domingo, 14 de setembro de 2014

The Departed – Entre Inimigos



   
É sabido que remakes estão na ordem do dia, , mas nem todos são bons ou estão sequer ao nível do original. " The Departed - Entre Inimigos" é uma excepção.
Baseado num filme de Hong Kong de 2002 chamado "Internal Affairs - Infiltrados" rrealizado por Andrew Lau e Alan Mak, que no seu país foi um grande sucesso e deu origem a uma trilogia. Martin Scorcese viu o original, gostou e quis fazer uma versão adequada ao ocidente e, mais em particular, à América.
     Em janeiro de 2003,  Brad Grey, produtor da Warner Bros. E o actor/produtor Brad Pitt, seguinfdo a recomendação de Martin Scorsese, compraram os direitos de adaptação/remake de “Internal Affairs” á  Media Asia, a companhia que detinha os direitos do filme original, pela quantia de 1.75 milhões de dólares. Pitt e Scorsese assegurariam a produção e William Monahan, a quem fora encomendado a adaptação do argumento, seria o realizador. Mais tarde, em janeiro de 2004, sem qualquer explicação avançada, Scorsese  foi anunciado como o realizador do filme, mantendo-se Monahan como argumentista.  A acção centrava-se em Boston; Brad Pitt, além de produtor, seria também actor e no elenco constava também Leonard DiCaprio. Pitt, no entanto, acabaria por desistir do  papel e manteve-se apenas como produtor. No início de 2005, o filme recebeu luz verde da Warner Bros. E começou a ser rodado na primavera desse mesmo ano com as filmagens a decorrerem em Boston.
   
O que faz “The Departed – Entre Inimigos” um filme de Martin Scorsese e não apenas um mero remake, igual a tantos outros que por aí andam? é, não só, a utilização dos actores, dos locais onde se passa a acção,  a energia que desta utilização emana e, principalmente, o tema que subrepticiamente o percorre, uma espécie de tema enterrado dentro do filme: trata-se de um filme não acerca daquilo que é, mas acerca de como é que é. Esta é a verdadeira essência dum filme de Scorsese.
   
A maior parte dos filmes do realizador são sobre homens  que se tentam aperceber daquilo que são, tentam alcançar uma imagem do seu próprio intímo. É assim com Travis Bickle de “Taxi Driver”, ou com Jake LaMotta em “Touro Enraivecido” e, porque não,  com Jesus Cristo em “ A Última Tentação de Cristo”. Em “Entre Inimigos” passa-se basicamente o mesmo, ou seja, é a história de dois homens que tentam viver as sua vidas públicas radicalmente opostas ao seu próprio intímo. As suas tentativas ameaçam destrui-los a ambos, por implosão ou por traição fatal. A narração das suas vidas envolve uma espécie de labirinto moral no qual o bem e o mal usam a máscara um do outro.
    Este filme é um filme de polícias e gangsters, muitas vezes comparado a essa obra-prima do realizador intitulada “GoodFellas – Tudo Bons Rapazes” (1990), só que saltam á vista diferenças fundamentais que os tornam diferentes: enquanto em “GoodFellas” a acção se passa em Nova York, “The Departed” passa-se em Boston; Henry Hill (Ray Liotta) sonha em tornar-se um gangster e tudo faz para agradar e ser aceite no meio, em “Departed”, porém,  essa vontade de ser alguém  não existe e, no seu lugar, temos dois jovens que crescem como impostores: um torna-se polícia e infiltra-se como gangster, o outro torna-se gangster e vai viver infiltrado como polícia. Esta diferença é fundamental entre os dois filmes e é sobre esta diferença que o genial argumento de William Monahan triunfa dentro do filme.
     
