O Tempo passa sem parar, como um rio que corre em direcção ao mar, dissipa-se nas brumas da Memória colectiva... É o Tempo que serve a memória ou é a memória que serve o Tempo?
quarta-feira, 18 de julho de 2012
sábado, 30 de junho de 2012
O Exorcista - Quando Ciência e Religião se chocam
Drácula, Frankenstein, Lobisomens ou até
mesmo zombies sempre fizeram parte do cinema. Quase desde os primórdios da
sétima arte que o género terror sempre fez parte do imaginário dos
espectadores. O que ninguém estava era preparado para o choque que, em 1973, "O Exorcista" provocou em todo o mundo.
Regan McNeil é uma jovem americana como
tantas outras que vive com a mãe depois dos pais se terem separado. A jovem
começa a ter comportamentos estranhos que a mãe associa ao facto do pai se ter
esquecido do seu aniversário. mas os comportamentos dela tornam-se ainda mais
estranhos e bizarros e a mãe resolve consultar os médicos que, após uma série
de testes e análises, não conseguem encontrar nenhuma explicação lógica para o
que se passa com a jovem. Então alguém adianta a Chris McNeil, a hipótese da
filha estar possuída por algum espiríto pelo que a única solução possível será
um exorcismo.
Realizado
por William Friedkin, que acabou por ser uma escolha do próprio William Peter
Blatty, depois de vários outros realizadores como Arthur Penn, Peter
Bogdanovich, Mark Rydell ou até Stanley Kubrick, terem sido contactados e terem
recusado o projecto. Blatty acabou por se fixar em Friedkin, já que queria
neste filme a mesma energia que o realizador pusera em "French
Connection - Os Incorruptíveis contra a Droga" (1971), o seu filme
anterior, com o qual ganhou o Óscar de Melhor Realizador, um dos cinco que o
filme ganhou, incluindo o de Melhor Filme do Ano. A sua realização, embora algo dura, já que
utilizou durante a rodagem métodos pouco ortodoxos para com os seus actores
(desde agressões verbais até agressões físicas onde chegou ao ponto de
esbofetear um actor para obter dele a reacção necessária para conferir o
realismo à cena), é normal nas cenas em que mostra a impotência da
ciência em explicar o que se passa com Regan e também como as McNeil (mãe e
filha) se relacionam com o Padre Damian Karras, pároco recém colocado, com
remorsos devido ao recente falecimento da mãe. Karras é a pessoa a quem Chris
recorre quando lhe é apresentada a hipótese de Regan estar possessa por um
espírito. Relutante, o padre aceita investigar o que se passa, quando se
conclui o que realmente a jovem tem, o padre nada pode fazer pois necessita da
supervisão de alguém mais experiente. É então chamado o Padre Lancaster Merrin
(Max Von Sydow, no papel mais famoso da sua já longa carreira), que já
sobrevivera a um exorcismo. A partir daqui, o trabalho de Friedkin torna-se
ainda mais intenso e , fruto de uma montagem engenhosa e avançada para a época,
competente e inventivo na famosa sequência do exorcismo.
O argumento de William Peter Blatty é
supostamente baseado numa história verídica,ocorrida em 1949 na cidade de
Cottage no estado de Maryland, com um jovem de nome Roland Doe ,está cheio de
contrastes de ciência versus religião, o que torna a história e posteriormente
o filme ainda mais interessante.
O filme foi um grande sucesso de bilheteira em
todo o mundo, foi nomeado para dez Óscares da Academia,incluindo Melhor Filme
do Ano, tendo sido o primeiro filme de terror da história do cinema a ser
nomeado nesta categoria, vencendo apenas dois nas categorias de Melhor Som e
Melhor Argumento Adaptado.
Como não podia deixar de ser, o sucesso
do filme daria origem a duas sequelas (numa altura em que o termo ainda não se
usava) e outras tantas prequelas: quanto ás primeiras, "Exorcista II - O
Herege" (John Boorman,1977) é francamente mau e habitualmente ignorado
quando se fala desta série; já "Exorcist III - Exorcista III"
(William Peter Blatty, 1990), é diferente: ignora o segundo filme e continua a
história, anos depois, segue outro caminho mas sem nunca perder de vista
personagens e situações que nos reportam para o primeiro filme, é muito
interessante mas, inexplicavelmente, não conseguiu convencer o público.
Quanto às segundas, já a história é
outra: foram feitos dois filmes para contar a história de como tudo começou
sendo que a produção não gostou de um dos filmes, despediu o realizador e
contratou outro para contar a mesma história. O resultado final foram dois
filmes: "Exorcista: O Princípio"(Renny Harlin, 2004) que foi o
segundo filme a ser feito e é muito mau, para não dizer ridículo!; o outro é
"Dominion: a Prequel to the Exorcist" (Paul Schrader, 2004) e é
superior ao seu sucessor.
