quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Black Sabbath - Entre o Céu e o Inferno I

                                        I - Anos de Ouro (1969-1979)








    Quando se fala de Hard Rock ou na sua mutação seguinte, o Heavy Metal, o nome de Black Sabbath é muitas vezes citado, ao lado do dos Led Zeppelin ou até dos Deep Purple, como sendo um dos grupos pioneiros  que ajudaram a definir o género.
    O embrião dos Black Sabbath surgiu em 1966 em Aston, Birmingham, na Inglaterra. Tony Iommi, guitarrista e Bill Ward, baterista, cruzam-se com Ozzy Osbourne, um antigo colega de Iommi. Ao saberem que ele cantava, resolvem, os três, formar uma banda musical. Juntamente com outros dois amigos, com quem Ozzy costumava tocar nos pubs, formam os "Polka Tulk Blues Band", ao fim de algum tempo, encurtam o nome para "Polka Turk" que se transforma, mais tarde, nos "Earth". Mas, em 1969, descobrem que estão a ser confundidos com outro grupo e decidem, uma vez mais, mudar de nome.
A Origem do nome do grupo
   A escolha do novo nome partiu de Geezer Butler, baixista, que entrara para o grupo ainda na altura dos "Polka Turk", que vira um filme de 1963 intitulado "I Tre Volti Della Paura - As Três Faces do Medo", com Boris Karloff e realizado por Mario Bava,  que fora exibido em Inglaterra com o nome de "Black Sabbath" e que, pela originalidade, foi aceite imediatamente. Inspirados pelo nome escolhido e por um sonho de Butler, em que este via um encapuçado junto da sua cama, ele e Ozzy escrevem uma canção intitulada "Black Sabbath". O tom ameaçador da música, a voz desesperada de Ozzy, associadas a uma letra sinistra, conduziram o grupo em direcção a sonoridades mais negras em contraste com o som dominante do "Flower Power", musica folk e a cultura Hippie do final da década de 60. Decidiram então focar-se nesta temática negra, numa tentativa de criar o equivalente musical aos filmes de terror.
Capa do primeiro álbum do grupo
   O primeiro álbum do grupo, intitulado "Black Sabbath" foi editado a uma sexta-feira 13, em fevereiro de 1970, foi um grande sucesso, chegando a número 8 nas tabelas inglesas. temas como "Black Sabbath", "The Wizard" ou "N.I.B.", foram, por muitos, considerados como a inauguração de um rock pesado, mais original, mais denso, completamente diferente do hard/heavy  que era produzido por outras bandas. A temática sombria das letras, com referências a demónios e ocultismo, não tardou a criar alguma polémica em torno do grupo e levou a que grupos associados com essas mesmas temáticas, os convidassem a participar em missas negras e outros rituais. O grupo viu-se na necessidade ir à televisão explicar que nada tinham a ver com aqueles rituais e que apenas tinham escolhido o nome por ser diferente e nos concertos todos os elementos usavam crucifixos pendurados para não serem associados a tais organizações.
   Para aproveitar o sucesso obtido com o primeiro disco, após uma pequena tounée, o grupo volta ao estúdio em Junho de 1970 para gravar o segundo álbum, que só será editado em Janeiro do ano seguinte devido a questões relacionadas com o título, que inicialmente era para ser "War Pigs", cujo tema-título era uma crítica feroz à guerra do Vietname. A editora mudou o nome do álbum para "Paranoid" quase na véspera do lançamento e o tema foi escrito no último dia de gravações. Ao contrário do seu antecessor, o som do grupo virou-se para temas mais comuns como guerra ou ficção científica. Canções como "Electric Funeral", Iron Man", "War Pigs" ou o próprio "Paranoid"  são representativos desta nova direcção musical e fizeram com que o álbum fosse o maior sucesso comercial do grupo.
     Entre concertos de um lado e de outro do Atlãntico, o grupo entra, em Fevereiro de 1971,  novamente em estúdio e grava o terceiro álbum, "Master of Reality", que é editado em Julho do mesmo ano. Este é provavelmente o álbum mais obscuro e introspectivo do grupo, num quase regresso ás temáticas de "Black Sabbath", que são mostradas em temas como "Sweet Leaf", "Lord of this World" ou "Into the Void". Surgem aqui também os primeiros temas acústicos do grupo. O álbum foi um sucesso de vendas notável e levou o grupo finalmente a uma tournée mundial, após a qual o grupo teve direito a uma férias merecidas após três anos consecutivos entre concertos e a gravação de álbuns. Porém, incapazes de estar muito tempo parados, o ano não haveria de terminar sem um novo trabalho do grupo.
O princípio da mudança sonora do grupo
      "Black Sabbath Vol.4" assim se chamou  o trabalho seguinte e viu a luz do dia, por entre inúmeros problemas dentro do grupo relacionados com uso e abuso de drogas, em Setembro de 1972. Chegou a aparecer com o título de "Snowblind", tema relacionado com o uso de cocaína e hoje um dos hinos do grupo,   mas a companhia discográfica acabou por lhe mudar o título para "Black Sabbath Vol.4" contra vontade dos elementos do grupo, que o acharam ridículo pelo facto de não existirem os Volumes 1, 2 e 3. Recebido com algum desdém pela crítica, atingiu o Disco de Ouro por vendas acima 500.000 cópias em menos de um mês após o lançamento e foi o quarto álbum consecutivo da banda a conseguir tal facto. Com mais tempo de estúdio, o grupo pode finalmente experimentar novas texturas, como piano, cordas e orquestrações. O tema "Changes", universalmente ligado ao grupo foi o melhor exemplo destas novas experiências. A voz cristalina de Ozzy, acompanhado pelo piano de Spock Wall, que é um pseudónimo de Rick Wakeman, teclista do grupo Yes,  fez e ainda faz as delícias dos fans. "Tomorrow's Dream", "Snowblind", "Wheels of Confusion" são alguns dos temas que pontuam neste álbum onde o grupo se mantém fiel ao seu som. "Under The Sun" é o tema que encerra o disco, é um tema magnifico com um final espectacular e denota  alguma influência de Rock Progressivo. Segue-se nova tounée mundial com muitas datas nos Estados Unidos e primeiros concertos na Austrália e Nova Zelândia durante o ano de 1973. O álbum seguinte do grupo só  veria a luz do dia em Dezembro...para os fans foi uma espera interminável, mas valeria bem a pena!
A Obra-Prima  
    Com uma série de arranjos complexos que integraram cordas  e sintetizadores, envolvido numa atmosfera ainda mais tendencialmente progressiva, "Sabbath Bloody Sabbath" recebeu, pela primeira vez críticas muito positivas e foi unanimemente considerado como a obra-prima do grupo. O álbum contou novamente com a participação de Spock Wall (Rick Wakeman) em temas como "Spiral Architect", "A National Acrobact" ou "Who are You", que são marcadamente temas de Rock Progressivo, enquanto que temas como "Sabbath Bloody Sabbath" ou "Killling Yoursef to Live" mantinham viva a veia mais heavy metal do grupo. O álbum contém ainda "Fluff" a mais bonita peça instrumental do grupo. O álbum foi um triunfo absoluto para o grupo, além de chegarem ao "Disco de Platina", com mais de um milhão de venda a nível internacional, o álbum foi número quatro em Inglaterra e número onze nos Estados Unidos. O grupo nunca mais conseguiu igualar este álbum que é considerado um dos 100 melhores álbuns da história do rock.
   Em 1975, depois duma extensa tounée mundial que durou todo o ano de 1974 e onde se revelaram as primeiras querelas dentro do grupo, entraram em estúdio para gravar novo álbum. Desta vez queriam fazer algo diferente, queriam um álbum de rock puro e duro. Assim nasceu "Sabotage" que, apesar de manter o grupo na boa opinião dos críticos e de alguns temas fortes como "Am I Going Insane", "Hole in the Sky" ou "Symptom of the Universe", não foi mais longe que um modesto número 20 em ambos os lados do Atlântico, a que uma tounée encurtada por um acidente de mota de Ozzy, também não ajudou.
   1976 viu nascer "Techical Ecstacy" com o qual o grupo pretendia redimir-se do fracasso que fora o álbum anterior. Mas parecia que o grupo tinha perdido o som agressivo e sombrio que caracterizara os primeiros álbuns em troca de uma maior utilização de sintetizadores e um som mais flexível, do qual só se aproveitou o tema "Dirty Women" e a surpresa que é ouvir Bill Ward a cantar o tema "It's Alright". Pela segunda vez na sua carreira, o grupo não consegue atingir Disco de Ouro. Mesmo assim entre Novembro de 1976 e Abril de 1977, o grupo faz concertos na Europa e estados Unidos. Com cisões cada vez maiores dentro do grupo e enquanto ensaiavam para o que seria o seu próximo álbum, Ozzy Osboune abandona o grupo devido a problema pessoas, familiares e a uma cada vez maior dependência de álcool e drogas deixando temporariamente os Black Sabbath sem vocalista e á deriva . Dave walker, ex-vocalista dos Fleetwood Mac, é contratado em Outubro de 1977 para substituir Osbourne e o grupo recomeça a trabalhar em novas canções. Mas em Janeiro de 1978 um arrependido Ozzy regressa, três dias apenas antes do grupo entrar em estúdio para gravar um novo álbum.
   O grupo passou então cinco meses consecutivos em estúdio a gravar "Never say Die!" que foi lançado em Setembro de 1978 contra uma resposta negativa quer da crítica quer do público que consideraram o álbum um desvio absoluto do som que o grupo tinha, apesar de temas como "Junior's Eyes", "Hard Road" ou o tema -título, o único a fazer justiça ao bom nome do grupo e levaria mais de 20 anos até o álbum receber "Disco de Ouro". A tounée de suporte ao álbum começara em Maio e duraria até Dezembro, mas eram visíveis as tensões dentro do grupo com Ozzy cada vez mais afastado dos restantes membros e com os quais faria um último concerto no Novo México a 11 de Dezembro. Em 1979 Ozzy foi despedido do grupo por uso abusivo de drogas e álcool. Era o fim anunciado de um dos grupos mais marcantes da música.