Filme de enganos, onde ninguém é aquilo que diz ser, o que torna a tensão, ao longo do filme, grande, por vezes insuportável e depende da natureza humana de cada um: Após alguns anos, ambos os homens identificam-se plenamente com o papel que estão a desempenhar e não conseguem dar um passo sem terem a aprovação daqueles que estão a enganar. A relação pai-filho percorre o filme todo. Frank Costello actua como um pai para Sullivan e Costigan, enquanto o capitão Queenan funciona como uma espécie de contraponto a Costello na figura paternal. Sullivan refere-se a Costello como pai sempre que o informa das actividades da polícia. A cena final, onde se vê um rato a passear na janela é o melhor resumo de todo o filme, já que simboliza a temática central de toda a obra (a procura do infiltrado) e a sensação de desconfiança que reina entre todas as personagens.
O filme  mostra-nos um lado da máfia Irlandesa, cujo inicio, na américa, Scorsese já havia mostrado no magnifico "Gangs de Nova York" (2002), funcionando este filme, apesar da acção se centrar em “Five Points”, um bairro  de emigrantes  na Nova York do século XIX, como uma espécie de prólogo a “Entre Inimigos”.
   
Trabalhando com um elenco magnifico onde pontuam as interpretações de Jack Nicholson, no papel de Frank Costello, o gangster á volta do qual gravitam todas as personagens, principalmente Collin Sullivan e Billy Costigan. O actor faz mais uma das suas personagens (inspirada num famoso gangster irlando-americano, Whitey Bulger, o que transmite ao filme uma sensação de realismo) “bigger than life” a que já nos habituou na sua longa carreira; Leonardo DiCaprio é Billy Costigan, o polícia infiltrado como gangster que Costello toma debaixo de sua protecção. Cada vez mais um actor de Martin Scorcese, aqui na sua terceira colaboração com o realizador, mostra mais uma vez ter sido uma aposta certa; Matt Damon interpreta Colin Sullivan, o miúdo “adoptado” por Frank Costello, que, a pedido deste, se infiltra como polícia para poder informar o seu “padrinho” de quaisquer movimentações que haja contra ele. Damon tem aqui, depois de Jason Bourne, o seu melhor papel num filme de acção. De salientar que também  os secundários Vera Farmiga, Mark Wahlberg, Martin Sheen, Ray Winstone e Alec Baldwin, entre outros, brilham.
   
A realização de Martin Scorsese é, como sempre, sem mácula. Conta a história, mostra-nos sentimentos e violência tudo filmado a um ritmo alucinante servido por um bom argumento onde não falta uma engenhosa adição de aparelhos modernos como telemóveis ou computadores, o que leva Scorsese a levantar diversas questões que não deixam de ser pertinentes e também preocupantes; como “quando os caminhos dos dois homens infiltrados, se cruzarem, como deve acontecer, será que eles se irão encontrar em cada extremidade da mesma chamada telefónica?” ou “quando os polícias souberem que existe um informador no seu seio, será que vão o informador para se encontrar a si próprio?” Scorsese responde, a esta dramatização das armadilhas e traições da vida dos infiltrados,  com uma das mais bem conseguidas falas de todo o filme, quando a um deles é dito “eu dei-te a morada errada, mas tu foste ter á correcta!”.
   
Estreado em outubro de 2006, o filme , que custou cerca de 90.000.000 de dólares, rendeu nas bilheteiras nacionais e internacionais qualquer coisa como cerca de 289.847.354 de dólares, tornando-se no terceiro filme do realizador a posicionar-se no primeiro lugar nas bilheteiras logo no dia de estreia. Universalmente aclamado como uma das melhores obras do realizador da década, viria a ganhar, em janeiro de ano seguinte, o Globo de Ouro para Melhor Realizador, uma das seis nomeações que o filme tinha.

   
Vencedor de quatro Óscares da Academia, para Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Argumento e Melhor Montagem, "Entre Inimigos", não sendo o melhor Scorcese e, talvez aquele que menos  merecesse levar os prémios da academia, quando comparado com “Taxi Driver”, O Toiro Enraivecido”, “Tudo Bons Rapazes” ou até mesmo “Gangs de Nova York”, estas sim, verdadeiras obras-primas do realizador, fica como uma obra acima da média e que lhe deu o tão almejado Oscar da Academia que há tantos anos lhe fugia e que já era por demais merecido.