Lamentavelmente
nenhum, se exceptuarmos "Exorcist III", se aproximou da qualidade do
primeiro, principalmente no tocante a cenas marcantes como a cena da rotação da
cabeça a 360 graus; ou a cena em que Regan se auto-viola com um crucifixo.
O original é o melhor de todos e ficou como uma referência do género e um filme
marcante para tudo aquilo que se fez posteriormente.
Em 2000, foi lançada uma edição intitulada
"Director's Cut - A versão que você nunca viu", onde constam mais 11
minutos de cenas inéditas que apenas completam o que já se conhecia, mostram
mais uma ou duas cenas de Regan já possuída pelo demónio, incluindo uma cena em
que ela desce uma escada como uma aranha e um final diferente em
que, na última cena, já depois da familia McNeil ter partido, o padre Dyer e o
Tenente Kinderman conversam enquanto se afastam da casa que é vista no último
plano e onde se vê uma espécie de "presença" a deslocar-se no quarto
de Reagan a indicar-nos que a casa ainda não estava limpa, abrindo então
caminho para uma possível continuação...
Ao longo dos anos a importância de
"O Exorcista" cresceu consideravelmente e influenciou um manancial de
imitações, mas também inspirou muitos filmes de qualidade, incluindo "O
Silêncio dos Inocentes" (Jonathan Demme, 1991) que levaria para casa cinco
Oscares, incluindo o de Melhor Filme do Ano, tornando-se no primeiro filme de
terror a levar este prémio para casa e seria um dos três únicos filmes da
história do cinema (até ao momento) a levar para casa os cinco prémios
principais da academia: Filme, Realizador, Actor, Actriz e Argumento.
Em 2008,
"O Exorcista" foi considerado um dos 11 mais assustadores
filmes de sempre e a revista cinematográfica "Empire" considerou-o um
dos 500 melhores filmes de sempre. Seja qual for a versão que se veja,
"O Exorcista" continua a ser uma referência obrigatória do cinema e
do género em particular.
Nota: As imagens e vídeos que ilustram este texto foram retiradas da Internet
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Um Blogger confessa-se
Esta entrevista foi-me solicitada em fevereiro de 2012 por José Carlos Francisco, administrador dum blog português sobre Tex Willer, personagem de banda desenhada, a quem agradeço a cedência de autorização para a poder publicar neste blog.
Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.
Rui Cunha: Chamo-me Rui, sou casado e tenho dois filhos, tenho 46 anos, nasci a 27 de Janeiro de 1966 em Lisboa. Trabalho na Tap Portugal, desde 1991, onde, actualmente, exerço funções de Oficial de Operações de Vôo.
Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Rui Cunha: Foi mais ou menos na altura em que descobri o meu interesse pela leitura… deveria ter aí uns sete ou oito anos… ofereceram-me o livro “A Espada do Paladino” de Bob Morane… lembro-me que nessa altura a Bertrand editava regularmente livros de Michel Vaillant, Ric Hochet, Luc Orient, Dan Cooper, além dos livros de Tintin, Astérix, Lucky Luke, entre outros…
Quando descobriu Tex?
Rui Cunha: Descobri o Tex em 1978, quando estava de férias no Brasil e adquiri por acaso “AFlecha Negra”, nº10 da edição Brasileira normal.
Rui Cunha: Quando era pequeno, uma das coisas que me lembro era de querer ser cowboy… queria sercowboy!… além de que sempre gostei de ver westerns… apesar de não terem sido os primeiros filmes que vi (estreei-me no cinema a ver “A Bela Adormecida”, o filme de animação da Disney), lembro-me de filmes que vi nessa altura (tinha para aí uns sete anos!) e alguns eram westerns…
O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Rui Cunha: A sua longevidade e espírito aventureiro… afinal, qual é o herói que, com a provecta idade que Tex tem (63 anos, se não me engano!), ainda se mete em aventuras como aquelas em que ele se mete?!
Rui Cunha: Nunca as contei… mas, seguramente, devo ter mais de 200… a mais importante para mim… talvez seja a nº 10 da edição Brasileira, por ter sido a primeira que comprei…
Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Rui Cunha: Apenas as revistas…
Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Rui Cunha: Já possuo: as revistas e um desenho autografado por Fabio Civitelli quando da sua passagem por Beja em 2010… mas qualquer coisa que apareça ou eu possa adquirir, fá-lo-ei com agrado… mas aqui em Portugal é muito difícil surgirem outras coisas relacionadas com a personagem…. já as revistas, para se adquirirem, é preciso fazer uma ginástica enorme…
Rui Cunha: Não tenho uma só história preferida… tenho várias!… mas aquela que mais me entusiasmou na altura e ainda hoje gosto de a reler, é a que foi publicada nos nº 83 e 84 da edição Brasileira “Terror na Selva” e “Black Baron”, talvez por lidarem com as questões de Magia Negra e Voodoo , além de serem com Mefisto, o arqui-inimigo de Tex… a nível quer de desenhador, quer de argumentista, como não sou entendido na matéria, não tenho nenhum em particular… acho-os todos bons!
