finalistas
daquela universidade que, depois de serem formados, tomam parte, juntamente com
os restantes finalistas, numa serenata ás suas namoradas presentes no evento.
Na segunda parte, a acção passa para Johnson County, no Wyoming, em 1890 onde
decorre praticamente toda a acção do filme. Passaram-se 20 anos desde a sua
formatura, Averill, agora “Marshall” dos Estados Unidos, reencontra Billy
Irvine que está do lado da Associação dos Criadores de Gado e toma conhecimento
do que está para acontecer, mas não se quer meter porque acha que o assunto não
lhe diz respeito por que ele está apenas de passagem pela cidade e a sua
atenção está focada na bela Ella Watson (Isabelle Huppert), dona dum bordel,
dividida entre dois amores, por Averill e por Nate Champion (Christopher
Walken), pistoleiro de renome e amigo de Averill. Mais tarde ou mais cedo, as
posições de cada um terão que se extremar e as consequências que dai resultantes
serão penosas para todos os envolvidos.
Finalmente a terceira parte passa-se em Newport, Rhode
Island, em 1903 e funcionará como um epílogo. Jim Averill já não é o mesmo
homem que era, as feridas do passado são mais que muitas e profundas (apesar de
já se terem passado mais de dez anos e estarmos num novo século), dos
acontecimentos sangrentos que testemunhou e que viveu “in loco” e isso nota-se
na longa cena que encerra o filme, é uma cena feita de silêncios cúmplices e
acusatórios e recordações dolorosas de perdas duma vida que, apesar de toda a sua classe e
riqueza nunca mais foi a mesma.
A rodagem teve início em abril de 1979 e seria terminada
quase um ano depois, em março de 1980. A data inicial para terminar a rodagem
era dezembro de 1979, mas Cimino achava-se um perfeccionista e queria tudo o
mais realista possível, por isso mandou desmontar cenários, repetir “takes”,
alterou a ordem da rodagem, reescreveu o argumento inúmeras vezes para que tudo
ficasse o mais fiel possível á sua ideia. Conforme ia atrasado a produção,
assim também aumentaram os custos.
De um orçamento inicial de cerca de 11.000.000 de
dólares, a produção final ficou em cerca de 44.000.000 de dólares! O triplo
daquilo que estava planeado. Entre muitas histórias que se contaram sobre a
rodagem e contadas num livro intitulado “The Final Cut”, algumas houve que
davam Cimino como despedido por incompatibilidades pessoais (e essa hipótese
esteve várias vezes em cima da mesa dos executivos do estúdio durante a
interminável rodagem), não só com os actores, como também com os técnicos, e
que estaria a ser considerado convidar David Lean para tomar o leme das
rodagens. O realizador britânico negou que tivesse sido convidado para o
terminar o filme pois isso era contra os regulamentos da “Directors Guild of America”,
pois o realizador original ainda não tinha sido despedido. Outra história
famosa, do mesmo livro, conta que durante a pos-produção, o realizador terá
mudado a fechadura da sala de montagem para proibir os executivos do estúdio
(que já estavam fartos do realizador e da sua megalomania), de verem o filme
até a montagem estar concluída. A equipa de editores queixou-se, mais tarde, de
que Cimino os obrigava a montar o filme de acordo com a sua visão, desprezando
a técnica de cada um, porque estava convencido que o seu filme se iria tornar
numa obra-prima. Algum tempo depois, um elemento anónimo de dentro do estúdio
terá dito que “O nível de pretensão dentro daquela sala de montagem só foi
igualado pelo nível do desastre financeiro em que o filme se tornou”.
Em Junho de 1980, o realizador faz um visionamento do
filme aos executivos da United Artists. Com uma duração de cerca de cinco horas
e vinte e cinco minutos, que Cimino disse “ ser quinze minutos mais longa do
que seria a versão final”. Os executivos recusaram-se a estrear um filme com
aquela duração e consideraram novamente despedir o realizador. Mas Cimino
prometeu-lhes que iria remontar o filme para uma duração mais aceitável.
Durante quatro meses, o realizador fechou-se na sala de montagem a trabalhar na
versão do filme que estreou em novembro de 1980, com a duração de 219 minutos.