Nota: as imagens e vídeo que ilustram o texto foram retiradas da Internet



sábado, 30 de agosto de 2014

OLHARES…



Michelangelo Antonioni


   Nome incontornável do cinema mundial, particularmente do cinema italiano. Michelangelo Antonioni, na sua longa carreira foi sempre um cineasta incómodo, desde os seus primeiros filmes onde insistia em fazer filmes dum género que se intitulava neorealismo, ou seja estudos semidocumentais sobre a vida de pessoas vulgares. A partir de 1950, face ao insucesso do neorealismo, Antonioni começou a filmar sobre a classe média, e assim se manteve durante quase toda a década. 
  Em 1960, finalmente atinge o reconheciimento internacional com "L'Aventura", onde a utilização de grandes planos e uma narrativa aparentemente disconexa, lhe granjearam uma recepção cautelosa no Festival de Cannes e um enorme sucesso nas salas onde foi exibido.
A partir deste e dos títulos que se seguiram, Antonioni passou a ter uma legião de seguidores por todo o mundo constituída na sua maior parte por intelectuais duma certa faixa da sociedade contemporãnea. Títulos como "Blow-Up - A História de um Fotógrafo" (1966), "Zabriskie Point" (1970), "The Passenger - O Passageiro" (1975) associaram-no aos ideais de esquerda. O realizador nunca desmentiu nem confirmou nenhuma tendãncia.
   Os dois últimos grandes fiilmes de Antonioni apareceram já na década de 80, "O Mistério de Oberwald" em 1980 e "A Identificação de uma Mullher" em 1982 e tiveram sucesso apenas na europa e pouca expressão nos estados unidos. em 1984 um Acidente Vascular Cerebral, deixa-o semi-paralisado e sem fala, o que não impediu que realizasse ainda "Para Além das Nuvens" (1995) com Wim Wenders como co-realizador caso Antonioni o não pudesse terminar e "Eros" (2004) onde filmou um segmento duma antologia reoartida com vários outros realizadores, mas ambos os filmes mais não eram do que um pálido reflexo do trabalho que o talentoso realizador fizera.
Faleceu em 2007 deixando uma obra valiosa no que refere a experimentações temáticas e alguma inovação técnica no trabalho de realização.



 Andrei Tarkovski

   Ele foi um realizador incompreendido no seu país natal onde a sua obra foi proibida. De  “A Infância de Ivan” (1962) a “O Sacrifício” (1986), poeta visual, chamaram-lhe alguns, pela maneira como contava cada história como se de poemas se tratasse...pintor visual, chamaram-lhe outros pela beleza que emanava de cada fotograma que punha no écran...mas todo o mundo foi unânime em considerá-lo, a par de Frederico Fellini, Ingmar Bergman, Michelangelo Antonioni e outros, um dos grandes intelectuais do cinema mundial.
Com “Andrei Rublev” (1966), a história do pintor de paineis, que,  na rússia feudal do século XV, passou por provações enormes para poder exibir a sua arte, o realizador atinge uma maturidade cinematográfica que lhe permite sair  para fora do seu país natal e ganhar reconhecimento mundial. “Andrei Rublev” esteve ptoibido na união soviética até  1971
O seu filme seguinte, “Solaris” (1972), adaptado do romance do escritor polaco, Stanislaw Lem, a história de um planeta inteligente, constituido por um imenso oceano e que permite aos habitants duma estação especial que o orbita, de estudar a possibilidade de existência duma vida extraterrestre oriunda desse mesmo planate. O filme transfirmou-se num dos grandes clássicos da ficção científica e é considerado como sendo uma resposta sovética a “2001: Odisseia no Espaço” (Stanley Kubrick, 1968). Tarkovski não queria fazer um filme de ficção cientifica, mas acabou por ceder perante a oposição do escritor polaco.
Andrei Tarkovski foi expulso da então União Soviética e morreu exilado, em paris, em dezembro de 1986, longe dos seus familiares, pouco tempo depois de completar o seu último filme...