                                                            (Continua)
                                                                                                                                                                                                    
 
 Nota: Todas as imagens vídeos que ilustram este texto foram retirados da Internet                                                                                                  
 
 

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O Padrinho - Parte III, Uma Saga Completa III




                                                           
    
     Quando nada o fazia prever...eis que 16 anos depois de "O Padrinho Parte II", surge a terceira parte daquele que já era um diptíco incontornável na história do cinema...16 anos depois de um dos mais belos planos de solidão de um ser humano (Michael Corleone sentado numa cadeira no meio de um silêncio total), ficamos a saber qual vai ser o destino da familia Corleone. Mas este não foi um parto fácil. No tempo que passou, a ideia de um terceiro capítulo esteve sempre  presente na mente dos cabecilhas dos estúdios da Paramount e várias foram as tentativas de fazer Coppola regressar ao tema e este resistiu sempre. Mesmo antes do seu regresso, todo o processo de criação foi tortuoso e sofreu inúmeros reveses.
       A ideia tomou forma em Julho de 1977 com uma ideia delineada por Michael Eisner, na altura um dos administradores da Paramount, apresentou um primeiro rascunho que rapidamente foi arquivado. O mesmo aconteceu com outro rascunho, escrito por Mario Puzo e Charles Bludhorn, outro administrador da Paramount, em 1978.                       