Lá diz a sabedoria popular que “o que nasce torto tarde ou nunca se endireita” e foi
precisamente isso que aconteceu a “Heavens Gate”. Ao fim duma semana de exibição, de más
receitas de bilheteira e de péssimas críticas, a United Artists e o realizador,
retiraram o filme de circulação e
adiaram a sua estreia mundial. Em april
de 1981, o filme estreou novamente numa versão do realizador de 149 minutos, ou
seja, pela terceira vez consecutiva, o filme foi remontado e desta vez foram
cortados mais de dois quartos de cenas. Esta versão, não só era menor em
duração, mas também se diferenciava radicalmente da anterior na montagem de
cenas e escolha de “takes” dessas mesmas cenas. Mas ainda não seria desta que o
filme iria resultar. Ao fim de duas semanas de exibição e tendo feito uma
bilheteira de apenas 1.300.000 dólares, o filme saiu de exibição e, desta
versão, nunca mais se ouviu falar porque nunca foi editada nos Estados Unidos,
mas chegou á europa onde obteve algum sucesso porque o público europeu ainda se
lembrava do sucesso mundial que fora “O Caçador”. A promissora carreira de
Cimino pareceu ter-se afundado com a United Artists. O seu nome passou a ser
sinónimo de desastre e nem sequer os dois únicos filmes que conseguiu realizar
na década de 80, “The Year of the Dragon - O Ano do Dragão” (1985) e “The
Sicilian - O Siciliano” (1987) conseguiram retirar o seu nome da lista dos mais
indesejáveis de Hollywood
Em 1982, o canal de TV por cabo, “Z Channel” exibiu a versão de 219 minutos
que estreara em 1980 – foi a primeira vez que essa versão foi exibida e foi
também graças a essa exibição que a expressão “Director’s Cut”, largamente
publicitada por esse canal, se tornou tão popular que, hoje em dia, as
“Director’s Cut”, são como que o “Santo Graal” de qualquer filme!
Durante vários anos, esta versão, de 219 minutos,
distribuída posteriormente pela MGM, que adquiriu todo o catálogo da United
Artists quando esta faliu, foi a única a circular em todos os circuitos e era
vulgarmente chamada de “Uncut” ou “Original Version”, ou ainda “Heaven’s
Gate…The Legendary Uncut Version”. Inúmeras vezes, Michael Cimino, quando
questionado sobre a “Original Version”, insistia de que não a considera como
tal porque, por se encontrar sob demasiada pressão para estrear o filme nas
datas previstas, mas, essencialmente como uma espécie de “Filme inacabado”
Em 2005, foram localizados diversos negativos, ainda em
boas condições que incluíam diversas cenas que nunca tinham sido vistas no
cinema. O filme foi remontado, aumentando consideravelmente a metragem. a MGM
estreou o filme em algumas salas nos estados unidos e na europa, sempre com
casas cheias de um público que começava a mudar a sua opinião acerca do filme,
e a presença, além de todo o elenco que incluía, Kris Kristofferso, Christopher
Walken, Isabelle Huppert, John Hurt, Sam Waterston, Jeff Bridges, entre outros,
de Michael Cimino. Por falta de verba dentro da MGM, esta versão nunca foi
comercializada.
Em 2012, 32 anos depois da estreia, a MGM estreia no
Festival de Veneza, uma versão digitalmente restaurada de “Heaven’s Gate” com a
duração de 216 minutos, supervisionada pessoalmente por Michael Cimino e na
qual ele explica que (finalmente) esta é a versão que ele sempre quis fazer e
que é a sua preferida…longe vão os tempos da megalómana (suposta) versão de
mais de cinco horas de duração cuja, existência, de resto, nunca foi confirmada
por ninguém, nem pelo próprio realizador e argumentista, que continua em busca
de um rumo que terá perdido algures durante a produção deste filme.
Com a chegada do novo século, a obra tem sido reavaliada
pela crítica e pelo público e tem sido objecto de uma nova atenção, não sei se,
por obra e graça das novas tecnologias, se pelo facto de já se ter escrito e
falado tanto deste filme. Hoje, grande parte do que se escreve sobre ele, é
para explicar o porquê de se ter injustiçado tanto a visão grandiosa (embora
algo megalómana) e crítica de um realizador sobre um episódio verídico que
ocorreu no seu próprio país, mais do que a explicar o próprio filme.