O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Rui Cunha: O que mais me agrada em Tex é o facto das histórias ainda serem publicadas a preto-e-branco, dá-lhes alguma aura de realismo e algum mistério necessário para algumas das histórias, nomeadamente aquelas que lidam com Mefisto e o seu filho Yama, além de que o preto-e-branco fica melhor neste tipo de revistas… aquilo que menos me agrada, é o facto das histórias se estenderem por duas ou mais revistas, o que, tendo em conta o diminuto mercado que existe em Portugal para este tipo de publicações, se torna aborrecido porque a maior parte das histórias, se a revista seguinte não vier por qualquer motivo até ao quiosque onde as costumamos comprar, ficam incompletas o que é sempre chato porque depois não se consegue encontrar a revista porque simplesmente não temos mercado para isso…
Rui Cunha: Acho que o que torna Tex um ícone é precisamente o ser uma publicação única no género, orientada, não para um único público, mas sim para todo o público, cuja acção se centra no velho Oeste, o que nos traz sempre alguma nostalgia dos filmes que todos aprendemos a gostar…
Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Rui Cunha: Não, nem por isso… conheço o José Carlos Francisco (embora ainda não tenhamos falado pessoalmente… mas espero que isso venha a acontecer futuramente!), conheço também o seu colega Mário Marques com quem há algum tempo atrás, também a propósito de Tex, troquei alguns mails… conheço-o através da sua esposa, a Maria Aragão, que é minha colega na Tap Portugal… e conheço o ilustrador e autor de banda desenhada João Amaral, de quem sou amigo há muitos anos e com quem, inclusive, já colaborei na adaptação para BD do livro de João Aguiar “A Voz dos Deuses”…
Rui Cunha: Espero que o futuro de Tex seja radioso, que continue a ser lido e apreciado como tem sido até aqui… gostaria que as novas gerações, em vez de perderem tempo a vegetar em frente aos televisores, em frente aos computadores ou nas consolas de jogos, dedicassem algum tempo a cultivar hábitos de leitura, como eu e muita gente fez… e o Tex é, sem dúvida, uma boa ajuda nesse sentido, já que não obriga a grandes esforços para se compreender as suas histórias… por último gostaria que houvesse alguma editora que se interessasse pela edição nacional das revistas deste herói que tantas alegrias deu e continua a dar a tantos fãs por esse mundo fora…
Prezado pard Rui Cunha, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Hill Street Blues - ...e a Televisão nunca mais foi a mesma coisa...
Em
1981, a cadeia de televisão Norte-Americana NBC fazia história na cerimónia dos
“Emmy’s”, prémios de televisão, entregues anualmente, ao conseguir que, pela
primeira vez desde 1949, ano em que começou a cerimónia, uma série, na sua
temporada de estreia, recebesse oito prémios, num total de 21 nomeações,
incluindo o prémio para Melhor Série Dramática. “Hill Street Blues – Balada de
Hill Street”, assim se chamava essa série, viria a mudar radicalmente a face da
televisão.
A produtora “MTM
Enterprises”, desenvolveu o projecto
em nome da NBC, encarregando os escritores Steven Bochco e Michael
Kozoll de criar uma possível série
televisiva. Dando largas à sua imaginação, os escritores, uma vez que tinham
liberdade criativa considerável, criaram uma série de novas ideias que se
viriam a tornar fundamentais na produção televisiva futura:
- Os episódios apresentavam várias histórias ligadas
entre si, algumas eram resolvidas naquele episódio, outras no decorrer de
vários episódios.
- A vida, profissional e privada, das personagens, por
vezes colide entre si.
- Cada episódio começa com uma sequência pré-genérico
de briefing matinal (“Roll Call”), dado por um Sargento, a que toda a gente
(Detectives e Polícias uniformizados) assiste, recebe as suas missões e prepara
o seu dia de serviço.
- Todos os episódios são filmados de camera ao ombro, permitindo
uma acção e corte rápidos entre as histórias, através duma montagem igualmente rápida. A existência de muito ruído e
diálogo em fundo dá o efeito de “quase documentário” e de realidade
necessários. Esta técnica foi usada desde o episódio-piloto, produzido em 1980
e inspirado no documentário “The Police Tapes”, realizado em 1977 e no qual os
realizadores usavam cameras ao ombro para poderem seguir os polícias no Bronx. Já
em 1971 o realizador William Friedkin utilizara parcialmente esta técnica na
sua obra-prima “The French Connection – Os Incorruptíveis contra a Droga”.
- A maioria dos episódios termina numa situação
doméstica em que as personagens do Capitão Frank Furillo e da Advogada Joyce
Davenport, discutem o seu dia de trabalho.