Um ano depois, Dean Riesner apresentou um argumento em que a familia Corleone, uma outra familia da Mafia e a CIA estavam em conflito aberto. Não houve qualquer desenvolvimento até 1985 quando Nicholas Gage, produtor e argumentista, reescreveu o argumento de modo a situá-lo na década de 70 com Michael a tentar legalizar o negócio da familía. Novamente a ideia presente no filme anterior ganhava aqui uma forma mais actual e tornava possível  o tão ansiado novo capítulo na saga. Então, em 1986, foi pedido a Mario Puzo que escrevesse outro rascunho utilizando as ideias de Gage, o que o escritor fez.
Até 1987, nada menos que quatro rascunhos foram apresentados. Os dois  primeiros, focavam a sua atenção mais na década de 30 do que no presente. Por serem semelhantes ao argumento de "O Padrinho - Parte II" foram recusados. O terceiro, fazia o contrário dos dois primeiros e também foi recusado. Finalmente, em Março de 1987, um quarto rascunho foi apresentado e aceite (não diferia muito do terceiro mas, segundo o estúdio, era bem melhor!).
   No outono de 1988, Frank Mancuso, na altura administrador da Paramount,mandou chamar Francis "Ford" Coppola para conversarem sobra a possibilidade deste realizar o terceiro capítulo de "O Padrinho". Os seus últimos filmes não tinha tido o tão esperado sucesso que o realizador almejava. O seu último sucesso tinha sido "Peggy Sue got Married - Peggy Sue Casou-se" em 1986 e ele precisava dum grande sucesso. Coppola aceitou fazer o filme mas impôs condições para voltar. Uma delas era que o filme se chamasse "Mario Puzo's the Death of Michael Corleone". O estúdio recusou a ideia dizendo que o título era dúbio e  considerava-o muito sombrio e negativo, preferindo o título de "Godfather - Part III" que Coppola eventualmente aceitou mesmo considerando que a saga era constituída apenas por dois filmes e que o terceiro deveria ser considerado como um epílogo que fechava a história num círculo perfeito. Durante alguns anos, Mario Puzo acalentou a ideia de um quarto filme cuja acção se situaria no início do reinado de Don Vito Corleone, mas que a sua morte, ocorrida em 1999, não deixou ver a luz do dia.
    Finalmente a 27 de Novembro de 1989 começou a rodagem de "O Padrinho - Parte III" e que iria durar até Maio de 1990, num total de 125 dias, dividindo-se entre Atlanta, Nova York, os estúdios da Cineccitá em Roma (onde Fellini rodou a maior parte dos seus filmes) e Palermo. A rodagem decorreu  sem sobressaltos, ao contrário do que acontecera com o primeiro filme. O resto do ano, como acontecera com os filmes anteriores, foi passado na sala de montagem para que o filme estreasse a tempo de se apresentar para a cerimónia dos Oscares.
     Passaram-se quase 20 anos desde que Michael Corleone iniciou a tentativa de legitimar a sua familia mas os tempos são dificeis e as adversidades mais que muitas. Mesmo não querendo, ele vai ser de novo arrastado para a voragem da violência.
   Tal como nos filmes anteriores, e para dar a ideia de continuidade, vê-se um écran escuro, surge o título "The Godfather, Part III"(embora na edição do DVD com o restauro de Coppola lançada em 2008, o inicio seja ligeiramente diferente), depois o filme abre com a última cena de "O Padrinho - Parte II", onde se vê Michael no meio da sua solidão, em seguida vemos imagens, da propriedade da familia Corleone  em estado de completo abandono, que se dissolvem umas nas outras sob um céu escuro vê-se a silhueta da estátua da Virgem Maria, tudo isto ao som do famoso tema de "O Padrinho" e sobre este ouve-se a voz rouca, idosa, de Michael a falar...só depois é que percebemos que ele está a escrever uma carta aos seus filhos.
    Algumas partes do filme do filme são baseadas em acontecimentos verídicos tais como o final do reinado do Papa Paulo VI ou o colapso do Banco Ambrosiano, escândalo que assolou a Cidade do Vaticano em 1982.  Mas o mais assustadoramente próximo da realidade histórica é a eleição do Cardeal Lamberto (grande interpretação, embora secundária, de Raf Vallone, principalmente na cena em que escuta a confissão de Michael)  como Papa João Paulo I, que sucedeu a Paulo VI, e que é encontrado morto pouco mais de um mês depois da sua eleição. O mesmo aconteceu na realidade com o verdadeiro Papa João Paulo I, que reinou apenas 33 dias antes de ser encontrado morto nos seus aposentos. Por vezes a ficção tem bases assustadoramente reais...
A Fotografia da "Famiglia" Corleone
    Quase todo o elenco das duas partes anteriores regressa, excepção feita a Robert Duvall que recusou retomar o seu papel de Tom Hagen a não ser que fosse pago de igual modo que  Al Pacino e Diane Keaton, o que lhe foi recusado pelos produtores, então os argumentos, para explicar a sua ausência, inventaram a sua morte e substituíram-no por um discreto mas competente George Hamilton no papel do novo "Consigliere" da familia Corleone, B.J. Harrison. Aos repetentes juntam-se os nomes de Andy Garcia, como Vincent Mancini, filho bastardo de Sonny e protegido pela tia Connie (Talia Shire, no seu melhor papel), Joe Mantegna, como Joe Zaza, um dos inimigos da família Corleone, Bridget Fonda, como Grace Hamilton, jornalista apaixonada por Vincent, Eli Wallach, veterano actor que aqui faz o papel de Don Altobello, o padrinho de Connie, entre outros.
    Mas o filme pertence todo a Al Pacino. A sua interpretação é, talvez, a melhor da sua já longa carreira. Ou será que alguém consegue ficar indiferente à cena perto do final em que Michael vê a filha morrer nos seus braços, a sua expressão, o grito, que embora não se ouça, um achado brilhante do realizador, retrata toda a dor de um pai que quase não conheceu os seus filhos; inesquecível!
Sofia Coppola
    Mas todas as obras-primas têm o seu senão. Aqui, ela chama-se Sofia Coppola. Para interpretar  Mary Corleone, Coppola precisava de  alguém que estivesse à altura do papel que é, nem mais, nem menos, o segundo mais importante do filme e ela não estava, claramente, nem à altura, nem à vontade no papel. Inicialmente várias actrizes foram considerados para o papel de Mary Corleone. Nomes como Uma Thurman, Madeleine Stowe, Diane Lane (quase uma veterana na obra do realizador),  Mary Stuart Masterson, Jennifer Grey, Molly Ringwald, até Julia Roberts, fizeram testes, mas por uma ou outra razão, não ficaram com o papel. A primeira escolha acabou por ser Wynona Ryder, mas, pouco antes do inicio da rodagem, a actriz alegou um enorme cansaço psicológico e desistiu. Entrou em cena Madonna que queria interpretar o papel, mas Coppola achou que ela era velha de mais para interpretar uma rapariga de pouco mais de vinte anos. Com o calendário da rodagem a apertar, o realizador virou-se para a sua filha, Sofia, que no ano anterior colaborara com ele no argumento de um  dos segmentos de "New York Stories- Histórias de Nova York", um filme a três mãos e, de resto, já participara no primeiro filme da saga (é o bebé que é baptizado no filme). A sua muita criticada interpretação resultou numa troca de impressões menos agradável entre o realizador e a imprensa e que prejudicou grandemente o filme quando estreou.
O génio por detrás da trilogia
     O filme é fabuloso, com uma realização magnifica, um argumento sólido e um trabalho de montagem absolutamente estonteante principalmente na sequência da òpera montada em paralelo com a eliminação dos adversários de Michael, a fazer lembrar o primeiro filme na sequência do ajuste de contas e do baptizado. Mas Coppola é um mestre na arte de fazer cinema e demonstra-o uma vez mais na cena final do filme em que vemos Michael, muito velho, sentado numa cadeira, a pensar nas mulheres da sua vida e vêmo-lo em fases distintas da sua vida: primeiro na Sicília (Apollonia), depois no Nevada (Kay) e por fim em Nova York (Mary), e, num plano de camera afastado, vemo-lo cair da cadeira e morrer, tal como o seu pai, Don Vito e sózinho como sempre vivera.
   Nomeado para sete Oscares da Academia, incluindo Melhor Filme e Melhor realizador, "O Padrinho - Parte III", ficou-se por aí mesmo, sendo  derrotado por "Danças com Lobos", realizado por  Kevin Costner, embora se ache que o filme ter ficado a zero no tocante a prémios, tenha sido um bocado exagerado porque existem cenas no filme que são de  brilhantismo cinematográfico puro.
      Assombrado pelo peso dos dois filmes anteriores, "O Padrinho Parte III", ressente-se disso em termos de temática e de estilo, acabando por não ser tão brilhante em termos técnicos como os dois primeiros filmes, não deixa, no entanto, de ser uma obra importante no cinema, um triunfo para o realizador, um epílogo, como Coppola gosta de dizer, da mais famosa trilogia sobre a Mafia  da história da sétima arte...depois disto, os filmes de gangsters nunca mais foram a mesma coisa!!
 