Nota: as imagens e vídeo que ilustram o texto foram retiradas da internet
Em 1956,
o filme “ The Killing – Um Roubo no Hipódromo”, reaiizado por Stanley Kubrick,
deu nas vistas entre a crítica, apesar do relativo fracasso nas bilheteiras,
muito por culpa da distribuidora que não soube (ou não quis) promover o filme.
A história, simples, do planeamento e assalto a um hipódromo durante um dia de
corridas de cavalos, do qual iriam resultar cerca de 2.000.000 de dólares para
os cinco executantes, começou a correr bem até acabar mal para todos. Apesar da
banalidade da história, já diversas vezes vista no grande écran, nomeadamente
no filme “Asphalt Jungle – Quando a Cidade Dorme” (John Huston, 1950), o que
chamou a atenção foi a técnica que o jovem realizador, então com 29 anos, usou
para contar a história: a divisão do écran para mostrar o que cada personagem
faz antes, durante e depois do assalto, a câmara subjectiva mostrando o ponto
de vista de cada um dos envolvidos e a narrativa em “voz off”. O filme trouxe
também um novosub-género para o
policial, o chamado “Caper Movie”.
O
“Caper Movie” também chamadofilme de esquema, golpe e /ou assalto, é um tipo de filme cuja
premissa principal é baseada em algo que alguém faz, motivado por um qualquer
motivo, seja ele de vingança ou puro prazer, como por exemplo, montar um
esquema para extorquir dinheiro a alguém ou alguma organização, ou assaltos a bancos,
supermercados, instituições variadas, depois de ser meticulosamente planeado e
feito ilegalmente. O “Caper Movie” nunca foi um género muito explorado pela
sétima arte, embora tenham existido alguns filmes que deram expressão ao
género, tais como os supra-citados, aos quais podemos ainda juntar “Ocean’s
Eleven –Os Onze de Oceano” (Lewis Milestone, 1960), com Frank Sinatra, Sammy
Davis, Jr. E Dean Martin, entre outros; ou o famosíssimo“The Sting – A Golpada” (George Roy Hill,
1973). Com Paul Newman, Robert Redford. Entre estes dois, surge também “The
Thomas Crown Affair – O Grande Mestre do Crime”, realizado em 1968 por Norman
Jewison. Com Steve McQueen e Faye Dunaway.
Thomas
Crown é um milionário e empresário de sucesso. Jovem, inteligente,gosta de jogar Pólo e de fazer desportos
radicais como voar de planador. Tem tudo para ser o mais feliz dos homens, mas
quer sempre mais e, como tal, gosta de correr riscos. Quando não está na pele
do empresário milionário, entretem-se a planearassaltos a bancos cada vez mais audaciosos. Vickie Anderson, agente de
seguros, é chamada para investigar o roubo de cerca de 2.000.000 de dólares num
banco em plena luz do dia ecolaborar na
investigação da polícia na tentativa de deslindar o assalto e assim receber uma
percentagem do que for recuperado. Vickie vê em Thomas um possível envolvido no
roubo e pretende prova-lo. Entre os dois começa então um jogo de gato e rato,
do qual, independentemente, do resultado, só um é que pode sair vencedor.
O
filme começa com uma série de múltiplas imagens no écran: uma cabine telefónica
no écran superior direito, um dedo a marcar um número de telefone no écran
abaixo e alguém a aguardar uma chamada telefónica algures. Ao longo de todo o
início do filme estas imagens, mostrando uma mesma acção a decorrer em diversos locais, darão o mote
para o que se segue: quando Crown pousa o telefone, acontece o assalto e os
dados estão lançados.
Esta
técnica, de imagens múltiplas em vários écrans, tinha sido introduzida no ano
anterior, nomeadamente no filme-documentário “A Place to Stand”,escrito, realizado e montado por Christopher
Chapman, que serviu para apresentar o estado do Ontário, na “Expo ‘67” que
decorreu em Montreal , no Canadá e antes já tinha sido usada, num modo muito
mais simplista, no filme “Grand Prix – Grande Prémio” (John Frankenheimer,
1966).
