sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Os Zombies de George A. Romero – Episódios de um Mundo Apocalíptico I


                - A Trilogia dos Mortos-Vivos (1968-1985)

   Os “zombies” ou mortos-vivos são criaturas fictícias que se encontram regularmente em livros ou filmes de terror ou fantasia. Geralmente são apresentados como cadáveres reanimados,  sem inteligência e com fome de carne humana e, particularmente, nalgumas versões, por cérebros humanos. Apesar de partilharem o nome e algumas semelhanças com os “Zombies” do Voodoo haitiano, a sua ligação a estas práticas é desconhecida. Muitos consideram o realizador norte-americano George A. Romero e “Night of the Living Dead – A Noite dos Mortos-Vivos”,  o seu filme de estreia, como sendo o progenitor destas criaturas.
    
George A.Romero
A estreia de Romero no cinema, depois de vários anos a realizar anúncios televisivos e campanhas publicitárias de produtos industriais, aconteceu em 1968. Ele, juntamente com John Russo e Russell Streiner estavam cansados de fazer publicidade e queriam fazer um filme de terror que aplacasse a sede de coisas bizarras com que a indústria cinematográfica se debatia nos finais da década de 60. Romero e Streiner começaram então a procurar possíveis financiamentos. Contactaram com Karl Hardman e Marilyn Eastman, respectivamente presidente e vice-presidente da “Hardman Associates”, uma pequena produtora independente de cinema e apresentaram-lhes a ideia que tinham. Foram tão convincentes que, a breve trecho, nascia uma nova produtora intitulada “Image Ten”, que incluía, não só Hartman e Eastman como também Russo, Romero e Streiner. 
   Com um orçamento inicial de 6.000 dólares (cada membro da produtora investiu uma parte que iria receber com as receitas), verificou-se que era insuficiente para prosseguir com o projecto. Eventualmente a “Image Ten” iria pedir uma contribuição extra aos seus funcionários e acabariam por conseguir cerca de 114.000 dólares, o suficiente para orçamentar o filme.
   
Inicialmente era para ser uma comédia de horror, co-escrita por John Russo e George Romero e intitulada “ Monster Flick”, dizia respeito ás aventuras de um grupo de jovens extraterrestres que visitavam a terra e tornavam-se amigos de jovens humanos. Uma segunda versão do argumento contava a história de um jovem que fugia de casa e descobria, num prado, restos de  corpos humanos a apodrecer que tinham servido de alimento a extraterrestres. A versão final, maioritariamente escrita por Romero em três dias em 1967, focava-se em cadáveres humanos que regressavam á vida e se alimentavam de carne humana. Posteriormente, Romero explicou que a história se dividia em três partes, cuja parte um se intitulava “Night of The Living Dead”, as outras partes seriam continuações (o termo sequela ainda não se usava no final da década de 60) que seriam filmadas mais tarde.      
   
A história começa quando os irmãos Bárbara e Johnny vão ao interior da Pennsylvannia  a um cemitério visitar a campa de seu pai. Lá, são atacados por um homem estranho. Quando tentam escapar, Johnny, acidentalmente, escorrega e bate com a cabeça numa lápide e morre. Bárbara consegue escapar ao seu perseguidor e, em pânico, refugia-se numa quinta habitada, mas aparentemente deserta. A ela junta-se Ben, um negro que chega num carro e a salva de ser atacada no exterior da casa. Os dois refugiam-se no interior enquanto tentam perceber o que se está a passar já que os mortos parecem ter voltado á vida.
   Estreado em Outubro de 1968, “A Noite dos Mortos-Vivos” foi um sucesso enorme, fez 12 milhões de dólares nos Estados Unidos e 18 milhões de dólares internacionalmente . Talvez pela originalidade da história, passada num tempo indeterminado, atraiu um público, constituído maioritariamente por jovens e adolescentes, cioso de coisas novas e diferentes. 
   
Duramente criticado, aquando da sua estreia, pelo conteúdo explícito, mas acabou por ser aclamado pelos críticos que louvaram a ousadia do realizador ao quebrar as regras do género ao provocar, mesmo na última cena do filme, a morte do protagonista que é confundido com um zombie. 
   O filme acabou por se tornar um filme de culto e consagrou o seu realizador como um dos nomes incontornáveis do género. O “franchise” que Romero acabara de criar iria ter bastante impacto a partir do filme (episódio) seguinte, já que Romero iria introduzir alguns comentários sociais em tópicos que iriam variar entre racismo e consumismo.
   Romero sempre disse que nenhum dos filmes de zombies que realizou depois de “A Noite dos Mortos-vivos” se deve considerar como sendo continuações directas ou sequelas, já que nenhuma das principais personagens ou qualquer das histórias, continua de um filme para outro e a sua única continuação é a epidemia dos mortos-vivos. Esta situação avança em cada filme, mas com diferentes personagens, o tempo também avança mas sempre á frente da altura em que foram filmados, fazendo do progresso do mundo o único aspecto associado a todos os filmes.
   