Nota: As imagens e vídeos que ilustram o texto foram retirados da Internet

domingo, 14 de agosto de 2011

O Padrinho - Parte II, Uma Saga Completa II

 
                                                   

   


     Tal como em "O Padrinho", o inicio desta segunda parte começa com um écran escuro e depois vemos a última cena do primeiro filme na qual se vê  Michael Corleone  e alguns dos seus  mais próximos que o felicitam, beijando-lhe a mão e ajoelhando-se num gesto de deferência para com o "Novo Padrinho" indicando ao espectador que esta  é uma continuaçao directa do primeiro filme e que devem ser vistos como um todo, antes de surgir o titulo do filme "The Godfather Part II". Coppola disse que este foi o primeiro filme a conter no seu título a indicação de "Parte II", apesar da oposição dos chefes do estúdio que estavam reluctantes em relação ao  filme se chamar "O Padrinho - Parte II", alegavam que o público acharia que, uma vez que já tinham visto "O Padrinho", não faria sentido acrescentar fosse o que fosse ao filme original. O sucesso, sem precedentes e em todos os aspectos, que "O Padrinho - Parte II"  iria alcançar, provaria o contrário e viria a estabelecer a tradição de em Hollywood se fazerem continuações de quase todos os tipos de filmes de sucesso ( O termo sequela só surgiria lá mais para a frente, no início da década de 80.
   A principio Francis F.Coppola não queria fazer este filme. Depois de todos os problemas de produção com o primeiro filme, ele não estava muito interessado em voltar ao tema. Queria aproveitar o sucesso que o primeiro filme obtivera e regressar aos seus projectos pessoais que tinham preenchido a primeira metade da sua carreira. Antes de embarcar novamente neste projecto ambicioso, Coppola fez uma pequena obra-prima pessoal chamada "The Conversation" ( O Vigilante, 1974) sobre o mundo das escutas e até que ponto este influencia cada ser humano. Apresentado em Cannes, venceu a Palma de Ouro e colocou o realizador novamente na rota dos grandes estúdios.
     Robert Evans, chefe de  produção da Paramount, ofereceu a Coppola um milhão de dólares para ele realizar a continuação, Coppola recusou e sugeriu o nome de Martin Scorsese para o fazer. Mas a produção queria Coppola e, juntamente com Al Pacino, que foi decisivo nas negociações entre realizador e estúdio, pois foi quem o convenceu a regressar ao projecto, fizeram "uma proposta irrecusável" ao realizador e este ditou as suas condições: estas incluíam a não interferência do estúdio na feitura do argumento, na escolha do elenco e uma liberdade criativa completa em todos os outros aspectos da produção do filme (a manutenção do título foi uma delas). O estúdio aceitou sem grandes discussões e Coppola aceitou fazer o filme.  Em boa hora isso aconteceu porque o resultado ultrapassou as expectativas.
Vito Corleone em Nova York, 1920
    Com luz verde da produção, a rodagem teve inicio a 1 de Outubro de 1973, terminando a 19 de Junho de 1974. Coppola dá largas ao seu génio criativo. Escrevendo o argumento novamente  com a  ajuda de Mario Puzo, "Padrinho - Parte II" é, ao mesmo tempo uma continuação e um início da história (o termo próprio é prequela, mas em 1974, tal como o termo sequela, aquele ainda não existia) do primeiro filme, ambas as histórias são contadas paralelamente. Por um lado continua a história de Michael Corleone (Al Pacino), durante a década de 50, como o novo Padrinho, por outro volta ao passado, através duma série de flashbacks inseridos na narrativa, fruto de um trabalho de montagem magnífico  e conta a história de Vito Corleone (Robert DeNiro) desde a sua fuga da Sicília em 1901 até à fundação da Família Corleone em Nova York. O maior momento deste filme está contido na cena final que acontece num flashback, em Dezembro de 1941, que mostra a familia reunida a preparar uma festa-surpresa para Don Vito. Sonny apresenta Carlo Rizzi à familia e principalmenta á sua irmã mais nova, Connie, com quem virá a casar. Tessio, um dos homens de confiança de Don Vito, chega e fala do ataque recente dos Japoneses a Pearl Harbor, a conversa recai sobre isso. A meio da conversa, Michael anuncia que se alistou no exército para ir combater e ficam todos chocados com a revelação. Sonny discute com o irmão, chegando mesmo a ridicularizá-lo aos olhos dos outros. Entretanto chega Don Vito que todos, menos Michael, que fica sózinho na sala, vão cumprimentar e felicitar. Inicialmente a cena era para se ver Don Vito, rodeado de todos os seus filhos. Apesar de Brando não querer regressar para filmar esta cena, Coppola manteve-a, alterando apenas a presença de Don Vito, enfatizando ainda mais a sombra do velho Don na cena
   Pondo de lado a violência que caracterizara o primeiro filme, é no elenco, todo ele excepcional, que inclui novamente Al Pacino, Diane Keaton, Robert Duvall, John Cazale, Talia Shire,juntamente com nomes como  Robert De Niro, Lee Straberg, Michael V. Gazzo, G.D.Spradlin,  entre outros, que recai a responsabilidade de levar o filme a bom porto e isto é plenamente conseguido ao longo das mais de três horas de filme.
    O destaque vai, claro, para as interpretações de Pacino e De Niro como o jovem Vito, esta última vencedora de um Oscar para o Melhor Actor Secundário.
    Al Pacino ultrapassa-se com esta interpretação ao transformar-se naquilo que nunca quisera no primeiro filme: um verdadeiro monstro, como lhe diz Kay no meio duma discussão, que, após destruir a sua própria família e se desembaraçar dos seus inimigos, é um homem só e amargurado ( é absolutamente fabuloso o plano final, em que se vê Michael sentado sózinho com um olhar perdido e o único som que se ouve é o vento   e folhas a voar, incorporando toda a solidão do mundo). A grande qualidade de Pacino é perfeitamente patente na cena do confronto, na casa do lago, entre Michael e Fredo (John Cazale), seu irmão mais velho, após descobrir que fora ele quem o atraiçoara: é absolutamente brilhante e violenta ao mesmo tempo, a prestação dos dois actores. A familia, de resto, tem sempre uma importância enorme nos filmes de Coppola. Desde "O Padrinho" quando Don Vito diz a Sonny, após uma reunião com Virgil Sollozzo, para nunca se opôr à família, ou quando Michael manda executar Carlo por este ter atraiçoado Sonny e, por extensão , a família, até a "O Padrinho - Parte II" quando, após anos de afastamento, Connie (Talia Shire, irmã de Coppola na vida real), jura obediência total ao irmão, ou quando Michael ordena a morte de Fredo, percebemos que a família está acima de tudo e de todos.
    Tecnicamente brilhante em todos os aspectos, a segunda parte de "O Padrinho" superou o primeiro filme na bilheteira, ao fazer uns surpreendentes 193 milhões de dólares, tornando-se no segundo grande sucesso da Paramount em 1974, atrás de "Chinatown" (Roman Polanski, 1974) é hoje visto como a Melhor Sequela de sempre da história do cinema, assim como é igualmente considerado, tal como o primeiro filme, um dos Melhores Filmes de Todos os Tempos. Muitos críticos consideram-no superior ao primeiro filme, embora quando se trata de listas de "Maiores Filmes", aparece sempre depois de "O Padrinho".