Norman Jewison e os dois protagonistas
Norman
Jewison, depois do triunfo com “In the
Heat of the Night – No Calor da Noite”, que, no ano anterior, levara para casa
o Oscar de Melhor Filme do Ano, entre outros prémios, queria fazer um filme
diferente daquele.O
realizadorfoi um dos convidados para
ver a ante-estreia do documentário de Chapmane ficou entusiasmadocom aquela
técnica inovadora. Algum tempo depois chegou-lhe ás mãos um argumento escrito
porAlan R. Trustman, Jewison achou-o
adequado para utilizar aquela novatécnica e chamou o director de fotografia Haskell Wexler e o editor Hal
Ashby, que haviam trabalhado com o realizador no filme anterior, tendo este
último sido vencedor dumOscar com “No Calor
da Noite” e falou-lhes na sua ideia. Ambos aceitaram e a técnica foi
incorporada depois do produto ter sido finalizado. Apesar da fotografiainovadorae a montagem primorosa, o filme não obteve o devido reconhecimento.
“It’s
about me,me and the System”, é assim
que Thomas Crown justifica o puro prazer que lhe dava conceber assaltos cada
vez mais arrojados. À luz dos dias de hoje é difícil conceber estas palavras
ditas por qualquer outro actor que não fosse Steve McQueen, eterno galã da sétima
arte e rei do “cool” que o imortalizara em produções anteriores como “OsSete Magnifícos” (John Sturges, 1960),; “ A
Grande Evasão” (John Stuges, 1963); “O Aventureiro de Cincinnatti” (Norman
Jewison, 1965) , entre outros, nem o haveria de perder em “Bullitt” (Peter
Yates, 1968), que na altura ainda não estreara nos cinemas. Faye Dunaway
interpreta Vickie Anderson , a agente de seguros que , malconhece Crown, inicia um jogo de gato e rato
com o seu alvo que tem o seu momento mais alto na cena da famosa partida de
xadrez que se transforma num autêntico jogo de sedução, brilhantemente montado
(com o écran dividido em duas partes para mostrar ambas as personagens e suas
reacções) e fotografada em tons quentes para apimentarsedução. Dunaway foi uma segunda escolha já
que inicialmente o papel seria para Eva Marie Saint, mascomo a primeira estava no topo da fama , pois
no ano anterior participara em “Bonnie & Clyde” (Arthur Penn) e pareceu ser
a escolha certa pois a actriz não teve qualquer problema em adaptar-se aquela
personagemduma beleza avassaladora,
carregada de sensualidade, inteligência e pouco escrupulosa nos seus meios para
alcançar os fins.
O xadrez como jogo de sedução
Tirando
a quimíca quase perfeita entre os dois protagonistas que resulta dos brilhantes
diálogos de um argumento bem escrito, ficamos com uma história bem contada, um
constante jogo de perspicácias levadas a cabo por cada uma das partes(bem patente na cena em que Vickie, por
entre os inúmeros suspeitos possíveis, agarra na foto de Crown , olha-a
profundamente e diz sem rodeios “That’sthe one!”),graças a uma realização estilizada de Norman Jewison que
nunca deixa o o filme cair na monotonia ou na vulgaridade e cujo desfecho
permanece um mistério até á última cena. Além da já citada cena do xadrez, um
outro aspecto, muitas vezes ignorado pelo público, contribuiu para que este
filme se viesse a tornar numa obra de culto ao longo das décadas: a excelência
da banda sonora, da autoria de Michel Legrand adequadamente composta para criar
todo o ambiente em que o filme decorre, além do famosíssimo tema “The Windmills
of Your Mind”,cantado por Noel
Harrison, com o tom certo, ponderado e até algo frio para estar de acordo com o
personagem de Steve McQueen. A canção, um dos mais belos temas que alguma vez
se ouviu num filme, seria muito justamente premiado com o Oscar da Academia
para Melhor Canção, um dos dois prémios para que o filme foi nomeado.
Em
1999, foi feito um remake do filme, “O Caso Thomas Crown”, realizado por John
McTiernan e com Pierce Brosnan e Rene Russo como protagonistas. Faye Dunaway
faz um breve papel como psicanalista de Brosnan. Talvez devido ao mediatismo de
Brosnan, que na altura interpretativa o papel de James Bond 007 no cinema, o
filme foi um inesperado sucesso, apesar de não ter a frescura do original,
acaba por ser um interessante filme de polícias e ladrões.
