terça-feira, 13 de novembro de 2012

Um Mundo sem Fim - Uma sequela literária de respeito




        “Um Mundo sem Fim”,  foi editado no final de 2007, foi escrito por Ken Follet  e é uma sequela de “Os Pilares da Terra”, êxito mundial do mesmo escritor, publicado em  1989, que já é um clássico da literatura contemporânea.
            A acção começa em 1327, em Kingsbridge, cerca de dois séculos depois dos acontecimentos ocorridos em “Os Pilares da Terra”. Quatro crianças vão para a floresta no dia de Todos os Santos. Juntas, testemunham a morte de dois homens de armas ás mãos de um cavaleiro que fica ferido. Ralph, uma das crianças ajuda o cavaleiro a enterrar uma carta e dá-lhe instruções de que esta apenas deverá ser desenterrada quando  o cavaleiro, morrer. Antes de desaparecer, Sir Thomas, assim se chama o cavaleiro, obriga a s quatro crianças a nunca revelarem aquilo que viram.
        Parecerá difícil, á partida, superar o fabuloso texto com que Ken Follet encantou o mundo em 1989. “Os Pilares da Terra” conseguiu encantar milhões de leitores em todo o mundo, incluindo em  Portugal, apesar do seu atraso neste tipo de fenómenos (o livro só seria editado em 1991, desaparecendo do mercado nacional até 2007), os que o leram nessa altura conseguiram sentir-se irresistivelmente atraídos por aquela cidade fictícia de Kingsbridge e pela riqueza das personagens e nobreza dos seus actos. A verdade é que “Um Mundo sem Fim”, apesar de algumas opiniões contrárias, consegue  superar o seu antecessor, mantendo a mesma linha narrativa e riqueza de personagens,  tornando-o mais empolgante.
Ken Follett, autor deste díptico medieval
        Neste épico medieval, que junta dois dos grandes acontecimentos históricos na Europa: o início da Guerra dos 100 anos e a Peste Negra, Follet continua a oferecer aos leitores um rol enorme de personagens únicas e envolventes, Caris e Merthis, são exemplo disso, na medida em que, ao acompanharmos os seus actos e suas vidas, sentimos alguma proximidade e até alguma esperança naquele mundo de trevas que foi o século XIV; outras personagens há, desde foras-da-lei a cavaleiros, trabalhadores, monges, pobres, ricos, etc. são demasiadas personagens para referir todas, mas que contribuem para o realismo da obra, de tal forma, que qualquer leitor que se preze e seja digno desse nome, se sente transportado para Kingsbridge e participar nas discussões sobre variados assuntos e na procura de soluções para quando algo corre mal  (e há tanta coisa que corre mal!!) .
        Outro dos factores que tornam, tanto “Os Pilares da Terra” como “Um Mundo sem Fim”, grandes é a cuidadosa pesquisa histórica que Ken Follett fez para ambos os livros, tendo em conta a sua paixão por igrejas e catedrais que esteve na origem da sua obra-prima literária, nomeadamente as técnicas de construção utilizadas e que são pormenorizadamente descritas em ambas as obras.
         São mais de 1000 páginas num só volume para quem tiver o original e consegue ler-se de um fôlego só. Mas quem tiver a edição portuguesa, dividida em dois volumes, também não consegue parar de ler, mas apercebe-se do desequilíbrio existente entre os dois volumes. 
        Se no primeiro somos confrontados com uma imensa variada de personagens, futéis,  superficialmente descritas e com um minímo de acção, apenas o suficiente para que nos deixemos arrastar pelo enredo e com curiosidade para saber como é que tudo vai acabar.Chegamos ao segundo volume e tudo muda, como do dia para a noite. Somos confrontados com um enredo que se adensa, complica, simplifica, mas, acima de tudo, atrai e prende o leitor do princípio ao fim, num puro deleite literário que não deixará ninguém indiferente.
       Em 2010 “Os Pilares da Terra” foi adaptado para televisão numa mini-série em oito episódios, com considerável sucesso e diversas nomeações para os Emmy’s de televisão;
       Em 2012 foi a vez de “Um Mundo sem Fim” ser adaptado para o mesmo formato, igualmente em oito episódios.


Nota: as imagens e vídeo que ilustram este texto foram retiradas da Internet

             

domingo, 4 de novembro de 2012

James Bond 007 - Ao Serviço do Cinema III


       
              3 – A Nova Ordem Mundial  (1995-….)