Dez anos depois do primeiro filme, George A. Romero, regressa ao universo que lhe trouxe fama.  
Partindo do cenário possível de que os Estados Unidos (e possivelmente todo o mundo), foram devastados pelo fenómeno que reanima os mortos tornando-os ávidos de carne humana. Apesar dos esforços, tanto das forças militares como das autoridades civis para controlar a situação, a sociedade efectivamente colapsou e os sobreviventes procuram refúgio. É este o ponto de partida para “Zombie – Dawn of the Dead – Zombie – A Maldição dos Mortos-Vivos” vemos, em grande escala, aquilo que Romero e John Russo delinearam em “A Noite dos Mortos-Vivos”. O que parecia ser uma situação isolada naquele filme, torna-se numa pandemia de proporções apocalípticas, orquestrada pela mão de George A. Romero (que escreveu o argumento), que atinge toda a sociedade causando histeria em massa.
   
Stephen e a sua namorada, Francine, juntamente com Peter e Roger dois atiradores especiais da polícia, planeiam fugir de Filadélfia num helicóptero que é propriedade duma estação televisiva da cidade e refugiar-se num centro comercial onde julgam ficar a salvo, não só dos Mortos-Vivos, como também de outros perigos.
   Logo no início do filme, quando se vê um estúdio de televisão onde reina a confusão e se discute se a emissão deve ou não continuar já que são a única estação televisiva ainda a emitir. Percebemos, pela discussão entre os técnicos presentes e o realizador da emissão (interpretado por George Romero), que a pandemia vai na terceira semana sem fim á vista, percebe-se que Romero estava com muito mais á vontade para filmar e mostrar o efeito duma pandemia de Mortos-Vivos na sociedade e o caos que dai advém. Romero mostra-nos também em várias outras cenas igualmente memoráveis, que as comunidade rurais e os militares têm sido efectivas na luta contra os Mortos-Vivos, mas diz-nos também que as cidades estão infestadas e indefesas e não existe nenhum local em que se esteja seguro (as emissões de rádio e televisão que surgem já quando eles estão instalados no centro comercial sobre a pandemia e o que se deve fazer; ou as cenas nos campos  onde se vêem as milícias civis organizadas, a matar Zombies atrás de Zombies com direito a bebida e comida, como se duma festa se tratasse, são disso exemplo).
   A ideia desta história, apesar de levemente baseada na ideia que Romero desenvolvera em 1967, nasceu em 1974 quando o realizador foi convidado por um seu amigo, Mark Mason, para assistir á inauguração dum centro comercial em Monroeville, do qual a empresa de Mason era dona. Durante a visita ao centro na qual ao realizador foram mostradas algumas partes que o público não vê, ele notou a grande fúria consumista da população. Mason, sugeriu que, caso acontecesse alguma emergência ou situação anormal, as pessoas seriam capazes de sobreviver dentro do centro comercial. Inspirado por esta ideia, Romero começou a escrever um argumento para outro filme.
   O realizador e o seu produtor, Richard P. Rubinstein, não conseguiram arranjar nenhum investidor disposto a arriscar o seu dinheiro neste novo projecto (na altura “O Exorcista” de William Friedkin era o filme-choque que arrasara nas bilheteiras desde a sua estreia em 1973). Por sorte, Dario Argento, ouviu falar desta continuação. Ele, como mestre italiano do filme de terror e fân, de “A Noite dos Mortos-Vivos”, mostrou-se interessado em que este clássico do horror tivesse direito á sua continuação. Os três encontraram-se e, em troca dos direitos internacionais de distribuição, ficava assegurado o financiamento. Satisfeito, Romero aceitou a ajuda de Argento no desenvolvimento da história e conseguiu que Mark Mason lhe emprestasse o Monroeville Mall para filmar as sequências que se passam no centro. A rodagem decorreu entre novembro de 1977 e fevereiro de 1978.
   
Com três quartos da acção passada dentro do centro comercial, o filme poderia tornar-se aborrecido e monótono. Mas Romero soube trabalhar o seu cenário e aproveitou todas as suas possibilidades, utilizando todos os ângulos possíveis durante a rodagem, o realizador permitiu-se utilizar todos os truques durante a montagem, escolhendo os melhores “takes” para o espectador se deliciar, simplesmente mudando, estendendo ou adequando as cenas (um dos grandes momentos do filme é precisamente quando  Fran, ao olhar os cadáveres dos mortos-vivos pergunta “quem são eles?” Peter responde “somos nós...é tudo!...quando já não houver lugar no inferno...”, Fran diz ”O quê?” e Peter novamente “É algo que a minha avó costumava dizer(...) quando já não houvesse lugar no inferno, os mortos andariam pela terra”). Também no final do filme, tal como em “Noite dos Mortos-Vivos”, Romero quebra as regras ao pôr Fran e Peter, a fugir no helicóptero e, enquanto sobrevoam a superfície infestada de mortos-vivos, Fran pergunta o que irão fazer? E Peter responde que “iremos até onde for possível!”.
   