Inspirada em
variada matéria sobre o assunto, tais como: casos processuais, outras séries e
romances policiais e de detectives, principalmente o livro de Ed McBain “Cop
Hater”, escrito em 1956, “Hill Street Blues” relatava o dia-a-dia duma Esquadra
de Polícia situada numa qualquer cidade americana, os problemas com que se
deparavam os seus funcionários, a dificuldade, muitas vezes também, a
impossibilidade de fazer respeitar a lei e a justiça. A frontalidade real e brutal com que a série descrevia a
vida urbana, a violência (houve quem a considerasse gratuita e desnecessária) e
as diferenças sociais existentes na década de 80 foi considerada revolucionária
para a época. Embora filmada em locais específicos da baixa de Los Angeles, ou
utilizando algumas sequências filmadas em Chicago para o genérico inicial e também nos estúdios da CBS, nunca se
sabe realmente qual a cidade em que se situam os bairros problemáticos onde se
passa a acção, o que foi uma decisão inteligente dos criadores tornando a série
muito mais abrangente porque se pode situar tanto em New York, como em Los
Angeles, ou em qualquer outra grande metrópole dos Estados Unidos.
A cultura de
gangs também foi muito bem explorada ao longo das diversas temporadas. As
negociações que aconteciam entre os líderes dos gangs decorriam geralmente na
esquadra e tinham tanto de cómico ( o visual e a maneira de falar dos diversos
líderes) como de dramático (quando os líderes não se entendiam uns com os
outros ou com a polícia e acontecia uma cena de pancadaria). As interações
entre polícia e gangs centravam-se à volta do gang “Los Diablos” e a relação
difícil, a princípio, depois consolidada através de admiração, colaboração e
mutúo respeito entre o carismático líder do gang, Jesus Marinez e o capitão
Furillo.
Ao longo de sete
temporadas, os espectadores habituaram-se a conviver com personagens quase
familiares: desde o chefe da esquadra de Hill Street, o incorruptível e pouco
permissivo Capitão Francis Furillo, passando pelos detectives, polícias
uniformizados, pelo negociador Henry Goldblume, o vice-chefe da esquadra Ray
Calletano, a Defensora Pública Joyce
Davenport, Fay Furillo, a complicada ex-mulher do capitão, Jesus Martinez, o
chefe de “Los Diablos”, um dos gangs poderosos da zona, terminando no Sargento
Phil Esterhaus, uma figura quase paternal e consciência de todos os que
trabalham na esquadra.
![]() |
| O Elenco fixo de Hill Street Blues |
O elenco, composto de 13 personagens fixas, manteve-se sempre o mesmo até meio
da quarta temporada, quando morreu Michael Conrad, o actor que interpretava o Sargento Phil
Esterhaus, a 22 de novembro de 1983.
A personagem ainda apareceu esporadicamente, nas “Roll Calls” matinais
que já estavam previamente gravadas, em alguns episódios até fevereiro de 1984,
onde faz a sua última aparição, no episódio intitulado “Grace Under Pressure”,
que lhe foi dedicado. O episódio foi dos mais vistos em termos de “share” televisivo,
não só pela carga emocional que se apoderou de toda a equipa quando o gravaram,
como também por conter o mais inesquecível e memorável final de episódio de
todas as temporadas: é noite, o capitão Furillo, Ray Calletano, Howard Hunter,
Mick Belker, Henry Goldblume, Bobby Hill e Andy Renko, caminham por um beco nas
traseiras da esquadra. Na mãos do capitão vai um vaso contendo as cinzas do
Sargento. À vez, cada um deles, pega numa mão-cheia de cinzas e atiram-nas
contra o vento, dizendo algumas palavras de apreço pelo amigo, cumprindo assim
uma última vontade testamentária do falecido que queria que os seus restos mortais permanecessem em Hill Street. Perante um final destes, pouco
habitual nesta série, é impossível ficar-se indiferente. A partir deste
desaparecimento, a série, que quebrou as regras televisivas, não conseguiu
sobreviver ás suas próprias regras, ressentiu-se disso e nunca mais foi a
mesma. É como se aquela perda não tivesse solução.
![]() |
| "Let's be careful out there", a inesquecível frase do Sargento Phil Esterhaus |
“Hill Street
Blues”, durante as suas sete temporadas, foi nomeada para 98 Emmy’s, venceu 52,
venceu também 3 Globos de Ouro e,
entre 1981 e 1984, foi 4 vezes consecutivas vencedora do prémio para Melhor
Série Dramática e partilha com “L.A.Law – As Teias da Lei” e “West Wing – Os
Homens do Presidente”, o recorde de maior número de elementos do elenco a ser
nomeado para Emmy numa única temporada: nada menos que nove!
Série
inesquecível, um marco em televisão, a sua influência foi decisiva em séries
posteriores como “ER - Serviço de Urgência” (1994-2009), criada por Michael
Crichton ou “NYPD Blues – A Balada de Nova York” (1993-2005) do mesmo Steven
Bochco e que pode ser considerada como a segunda parte do díptico do criador
sobre as forças da lei.