   Entre a estreia de “Licença para Matar” e a chegada do substituto de Timothy Dalton, passaram-se seis anos, seis anos em que, por diversas ocasiões, a série esteve para acabar em definitivo.  Desde 1990 que corria o boato que que o “Bond 17”, estava em fase de pré-produção, com argumento escrito por Michael G. Wilson, argumentista e produtor ocasional da série e com Dalton a bordo. Mas a verdade é que nunca se passou disto e também diversas questões legais, obrigavam a um constante adiamento do novo filme. Com Dalton definitivamente fora, os produtores foram buscar um actor que já fora desejado na série.
Pierce Brosnan é James Bond 007
       Pierce Brosnan,  já havia sido contactado em 1986, quando Roger Moore abandonou o papel e tinha aceite, chegou , inclusive, a filmar a sequência pré-genérico de “Risco Imediato”, mas teve de cancelar a sua participação no filme, já que “Remington Steele” (1982-1987), a série televisiva em que participara,  iria durar mais uma temporada. Terminada a série , o actor ainda fez mais algumas séries e telefilmes, avançando depois para uma carreira no cinema. Em 1994, o actor estava livre para se dedicar a este projecto.
        “Goldeneye – 007 – Goldeneye”, estreou em 1995, na maior expectativa que alguma vez rodeara a  série. Tinham-se passado seis anos, tinha sido a maior das interrupções na série. Mas o pior já tinha passado e com novo actor, ainda para mais um que já fora pretendido pelos produtores, tudo podia acontecer.
         James Bond tem que se aliar com a única sobrevivente duma estação  de pesquisa científica soviética para impedir que um satélite seja usado como arma nuclear, por 006, um agente secreto britânico, dado como morto, que na realidade se passou para o lado soviético.
          Com “Goldeneye”, muita coisa  mudou na série: Albert Brocolli, produtor da série desde  o seu início, por doença, (viria a falecer em 1996), retira-se e deixa tudo nas mãos da sua filha, Barbara Brocolli e Michael G. Wilson; James Bond, além de fumar cigarros, usa fatos de corte italiano que lhe dão um ar distinto e mais sedutor do que já era; “M”, o chefe do MI6 e de Bond, é agora uma mulher, interpretada por Judi Dench, e que não dá (a princípio) grande margem de manobra  ao agente secreto. Mas a grande mudança é que este é o primeiro filme da série a ser produzido depois da desintegração da União Soviética. 
        Os tempos agora são outros, a guerra fria, já terminara e seria líquido perguntar se ainda haveria  razão para James Bond existir, porque o que vemos agora não é o tipíco crime levado a cabo em nome do estado, mas sim por gangs de soviéticos endinheirados e pela Mafia Russa. É a este nível que o filme funciona e é visto como sendo o Bond da transição entre a guerra fria e os novos tempos.  A reflectir essa mesma transição, essa necessidade de romper com o passado, está  a escolha da intérprete para cantar o tema-título. Tina Turner, que fez a ponte na música, entre as décadas de 80 e 90,  interpreta o tema, escrito por Bono e “The Edge”, dos U2, com um fulgor  e uma voz que não se lhe ouvia há algum tempo, remetendo-nos para os temas interpretados por Shirley Bassey, era uma escolha óbvia nesta nova fase da série.
       O triunfo de Brosnan foi grande , a aceitação do público foi total e isso viu-se nos resultados de bilheteira que transformaram este filme no maior sucesso de bilheteira dum filme de James Bond.  A série  atinge uma maturidade que nunca tinha alcançado desde que Sean Connery se estreou na personagem. Havia razões de  sobra para que a série comtinuasse e assim foi decidido.
         Dois anos depois, em 1997,  Bond regressa com “Tomorrow never Dies – 007- O Amanhã nunca Morre”, pela mão de Roger Spottiswoode, um especialista em filmes de acção.  Desta vez 007 tem que impedir uma guerra ente a China e a Inglaterra, provocada por um magnata dos media que quer obter a cobertura total e exclusiva a nível mundial.
       Em minha opinião, é o filme menos bom de Pierce Brosnan enquanto James Bond,. O argumento, embora prometa muito, nunca chega realmente a arrancar e, nas poucas vezes que o faz, é nas cenas de acção que estão bem encenadas como é  habitual na série e consegue empolgar o público, já que desta vez Bond está acompanhado de Michelle Yeoh, a “bond girl” de serviço, que consegue dar tanta pancada nos adversários como Bond. O vilão de serviço é Jonathan Pryce, que veio do grupo de comediantes britânicos Monty Python, e embora se esforce, nunca é suficientemente convincente no papel ( estará muito melhor em “Ronin”, de John Frankenheimer, em 1999). Se os produtores queriam a continuação do sucesso obtido com “Goldeneye”, conseguiram, mas fica sempre uma sensação de alguma frustração  de que poderia ter sido  um filme  melhor e a história mais bem explorada.
       Em 1999, Brosnan regressa ao papel, no último Bond  do século XX, “The World is not Enough – 007- O Mundo não Chega”. Desta vez  o enredo gira em volta duma conspiração nuclear que envolve a herdeira dum império de petróleo que é raptada por um bandido, que tem a capacidade de não sentir nenhum tipo de dor, que eventualmente se torna seu amante. 