Sergei Eisenstein, o pai da montagem cinematográfica


   Em 1925 Sergei Eisenstein realizou esta obra-prima do cinema mundial "O Couraçado Potemkin" sobre a insurreição dum couraçado da marinha russa durante a revolução de 1905...neste filme, que deu ao realizador russo o título de "Pai da Montagem", está o exemplo maior da arte de montagem de um filme...A famosa sequência da escadaria de Odessa, utilizando uma habilidosa técnica de montagem chamada "Montagem Paralela", vai permitir aos espectadores verem mais do que uma acção quase ao mesmo tempo e num curto espaço de tempo...inovadora e revolucionária na altura, é hoje largamente utilizada em prácticamente todos os géneros cinematográficos...e Eisenstein ganhou acesso directo ao Olimpo do cinema...



   Com "Alexander Nevsky" (1938) foi, para além de todas as implicações politicas e propagandisticas que originou, um momento da mais pura genialidade cinematográfica de Sergei Eisenstein: na batalha do lago gelado, todos os sons naturais e de batalha são substituídos pela sinfonia épica de Serguei Prokofiev, originando assim uma visão completamente diferente e muito original da batalha...outro momento inesquecível e inovador de cinema...






Frederico Fellini


Frederico Fellini é uma referência obrigatória no cinema mundial, particularmente a nível do cinema italiano do pós-guerra...qualquer um dos seus filmes é uma lição de vida, por vezes cómica, por vezes dramática, mas sempre uma lição...Fellini gostava de filmar e, ao longo da sua carreira, fê-lo com gosto e com arte...ele gostava dos seus actores e actrizes e eles retribuiam com interpretações inesquecíveis, principalmente o seu actor-fetiche Marcelo Mastroianni, que ficaram para sempre na memória dos cinéfilos.
A sua carreira estendeu-se por mais de cinquenta anos, desde “I Vitelloni” (1953) a “La Voce della Luna (1990), numa constante mistura entre o sonho, a memoria e o desejo, tudo sempre misturado com uma grande dose de fantasia, nunca descurando a visao pessoal da sociedade e onde colocava as suas personagens em situações algo bizarras que levaram á criação de um termo muito próprio para descrever essas mesmas situações: cena felliniana.
Aclamado em todo o mundo como  um dos mais criativos realizadores de sempre, a sua obra cinematográfica rendeu-lhe quatro Oscares da Academia na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, dois Leões de Prata no festival de Veneza, uma Palma de Ouro no festival de Cannes e um Oscar honorário pelo conjunto da obra em 1993, poucos meses antes de morrer.



Nota: Os vídeos que ilustram o s textos foram retirados da Internet

sábado, 19 de julho de 2014

O Filme de Terror III


          - A Diversificação Temática (1980 – 2010)

   
O início da década de 80 viu o terror reforçar-se com uma nova vaga de filmes que lembravam vagamente os “série B, mas com mais “gore” á mistura e  que, apesar de maltratados pela crítica, vieram a tornar-se filmes de culto. Desde logo, Lucio Fulci, realizador italiano, considerado o mestre do cinema “gore” com “City of the Living Dead – Os Mistérios da Cidade Maldita” (1980), onde um jornalista e uma psiquiatra têm de fechar as portas do inferno, abertas pelo suicídio de um padre e impedir que os mortos se ergam dos túmulos; e “Zombi 2 – A Invasão dos Mortos-Vivos” (1979), uma espécie de remake europeu do clássico de Romero,  em que a filha de um médico vai procurar o pai ás Antilhas depois do seu barco chegar ao porto de Nova York  apenas com um morto-vivo a bordo; são dois exemplos do mais puro cinema “gore” que captaram positivamente a atenção do público, principalmente os jovens, sempre sedentos destas coisas.
   