Nota: as imagens e vídeo que ilustram o texto foram retiradas da internet
Não é tão charmoso como
James Bond ou Dirk Pitt, nem desenrascado como McGyver, também não é azarado como
John McLane, nem tão mortífero como Jack Bauer ou Jason Bourne. Ele é um pouco
de todos eles e chama-se John Patrick Ryan, mais conhecido como Jack Ryan.
Os rostos de Jack Ryan no cinema (1990-2014)
Jack Ryan é uma
personagem fictícia criada por Tom Clancy (1947-2013), antigo agente de
seguros, apaixonado por história, particularmente história naval. Após obtero seu grau universitário em Literatura
Inglesa, em 1973, inscreveu-se no Centro de Treinos de Oficiais do Exército,
mas foi excluído devido a um problema de visão que o obrigava a usar uns óculos
semi-escuros.Foi então trabalhar para a
agência de seguros que fora fundada pelo avô da sua esposa.
No início de 1980 comprou
a agência, continuando a trabalhar lá. Nas horas vagas aproveitava para
escrever. Escreveu inúmeros livros de acção, sempre bem recheados de
detalhesmilitares (diz-se que tinha
grande facilidade em aceder a informação secreta e classificada como tal) e
tecnológicos, além de alguns livros-guia em que analisa profundamente alguma
vida militar, como os Marines, os blindados, os submarinos, os Porta-Aviões,
entre outros. Escreveu várias sériescomo “NetForce”e “Op-Center”,
além de diversos livros em que entra a sua criação mais famosa de todas: o
analista de dados da CIA, Jack Ryan.
A sua primeira aparição
acontece no livro “The Hunt for Red October – Caça ao Outubro Vermelho”,
primeiro livro escrito por Tom Clancy e publicado em 1984, mas, como se verá
mais á frente, não será a primeira aventura de Ryan.
Nele, o então Analista de
Dados da CIA, Jack Ryan,descobre que
Marko Ramius, o mais famoso comandante de submarino Soviético, pretende desertar,
com os seus oficiais, para os Estados Unidos, a bordo do “Outubro Vermelho”, o
submarino mais avançado do mundo. Ryan tem que convencer os seus
superioresque as intenções de Ramius
são verdadeiras.
O enorme sucesso
literário que foi “Caça ao Outubro Vermelho”, permitiu que Tom Clancy se
tornasse numa referência literária da américa dos anos 80, sendo-lhe
frequentemente atribuida a paternidade de um novo género literário intitulado
“TechnoThriller”. O livro foi a primeira obra de ficção publicada pelo
Instituto Naval Americano e também a sua obra mais popular.
Ao longo do livro,
extremamente bem escrito,com pormenores
técnicos interessantes e momentos cheios de tensão e suspense, percebemos que
Jack Ryan teve um passado aventuroso antes de ser recrutado pela CIA e pelo
Almirante James Greer.Passado esse que
iremos conhecer, assim como o seu presente e futuro, nas obras subsequentes
deClancy.
Os antecedentes de Ryan
são apresentados em “Patriot Games” e continuam
em “Red Rabbit”:Nascido em 1950,
estudou na escola preparatória de Loyola,em Towson do estado de Maryland. Inscreveu-se na universidade de Boston
onde foi Bacharel em Economia e Artes (com uma nota fraca em História).Enquanto aguardava a incorporação nos
Marines, passou no Exame de Certificação de Contabilidade Pública.
Depois de fazer o curso
básico de Oficial na Base Militar de Quantico, graduando-se como
Segundo-Tenente, foi comandar um pelotão, mas foi-o por pouco tempo, já que,
durante um exercicio militar das forças da NATO, o helicóptero onde seguia com
os seus homens, despenhou-se ao largo da ilha de Creta, ferindo-o gravemente
nas costas, apesar dos inúmeros esforços cirúrgicos dos médicos militares,
ficou com uma lesão permanente que o levou a abandoner a carreira militar e,
graças ao seu grau em Contabilidade, propôs-se a exame para Bolsista,passoue tornou-se especulador na firma Merrill Lynch, sediada em Baltimore.