      Uma variante do  habitual tema de James Bond: tem de proteger uma herdeira dum poderoso império petrolífero, ao mesmo tempo que tem que libertar a sua chefe “M”, que é raptada a meio do filme.  Foi a primeira vez que se verificou tal situação na série: o argumento pouco convencional e uma galeria de personagens bem delineada, a começar pelas duas “bond girls”, ambas bonitas, ambas sensuais e inteligentes (é compreensível que Bond se sinta perdido no meio daquelas beldades!), passando pela personagem de “M”, que passou, a partir deste filme, a ter uma presença maior na série, terminando na personagem de Renard, o vilão, interpretado com alma por Robert Carlyle, estamos perante um dos filmes da série mais inteligentemente construído nos últimos anos e, excluindo “Goldeneye”, o melhor filme de Pierce Brosnan. 
          2002, viu o actor despedir-se da personagem. Brosnan entendeu que aos  50 anos era a melhor altura para se despedir da série e  nada melhor do que o fazer no ano em  que ela fazia 40 anos que chegara ao cinema. “Die Another Day – 007 – Morre Noutro Dia”, realizado por Lee Tamahori, James Bond, depois duma missão falhada que lhe custou  14 meses de cativeiro na Coreia do Norte, é encarregado de investigar a ligação entre Zao, um terrorista terrorista Norte-Coreano e um magnata de diamantes que está a financiar uma arma espacial internacional.
         De regresso a território Bondiano, “Morre noutro Dia”, sem nunca perder o fio narrativo, apesar deste ser um pouco semelhante a tantos outros filmes de acção que já vimos, é um filme feito de memórias e de homenagem a todos os Bonds que o antecederam: o sapato com a lâmina envenenada de “From Russia  with Love”; Bond a conduzir o Aston Martin de “Goldfinger”; o aparelho a jacto de “Thunderball”, vê-se no gabinete de “Q”, entre muitas outras,  mas o melhor exemplo desta homenagem é Jinx, personagem interpretado pela bonita Halle Berry, a surgir de dentro de água, com um fato de banho cor de laranja, cinto branco e uma faca de mergulho á cintura, igual ao de Ursula Andress, 40 anos antes, em “Dr.No”. O filme acaba por ser quase uma espécie “adivinha de que filme é que é?” tantas são as referências àquela que é a mais longa série de filmes do cinema. E a bilheteira não foi alheia a esta homenagem, “Morre Noutro Dia”, foi o filme de toda a série que mais dinheiro fez, pelo menos até “Casino Royale”. Pierce Brosnan saiu  em alta, não só para a sua carreira, como também a série estava no seu momento mais alto. Restava saber quem iria ser o novo James Bond. O mundo teria de esperar mais quatro anos pelo herdeiro de Brosnan, fazendo deste o segundo maior interregno na série.
Daniel Craig, a mais recente encarnação de Bond
           Para o novo James Bond,  audições foram feitas a muitos actores, desde actores já com créditos firmados em Hollywood, nomes como Eric Bana, Hugh Jackman, Goran Visnjíc, Gerard Butler, Clive Owen, entre outros, foram considerados para o papel, ao lado de outros nomes desconhecidos, como Sam Worthington, James Purefoy, ou Henry Cavill, entre outros. A escolha acabou por recair em Daniel Craig, apesar do actor confirmar que fora contactado mas que ainda não aceitara por não existir um argumento que o seduzisse. Acabou por aceitar o papel em 2005.
           Aproveitando o sucesso alcançado pelo relançamento da personagem de Batman em “Batman – O Início” (Christopher Nolan, 2004), Barbara Broccoli e Michael G.Wilson decidiram que estava na altura de começar de novo, ou seja, “trazer James Bond até ás suas raízes”, eliminar os apetrechos e elementos de fantasia que tinham orientado a série anteriormente e tornar Bond mais forte, mais sinistro e mais realista, ou seja, tornar a personagem conforme Ian Fleming  a descrevera nos livros, do que nas suas anteriores encarnações.  Não é de estranhar que a base do 21º filme da série, tenha sido “Casino Royale”, o primeiro livro que Fleming escreveu.
         Em “Casino Royale”, James Bond, na sua primeira missão como agente secreto ao serviço de Sua Majestade, tem de impedir que Le Chiffre, um banqueiro ao serviço das organizações terroristas, ganhe uma grande fortuna num torneio de poker no Casino Royale, em Montenegro.
O filme funciona em dois níveis: por um lado, continua a saga do agente secreto, com uma nova cara e nada mais do que isso; por outro lado, serve como apresentação do agente secreto a uma nova geração que tem aqui o seu primeiro contacto coma personagem. É a este segundo nível que o filme ganha importância e se destaca de todos os outros. Assistimos a como Bond ganhou o estatuto de duplo “00” (na violenta sequência pré-genérico  filmada num intenso e belo preto-e-branco); como Bond ganhou o seu admirável Aston Martin DB (que vimos pela primeira vez no longínquo “Goldfinger”), descobrimos o seu gosto por bebidas bem  preparadas (o famoso Vodka-Martini sacudido, mas não misturado); somos confrontados com um segredo que se desconhecia: Bond amou muito,  antes de Teresa Draco , em “Ao Serviço de Sua Majestade” (1969), lhe arrebatar o coração. A autora de tal proeza é a bonita, melancólica e misteriosa Vesper Lynd, interpretada pela bonita actriz Eva Green, que vai modificar a vida do agente secreto, ao ponto deste nunca mais conseguir amar assim até surgir Tracy no referido filme.  É um Bond transtornado, frio e com sede de vingança que pronuncia, pela primeira e única vez no filme, a frase-tipo que se tornou no cartão de apresentação do agente secreto mais famoso do mundo: Vêmo-lo  de espingarda HK na mão, em frente ao seu alvo e ouvimo-lo dizer  “O nome é Bond…James Bond!” e enquanto esta frase lacónica e famosa serve de apresentação para uns, para outros remete-os para o primeiro filme da série e na primeira vez que a personagem aparece, fazendo a ponte, ligando este  filme e a restante série.