Uma Obra-Prima vencedora a todos os níveis
   Nomeado para 11 Oscares da Academia, "O Padrinho - Parte II" venceu seis, incluindo Melhor Realizador e Melhor Filme do Ano, sendo a única sequela a conseguir tal feito até agora. Curiosamente "The Conversation" também foi nomeado para Melhor Filme o que resultou no facto de Francis "Ford"Coppola se tornar no segundo realizador a ter dois filmes em competição para o Oscar de Melhor Filme. Antes fora Alfred Hitchcock em 1940 com "Foreign Correspondent - Correspondente de Guerra" e "Rebecca", que acabou por ganhar. Outra curiosidade neste ano foi que Coppola teve de se confrontar novamente com Bob Fosse e o seu "Lenny". Com "Cabaret" em 1972, nomeado para dez Oscares, tal como "O Padrinho", Bob Fosse ganhou oito Oscares, incluindo o de Melhor Realizador enquanto o filme de Coppola ganhou apenas três, mas um deles foi de Melhor Filme do Ano, o que não impediu a vitória de ter um sabor a derrota já que o realizador não ganhou o prémio. Em 1974 "O Padrinho - Parte II" foi o grande vencedor da noite e "Lenny" foi o grande derrotado ao não ver nenhuma das suas seis nomeações chegar ao prémio principal.
   Em 1976, Francis "Ford" Coppola montou os dois filmes para apresentação na televisão, incorporando cerca de 75 minutos de cenas não incluídas nos filmes e montados por ordem cronológica. Esta versão chamou-se "The Godfather: A Novel for Television" ou "The Godfather Saga" e foi exibida na NBC em Novembro de 1977  e foi a base para uma versão mais suave, com menos violência, sexo e linguagem mais moderada, chamada "The Godfather 1902-1959: The Complete Epic". Como nenhuma destas versões está disponível no mercado, fica ao critério de cada um como quer apreciar os filmes: como um diptíco ou como uma trilogia. Em qualquer uma das formas, a minha opinião é sempre a mesma: são filmes obrigatórios!


Nota: Todos os vídeos e imagens que lustram este texto foram retirados da Internet