Após quatro anos a
trabalhar e fazer uma fortuna avaliada em cerca de 8.000.000 de dólares, Ryan
abandonou a firma e inscreveu-se na Universidade de Georgetown para se doutorar
em História. Depois de fazer o seu estágio, aceitou o lugar de professor de
história na Academia Naval Americana. A partir deste momento na sua vida,
começam as aventuras de Jack Ryan. Cronologicamente, decorrem como se segue e é
assim que deverão ser lidas:
Em “Patriot Games” (1987), Durante uma viagemde férias e também de alguma pesquisa para as
suas aulas, Ryan testemunha uma tentativa de assassinato ao Princípe de Gales
levada a cabo por membros do Exército de Libertação do Ulster. Intervindo
rapidamente, ele salva a vida ao menbro da familia Real, ao matar um dos
terroristas e fazendoprisioneiro um
outro. Por ter salvo a vida ao princípe, Ryan é feito Cavaleiro pela Rainha
Isabel II e quando regressa aos Estados Unidos, é convidado a integrar os
quadros da CIA como Analista de Dados na procura de terroristas internacionais.
Ele inicialmente recusa, mas depois de um ataque fracassado, levado a cabo pelo
ULA (Ulster Liberation Army), á sua família, na qual a sua mulher Caroline e a
sua filha, Sally, ficam seriamente feridas e em perigo de vida. Resolvido esse
incidenteque termina com a prisão de
membros do grupo, Ryan aceita o cargo e é colocado em Londres como membro de
ligação entre a CIA e os Serviços Secretos Britânicos.
Em “Red Rabbit” (2002),Ryan,
ainda colocado em londres, tem como missão ajudar um Oficial de Comunicações e
sua familia a desertar para o ocidente . O Oficial de Comunicações descobriu
que o director do KGB ordenou o assassinato do Papa João Paulo II. Ryan e um
pequeno grupo de agentes secretos conseguem salvar “O Coelho”e a sua família, mas falham o “timing” para
impedir a tentativa de assassinar o Papa, apesar deste ficar só ferido, o seu assassino é capturado. A deserção do
“Coelho” para o ocidente acaba por ser extremamente útil aos americanos e
ingleses, pelas informações que trazia
consigo e, á luz dessas informações, Ryan acabará por sugerir uma solução
não-militar para apressar o colapso da União Soviética.
Em “The Hunt for Red October – A Caça ao Outubro Vermelho” (1984),
Ryan, que ainda está em Londres, já é analista de dados, viaja até langley, na
virgínia para entregar umas fotografias ao Almirante Greer, de um novo
protótipo de submarino soviético que lhe chegaram ás mãos e, após falar com
alguns amigos, desconfia que as intenções do comandante do submarino é desertar
para o ocidente com o novo protótipo, o “Outubro Vermelho”, e vai tentar ajudar
o militar a desertar, mas, para isso, terá que convencer os seus superiores de
que são essas as suas intenções. Por ter sido o primeiro livro da série,
algumas personagens, além de Jack Ryan, aparecerão em muitas obras seguintes,
nesta série e noutras, ligadas entre si.
“The Cardinal of the Kremlin – O Cardeal do
Kremlin” (1988), Jack Ryan é
colocado em Langley, na Virgínia e torna-se assistente do almirante Greer com o
título oficial de Assistente Especial do Director-Adjunto de Espionagem.
Percebe-se que o almirante o está a preparar para altos cargos dentro da CIA.
Ryan é então enviado a Moscovo integrado num grupo estratégico que vai tentar
negociar a redução das armas nucleares. Fica então a saber que um agente da CIA
infiltrado na união soviética e cujo nome de código é “Cardeal” é o coronel
Mikhail Semyonovich Filitov, o adjunto
do Ministro da Defesa Soviético e herói nacional, que, para se vingar da morte
da mulher e dois filhos ao serviço do exército vermelho, à muitos anos passa segredos políticos e
militares para o ocidente. No decorrer das conversações, Ryan conhece Sergey
Golovko, um agente em ascensão dentro da hierarquia do KGB e entre os dois
estabelece-se uma relação de amizade (que se fortalecerá em livros subsequentes)
e mútuo respeito. Será este agente quem irá ajudar Ryan a planear a deserção de
Filitov para os Estados Unidos quando a sua identidade é descoberta pelo KGB e
a sua vida posta em risco.