O sucesso do filme ultrapassou todas as expectativas, fazendo com que este filme se tornasse no mais rentável da série. A escolha de Daniel Craig revelara-se acertada.
        Pela primeira vez na série, um filme é uma sequela directa do anterior.  “Quantum of Solace – 007 – Quantum of Solace”, realizado por Marc Foster, estreou em 2008.
            Enquanto procura vingar a morte de Vesper  Lynd,  sua namorada em  “Casino Royale”, James Bond vai ter que deter um ambientalista que se quer apossar dos recursos mais valiosos da Bolívia.
            O filme abre com a tradicional sequência pré-genérico, só que em vez de ser uma cena de tiroteio e explosões como seria habitual, é uma movimentada e excitante perseguição automóvel, que decorre minutos (?) ou horas (?) depois da última cena de “Casino Royale”.
            “Quantum of Solace”, não sendo tão simples e interessante como o seu antecessor, pelo contrário é até relativamente mais complicado, mas consegue, no entanto, ser um bom entretenimento como se pretende que sejam os filmes da série e até consegue piscar o olho aquele que ainda é considerado o melhor Bond da série: “Goldfinger” (Guy Hamilton, 1964), na cena em que a agente do MI6, Strawberry  Fields aparece morta no hotel, com o corpo coberto de petróleo, remete-nos logo para a cena em que Jill Masterson, a amante de Goldfinger aparece morta coberta de ouro. Craig está muito mais á vontade do que estava em “Casino Royale”, apesar de em nenhum momento do filme utilizar os seus cartões de apresentação : nem a frase “Bond,…James Bond”, nem a sua bebida preferida “Vodka-Martini, sacudido mas não misturado”, são utilizados. Perfeitamente secundado por Olga Kurylenko, como Camille, uma “bond girl” que não se limita a ser apenas a companheira do agente secreto: também ela é movida por desejos de vingança completando-se com Bond e Mathieu Amalric, que dera nas vistas em “Munique” (Steven Spielberg, 2005), é Dominic Greene, o vilão com propósitos ambientalistas, que usa a organização criminosa “Quantum”para remover obstáculos que lhe surjam no caminho. Não se deixando intimidar quando comparado com outros vilões, Amalric tem aqui um papel de vilão ao nível dos melhores  da série.
          Apesar de manter tudo aquilo que torna  as aventuras do agente secreto grandes: perseguições  ( a pé, de carro, de moto, de barco, "Quantum" tem todas), acção, tiros, explosões, etc., este é  um Bond  atípico e  foi  o mais caro filme da série.
Com vários problemas a vir ao de cima, a produção do filme seguinte da série foi atrasada quatro anos. Foi o terceiro maior interregno na série.
          26 de Outubro de 2012, "Skyfall", o 23º filme da série vê finalmente a luz do dia, ao estrear simultaneamente em quase todo o mundo e, intencionalmente ou não (acredito que tenha sido propositado!),  coincide com os 50 anos de estreia  de “Dr. No”, o primeiro filme da série.
           A sede do MI6, o coração de Londres,  é alvo de ataque terrorista. Rapidamente se percebe que o alvo é M e Bond é chamado para descobrir, perseguir  e, nas próprias palavras da sua chefe, eliminar  a ameaça custe o que custar.
           A  preocupação que percorre  todo o filme é várias vezes falada no filme “em pleno século XXI, num mundo informatizado onde toda a gente está em contacto com toda a gente numa questão se segundos, haverá necessidade e lugar para agentes secretos que vivem noutro mundo onde ainda havia a guerra fria?” a resposta é dada pelo realizador Sam Mendes que, trabalhando sobre um argumento de Neal Purvis e Robert Wade, responsáveis pelos filmes anteriores da série valoriza a história e personagens sobre quaisquer outras coisas (os gadgets são praticamente ignorados ou inexistentes mesmo!) e  soube entender a alma e a  verdadeira essência de James Bond. Mendes filma cenas de acção que são um verdadeiro deleite para o espectador e devolvem credibilidade ao franchise enquanto abre novos caminhos para  a série.         
Desmond Llewelyn, o eterno "Q", em 17 filmes da série
       Ao elenco habitual, juntam-se Javier Bardem, que interpreta Silva, o vilão, com requintes de malvadez, que rouba as cenas em que entra ao ser divertido, imprevisível, assustador e, no final, quase trágico e Ralph Fiennes que interpreta Gareth Mallory, o ministro para quem a existência de agentes secretos do tipo 007, em pleno séc XXI, é uma anedota do passado e ainda uma participação especial de Albert Finney  como Kincade, uma personagem que conheceu Bond no passado.
        Em “Skyfall”, assistimos ao final de um ciclo  na série e percebemos isso na última cena do filme que estabelece a ponte entre os filmes de Daniel Craig e o resto da série. Tal como em “Casino Royale “, dá-se uma volta de 360º graus, trazendo-nos para o início da série ou, se quisermos,  para um novo começo.
       Vinte e três filmes, seis actores e cinquenta anos depois, a série James Bond veio para ficar e, prova disso, é a frase que assegura a continuação, visível, como sempre, no final de cada filme  “James Bond  Will Return”