“24”, a Unidade de Contra-Terrorismo (CTU), e os dias difíceis e intermináveis de Jack Bauer ainda
estavam para nascer.
Nota: todas as imagens e vídeos que ilustram o texto foram retirados da Internet
terça-feira, 29 de maio de 2012
O Vietname, segundo Stanley Kubrick
domingo, 20 de maio de 2012
Quadrophenia - The Who do Outro Lado do Espelho
Lançado em 1973, quase dez
anos passados sobre os acontecimentos que retrata, “Quadrophenia”, é o sexto
álbum de estúdio lançado pelo grupo britânico “The Who”. É a segunda ópera-rock
do grupo (depois de “Tommy” em 1969) e desta vez correu ainda melhor que da
primeira vez. Enquanto em 1969 se viviam ainda os efeitos do movimento
Hippie e do festival de Woodstock,
que decorrera nesse mesmo verão, onde o grupo apresentou “Tommy” pela primeira
vez, constituindo essa sua participação um grande êxito e que tornaria o álbum
o primeiro grande sucesso do grupo,
já que refletia os ideais do “Flower Power”, reunidos em torno de um
rapaz que, devido a um trauma de infância, fica cego surdo e mudo, mas que se
torna numa espécie de figura messiânica, idolatrado por milhares de pessoas.
Nova
década, outras preocupações estiveram então na origem desta segunda ópera-rock
do grupo. A sua história gira em torno da perspectiva social, musical e
psicológica que uma certa
juventude inglesa teve dos acontecimentos ocorridos em Londres e Brighton em
1964-65.
O título é uma variação, não científica, do termo médico
“Esquizofrenia” (doença mental complexa de personalidade), aqui apresentada com
uma personalidade múltipla, Jimmy, o protagonista da história, sofre de uma
personalidade quadrúpla, cada uma delas associada a um elemento do grupo: o
duro, o provocador, o violento, em representa Roger Daltrey em “Helpless
Dancer”; o romântico “Is It Me?” é associado a John Entwistle; em “Bell Boy”, o
lunático é Keith Moon; o pedinte, o hipócrita é decalcado de Peter Townshend em
“Love , Reign O’er Me”. Os quatro temas que identificam as quatro
personalidades em Jimmy são misturadas em “Quadrophenia”, a faixa-título da
Ópera, utilizada com uma espécie de ponte entre os temas “The Real Me” e “Cut
my Hair” e voltam a misturar-se em The Rock” que medeia entre “Doctor Jimmy” e
“Love, Reign O’er Me”, que, segundo Townshend, a combinação dos
temas/personalidades nestes dois medleys instrumentais, constituiu o trabalho mais complexo
que alguma vez fez para o grupo. Ao longo de toda a Ópera os quatro temas vão
surgindo aqui e ali, subtilmente introduzidos em outros temas, dando ao
trabalho a impressão de um todo coeso.
Peter Townshend,
guitarrista do grupo e compositor, disse que o nome da ópera evoluiu, a partir duma ideia, como sendo uma
autobiografia do grupo, e que inicialmente era para se chamar “Rock is Dead –
Long Live Rock!”, mas na altura do seu lançamento, o papel do grupo era apenas
simbólico, através da quatro personalidade de Jimmy, por isso decidiram mudar o
nome para “Quadrophenia”.
A história
passa-se em cinco dias, nos quais Jimmy, um "Mod" por escolha, numa rocha, no meio do oceano,
relembra a sua vida até então. “Quadrophenia” é a narrativa de uma história, contada
na primeira pessoa.
Na primeira
parte, nos temas “I Am the Sea” e “The Real Me”, Jimmy apresenta-se e conta-nos as suas frustrações, as inseguranças
que conduzem a sua vida e as tentativas infrutíferas de ter uma vida social
normal. Com “Cut my Hair”, ele relembra uma discussão com os pais, por estes
descobrirem anfetaminas no seu quarto, que esteve na origem da sua fuga de casa
(ouvem-se na rádio noticias dos confrontos, entre “Mods” e “Rockers”, ocorridos
em Brighton, dias antes e nos quais Jimmy esteve presente). Depois de ser mal
tratado num concerto, quando tenta ir conhecer o grupo que actuou (supostamente
os próprios “The Who”), começa a perceber que a única coisa boa que tem na sua
vida é ser “Mod”. Sem conseguir fixar-se em nenhum emprego, perde a namorada
para um amigo. Em “I’ve Had Enough”, Jimmy, num completo estado de
auto-destruição, destroi a sua Vespa (símbolo de independência dos “Mods”) e
decide ir para Brighton onde se divertiu com os amigos a perseguir e a lutar
com os “Rockers”, único momento da sua vida onde foi realmente feliz.