Também em 1980, John Carpenter com “The Fog – O Nevoeiro” continua a ter o dom de saber contar uma história sem recorrer a grandes meios, neste caso uma história de fantasmas que regressam no dia do aniversário da cidade de Santo António, na Califórnia, para recuperar o ouro que lhes foi roubado e matar os descendentes dos seis conspiradores que,  cem anos antes, os conduziram á morte.
Inspirado no “Halloween” de Carpenter, Sean S. Cunningham realiza “Friday the 13th – Sexta-Feira 13” (1980) em que um grupo de jovens vai para Lake Crystal, um campo de férias recentemente reaberto, depois de estar muito tempo fechado devido á morte de um adolescente, onde vão sendo assassinados um a um por um desconhecido. Pautado por mortes para todos os gostos e feitios e um final inesperado, o filme foi um sucesso e deu início á mais longa série de filmes de terror em anos recentes. Lamentavelmente, o primeiro é o único que realmente interessa.
   
Ainda em 1980, Stanley Kubrick adapta o livro de Stephen King, “Shining”, transformando-o numa das obras mais claustrofóbicas de que há memória. A história da família Torrance que vai tomar conta dum hotel durante o inverno onde espíritos malignos levam o pai a ter um comportamento violento enquanto o filho, que tem poderes psíquicos, vê acontecimentos horríveis, do passado e do futuro, tinha tudo para vencer e convencer o público.  Apesar de tecnicamente brilhante e genialmente interpretado por Jack Nicholson, o filme não foi um grande sucesso, não convenceu o público (ou este não o compreendeu), talvez influenciado pela campanha que o autor do livro fez contra o filme por não o achar fiel ao livro, mas eventualmente acabou por se tornar um clássico.  
Ainda ligado á onda de filmes “gore” que tomaram de assalto a década de 80, “Evil Dead – A Noite dos Mortos-Vivos” (1981), a história de cinco amigos que vão até uma cabana na floresta onde descobrem um livro que, sem se aperceberem, vai libertar demónios que se vão apossar dos visitantes. Este filme é um verdadeiro festival sangrento mas a originalidade do argumento, levou a que fosse louvado pela crítica.
   
Em 1982 John Carpenter, ainda nas boas graças da crítica, realiza “The Thing – Veio de Outro Mundo” que, não só é um bom exemplo de terror na sua vertente científica, como também é um remake de “The Thing from Another World – A Ameaça”, realizado na década de 50 por Christian Nyby e produzido pelo grande ídolo de Carpenter, Howard Hawks. Apesar de não ter sido um grande sucesso, o filme acabou por ser considerado um filme de culto pelos seus efeitos especiais algo avançados para a época,  pelo ambiente de paranoia que se vive em todo o filme e também o toque magistral do realizador no final do filme contribuiu para esse efeito. Ainda dentro do género científico, “The Fly – A Mosca” (David Cronenberg, 1986), remake do clássico de 1958, realizado por Kurt Neumann, actualiza a história do cientista louco que se começa a transformar num homem-mosca depois de uma das suas experiências correr mal, é principalmente lembrado pela horrível transformação/mutação  que  vai sofrendo ao longo do filme, graças á caracterização, vencedora de um Oscar da Academia.
   
Em 1984, Wes Craven realiza “A Nightmare on Elm Street – O Pesadelo em Elm Street”, através de Freddy Krueger, um adolescente que foi vitima de várias famílias de Elm Street  que se vinga, povoando e matando adolescentes através dos seus sonhos. O filme foi um grande sucesso de bilheteira e deu inicio a uma outra série de filmes de terror  que fizeram de Freddy, tal como Jason (de Sexta-Feira, 13) , as maiores vedetas de terror da década de 80.
    A primeira metade da década de 90, com algumas raras excepções, continuou muitas das temática iniciadas na década anterior.  As sequelas de algumas séries iniciadas na década de 80, obtiveram algum sucesso e receberam opiniões, positivas e negativas, de uma grande variedade de críticos.
   