Nota: As imagens que ilustram estes texto, foram retiradas da Internet
           
                                               

           


terça-feira, 23 de outubro de 2012

James Bond 007 – Ao Serviço do Cinema II


                                    
       2 – Do Render da Guarda ao fim da Guerra Fria (1973-1989)

      Foi no início de 1972 que Albert Broccoli e Harry Saltzman iniciaram a procura de um substituto para interpretar  James Bond no próximo filme. Jeremy Brett, Julian Glover, Michael Billington, entre outros, foram nomes considerados para o papel.  A escolha acabou por recair em Roger Moore, cuja interpretação de Simon Templar, na série televisiva “The Saint – O Santo” (1962-1969), foi decisiva. Aos 45 anos de idade, Roger Moore tornava-se o terceiro actor e também o mais velho a interpretar a personagem de James Bond.
Roger Moore sucedeu a Sean Connery
   A meio de 1973,  “Live and Let Die – 007-Vive e Deixa Morrer” , realizado por Guy Hamilton, estreava no meio duma enorme expectativa que se girara em torno do filme que desta vez leva 007 até Nova York e Nova Orleans, onde vários agentes britânicos foram assassinados e Bond tem de investigar essas mortes misteriosas, cedo descobre uma estranha ligação entre o Dr.Kananga, o líder duma pequena ilha nas Caraíbas e Mr.Big, um poderoso barão da droga acabando por se tornar ele mesmo um alvo a bater á medida que percorre que vai aprofundando a sua investigação e conhece Solitaire (estreia cinematográfica da bonita actriz Jane Seymour), uma bonita taróloga e assistente pessoal do Dr.Kananga.   
   Moore quis demarcar-se tanto da interpretação de Sean Connery, como do seu Simon Templar e abordou a personagem duma forma mais ligeira e algo cómica, não perdendo, no entanto,  a estrutura da personagem. Também os produtores quiseram alterar um pouco a série, mantendo intacta a  sua estrutura. Começaram logo com a escolha do argumento. Mantendo a base do livro de Ian Fleming, alteraram localizações personagens e até acontecimentos,.Desta vez James Bond, além de enfrentar Dr.Kananga, o vilão de serviço, também vai encontrar pela frente Tee Hee, o guarda-costas de Kananga que tem uma tenaz em lugar duma  mão, isto sem falar de Voodoo e Magia Negra que vai ser utilizada pelo Barão Samedi, rei dos mortos e ser imortal, contra o agente secreto. 
    Pela primeira vez na série, logo no início do filme, Bond, recebe não uma, mas duas visitas em casa, enquanto, nas suas próprias palavras, recuperava da última missão, o seu chefe M e a secretária dele, miss Moneypenny. É o primeiro e único vislumbre que temos da sua residência em toda a série. Outra alteração foi a mudança de tema-título que passou a ter uma batida rock. Coube a Paul McCartney e aos seus Wings inaugurar esta nova fase com o tema que dá nome ao filme que foi direito ao número um em quase todo o mundo.  O tema, além de ser nitidamente Bondiano, tem também uma batida e um ritmo quase a tocar o épico, coisa que nunca se ouvira na série.
Sem defraudar nada do que se esperava, “Live and Let Die”, foi mais um sucesso a juntar a esta série.
        No ano seguinte, embalado pelo sucesso da sua estreia da sua estreia como James Bond, Roger Moore abordou com mais confiança a personagem. “The Man with the Golden Gun – 007 – O Homem da pistola de Ouro”. James Bond vai até á Tailândia investigar a morte dum cientista ligado a um projecto denominado “Solex Agitator” que visava a utilizaçãoo da radiação emanada da energia solar que dará poderes inacreditáveis a quem o possuir. Bond descobre que quem cometeu o assassinato foi Francisco Scaramanga, um assassino profissional que cobra um milhão de dólares por cada serviço e acaba por ser o próximo alvo dele.
        Apesar dos talentos reunidos de Christopher Lee (mais conhecido pelos papéis de Drácula que fez nos anos 60), Britt Ekland, uma estonteante loura nascida na Suécia, aqui a fazer o papel da sensual  Mary  Goodnight, a “Bond Girl” de serviço e de Maud Adams,uma ex-modelo Sueca, a única actriz a aparecer em três filmes da série James Bond, este é, na generalidade, considerado um dos filmes mais fracos da série na década de 70 e também marcou a série, já que foi a ultima colaboração de Harry Saltzman na série. Vendeu a sua parte e foi fazer outro tipo de filmes. “007 – O Homem da pistol de Ouro”, foi, tal como os seus antecessores, um sucesso de bilheteira. Roger Moore tinha sido aceite pelos fans da série como digno sucessor de Sean Connery e George Lazenby. A série iria fazer aqui a sua primeira pausa e voltaria aos écrans em 1977.