sábado, 6 de agosto de 2011

O Padrinho, Uma Saga Completa I

   "Eu Acredito na América...", é com estas palavras ditas  sobre um écran  preto que começa a mais famosa saga criminal da história do cinema, "O Padrinho" realizado em 1972 por Francis "Ford" Coppola. Quando se falava de filmes de gangsters, de filmes sobre a Mafia, vinha-nos logo à memória James Cagney ou Edward G. Robinson, nomes a maior parte das vezes ligados a este tipo de produções nos anos 30 e 40 do século passado. 
   Francis F. Coppola não foi a primeira escolha da Paramount para adaptar o romance de Mario Puzo, publicado em 1969, para o grande écran. Antes dele, foi feita uma aproximação a Sergio Leone, que recusou porque já tinha em mente fazer "Once Upon A Time in America - Era uma vez na América" (que só veria a luz do dia em 1983!). Peter Bogdanovich foi o nome que seguiu, mas recusou também alegando estar envolvido em "What's up Doc?". Outro nome falado terá sido o de Sam Peckinpah, que estava nas boas graças dos estúdios graças a "A Quadrilha Selvagem" (1969), um Western violento e estilizado, que fora um dos grandes sucessos da década passada, mas Robert Evans, director dos estúdios da Paramount, rejeitou este realizador alegando que o que ele faria seria transformar o filme numa carnificina. Em finais de 1970, o filme parecia condenado a nunca ver a luz do dia. 
O livro que deu origem ao filme
   O nome de Coppola não estava nas boas graças dos estúdios, apesar de, ao principio, mostrar vontade de o realizar, acabou por não o fazer por receio de ferir susceptibilidades com a Mafia e também devido à sua descendência Italiana e o estúdio também não fez muito esforço para o contrariar. Sómente quando ele recebeu um Oscar pelo Argumento do filme "Patton" (Franklin J. Schaffner, 1970) é que o estúdio voltou a insistir com ele e este aceitou também muito pressionado por George Lucas, a quem acabara de produzir o filme de estreia "THX 1138" (1971).
   O relacionamento entre o realizador e o estúdio nunca foi bom. Depois de um inicio relativamente bom, as coisas começaram a correr mal, muito por culpa do realizador, que várias vezes cometeu erros de casting e de produção levando a que produção encarecesse mais do que o estimado. Várias vezes o seu lugar esteve em risco mas que, habilmente, o realizador conseguiu contornar os muitos problemas que lhe surgiram. Inicialmente estavam previstos 83 dias de  rodagem, iniciada em Março de 1971, Coppola precisou de apenas 77 para completar o trabalho, terminando em Agosto do mesmo ano. O resto do ano seria passado na sala de montagem  para que o filme estivesse pronto a tempo de entrar na corrida aos Oscares.
   Um dos grandes problemas do realizador foi escolher o elenco. O estúdio queria nomes como Robert Redford ou Ryan O' Neal para o papel de Michael Corleone, outros nomes como Jack Nicholson, Warren Beatty, Dustin Hoffman ou Martin Sheen, entre outros também foram considerados, até um então desconhecido Robert De Niro  chegou a ser considerado para o papel, mas Coppola queria alguém que fosse italo-americano para dar mais realismo ao personagem. Foi-lhe sugerido o nome de Al Pacino que dera nas vistas em "Panic in Needle Park - Pânico em Needle Park" (Jerry Schatzberg, 1971). Como não era um nome sonante, o estúdio não o quis a principio e só quando o realizador ameaçou abandonar o projecto, é que aceitaram a escolha mas impuseram ao realizar que aceitasse Marlon Brando para o papel de Don Corleone. Inicialmente o realizador  não quis Brando porque este era conhecido por muitas vezes só parecer nas filmagens quando lhe apetecia e cobrava cachets demasiado altos para os valores desta produção. Coppola acabou pro aceitar incluir o seu nome no elenco e dali para a frente nasceu uma amizade que levou a que o realizador fosse dos poucos com quem o actor trabalharia e com quem se daria bem. Outro problema que o realizador teve de enfrentar foi que ele queria fazer um filme que fosse uma metáfora sobre o capitalismo americano, e os produtores queriam um sucesso que os livrasse da dificil situação financeira em que o estúdio se encontrava e queriam algo que atraísse público. Pressionado, o realizador adicionou algumas cenas de violência para agradar aos produtores e aliviar a pressão a que estava a ser submetido
Francis F. Coppola a preparar uma cena
     Antes de " O Padrinho", os filmes de gangsters apresentavam o crime organizado visto duma perspectiva fora-da-lei, banida da sociedade. O contraste entre estas produções e este filme, é que aqui ela é dada através do próprio gangster (Don Corleone), da Mafia, como uma resposta a uma sociedade corruptao que permite que Coppola, inteligentemente, utilize alguns episódios para cimentar essa mesma perspectiva: a cena em casa de Jack Woltz entre este e Tom Hagen; ou a cena em que um Johnny Fontane choroso se queixa ao seu todo poderoso padrinho ( alegadamente o visado nesta cena é Frank Sinatra que para ganhar  o seu papel em "Até à Eternidade" de Fred Zinnemann em 1953, teria recorrido aos seus conhecimentos na Mafia, a história, porém, nunca foi confirmada nem desmentida). Outra imagem que o filme fez passar é que a Mafia é uma organização de contornos feudais em que o Don é, ao mesmo tempo, o protector dos pequenos e fracos, fazendo-lhes pequenos favores ou serviços e o cobrador desses mesmos serviços e protecção, (toda a cena inicial durante o casamento ou no final, quando todos se dirigem a Michael e honrosamente o tratam por Don Corleone),  são bons exemplos disso mesmo. 
    A recepção crítica ao filme foi louvável e a do público extremamente entusiasta, que facilmente  o tornou  num clássico  O filme é hoje visto com enorme respeito pela crítica mundial que o considera um dos maiores filmes alguma vez feitos. Numa grande votação levada a cabo no último trimestre de 2000, "O Padrinho" foi considerado o  Segundo Melhor Filme de Sempre, atrás de "Citizen Kane - O Mundo a Seus Pés" ( Orson Welles, 1941).
      Desde os seus primeiros minutos naquilo que parece ser um monólogo e que, através de um subtil movimento de camera, percebemos que afinal  alguém  escuta atentamente as suas palavras, até  aquele plano final, em que Kay, angustiada, percebe que o seu marido, afinal, é igual ao resto da familia, de uma porta a ser fechada, são imagens inesquecíveis, com uma força tal que, só por si, escreveram e ainda escrevem, páginas da história do cinema.
      A interpretação de todo um elenco principal, e secundário, encimado por Marlon Brando, Al Pacino, James Caan, Robert Duvall, a realização magistral de Francis F.Coppola, o argumento de Mario Puzo e do próprio Coppola, música, hoje universalmente associada com o filme, de Nino Rota, transformaram aquele que poderia ter sido um enorme fracasso de bilheteira, num filme poderoso, inigualável e absolutamente brilhante. Um enorme triunfo em todos os campos e, ainda hoje, uma referência obrigatória sempre que se fala de cinema.
      Apesar de muito violento, o filme seduz precisamente por causa dessa violência. Coppola encena as cenas de acção e violência como se duma ópera se tratasse e que atinge o seu ponto alto na sequência do baptizado em que, através duma montagem genial, assistimos à execução de todos os inimigos de Michael.
 Todas as cenas são uma autêntica lição de fazer cinema, ensaiadas até ao mais infímo pormenor, fazem de "O Padrinho" uma experiência cinematográfica única. 
    Nomeado para um total de dez Oscares da Academia, "O Padrinho" venceu três, incluindo o de Melhor Filme do Ano, os outros dois foram para o Melhor Argumento Adaptado e de Melhor Actor para Marlon Brando, que o actor recusa alegando a discriminação a que os índios foram votados pelas autoridades americanas e principalmente pelo tratamento que Hollywood lhes dava. O filme venceu ainda cinco Globos de Ouro, incluindo Melhor Filme na Categoria de Drama e Melhor Realizador e inúmeros outros prémios.
     Referências podem ser encontradas sob as mais diversas forma desde homenagens, citações, sátiras, paródias até referências visuais ( por exemplo em "Os Sopranos" o bar de Alterne de Tony Soprano chama-se Bada Bing em homenagem a uma frase utilizada por Sonny Corleone em "O Padrinho")  onde se percebe quão influente foi o filme desde a sua estreia até ao século XXI.
Uma Obra-Prima intemporal.










Nota: Todas as imagens e vídeos que ilustram este texto foram retirados da Internet





sábado, 30 de julho de 2011

Heat - Cidade sob Pressão

    O género policial ganhou grande visibilidade a partir do filme "Bullit" (Peter Yates, 1968) e da sua hoje lendária perseguição automóvel pelas ruas de S.Francisco, foi evoluindo e hoje tem o seu espaço definido na sétima arte e muitos foram os filmes que contribuíram para a definição do género. "Heat - Cidade sob Pressão" limita-se a prolongar essa mesma definição levando-a pelos caminhos da quase perfeição.