O livro é uma sequela de
“Caça ao Outubro Vermelho” já que explica qual foi o destino do submarino
russo: este foi despido de toda a tecnologia revolucionária que trazia consigo
e foi afundado numa fossa ao largo de Puerto Rico para evitar ser encontrado e
recuperado. Jack Ryan e Marko Ramius são as únicas testemunhas que presenciaram
o facto.
Já “Clear and Present Danger” (1989) , apresenta-nos Jack Ryan promovido
a Director-Adjunto interino da CIA porque o Almirante Greer foi internado com
um cancro numa fase quase terminal. Apesar da posição que tem dentro da
organização, Ryan desconhece que a CIA e o governo americano financiam uma
guerra contra os cartéis da droga na Colômbia. Após a descoberta, pela guarda
costeira americana, de um iate de recreio cujo dono e sua família, foram mortos
por assassinos envolvidos em esquema de lavagem de dinheiro de droga, o
presidente dos estados unidos, em ano eleitoral e a concorrer para a
re-eleição, manda tomar medidas drásticas contra os cartéis da droga. Ryan, ao
tomar conhecimento destes acontecimentos e ao deparar-se com uma barreira de
silêncio com os seus superiores, junta-se ao FBI e viaja até á Colômbia para
tentar saber o que se passa.
Em “The Sum of All Fears” (1991),Jack Ryan atinge a posiçãomais
alta dentro da CIA: é confirmado como Director –Adjunto do Director. A sua nova
carreira corre perigo quando Rober J.Fowler, ex-governador do Ohio e antigo
candidato a Presidente dos Estados Unidos, se torna Presidente e Elizabeth
Elliott, antiga conselheira dos Negócios Estrangeiros, é promovida a
Conselheira para a Segurança Nacional. Ambos tiveram confrontos com Jack no
passado e estão apostados em dificultar-lhe a vida e isso fica provado quando
não lhe é dado crédito nenhum pelo seu plano inovador de paz no Médio Oriente.
Quando uma bomba nuclear
é detonada em Denver durante a “Super Bowl” atirando o mundo para uma quase
guerra nuclear,é Ryan que, arriscando
tudo aquilo que tem, tenta resolver a crise provando que tudo aquilo não passa
de um esquema montado para o desacreditar.Ao recusar confirmar uma ordem presidencialpara lançar mísseis nucleares contra Qom, uma
cidade do médio oriente, Jack retira-se da CIA, não sem antes destruir o
Presidente Fowler.
Com “Debt of Honor” (1994),a
série atinge o seu climax, do qual nunca mais se libertará e obriga Tom Clancy
a aperfeiçoar cada veza sua personagem
e a dar mais espaço de manobra a outras personagens que até então eram
secundárias.
Passaram-se dois anos
desde que Jack Ryan se retirou da CIA e que Robert J.Fowler se demitiu da
presidência e o seu então Vice-Presidente, Roger Durling, cumpre o mandato para
que foi legitimamente eleito. Ryan regressa ao serviço do governo, agora como
Conselheiro para a Segurança Nacional.
A Administração e Jack
Ryan vão ter que se confrontar com uma segunda guerra contra o Japão, cujo
governo é controlado por uma série de magnatas conhecidos como “Zaibatsu” assim
como com um ataque ás infraestruturas económicas dos Estados Unidos. Depois duma
limpeza ás forças japonesas no pacífico sul, o vice-presidente dos estados
unidos,Ed Kealty, é obrigado a
demitar-se das suas funções devido a um escândalo sexual em que está envolvido.
O presidente convida Ryan para o lugar, este aceita na condição de que apenas o
fará enquanto durar o mandato presidencial de Durling. É uma maneira de Ryan
encerrar a sua vida pública ao serviço dos Estados Unidos e ir finalmente
dedicar-se á família e às suas aulas de história na Academia Naval Americana.
Mas, inesperadamente,
minutos após Jack Ryan ser confirmado no cargo, um piloto japonês,
deliberadamente, atira um 747 contra o Capitólio, durante a sessão do
Congresso, matando quase toda a gente lá dentro, incluindo o presidente, quase
todo o Congresso, membros do Supremo Tribunal, e quase todo o governo federal.