        O terceiro filme de Roger Moore como James Bond, “The Spy who Loved Me – 007-Agente Irresistível”,  sob o comando de Lewis Gilbert, que regressou á série, foi um ponto de viragem na série por dois motivos: foi o primeiro filme da série a ser produzido apenas por Albert Broccoli e também foi o primeiro a usar uma história quase original, já que Fleming ficou tão desapontado com o seu livro, qua apenas autorizou a utilização do título.
        James Bond, com a ajuda de uma agente do KGB, investiga o desaparecimento de dois submarinos, um Britânico e outro Soviético, que transportam ogivas nucleares. Descobrem, então, que alguém inventou um dispositivo que tem a possibilidade  de localizar submarinos e está a vender o invento a quem oferecer o melhor preço. Quando se dá a crise, provocada pelo desaparecimento dos navios, Bond tem de os localizar antes que os mísseis sejam armados e utilizados para dar início a uma IIIªGuerra Mundial.
        Desde a perseguição na neve, na sequência pré-genérico até ao carro subaquático, as sequências de acção estão muito bem feitas, este é, talvez o mais imaginativo dos filmes da série, até porque não se trata só de deter os planos maquiavélicos de Karl Stromberg, o vilão de serviço, interpretado por Curd Jürgens com grande estilo, mas porque tem um outro sub-argumento associado á relação de James Bond com a Major Anya Amasova (a bonita e sensual Barbara Bach), além de introduzir “Jaws”, o homem de mão de Stromberg, que tem mais de dois metros de altura e uma dentadura de metal. Interpretado pelo actor Richard Kiel, tornou-se num dos mais amados personagens da série, tão popular que voltaria no filme seguinte. Outra inovação da série, introduzida por este filme, foi que o tema-título, interpretado por Carly Simon, não tem o título do filme, mas faz-lhe referência na letra. Foi um estrondoso sucesso, quer na Inglaterra, quer nos estados unidos. Foi dos maiores sucessos de sempre de bilheteira da série.
        O quarto filme de Roger Moore como James Bond (11º na série), apareceu em 1979. “Moonraker – 007 – Aventura no Espaço”, realizado novamente  por Lewis Gilbert, foi o último filme da série a utilizar como base um livro de Ian Fleming até “Casino Royale” em 2006.
        Um Boeing 747, que transportava um “Space Shuttle” para Inglaterra, despenha-se no oceano atlãntico  e a nave desaparece misteriosamente. James Bond é chamado para investigar o desaparecimento, pelo caminho conhece  a Dra. Holly Goodhead, uma bonita analista de dados da CIA, cruza-se novamente com “Jaws”, o assassino dos dentes de aço e descobre uma conspiração, levada a cabo pelo bilionário Hugo Drax, para cometer um genocídio global. Inicialmente “Moonraker” não era para ser o filme seguinte da série, mas  sim “For You Eyes Only”. Para aproveitar o sucesso  arrasador de “Star Wars – Guerra das Estrelas” (George Lucas, 1977),  Broccoli decidiu fazer este filme por ser mais ficção científica já que era a tendência que o cinema estava a seguir no final da década de 70. Pela terceira vez na série, o tema-título é cantado por Shirley Bassey. Uma vez mais, desde a sequência pré-genérico, com a luta em queda livre entre Bond e “Jaws” até ao combate final no espaço, que foi muito criticado pelas óbvias semelhanças com “A Guerra das Estrelas” e que, pelos standards de hoje, parece datada, estamos perante Bond no mais puro estilo que Roger Moore nos habituou:  bem humorado e acção que chegue, bem orquestrada ( na cena da luta na loja de peças de vidro em Veneza, quase que apostamos que todas as peças de vidro existentes foram partidas!). Bom ou mau, goste-se ou não,  o filme foi mais um sucesso a juntar á série e foi também o que mais rendeu até á estreia de “Goldeneye” (1995).
        A década de 80 viu a série James Bond renovar-se com um novo filme logo em 1981, “For Your Eyes Only – 007 – Missão Ultra-Secreta” , com  novo realizador a bordo, John Glen, várias vezes foi realizador de segunda da equipa e antigo montador de grande parte dos filmes da série, foi desde logo considerado um dos melhores Bond da fase Roger Moore e foi também o primeiro filme da série a ser baseado, não num romance, mas sim numa história curta que pertence á primeira colectânea de histórias curtas publicadas por Ian Fleming.
Nele, o agente secreto é enviado para recuperar um engenho de comunicações conhecido como ATAC e que serve para dar instruções aos mísseis Polaris, que se afundou com um barco-espião inglês ao largo da Albânia. Bond sabe que os russos também o querem para si e então alia-se a uma jovem grega de nome Melina, cujos pais foram assassinados por agentes ao serviço dos russos e encontra também Aristotle Kristatos e Milos Colombo, que o tentam atrair, cada um, para o seu lado.