   Vincent Hanna e Neal McCauley são dois homens que estão nos dois lados opostos da lei: Hanna é Detective-Tenente na policia de Los Angeles, McCauley é um ladrão profissional. Após um assalto, Hanna é o detective encarregado de investigar o roubo e Neal McCauley é o seu principal suspeito. Entre os dois nasce uma mútua admiração e vão-se apercebendo que têm mais em comum do que pensavam (Hanna é divorciado e não tem vida própria, até o seu mais recente casamento está por um fio; McCauley é um ex-condenado e não tem tempo para criar raízes sob pena de ter que largar tudo e fugir se se sentir ameaçado, como ele próprio o diz a dado momento a Eady, a sua namorada). Entre ambos está uma cidade sob pressão...
     "Heat" é baseado em "L.A.Takedown", um telefilme que Michael Mann realizou em 1989 e que seria o episódio-piloto de uma série policial que acabou por não ser feita. Mann aproveitou então o argumento do telefilme e reescreveu-o para este filme e em boa hora o fez porque ficámos todos nós (cinéfilos) a ganhar. O projecto inicial era uma espécie de "Miami Vice" (1984-1989), série criada por Mann, com todos os ingredientes da série anterior (felizmente sem Don Johnson), passada em Los Angeles...o que não traria nada de novo e a sensação que pairaria no ar seria a de um "dejá-vú" isto em qualquer lugar!
    
    Quando se juntam no mesmo filme os dois melhores actores do mundo (venha daí quem discordar!) perfeitamente secundados por um elenco de luxo, o resultado só pode ser um grande filme de muita qualidade.Al Pacino e Robert DeNiro só haviam contracenado juntos uma única vez no fabuloso "Padrinho - Parte II" (Francis Ford Coppola, 1974) mas não tiveram nenhuma cena juntos. Ambos lamentaram o facto durante anos e era sua vontade partilharem o écran. "Heat" permitiu que isso acontecesse e o resultado é, nada menos que, magia pura: as cenas entre ambos são autênticas batalhas de gigantes, absolutamente brilhantes, nenhum deles tem que se esforçar para se evidenciar; as suas interpretações são tão credíveis que dificilmente acreditamos que estamos a ver um filme: para conferir as minhas palavras basta ver com atenção a cena passada no café do aeroporto de Los Angeles onde um e outro se confrontam naquilo que mais parece uma conversa de amigos do que um confronto entre um policía e um ladrão: é das melhores cenas de interpretação que vi em toda a minha vida e se o filme terminasse ali, já teria valido só por isso. 
Do restante elenco salientam-se as interpretações do Val Kilmer, Tom Sizemore, Diane Venora e o regressado Jon Voight.
   
Michael Mann
A realização de Michael Mann, autor de filmes como "Thief- Ladrão Profissional" (1981),   em que um ex-presidiário, arrombador de cofres, tenta reconstruir a sua família mas a Máfia não lhe facilita a vida; "Manhunter - Caçada ao Amanhecer" (1986), primeira incursão de Hannibal Lecter no cinema, anos antes de "O Silêncio dos Inocentes (Jonathan Demme, 1991); " Last of the Mohicans - O Último dos Moicanos" (1992), enésima versão cinematógráfica deste clássico da literatura mundial com Daniel-Day Lewis e uma excepcional banda sonora; "Collateral" (2004) com Tom Cruise no papel de um assassino contratado que "rapta" um taxista para que este o conduza de alvo em alvo, ou "Miami Vice" (2006) adaptação para o grande écran da série policial acima citada, é estilizada com muita influência televisiva ( a cena do assalto no incio do filme ou a trama a meio do filme com o assassino das prostitutas), a câmera sempre em movimento a  parecer que estamos perante um documentário, (toda a sequência do assalto ao banco e o tiroteio que se segue, em pleno dia e em hora de ponta ou a da perseguição no aeroporto, a fazer lembrar "Bullit"). Michael Mann filma tudo isto de maneira absolutamente credível e realista. 
     Outros dos trunfos do realizador, além de saber contar uma história, é a utilização da banda sonora que procura adequar ao material que filma (estranha e electónica em "Thief", melancólica em  "Heat"; épica em "Last of the Mohicans", moderna e barulhenta em "Miami Vice"). E Também a fotografia cuidada que usa nos filmes (Oscar da Academia em "O Último dos Moicanos"): o seu uso dramático da cor, é uma mais valia para cada filme: atente-se às cenas nocturnas em  "Heat", filmadas usando tons de azul, que ganham vida própria tornando-se parte integrante do filme e não apenas cenário.
   Estamos perante um dos melhores exemplos de cinema da década de 90 do século passado e um dos melhores policiais de sempre,uma obra-prima capaz de ombrear com clássicos do género como "Bullit", "French Connection" (William Friedkin, 1971) ou "Dirty Harry" (Don Siegel, 1971) para só citar alguns dos mais conhecidos."Heat" tem servido também de modelo a alguns filmes policiais recentes como  "We Own the Night - Nós controlamos a Noite" (James Gray, 2007) ou "The Town - A Cidade" (Ben Affleck, 2010), filmes que, de alguma maneira, têm marcado pela positiva o género.  

     Se dúvidas houver, quanto há grande qualidade de "Heat" é porque não vimos todos o mesmo filme!