Sobrevive um Jack Ryan que, atónito, se vê elevado á presidência dos Estados
Unidos da América.
“Executive Orders” (1996) é a sequela directa de “Debt of Honor” já
que, a seguir á dramática conclusão dos acontecimentos, um relutante, mas
determinado Jack Ryan, ajuramentado Presidente dos Estados Unidos, tenta reconstruir o governo americano. Com
praticamente todos os elementos executivos, legislativos e judiciais mortos,
Ryan é o único poder que representa os Estados Unidos e vai ter defrontar-se
com diversas dificuldade e crises enquanto tenta reconstruir o governo e o
senado; além de ter de enfrentar os truques políticos com que o
ex-vice-presidente Ed Kealty desafia a legitimidade de Ryan no cargo, ainda tem
de se confrontar com uma ameaça militar levada a cabo pela china contraTaiwan euma devastadora praga iniciada no Médio Oriente, cujas consequências
atingirão os Estados Unidos e o Presidente Ryan tem de declarar a Lei Marcial em todo o país.
Em “The Bear and the Dragon” (2000),Jack Ryan completou, como Presidente, o mandato que pertencera a Roger
Durling, faz campanha para – e ganha – a eleição seguinte. Mantém a maior parte
dos membros que haviam pertencido ao seu gabinete de emergência,nomeia Robby Jackson, o primeiro afro-americano,
como Vice-Presidente, enquanto tenta arrumar a casa.
Em Moscovo, Sergey
Golovko, presidente do Gabinete dos Serviços Estrangeiros (antigo KGB) e amigo
do presidente Ryan, é vítima dum atentado do qual, graças ao seu instinto de
sobrevivência e da rápida actuação do seu motorista. Ele escapa
miraculosamente. Algumas semanas depois, em Pequim, uma equipa de reportagem da
CNN filma o assassinato do representante do Papa e de um dos seus Bispos,
perpretado pelas autoridades chinesas. A comunidade internacional reprova o
crime e são impostas sanções económicas á china. Com a economia de restos,
devido ás recentes expansões militares contra Taiwan, a china planeia invadir e
anexar a Sibéria para tomar posse de lençóis de petróleo e minas de ouro
recém-descobertas. Com a escalada de violênciasubir cada vez mais de tom, o presidente Ryan convence a NATO a aceitar
a Rússia como membro e promete ajuda á Rússia na luta contra o imperialismo
chinês, cujos líderes, em desespero, activam os misseis ICBM para os lançar
sobre Moscovo, Washington D.C. e toda a comunidade ocidental. Será uma operação
especial conjunta entre a Nato e a Rússia que irá pôr termo ás pretensões
chinesas e, com a ajuda de estudantes chineses, derrubará o governo, pondo
termo ao comunismo no país que irá iniciar a sua transição para a democracia.
Tom Clancy
Paralelamente á série
principal, Tom Clancy escreveu outros livros, ligados por pequenos
acontecimentos e/ou personagens que, apesar de alguma secundarização na série
principal onde contribuíam de alguma forma para o desenvolvimento da acção,
viriam a ter um desempenho próprio noutros livros e noutras séries. Assim nasceu a série de John Clark, um
operacional da CIA a quem Ryan recorre diversas vezes para resolver algumas
situações pontuais, composta pelos livros “Without Remorse” (1993) e “Rainbow
Six” (1998); e a série Jack Ryan, Jr, em que o filho do antigo analista de
dados da CIA e actual presidente dos estados unidos vai fazer a sua
aprendizagem no “Campus”, um campo militar privado secretosituado num meio termo entre a CIA e a
Agência Nacional de Segurança cujos fundos são geridos pela “Hendley &
Associates” sob a forma de acções de mercado. È
constituída pelos livros “The Teeth of the Tiger” (2003); “Dead or Alive”
(2010); “Locked On” (2011); “Threat Vector” (2012); “Command Authority” (2013);
“Support and Defend” (Mark Greaney, 2014); “Full Force and Effect” (Mark
Greaney, 2014).
Tom Clancy faleceu em
outubro de 2013e o último livro que
escreveu, em parceria com Mark Greaney, foi “Command Authority”, postumamente,
publicado em dezembro desse ano.