Tom Savini, o mago da caracterização
É no meio de todo este trabalho minucioso que entra também a mão de Tom Savini. Amigo do realizador desde os tempos de escola, colaborador habitual em quase todos os seus filmes, actor e realizador ocasional (em “A Maldição dos Mortos-Vivos”, é o chefe do gangue de motoqueiros que vem invadir o centro comercial), Savini é o responsável pela magnifíca caracterização dos Mortos-Vivos tornando-a tão realista quanto a tecnologia da altura permitia.
O filmes estreou em 1979 e, graças a uma campanha bem orquestrada tanto nos Estados Unidos, como no resto do mundo, rendeu 40.000.000 de dólares  e internacionalmente fez 55.000.000 de dólares, tornando-o no filme mais rentável da série.
   O filme teve inúmeras versões remontadas, devido em grande parte ao direito que Dario Argento tinha sobre a montagem internacional do filme. Romero controlou a versão final para os Estados Unidos e Canadá. Inicialmente o filme estreou numa versão de 126 minutos e que também foi estreada no Festival de Cannes em 1978. Quando o filme se tornou um sucesso, Romero remontou o filme, acrescentando-lhe algumas cenas mais fortes, elevando a sua duração para 139 minutos, naquela que é hoje conhecida como “A Versão do Realizador”.
Internacionalmente, Argento controlou a versão que estreou na europa e no resto do mundo. A versão internacional do filme tinha 119 minutos de duração e  incluía alterações em que as cenas mais fortes haviam sido retiradas, outras tinham sido remontadas de modo a dar mais ritmo á acção e tinha mais música de “Goblin”, o grupo italiano responsável pela banda sonora, descoberto por Dario Argento no inicio da década de 70 e que passou a ser o autor da maior parte das bandas sonoras do realizador italiano, o qual, ocasionalmente, toca na banda.
   “A Maldição dos Mortos-Vivos” é hoje considerado um clássico e selecionado como um dos 500 melhores filmes de sempre pela revista Empire.
Em 2004, o realizador Zack Snyder estreou-se no cinema com o “remake do filme intitulado “Dawn of the Dead – O Renascer dos Mortos-Vivos”, obtendo enorme sucesso.
George A.Romero voltaria ao tema somente na década de 80.
   
Originalmente,  George A.Romero pretendia que o final da sua “Trilogia dos Mortos”, como lhe chamou o realizador numa entrevista em 1997, fosse uma espécie de “E Tudo o Vento Levou” dos filmes de zombies. No seguimento de diversas disputas financeiras e a necessidade de estrear o filme sem cortes, o orçamento aprovado foi cortado para metade, passando de 7.000.000 de dólares para uns escandalosos 3.500.000 dólares, obrigando o realizador (novamente argumentista) a reescrever o argumento de modo a poder manter a sua visão ajustada ao tamanho do orçamento.
   Algum tempo depois dos acontecimentos de “A Maldição dos Mortos-Vivos”, os zombies dominam o mundo. O que resta do governo e dos militares escondem em enclaves fortificados e, numa tentativa de encontrar sobreviventes e uma solução para a pandemia zombie. Alguns sobreviventes chegam a Forte Myers, na Flórida, são atacados por uma horda zombie e conseguem refugiar-se num desses enclaves subterrâneo onde um grupo de cientistas, guardado por militares, tenta parar ou inverter o processo zombie e acreditam que estes podem ser treinados para serem obedientes.
   
Logo no inicio do filme, quando vemos o helicóptero com os seus ocupantes a sobrevoar a cidade deserta e abandonada, ficamos com a ideia que este filme será uma continuação directa do anterior, mas logo a seguir, na cena em que chegam ao seu refúgio, percebemos que não é bem assim e que este é mais um exemplo do que os sobreviventes da raça humana podem fazer.
   A re-invenção feita por Romero dos Zombies, é notável em todos os seus filmes e serve, não apenas para marcar a diferença dentro do género, também como veículo para criticar os males da sociedade actual: a inaptidão governamental,  ganância, escravatura, a febre consumista e bio-engenharia, enquanto nos aviva fantasias pos-apocalípticas. “Dia dos Mortos” tem um pouco de tudo isto e é, talvez, o mais agressivo e visceral filme da série, como se pode ver nas cenas em que os zombies atacam os cientistas e os militares, além de ser violentamente explícito (graças aos magnifícos efeitos de caracterização de Tom Savini), o filme toca ligeiramente uma outra temática que Romero desenvolverá noutro filme: as lembranças do passado, na cena em que o Dr.Logan dá vários objectos (um deles, curiosamente é o livro “Salem’s Lot” de Stephen King, de quem Romero se tornou amigo e adaptou algumas histórias no filme “Creepshow”, em 1982) a “Bub”, um zombie que serve de cobaia á pesquisa do cientista para que este se lembre da sua vida passada. 
   