De repente, em 1991, o género assume definitivamente o seu lugar na sétima arte. “Silence of the Lambs – O Silêncio dos Inocentes”, realizado por Jonathan Demme e interpretado por “Sir” Anthony Hopkins e Jodie Foster, onde se conta a história de Clarice Starling, uma estagiária do FBI a quem é entregue o caso de “Buffalo Bill”, um “Serial Killer” que rapta e mata adolescentes femininas para lhes roubar a pele. Na sua investigação, Clarice irá cruzar-se com “Hannibal “The Canibal” Lecter, um médico e perigoso “serial killer” que tinha por hábito comer as suas vítimas. Entre os dois irá estabelecer-se uma relação quase paternal, uma espécie de jogo de gato e rato, que tanto tem de revelador como de perigoso. Aquilo que aparentemente parecia ser mais um filme de terror, acabou por se tornar no filme de terror mais importante da década de 90. Para esse estatuto contribuiu a vitória quase total na cerimónia dos Oscares. Das sete nomeações que tinha, o filme venceu cinco e logo nas categorias principais: filme, realizador, actor, actriz e argumento, tornando-se apenas no terceiro filme em toda a história da sétima arte a ser unicamente premiado com as cinco categorias principais.
     
Alguns filmes de terror da década, tais como “Freddy Krueger’s New Nightmare – O Novo Pesadelo de Freddy Krueger” (Wes Craven, 1994), “The Dark Half – A Face Oculta” (George A. Romero, 1993), ou “In The Mouth of Madness – A Bíblia de Satanás” (John Carpenter, 1994), fizeram parte de uma mini-movimento que tratava de aspectos reflectivos ou metaficcionais, ou seja, a acção passava-se entre uma realidade, tal como a vemos no filme e uma ficção criada a partir dessa mesma realidade, uma espécie de mundo ficcional de terror. Este estilo reflectivo iria tornar-se mais aberto e irónico com “Scream – Gritos” (Wes Craven, 1996).
    Mas o final da década, não seria de feição para o género. Dois problemas estiveram na origem da perda de importância do terror: primeiro, as audiências que, na década anterior, absorviam tudo o que se produzia em termos de filme de terror, principalmente o produto que lhes transmitia valentes sustos e era recheado de muito “Gore”, cresceram e necessitavam de procurar outros motivos de interesse; segundo, a substituição deste tipo de filmes por outros muito mais imaginativos, apoiados por uma enorme parafernália de efeitos especiais, principalmente no que toca a imagens geradas por computador, facilitou a rápida ascensão, em detrimento do terror,  de filmes de ficção científica e de fantasia.
   
Para se realinhar com a tendência da sétima arte, o terror teve que se recriar, servindo-se de algum humor, autoparodiando-se, por vezes chegando a ridicularizar-se para obter o efeito mais cómico, como por exemplo fez Peter Jackson em “Braindead – Morte Cerebral” (1992) ou Wes Craven em “Gritos 2 e 3”, fazendo uma menor utilização de humor e referências a filmes de  terror do que fizera no primeiro filme.
    O amanhecer do século XXI, foi calmo para o género. O sucesso mundial de “Matrix” (Andy & Larry Wachowski, 1999)  e suas sequelas, tinham trazido a ficção científica para um plano elevado em relação ao resto dos géneros.  A história de Thomas Anderson, programador de computadores, que descobre que o seu outro “eu”, conhecido no mundo da informática como Neo,  um Hacker , terá um papel importante a desempenhar na revolta dos humanos contra as máquinas, chegou, viu e venceu em praticamente todas as frentes, graças a um argumento inteligente, efeitos especiais revolucionários e uma realização inventiva, relegando para segundo plano tudo o que até aí se tinha feito.
     