Na segunda parte, “5.15”, conta a sua viagem de comboio para Brighton e quando chega, o seu ânimo aumenta. Em “Sea and Sand” e “Drowned”, Jimmy fala sarcasticamente das discussões caseiras e da noite que passou na praia com a sua ex-namorada. Decide ficar em Brighton para relembrar os dias em que os “Mods” chegaram à cidade. Apesar de apenas terem decorrido duas semanas sobre esses eventos, ele já está a viver no passado.
Em “Bell Boy”, Conhece Ace Face, um dos líderes dos “Mods” e um dos seus heróis de eleição, que não passa de um simples paquete no mesmo hotel que o seu grupo quase destruiu. Jimmy percebe então que a cena Mod deixou de ser sinónimo de um certo estilo de vida, sente-se atraiçoado por todos os que o rodeiam e mergulha numa espiral destrutiva de drogas e álcool. Jimmy vai então até ao mar e vê-o como um espelho dum poder maior no qual ele vai submergir e perder-se na sua imensidão. Em “Doctor Jimmy”, ele está perto da loucura, surge o lunático em si mesmo que o salva duma morte quase certa. No refrão do tema pode ouvir-se “…Doctor Jimmy and Mr. Jim…” referência mais que evidente a “Doctor Jekyll and Mr. Hyde”, que se liga ao tema das múltiplas personalidades que vão emergindo ao longo da história.
Os temas finais, dizem-nos que Jimmy, depois de roubar um barco, se encontra numa rocha, no meio do mar. Aqui, depois duma espécie de transe em que as suas quatro personalidades conflituam umas com as outras (o instrumental “The Rock” é isso mesmo), quando Jimmy cai em si, percebe que o barco se afastou, está abandonado, sozinho e esquecido. No fabuloso e arrasador “Love, Reign O’er Me”(dos melhores temas que Peter Townshend compôs), uma tempestade abate-se à sua volta e Jimmy descobre que, após ter sido tanta gente diferente, sabe finalmente quem é : ele próprio!

Na segunda parte, “5.15”, conta a sua viagem de comboio para Brighton e quando chega, o seu ânimo aumenta. Em “Sea and Sand” e “Drowned”, Jimmy fala sarcasticamente das discussões caseiras e da noite que passou na praia com a sua ex-namorada. Decide ficar em Brighton para relembrar os dias em que os “Mods” chegaram à cidade. Apesar de apenas terem decorrido duas semanas sobre esses eventos, ele já está a viver no passado.
Em “Bell Boy”, Conhece Ace Face, um dos líderes dos “Mods” e um dos seus heróis de eleição, que não passa de um simples paquete no mesmo hotel que o seu grupo quase destruiu. Jimmy percebe então que a cena Mod deixou de ser sinónimo de um certo estilo de vida, sente-se atraiçoado por todos os que o rodeiam e mergulha numa espiral destrutiva de drogas e álcool. Jimmy vai então até ao mar e vê-o como um espelho dum poder maior no qual ele vai submergir e perder-se na sua imensidão. Em “Doctor Jimmy”, ele está perto da loucura, surge o lunático em si mesmo que o salva duma morte quase certa. No refrão do tema pode ouvir-se “…Doctor Jimmy and Mr. Jim…” referência mais que evidente a “Doctor Jekyll and Mr. Hyde”, que se liga ao tema das múltiplas personalidades que vão emergindo ao longo da história.
Os temas finais, dizem-nos que Jimmy, depois de roubar um barco, se encontra numa rocha, no meio do mar. Aqui, depois duma espécie de transe em que as suas quatro personalidades conflituam umas com as outras (o instrumental “The Rock” é isso mesmo), quando Jimmy cai em si, percebe que o barco se afastou, está abandonado, sozinho e esquecido. No fabuloso e arrasador “Love, Reign O’er Me”(dos melhores temas que Peter Townshend compôs), uma tempestade abate-se à sua volta e Jimmy descobre que, após ter sido tanta gente diferente, sabe finalmente quem é : ele próprio!
Recebido com algumas reservas iniciais,
“Quadrophenia”, foi, ao longo da década de 70 do século passado, sendo objecto de estudos por parte de
especialistas e considerado como uma análise quase perfeita duma certa
juventude que viveu aqueles anos loucos da década de 60 e o facto de, na
discografia oficial do grupo, estar colocado entre os álbuns “Who’s Next”
(1971, considerado o melhor álbum do grupo) e “The Who by Numbers” (1975), pode
ter uma razão de ser, mas, sobre isso, o grupo nunca disse uma palavra.
Em 1979, “Quadrophenia”, foi adaptado para o cinema por Franc Roddam,. Usando a Ópera-rock do grupo como ponto de partida, o filme acaba por ser uma reflexão sobre a Grã-Bretanha pré-Thatcher, usando os confrontos da década de 60 entre os “Mods”, filhos da classe média, bem vestidos e que conduziam as suas vespas, e os “Rockers”, sempre vestidos de couro e conduzem motos potentes. Reflectindo um certo narcisismo patente nessa época e uma cultura movida a anfetaminas, “Quadrophenia foi um modesto sucesso de bilheteira tendo vindo a ganhar algum protagonismo no inicio da década de 80. Com um elenco praticamente desconhecido onde apenas pontuava, embora num registo secundário, um jovem músico e cantor de nome Sting como Ace Face.