É também o filme mais claustrofóbico da série já que todo ele se passa debaixo da terra e poucas são as cenas passadas ao ar livre, mas é também o que termina, sem perder o tom pessimista, com um sinal positivo de esperança, demonstrado pela cena final em que os sobreviventes se encontram algures numa ilha, aparentemente livres de perigo.
   Recebido com alguma indiferença quando estreou, considerado por muitos críticos como sendo  pouco interessante, demasiado depressivo e lento, o filme, apesar de ser considerado o mais fraco da trilogia, e do relativo fracasso nas bilheteiras, ainda conseguiu render cerca 5.800.000 dólares nos Estados Unidos e  cerca de 28.200.000 dólares internacionalmente.
Talvez por não ter podido mostrar a sua visão original neste filme, ou querer demarcar-se da proliferação de imitações e pretensas sequelas que surgiram nas décadas seguintes, ou talvez por querer explorar outros géneros, George A. Romero apenas voltaria aos filmes de zombies 20 anos depois.
                                                                                                      (continua)

Nota: As imagens e vídeo que ilustram o texto foram retiradas da Internet





sábado, 7 de setembro de 2013

24 - O Relógio não Pára!


  
 No inicio da década de 80 do século passado, uma série veio revolucionar o modo de fazer televisão. "Hill Street Blues – A Balada de Hill Street", assim se chamava essa série, relatava o dia-a-dia numa esquadra de polícia de uma qualquer cidade americana. Tão realistas eram as histórias que por lá passavam que a série se tornou num enorme fenómeno de sucesso em todos  os países  onde passou. 
No séc XXI deu-se nova revolução na televisão com a estreia de várias séries de grande qualidade, como por exemplo “Lost – Perdidos”; “Prison Break”, “Heroes”, “Fringe”, “The Walking Dead”, entre mutas outras e que têm constituído um grande sucesso onde quer que sejam exibidas."24”, é também uma dessa séries.
 
uma vista da CTU
A CTU é uma unidade governamental de defesa contra o terrorismo internacional e também doméstico. Eles são a primeira linha de intervenção assim que surge a ameaça e são apenas responsáveis perante o Governo Federal. Jack Bauer (Kiefer Sutherland) é um dos principais elementos dessa unidade e é com ele que vivemos hora a hora, aquele que poderá ser o dia mais longo da sua vida (e das nossas, também!).
   A ideia para a série surgiu a Joel Surnow, produtor executivo da Fox Television, que queria fazer uma série que tivesse 24 episódios numa temporada, até aqui tudo bem, mas, segundo Surnow, cada episódio teria uma hora de duração, cuja acção decorria ao longo de um dia perfazendo as 24 horas, logo 24 episódios! Ele discutiu a ideia com Robert Cochran, produtor da Fox, que não se mostrou muito convencido com a ideia. Após se encontrarem os dois e Surnow apresentar a ideia e frisar o facto dela usar tempo real de modo a criar uma tensão dramática que decorria numa corrida contra o tempo é que Cochran se deixou convencer e os dois escreveram a história que iriam apresentar á Fox. 
   Em Março de 2001, o episódio-piloto foi filmado com um orçamento de 4.000.000 de dólares e foi apresentado como “A série cujo formato iria mudar a forma de fazer televisão no futuro”. O episódio-piloto foi muito bem recebido pelos críticos e público em geral, o que levou a que fossem encomendados mais 12 episódios cuja produção teve inicio em Julho de 2001 e a estreia seria a 30 de Outubro, mas os ataques de 11 de Setembro, atrasaram a estreia para 6 de Novembro. Após Kiefer Sutherland ganhar o Globo de Ouro para Melhor Actor em Série Dramática, a Fox deu luz verde para se filmar a segunda metade da temporada (11 episódios).  
   