        Encontramos neste filme, á semelhança de “Vive e Deixa Morrer”, mais um pouco  do lado pessoal de Bond. Na sequência pré-genérico vemo-lo no cemitério junto á lápide onde repousa Teresa Bond, sua esposa, assassinada pela SPECTRE, pouco antes de reencontrar  Ernst Stavro Blofeld, o seu Némesis em tantos outros filmes da série e ficamos com a sensação de que este filme poderia ser uma possível sequela de “Ao Serviço de Sua Majestade”, mas que, felizmente não era essa a ideia, e pouco depois ficamos a saber porquê.  Depois do genérico, no qual, pela primeira vez e única até hoje, surge o rosto de Sheena Easton, a bonita intérprete do tema-título, o filme  torna-se  num  James Bond ao mais puro estilo da série: Carole Bouquet, é Melina Havelock, a “bond girl”, bonita com um misto de sensualidade guerreira que quer vingar a todo o custo a morte dos pais; um sem parar de acção que vai desde perseguições automóveis (a cena da perseguição ao citröen 2CV é um “must” para a série!), combates submarinos, passeios na água sobre corais cortantes, mas tudo isto vai culminar na escalada do monte St.Cyril, que é das cenas mais excitantes e mais bem filmadas de qualquer filme da série.
        Após a estreia do filme, Moore, alegando ser velho demais para o papel, mostrou vontade de sair da série. A história repetia-se novamente. Eventualmente a EON, distribuidora dos filmes da série, persuadiu Moore a reconsiderar, devido á anunciada estreia de “Nunca mais digas Nunca”, o Bond fora da série, que trazia de volta o primeiro e mítico James Bond no cinema, Sean Connery. O actor acabou por aceitar fazer mais dois filmes da série.
        O primeiro foi “Octopussy – 007 – Operação Tentáculo”, novamente realizado por John Glen, que apareceu em 1983. O agente secreto 009 aparece morto em Berlin e na mão carrega um valiosíssimo Ovo Fabergé. Bond é chamado para investigar e rapidamente descobre uma conspiração de tráfico internacional de jóias, chefiada pela misteriosa Octopussy, uma mulher que nunca é vista em público, tendo em vista um ataque ás forças da NATO, estacionadas na Alemanha Federal.
        È , na minha opinião, o filme mais fraco de Roger Moore, que interpreta o papel com a convicção de quem está  a fazer um frete, nem mesmo as piadas a Indiana Jones (como a cena da cobra), resultam. O argumento, baseado numa histórias curtas de Fleming, é desinspirado e até a própria Guerra Fria, onde é ambientado, parece estar ali apenas para encher a história. Todo o filme parece desenquadrado com a série e nem mesmo as fortes presenças de Maud Adams, repetente na série, aqui promovida a “bond girl”, de Louis Jourdan, como Kamal Khan, o vilão de serviço, ou Kabir Bedi, famoso pela sua interpretaçãoo de Sandokan na televisão, como braço-direito de Kamal, conseguem fazer o filme arrancar da mediania. Todavia, foi mais um sucesso a juntar á série.
        “A View to a Kill – 007-Alvo em Movimento”,  que marca a despedida de Roger Moore da série, apareceu em 1985 e, se “Octopussy” já fora fraco, este pode considerar-se mesmo quase para esquecer, não fosse o facto de pertencer á série que pertence e manter uns altos standards de produção que lhe mereceram a qualidade que o filme tem.
        Durante uma investigação numa corrida de cavalos, James Bond, descobre uma possível conspiração que envolve um industrial, cujos planos passam pela criação dum monopólio mundial de microchips que passa pela destruição de toda a produção em Silicon Valley na Califórnia.
 Roger Moore está velho, cansado e transporta, durante todo o filme, essa imagem. Tanya Roberts, é Stacey Sutton, a “bond girl”, não consegue ter empatia nenhuma, Christopher Walken, como Zorin, o vilão, não consegue convencer ninguém com a sua interpretação e Grace Jones, cantora, tornada actriz, é May Day, a braço direito de Zorin, que se cruza várias vezes com Bond.
O filme é um pálido reflexo da série. O argumento é fraco e pouco convincente, a realização, de John Glen, uma vez mais, é banal e sem qualquer esforço de ir mais além do que isso. Nem o tema-título, interpretado por Duran-Duran, que foi nº1 em practicamente todo o mundo, nem a cena mais espectacular do filme, o combate na Golden Gate de São Francisco, o salvam de ser facilmente esquecido e muitas vezes ignorado, apesar de sucesso que obteve em todo mundo e fazer qualquer fan que se preze suspirar pelos Bonds de outros tempos.
Timothy Dalton foi o Bond seguinte
Chegara a vez de Roger Moore se afastar da personagem e passar o testemunho a outro actor. Surge então em cena  Timothy Dalton.