A inspiração que veio do Oriente 
No entanto, apesar da calmaria,  algumas tendências no terror emergiram. O filme “Brotherhood of the Wolf –  Pacto com os Lobos” ( Christophe Gans, 2001), tornou-se o segundo maior sucesso de bilheteira do cinema francês nos estados unidos nas últimas décadas; “The Others – Os Outros”  (Alejandro Aménabar, 2001) mostrou que o terror psicológico ainda poderia ser uma boa fonte de sucesso. Também o oriente passou a ser fonte de inspiração  para o ocidente: “Ringu – A Maldição”  (Hideo Nakata, 1998) onde um misterioso vídeo mata, uma semana depois,  quem o vê, a não ser que se consiga resolver esse mistério. O enorme sucesso deste filme e da sua sequela “Ringu 2 – A Maldição 2 “ (Hideo Nakada,1999) , que continua a investigação iniciada no primeiro filme, enquanto a maldição do misterioso vídeo que mata quem o vê, continua a alastrar, levaram a que nos estados unidos se fizesse um remake  intitulado “The Ring – O Aviso” (Gore Verbinski, 2002) e respectiva sequela “The Ring 2 – O Aviso 2” (Hideo Nakata, 2005) onde, com algumas diferenças em relação ao original, se conta basicamente a mesma história; também “Dark Water - Àguas Passadas” (Hideo Najkada, 2002) onde uma mãe e sua filha mudam-se para um apartamento velho cujo tecto e paredes estão quase sempre a escorrer água e ela tenta descobrir o que está na origem do problema, foi objecto de um remake em 2005, com o mesmo título e realizado por Walter Salles.
    
O universo dos Zombies, que George A. Romero tão bem recriara nas décadas de  60 e 70, volta a estar na moda: “28 Days Later – 28 dias Depois” (Danny Boyle, 2002) onde a Inglaterra é contagiada por uma misteriosa praga, que dura 28 dias e  que transforma toda a população atacada em zombies raivosos. O sucesso do filme permitiu que se fizesse uma sequela, “28 Weeks Later -  28 semanas Depois” (Juan Carlos Fresnadillo, 2007) onde seis meses após o surto que atacou a Inglaterra, a situação parece estar a voltar ao normal e prepara-se a re-população das áreas afectadas, mas nem tudo é o que parece. O sucesso da sequela não foi tão grande como o do original, mas não  é uma sequela má de todo; uma actualização de  “Dawn of the Dead – O Renascer dos Mortos-Vivos” (Zack Snyder, 2004) e uma comédia “Shaun of the Dead – Uma noite... de Morte” (Edgar Wright, 2004), encorajou Romero a regressar á sua série mais famosa  com “Land of the Dead – Terra dos Mortos” (2005),  “Diary of the Dead – Diário dos Mortos” (2007) e “Survival of the Dead” (2009).
   
Além de alguns remakes ( a maior parte deles sem qualquer interesse ou qualidade) de filmes das décadas anteriores, hoje clássicos indiscutíveis, que caracterizaram a maior parte dos primeiros anos do novo século, houve um subgénero que se destacou, também ele inspirado na exploração do género  que se fez nos anos pós-vietname: filmes baseados  em tortura, sofrimento e morte violenta, no qual se destacam “Hostel” (Eli Roth, 2005), e, principalmente “Saw – Enigma Mortal” (James Wan, 2004), onde dois homens acordam acorrentados numa casa de banho sem saber como ali foram parar. Os dois têm de seguir uma série de regras e jogos se quiserem sobreviver e sair daquela prisão. Explorando a violência gráfica sem qualquer pudor, “Saw” e as suas sequelas foram um enorme sucesso de bilheteira, tendo inclusivamente recebido uma menção no Livro de Recordes do Guiness  para o filme de terror com maior receita num dia só de exibição. “Saw” tornou-se num filme de culto e , até ver, o único produzido na primeira década do século XXI.

O Género não mostra vontade de parar, nem de se reafirmar no universo da sétima arte. É assim que gostamos!

Nota: as imagens que ilustram o texto foram retiradas da Internet

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