O relógio não pára
Originalidade foi coisa que nunca faltou em “24”, cuja natureza de ser filmado em tempo real, é enfatizada pelo relógio digital que aparece antes e depois de cada intervalo (quem tiver todas as séries em DVD, apercebe-se disso pelo tempo que medeia entre cada parte, separada por um écran negro, geralmente “no tempo da série” são dois ou três minutos). Relógios menores, sempre de 12 horas e não 24 horas, como indica o título, são apresentados durante a narrativa e indicam o horário do mundo na história e as horas são sempre apresentadas no formato AM ou PM e aparecem apenas na abertura. Para manter a narrativa  em continuidade, “24” não utiliza  cenas em câmera lenta, nem “flashbacks” (excepto uma única vez, no final da primeira temporada, em que o relógio conta regressivamente das 00:00:03 para as 00:00:00). Sempre que o relógio principal aparece, em cada “hora”, ouve-se uma batida sonora característica a cada segundo que passa. Esta batida só se ouve em raras ocasiões nomeadamente quando morre alguma personagem principal ou depois de um acontecimento desastroso.
   Com a acção passada num tempo indeterminado ( a sombra do 11 de Setembro de 2001 paira em cada dia, a partir da segunda metade da primeira temporada), maioritariamente situada em Los Angeles, apesar da acção mudar para diferentes locais, mostrando outras personagens,  as suas acções e a importância que terão na narrativa se ouve ﷽a, ausente da s ocasiõ Esta batida srada nrtura  cada parte (geralmente "o , recorrendo regularmente para esse efeito ao uso de múltiplos écrans , “24" é uma série com um ritmo intenso, cheio de voltas e reviravoltas, peripécias e mais peripécias onde, até o mais infímo pormenor tem importância e qualquer problema que as personagens, principais ou secundárias, tenham, mais tarde ou mais cedo, será determinante no desenrolar daquele dia ou, até mesmo, daquela hora.
   
Jack Bauer,é um agente da CTU (Agência de Contra Terrorismo), a primeira linha de defesa dos Estado Unidos contra qualquer ameaça interna e externa, altamente especializado, segue uma regra de ouro em que “os fins justificam os meios”, apesar da falta de moralidade de algumas das suas acções. Ataques terroristas, tentativas de assassinato presidencial, ameaças nucleares, químicas ou biológicas, ataques informáticos, assim como conspirações governamentais ou corporativas, são, no entender de Bauer, o seu dia-a-dia normal. 
   Ao longo das oito temporadas, "24" não segue uma cronologia rigorosa, apesar da acção ser espaçada no tempo (desde alguns dias até alguns anos depois da anterior) mas, cedo percebemos, que os acontecimentos de um dia, poderão ter consequências noutro dia qualquer ou nas acções futuras de várias personagens.
   Devido á greve dos argumentistas, em 2007-2008, a sétima temporada foi atrasada um ano. Para preencher o vazio entre temporadas e ligar a acção, foi produzido o filme para televisão “24 – Redemption – Redenção”. A acção passa-se três anos e meio depois dos acontecimentos da sexta temporada. Jack está em África e vê-se apanhado no meio dum golpe militar na nação fictícia de Sangala, enquanto nos Estados Unidos, está tudo pronto para que Allison Taylor seja ajuramentada como Presidente.
   
Apesar de algumas mudanças significativas, devido á natureza imprevisível da história, as personagens principais mudam freqentemente (com excepção de Kiefer Sutherland, o único actor a entrar nos 192 episódios, divididos em oito temporadas e um filme da televisão que dura a série). Particularmente nas primeiras séries, uma personagem pode aparecer como secundário e, na série seguinte passar ao elenco fixo ( por exemplo o caso de Mary  Lynn Rajskub, no papel de Chloe O’Brien, uma analista de dados da CTU, aparece como secundária na segunda temporada e passa a ao elenco fixo a partir da  terceira temporada). Além de alguns actores e actrizes menos conhecidos, ainda somos surpreendidos por ver, entre convidados, alguns nomes mais conhecidos como Dennis Hopper, William Devane, Jon Voight, Powers Boothe, Robert Carlyle, James Cromwell, Sean Astin, ou o nosso actor mais internacional, Joaquim de Almeida.
Chloe O'Brian, Analista de Dados, CTU

    “24” foi nomeada diversas vezes para os Emmy’s (Oscares da Televisão) em categorias como interpretação, realização, argumento , montagem, som, banda sonora, entre outras, num total de 68 nomeações, traduzidas em 20 vitórias. Em termos de nomeações, a quinta temporada foi a que obteve maior número delas, 12, obtendo a vitória em cinco, incluindo  A Melhor Série do Ano e o Melhor Actor em Papel Principal. Após várias nomeações consecutivas para os Globos de Ouro, num total de 12, “ 24” venceu duas, incluindo o Globo de Ouro para Melhor série Dramática em 2003. Kiefer Sutherland já havia sido premiado em 2001.
 "24",  no final da oitava e última temporada (apesar de haver rumores de um possível regresso em 2014, ainda com Kiefer Sutherland), tornou-se a série de espionagem contínua de maior longa duração, ultrapassando “Mission: Impossible – Missão: Impossível” (1966-1973) e “The Avengers – Os Vingadores” (1961-1969)
   Ao ver qualquer uma das temporadas, ou qualquer um dos dias (a definição fica ao critério de cada um), é bom ter em mente uma coisa muito importante: em "24", as coisas nem sempre são aquilo que aparentam!