O actor já fora inicialmente contactado para substituir Sean Connery em 1968, mas afastou-se, após as audições, por achar que, com apenas 22 anos, era muito novo para o papel. 12 anos depois voltou a ser considerado pelos produtores para substituir Roger Moore, mas recusou por achar que aquele não era o tipo de filmes de James Bond que idealizava. Em 1986, após vários actores terem sido pensados para o papel, entre os quais Pierce Brosnan, que ainda viria a filmar a sequência pré-genérico, antes de ter de abandonar a série, Dalton aceitou encarnar a personagem de Ian Fleming.
  “The Living Daylights – 007 – Risco Imediato” estreou em 1987, de novo estava John Glen na realização e um novo actor a interpretar uma personagem que já fazia parte da cultura mundial. Desta vez James Bond tem que preparar a deserção de um general soviético para o ocidente. Quando esta falha e o militar é recapturado, Bond tem que descobrir porque é que isso aconteceu. Essa investigação vai levá-lo até ao Afeganistão onde terá de enfrentar um traficante de armas e os seus obscuros propósitos.
Ao  ver este filme, ficamos com sensação de que voltamos ao inicio da série, quando a guerra fria estava presente, em espírito e também fisicamente, ao longo dos primeiros filmes da série. Temos uma sequência pré-genérico que se passa em Gibraltar e logo ficámos com a impressão que Dalton tinha vindo para ficar, tal é o empenho e convicção com que agarra a personagem. Depois, mais á frente, quando Bond quer saber o que realmente aconteceu ao General desertor,  entramos no universo do filme de espionagem e percebemos que estamos em terreno Bondiano, com tudo no seu lugar, excepto a “bond girl” , Kara, interpretada por um pãozinho sem sal chamado Maryam D’Abo, que realmente é a única coisa que destoa neste filme que devolveu  a Bond o espírito com que Ian Fleming o criou. Um grande thriller de espionagem com um tema musical forte e apelativo e um actor que queria marcar a diferença em relação aos seus antecessores. Timothy Dalton entrava na série com o pé direito.
Com novo actor a bordo, aceite pelos fans e público em geral, os produtores avançam para novo filme. Em 1989, “Licence to Kill – 007- Licença para Matar”, surpreendeu tudo e todos. Desde logo, ao não usar nenhum título de histórias de Ian Fleming, marcou a diferença. Depois, ao tratar uma história, não de espionagem , como seria de esperar, mas sim uma  vingança pessoal, deixou o público de boca aberta.
Felix Leiter, agente da CIA e melhor amigo de Bond, é  atacado no dia do seu casamento por Franz Sanchez, um traficante de droga, a sua noiva é morta e ele é deixado ás portas da morte. Bond, ao saber do sucedido, abandona o Serviço de Sua Majestade e parte numa missão de vingança pessoal. 
O que surpreende mais aqui é que estamos num filme de James Bond sem estarmos no Bond convencional, com o típico vilão a querer dominar o mundo. Estamos num filme graficamente violento (talvez o mais violento de todos os filmes da série!), o simples facto de termos Bond empenhado numa vingança pessoal, faz toda a diferença na série. Aparecem motivos e elementos pessoais que tornam este Bond o mais negro da série. James Bond,  deixou de ser o agente secreto para se tornar num vingador  de olhar frio e carregado de raiva, (a cena em que atira um dos maus para a água, infestada de tubarões, juntamente com uma mala cheia de dinheiro, é disso exemplo).
Quase um Bond perfeito, apesar das críticas diversificadas, com um magnifico elenco onde se destaca Robert Davi, como  Franz Sanchez, um Benicio Del Toro em princípio de carreira, Desmond Llewelyn, novamente no papel de “Q”, mas com direito a presença alargada e a dar uma mãozinha á vingança de Bond, o que nos leva a perguntar porque é que nunca se lembraram de destacar mais a presença  de “Q” nos filmes anteriores e posteriores, já que ele é quase um totalista da série, nada menos nada mais que 17 vezes interpretou a personagem! e duas “bond girls”, a bonita e sensual Talisa Soto como Lupe, a sofrida namorada de Sanchez, e a igualmente bonita, mas não tão sensual, excepto quando veste um vestido de noite para ir sair, Carey Lowell como Pam Bouvier.
Apesar do sucesso que o filme garantiu,  mesmo com Timothy Dalton seguro na personagem, vários problemas começaram a surgir. A venda dos estúdios da MGM/UA, distribuidora da série desde o primeiro filme, disputas legais envolvendo a EON e o comprador da distribuidora, levaram a que o terceiro filme com Timothy Dalton fosse sendo sucessivamente adiado.  Em 1994, o actor desistiu do papel.
As palavras "James Bond will return" que surgiam no final de cada um dos últimos 15 filmes da série e que garantiam a continuidade, estavam agora em perigo.
                                                                                                (continua)

Nota: As imagens que ilustram este texto foram retiradas da Internet




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