Em 1979, “Quadrophenia”, foi adaptado para o cinema por Franc Roddam,. Usando a Ópera-rock do grupo como ponto de partida, o filme acaba por ser uma reflexão sobre a Grã-Bretanha pré-Thatcher, usando os confrontos da década de 60 entre os “Mods”, filhos da classe média, bem vestidos e que conduziam as suas vespas, e os “Rockers”, sempre vestidos de couro e conduzem motos potentes. Reflectindo um certo narcisismo patente nessa época e uma cultura movida a anfetaminas, “Quadrophenia foi um modesto sucesso de bilheteira tendo vindo a ganhar algum protagonismo no inicio da década de 80. Com um elenco praticamente desconhecido onde apenas pontuava, embora num registo secundário, um jovem músico e cantor de nome Sting como Ace Face.
Em 2000, “Quadrophenia” foi
considerado um dos 100 melhores álbuns de rock de sempre. Em 2011, o álbum foi
remisturado e editado numa caixa de luxo contendo cinco discos: quatro cd’s,
que incluíam o álbum original com som remisturado e várias demos de diversos
temas, e um DVD com um concerto de 2010 onde “Quadrophenia” foi integralmente
tocado com vários convidados.
Nota: Todas as imagens e vídeos que ilustram o texto foram retirados da Internet
Nota: Todas as imagens e vídeos que ilustram o texto foram retirados da Internet
domingo, 13 de maio de 2012
O Mundo do Rio - Viagem a um Mundo sem Morte
Philip
José Farmer (1918-2009) foi um escritor americano de histórias de fantasia e
ficção científica. Nasceu em Terre Haute, no Indiana, mas viveu quase toda a
sua vida em Peoria, no Illinois. Leitor ávido desde jovem, Farmer decidiu ser escritor no quarto ano.
Depois da IIª Guerra Mundial, onde
foi piloto, continuou os seus estudos enquanto trabalhava na fábrica de aço
local. Em 1950 tornou-se Bacharel em Inglês pela Universidade de Bradley.
Ganhou o seu primeiro prémio Hugo (Oscar da literatura de ficção científica)
com a novela “The Lovers – Os Amantes” em 1953.
Autor
de novelas e contos, ficou
conhecido por ter escrito várias novelas em sequência, principalmente “The
World of Tiers” (1965-93), “Riverworld” (1971-83) ou “Dayworld” (1985-1990).
Foi também pioneiro na introdução dos temas da sexualidade e de religião no seu
trabalho. Fascinado pelos chamados “Heróis dos Romances de Cordel” , Farmer pegava nas temáticas de alguns desses
romances, reescrevia-as utilizando personagens fictícias. Foi,
no entanto, em 1971, com “To Your Scattered Bodies Go”, que recebeu outro prémio Hugo e que
definitivamente o lançou. Era o começo de “Riverworld – O Mundo do Rio”, a sua obra mais famosa e uma das melhores séries literárias
da ficção científica.
A
Terra, tal como a conhecemos , deixou de existir, foi destruída por uma força
alienígena. Os 36 mil milhões de habitantes, que existiram ao longo da sua
história, são transferidos para um planeta algures no universo e ressuscitados, todos com 25 anos de idade, ao longo
das margens dum rio. Neste mundo, onde quando se morre, ressuscita-se noutro
local qualquer, cuja vida se parece centrar no rio que aparentemente se estende
por todo o planeta, é dada à
humanidade uma segunda oportunidade de se redimir dos erros cometidos na terra.
Seguimos então as aventuras de personagens tão diversos como Richard Francis
Burton, o famoso explorador inglês do século XIX, Peter Jairus Frigate
(personagem fictícia que o autor criou utilizando as suas próprias iniciais
para assim se introduzir na acção) Herman Goering, o delfim de Hitler, Samuel Clemens, o
escritor norte-americano, autor de Mark Twain ou Cyrano de Bergerac, o famoso
espadachim francês do século XVII, em busca da torre negra, situada no Mar
do Pólo Norte , local onde aparentemente termina o rio, assim como encontrar as respostas ao mistério daquela ressurreição.