Nota: As Imagens e vídeo que ilustram o texto foram retiradas da Internet


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

All That Jazz – Os excessos duma Vida


  
 Bob Fosse (1927-1987), coreógrafo e realizador, foi  um nome incontornável no cinema, particularmente no cinema Musical onde algumas das mais geniais coreografias  sairam da sua cabeça. Quando se tornou realizador, foi com o seu segundo filme, “Cabaret- Adeus Berlin” (1972), um musical já fora de tempo, que recebeu alguns dos maiores  prémios da sua longa carreira,  incluindo o Oscar de Melhor Realizador, um dos oito que o filme ganhou. Até á data, é o único realizador a receber os três maiores prémios da indústria no mesmo ano:  Oscar, Emmy e Tony. “All That Jazz - O Espectáculo vai Começar”,  realizado em 1979,  é um filme semi-autobiográfico,  podendo mesmo ser considerado  como “o retrato do artista em vida”.
    O coreógrafo Joe Gideon é um “workaholic” e um mulherengo incorrigível. É com um cigarro na boca, anfetaminas e outras drogas que tenta, ao mesmo tempo, montar o seu filme  “The Stand Up” a tempo e horas da estreia e encenar e coreografar um espectáculo para a Broadway. Um dia sofre um ataque cardíaco quase fatal e, enquanto conversa com Angelique, um anjo duma beleza fatal, revê episódios da sua vida.
   Apesar de ser uma fantasia musical, “All That Jazz”, como disse atrás, tem qualquer coisa de autobiográfico. Baseando-se num episódio  real que aconteceu a Bob Fosse em 1973. Estava o realizador a trabalhar a conta-relógio na montagem do seu filme “Lenny” , de modo a tê-lo pronto para estrear na data prevista, ao mesmo tempo que coreografava e encenava “Chicago”, uma peça  para a Broadway, quando sofreu um ataque cardíaco que o fez repensar a sua vida dali para a frente.
    
O fabuloso início do filme
Visualmente brilhante, o filme revela muito do que foi  a carreira de Bob Fosse como dançarino, coreógrafo e realizador. Homem de excessos: álcool, cigarros, drogas (leves e duras), mulheres; sempre a trabalhar no limite, mas, acima de tudo, um perfeccionista nato, Fosse (ou seu alter-ego Joe Gideon?) criou, neste filme, alguns dos mais bizarros e extravagantes números musicais  de que há memória: logo desde o início, ao som de “On Broadway”, um sucesso de George Benson, um  fabuloso “plongée” mostra uma figura, ajoelhada, de costas para a câmera, vestida de negro, a observar uma multidão de jovens dançarinas e dançarinos durante uma audição em cima dum palco: é o encenador, coreógrafo e realizador Joe Gideon que, sempre  com o seu cigarro no canto da boca,  a observar tudo e todos, vai seleccionando aqueles que lhe parecem ser os melhores dançarinos.  A partir deste excepcional início, Fosse, com seu único “know how”, coloca a câmera onde quer e como quer  e, como diz o seu alter-ego Joe Gideon “It’s Showtime Folks!”.
 
Os números musicais, entrecortados com a conversa de Gideon com a bela Angelique sobre a vida, profissional e familiar, do artista (uma piscadela de olho a “O Sétimo Selo”, de Ingmar Bergman), sucedem-se a um ritmo alucinante, tal como foi a vida de Bob Fosse e do seu alter-ego. Numeros como “Air-otica”, “Jaeger & Gideon”, ou o fantástico final com “Bye  Bye  Life” são o resultado de uma montagem brilhante, perfeita mesmo, cada fotograma está exactamente onde deve estar, iluminado por cores sóbrias que na maior parte das cenas se fundem em negros e brancos.
   
O realizador faz uso brilhante das lentes zoom (quando, na altura, poucos eram os que sabiam fazer uso delas), filmando cenas em que se começa por ver apenas um dançarino ou dançarina em palco e logo começa uma variedade de corpos a passar pelo primeiro a acompanhá-lo no número, deixando o espectador sentir aquela sensação intransponível  do coreógrafo/encenador  de não saber quais serão aqueles que iram dançar no espectáculo,  além de transmitir também  aquela sensação de que estamos perante algo que se passa, não na realidade, mas sim na cabeça de alguém que está ás portas da morte (até aqui, Bob Fosse foi insuperável na previsão da própria morte, de ataque cardíaco em 1987!), tornando todo o filme, do meio para o final, algo depressivo, mas cada vez mais brilhante.  Toda a sequência final, quando Joe Gideon sofre aquele que será o ataque cardíaco fatal que lhe causará a inevitável morte, passa-se inteiramente na sua mente e ele, deitado na cama do hospital, ligado por tubos e a respirar artificialmente, “vê” o seu alter-ego terminar o seu trabalho, encenar e coreografar os números que faltam no seu espectáculo, e prepará-lo para o grande final, permitindo que ele se despeça da vida, dos seus familiares mais próximos (ex-mulher e filha), a namorada, amigos e colaboradores,  em grande com o fabuloso “Bye Bye Life”.
   Fantásticas e não menos fabulosas, aliás, contribuem, e muito, para abrilhantar o filme,  são interpretações de Jessica Lange e, principalmente, de Roy Scheider. Lange, uma antiga modelo que descobriu o cinema em 1976  com “King Kong” (John Guillermin) , tem aqui o seu primeiro papel de destaque ao interpretar Angelique, uma espécie de anjo, dona de uma beleza fatal  acentuada pelo seu vestido branco e o seu chapéu de abas largas, com quem Gideon conversa ao longo do filme e parece ser a única pessoa que o compreende. A sua interpretação está ao nível de outras com que a actriz nos brindaria em anos futuros e que lhe trariam diversos prémios, incluindo dois Oscares da Academia  como Melhor Actriz Secundária em “Tootsie – Quando Ele era Ela” (Sidney Pollack, 1982) e como Melhor Actriz Principal  em “Céu Azul” (Tony Richardson, 1994). Pelo meio não a conseguimos esquecer  em “O  Carteiro Toca Sempre Duas Vezes” (Bob Rafelson, 1981) onde dá vida a uma mulher adúltera que seduz Jack Nicholson.
It's showtime, folks!
   Se Jessica Lange seduz o espectador, Roy Scheider  foi a escolha certa para o papel de Joe Gideon. De estatura  e aspecto semelhante a Fosse, o actor, depois de vários anos em papéis secundários, “The French Connection – Os Incorruptíveis contra a Droga” (William Friedkin, 1971), o multi-premiado policial, deu-lhe uma nomeação para o Oscar de Melhor Actor Secundário,  ganhou destaque em “Jaws – Tubarão”(1975), o mega-sucesso de Steven Spielberg e foi  esta sua ascensão repentina, continuada em “Jaws II – O Tubarão 2” (Jeannot Swzarc, 1978), que o conduziu directamente a Bob Fosse e ao seu alter ego.  Scheider agarrou  e interpretou brilhantemente  o papel (diz-se que a sua sofreguidão pelo papel foi tal que o actor aprendeu a cantar e dançar de propósito para  o papel), cantando e dançando tão bem que, por vezes, é difícil distinguir se estamos perante o actor ou o modelo que serviu de inspiração a tão fabulosa interpretação. Foi, sem dúvida, o melhor papel da longa carreira do actor.
 “All That Jazz – o Espectáculo vai Começar” surgiu numa época em que o musical  já havia desaparecido como género grande. Muitas vezes comparado, pela  sua estrutura, a “8 ½ “ , de Federico Fellini, um filme autobiográfico do mestre Italiano-prima, também ele recheado de elementos fantásticos, comparação essa que Fosse sempre negou.
O filme estreou em dezembro de 1979, ainda a tempo de entrar na corrida para os Oscares, conseguindo nove nomeações, incluindo para Melhor Filme, Melhor Realizador e também para Melhor Actor, venceria apenas em quatro  categorias técnicas. O filme foi um enorme sucesso de bilheteira e venceria ainda inúmeros prémios em festivais um pouco por todo o mundo. Na Europa, em 1980, seria exibido no Festival de Cannes e obteria a consagração máxima ao vencer a Palma de Ouro, “ex-aequo” com “Kagemusha – A Sombra do Guerreiro” do mestre Japonês Akira Kurosawa.
Bobo Fosse e o seu alter-ego Joe "Roy Scheider" Gideon
   Em 2001, “All That Jazz” foi considerado, pelo “American Film Institute”  como sendo culturalmente, historicamente e esteticamente significativo e selecionado para ser preservado no “Nacional Film Registry”. Em 2006 o filme foi considerado o 14º melhor filme musical da história do cinema.
   Seria também o ultimo filme musical a ser nomeado para o Oscar de Melhor Filme do Ano  antes de “A Bela e o Monstro”, em 1991, receber a mesma nomeação e, finalmente em 2002, “Chicago” (o filme que Bob Fosse queria realizar, mas nunca conseguiu por falta de financiamento, baseado na sua peça da Broadway), vencer essa categoria.