A série é constituída por cinco
volumes:“To Your Scatered Bodies Go – Mundo sem Morte” (1971), “The Fabulous
Riverboat – Viagem para Além da Morte” (1971), “The Dark Design – O Desígnio
Negro” (1977), “The Magic Labyrinth – O Labirinto Mágico” (1980), “Gods of
Riverworld – Regresso ao Mundo do Rio” (1983), que constituem o fluxo central
de toda a série e o livro de contos: “Riverworld and Other Stories “ (1979), que, apesar de não fazer parte da trama
inicial, inclui histórias que se relacionam com situações e personagens que
aparecem. Toda a série explora as
interrelações entre indivíduos de muitas culturas e de diferentes períodos da
história
Escrita em 1952, a
história original de “O Mundo do Rio” intitulava-se “Owe for the Flesh” ("Deves
a Carne", literalmente traduzida, esta frase constitui uma espécie de pesadelo
para Richard Francis Burton e surge-lhe em sonhos inúmeras vezes ao longo de
toda a série), mas nunca foi publicada.
Anos mais tarde, Farmer, reescreveu o texto, dividiu-o em duas partes ,
lançou-o nas revistas de ficção científica “Worlds of Tomorrow” e “If” entre 1965 e 1967. Finalmente em 1971
publica os dois primeiros volumes da série…e o resto foi história!
A história de “O
Mundo do Rio” começa com a ressurreição de toda a população do planeta terra,
ou seja desde o primeiro “Homo Sapiens” até ao inicio do século XXI .
Inicialmente, a ideia de Farmer era terminar as ressurreições no ano de 1983,
já que, na altura em que os primeiros livros foram publicados, ainda era uma
data especulativa . Posteriormente o autor estendeu a existência do planeta até 2008 e aqui encontramos duas fortes
possibilidades para esta decisão: a primeira é que nesta data grande parte da
humanidade teria sido exterminada depois dum catastrófico primeiro encontro com uma expedição duma civilização alienígena que estava de visita á terra (na ficção
claro!); a segunda é meramente especulativa e tem a ver com o facto de o autor
achar que não viveria além do ano de 2008 e assim marcar a diferença. No prefácio de “O Desígnio Negro”, o
autor escreveu "...espero terminar a série, do volume I até ao V, antes que chegue o meu tempo de me estender e repousar enquanto aguardo a vez de entrar no fabuloso
Barco do Rio..." (na verdade, Farmer faleceu
em 2009!).
Inicialmente a
razão da existência de “O Mundo do Rio” é um completo mistério e assim se mantém ao longo dos três primeiros volumes. Num mundo em que não existe qualquer tecnologia e onde os
únicos materiais disponíveis são bambu, madeira e ossos de peixe, a humanidade
vê-se assim reduzida a uma existência numa espécie de paleolítico e tem que
aprender a sobreviver assim. Com
montanhas intransponíveis, as únicas possibilidades que existem de exploração
são rio acima ou rio abaixo. Mas mesmo viajar ao longo daquele mundo pode ser
uma missão arriscada, já que rapidamente começam a florescer milhares de
pequenos reinos , impérios , monarquias, repúblicas e todo o tipo de sistemas
sociais alguma vez inventados e
quem os comanda tem ideias diferentes entre si.
Nos livros da
série, a maneira como Farmer coloca personagens históricas a interagir com as
personagens fictícias na procura
das razões que presidiram à
criação daquele mundo e da ressurreição da humanidade, é verdadeiramente
espectacular já que permite não só que o leitor faça os seus julgamentos em
relação a cada personagem, como faz com que algumas dessas personagens sofram
verdadeiras transformações em relação à sua vida anterior na terra, o que
acontece, sensivelmente , a partir do terceiro volume, quando o mistério se
adensa e se descobre quais as verdadeiras
intenções de quem está por detrás da criação daquele mundo.
Claro que uma série
destas , com uma ideia tão original como esta, não poderia passar despercebida
no universo da literatura de ficção cientifica e também na televisão: No
primeiro caso surgiu, em 1992, o livro de contos “Tales of Riverworld “ que além de conter alguns contos
ainda escritos por Farmer, tem
outras histórias, escritas por diversos autores, igualmente situadas no universo de
“O Mundo do Rio”, e em 1993 surgiu "Quest to Riverworld", outra antologia que contém dois contos de Philip José Farmer.
A televisão tentou,
em 2001, fazer uma série baseada em “ O Mundo do Rio” mas ficou-se apenas pelo
episódio-piloto, baseado em “ Mundo sem Morte” e “Viagem para Além da Morte” ,
com algumas alterações de fundo em relação aos livros. O herói é um astronauta
americano e o vilão, em vez de ser o Príncipe João de Inglaterra, é Nero, o imperador Romano.
Em 2010 outra tentativa de produzir uma nova
adaptação de “O Mundo do Rio”, mas
desta vez apenas como um filme de
televisão dividido em duas partes e aqui novamente alterações de fundo, com um
jornalista de televisão a ser o protagonista e Richard Burton transformado no
vilão de serviço.
Em minha
opinião, nenhuma das adaptações faz justiça aos textos de Farmer e entendo que uma série desta
envergadura deveria ter um tratamento bem mais dignificante do que aquele que
lhe tem sido dado.
Nota: Todas as imagens que ilustram o texto foram retiradas da Internet
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