Nota: As imagens e vídeo que ilustram o texto foram retirados da Internet



quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Tempo de Glória – Quando os EUA se envergonharam a Si Mesmos




   
De tempos a tempos surge um filme que nos traz á memória os bons velhos épicos que assistíamos com os nossos pais e que faziam as delícias de quem ia ao cinema nas décadas de 50 e 60 do século passado. “Tempo de Glória” foi um desses filmes.
   Produzido em 1989, ano de todas as mudanças no panorama internacional, feito na esteira do sucesso obtido na televisão por “Norte e Sul” ( David L.Wolper, 1985), este filme mostrou um outro lado da Guerra de Secessão Americana que ainda não havia sido explorado antes.
   O Coronel Robert Gould Shaw, herói da Guerra de Secessão, oferece-se como voluntário para comandar o 54º Regimento de voluntários do Massachusetts, o primeiro inteiramente constituído  por  soldados negros contra o exército confederado, mesmo conhecendo todos os dissabores que essa decisão lhe possa trazer…
   
O Monumento ao 54º Regimento de Infantaria em Boston
O filme é baseado, em parte. nas cartas particulares que o coronel escrevia á sua mãe (e das quais se ouvem excertos ao longo do filme) e nos livros “Lay This Laurel”, escrito por Lincoln Kirstein e “One Gallant Rush” de Peter Burchard. Kevin Jarre, o argumentista,  disse que a sua principal inspiração veio quando visitou o monumento de homenagem ao Coronel Shaw e ao 54º em Boston (que se vê sob o genérico  no final do filme).  
   
Realizado por Edward Zwick, realizador de “Lembras-te da última noite?” (1986) em que um homem e uma mulher tentam manter uma relação amorosa apesar das suas diferenças de opinião e das opiniões dos outros, filme produzido por John Hughes, rei da comédia na década 80 do século passado; “Coragem debaixo de Fogo” (1996) em que do resultado duma investigação, permitirá que uma oficial do exército seja postumamente condecorada; “O Último Samurai” (2003), um épico-veículo para Tom Cruise, também produtor do filme, cuja acção se passa no século XIX, onde um oficial do exército americano, capturado numa batalha contra os samurais, transforma-se num consultor militar  dos guerreiros orientais enquanto abraça a sua  cultura;  “Diamante de Sangue” (2006) cuja acção se centra na guerra civil da Serra Leoa, onde um mercenário houve uma história sobre um pescador ter encontrado um grande diamante. Zwick, formado na televisão, aplica os conhecimentos aí adquiridos em cenas de acção muito bem encenadas, como seja por exemplo a primeira vez que a companhia entra em acção numa escaramuça com as forças confederadas; ou o ataque ao Fort Wagner, cujo massacre, quase integral da companhia, lhes dá a entrada na História (a “Glory” de que fala o título original do filme). É uma cena extremamente bem filmada, muito bem fotografada e com a banda sonora de James Horner a dar o toque necessário para que a cena final (em que os nossos heróis conseguem subir a muralha do forte) se torne na imagem mais poderosa do filme.
   Com um elenco onde se destacam os nomes de Matthew Broderick, como Coronel Robert Shaw, abandonando com este filme os papéis das comédias que preencheram o seu principio de carreira, o actor tem aqui talvez a sua melhor interpretação; Cary Elwes como adjunto de Shaw e uma boa prestação do actor; Morgan Freeman,como o coveiro Rawlins que ao se alistar vai-se transformar na figura paternal de toda a companhia e uma espécie de mediador de conflitos, embora secundária, dá uma interpretação ao seu melhor nível. O destaque vai, claro, para Denzel Washington, que interpreta o soldado Trip, o racista inconformado com a sua situação, mas que no ataque final, ao ver o comandante morrer ao seu lado, transporta a bandeira dos Estados Unidos até à muralha (honra que lhe fora oferecida pelo coronel na véspera da batalha e que Trip recusara, num dos melhores diálogos de todo o filme,  por não se achar com capacidade para isso), dá um verdadeiro show de interpretação que lhe mereceu o Óscar de Melhor Actor Secundário do ano, vitória conseguida na magnifica cena em que Trip é chicoteado, depois de tentar desertar, perante o olhar de toda a companhia (o seu olhar, misto de ódio e duma dor que está para além de qualquer compreensão, é outro grande momento do filme) e aceita a sua condição sem vacilar. 

O público respondeu positivamente quando o filme estreou, fazendo dele um dos maiores sucessos de bilheteira do ano, elevando o seu orçamento, estimado em cerca de 18.000.000 de dólares para um total de 63.000.000 só nos Estados Unidos. Já a nível dos críticos, estes dividiram-se, embora na generalidade, o filme tenha recebido louváveis críticas no tocante a valores de produção e história condutora, foram mais moderados na avaliação das interpretações, nomeadamente, a de Matthew Broderick como cabeça de elenco.
   Vencedor de 3 Óscares da Academia, e inúmeros outros prémios,  “Tempo de Glória” foi um enorme sucesso de bilheteira e um daqueles  filmes que vale sempre a pena  ver e, por ser baseado em factos verídicos, acaba por ser também uma lição de história sobre uma guerra que envergonhou uma nação.

Nota: As imagens e vídeo que ilustram o texto foram retiradas da Internet




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