Nota: As imagens e vídeos utilizados neste texto foram retirados da Internet

domingo, 24 de julho de 2011

O Musical - Um Género por Excelência

   Em 1974, por ocasião da comemoração dos 50 anos da  MGM (Metro-Goldwyn-Mayer), no filme-documentário "That's Entertainment - Isto é Espectáculo!", realizado por Jack Haley Jr.,  Frank Sinatra, um dos apresentadores, disse que o filme musical tinha adquirido a sua importância no cinema devido aos enredos simples que continha: "O rapaz conhece a rapariga, o rapaz e a rapariga apaixonam-se, não se entendem, o rapaz canta uma canção e o rapaz fica com a rapariga!" e, como veremos, não andava muito longe da verdade.
   O Musical é um género de filme que se apoia predominante ou exclusivamente em sequências de canções, música e dança coreografadas como forma de narrativa. O musical, sabe-se, foi um desenvolvimento natural da peça de teatro. A maior diferença entre os dois tipos de espectáculo é a utilização de cenários grandiosos por parte do filme musical, e que seria impraticável no palco. Os números musicais contêm reminiscências do teatro; os intérpretes habitualmente executam os números de dança e as canções como se estivessem a actuar perante uma assistência. De certo modo, o espectador torna-se o centro da atenção já que o intérprete olha directamente para a câmara e actua para ela.
   As décadas de 30, 40 e 50 são habitualmente consideradas como sendo a época de ouro do musical, embora tudo tenha começado um pouco antes. Em 1923-26, Lee De Forest fez diversas curtas metragens que chamou musicais utilizando bandas, vocalistas e dançarinos, nos quais uma banda sonora musical tocava enquanto os intérpretes representavam as suas personagens tal e qual se fazia nos filmes mudos: sem nenhum diálogo. Porém, em 1927, tudo mudou com o advento do som.
O Primeiro filme sonoro do cinema
   "The Jazz Singer - O Cantor de Jazz"  foi, não só, o primeiro filme sonoro da história do cinema, como também o primeiro filme musical, no qual Al Jolson cantava vários temas. Embora apenas os números de Jolson tivessem som, a maior parte do filme era mudo, todas as pessoas  na audiência sentiram que algo estava a mudar. Em 1928 os cinemas apressaram-se a instalar os novos equipamentos de som enquanto os estúdios se apressavam a contratar os compositores da Broadway para escreverem musicais para o cinema. O primeiro filme totalmente sonoro "Lights of New York" (Bryan Foy, 1928) incluia um número musical num clube nocturno. O entusiasmo das audiências foi tal que, em menos de 1 ano, todos os grandes estúdios estavam a produzir musicais.
   Em 1929, antes da crise económica, a MGM de Sam Goldwyn, torna-se no principal estúdio de cinema a produzir filmes musicais, graças ao filme "Broadway Melody", realizado por Harry Beaumont. Apresentdo pelo estúdio como o primeiro filme "totalmente falado, totalmente cantado, totalmente dançado", cuja história de duas irmãs do mundo do espectáculo, a competirem pelo amor de um talentoso cantor e dançarino, conseguiu cativar o público, foi um grande sucesso e ganhou o Oscar de Melhor Filme do Ano.
A Imagem-marca de Busby Berkeley
   No inicio da década de 30, Hollywood produziu cerca de 100 musicais, mas apenas uns meros 14 em 1931. As audiências pareciam estar, nesta altura, saturadas de filmes musicais e os estúdios viram-se forçados a cantar as partes musicais dos filmes em produção. Mas, em 1933, o gosto pelos musicais reavivou novamente, muito pelo trabalho do realizador/coreógrafo Busby Berkeley que, pouco a pouco, iria modificar os números de dança no filme musical. Em filmes como "42nd Street" ou "Gold Diggers of 1933", Berkeley deixou uma marca indelével e um estilo único: os seus números geralmente começavam num cenário específico, depois abriam para espaços maiores, onde as suas geniais coreografias envolviam corpos humanos como que a formarem padrões próprios, tipo caleidoscópio e em cuja intenção principal é que o espectador veja a acção de baixo para cima. 
   Foi pela sua mão que nomes como Fred Astaire ou Ginger Rogers, entre outros, se tornaram muito populares durante os anos dourados do género.  A dupla Astaire-Rogers resultou numa série de filmes de sucesso, hoje clássicos, como "Top Hat - Chapéu Alto" (Mark Sandrich, 1935), "Swing Time - Ritmo Louco" (George Stevens, 1936) ou "Shall we Dance - Vamos Dançar?" (Mark Sandrich, 1937) onde canções, danças e sapateado, ao serviço de  argumentos simplistas  e banais histórias de amor faziam as delícias do público. Surpreendentemente muitos actores e actrizes que ganharam fama com outros papéis, começaram como no filme musical. James Cagney, famoso pelos seus papeis de gangster e homem duro, começou como cantor e dançarino, mas  teve poucas  oportunidades de mostrar estes seus talentos, por isso não é de admirar que o seu único Oscar de Melhor Actor seja por "Yankee Doodle Dandy - A Canção Triunfal" (Michael Curtiz, 1942) onde  canta e dança.
Arthur Freed, responsável pela renovação do Musical
    Nas décadas de 40 e 50, a MGM, fez a transição entre a fórmula repetitiva e já ultrapassada dos musicais antigos, para algo novo. Arthur Freed foi o principal responsável por esta mudança. Trabalhando independentemente do estúdio principal, a chamada "Unidade Freed"produziu alguns dos melhores filmes do género e da história do cinema. Começou em 1944 com "Meet me in St.Louis - Não há como  a Nossa Casa" realizado por Vincente Minnelli,  continuou com "Easter Parade - Quando Danço Contigo" (Charles Walters, 1948), "On the Town - Um dia em Nova York" (Stanley Donen & Gene Kelly, 1949) este foi o primeiro musical a ser filmado em exteriores e que se tornaria prática comum nas décadas seguintes e  que "Seven Brides for Seven Brothers - Sete Noivas para Sete Irmãos" (Stanley Donen, 1954 ) é um exemplo acabado disso mesmo, ao tirar o melhor partido dos exteriores em que foi filmado (as montanhas do Utah) ou "Band Wagon - A Roda da Fortuna" (Vincente Minnelli, 1953) que trouxe de volta à ribalta Fred Astaire  depois de um breve período de retiro a que o actor se votara. Esta nova era do musical trouxe outros nomes que se tornariam símbolos do género: Vincente Minnelli, Judy Garland, Gene Kelly, Cyd Charisse, Donald O'Connor, Ann Miller, Howard Keel, entre outros.
   A década de 50 viu também surgirem aqueles que ainda hoje são considerados os melhores filmes do género, igualmente pela mão da "Unidade Freed": "An American in Paris - Um Americano em Paris" realizado por Vincente Minnelli em 1951, que conta a história de Jerry (Gene Kelly) um ex-soldado americano que após o final da II Guerra Mundial, fica em Paris para tentar a sua sorte como pintor. As músicas de George Gershwin adaptadas em coreografias geniais por Gene Kelly (principalmente a fabulosa sequência-título do Ballet final que dura cerca de 17 minutos), os exteriores filmados numa quase declaração de amor a Paris, um elenco de secundários como Leslie Caron (o objecto da paixão de Jerry), Oscar Levant, Nina Foch ou George Guetáry, fizeram do filme um grande sucesso de bilheteira e o fiel depositário de seis Oscares da Academia, incluindo o de Melhor Filme do Ano e garantiu a Kelly um prémio especial pela coreografia genial na sequência do ballet.
   O outro filme é "Singin' in the Rain - Serenata à Chuva" realizado pela dupla Stanley Donen e Gene Kelly em 1952 e é considerado o melhor musical da história do cinema. A história passa-se durante a transição do cinema mudo para o cinema sonoro e conta as dificuldades sentidas pelos actores dum estúdio quando é decidido que o seu último filme tem que ser um musical.  Este filme consegue, no mesmo espaço, misturar drama, comédia, música, canções e dança, numa brilhante auto-paródia graças aos talentos dum elenco que parece ter sido reunido para este efeito: Gene Kelly, Donald O'Connor e Debbie Reynolds brilham como nunca nos fabulosos números musicais que enchem o filme "Mak' Em Laugh", "Moses", "Good Morning" ou na "Broadway Melody Ballet" (em que Cyd Charisse e Gene Kelly deslumbram completamente num número genialmente  coreografado por Kelly),  mas é no fabuloso número que dá o título ao filme, que este se destaca de todos os outros, pela simplicidade da cena e ganha o seu estatuto: Kelly, completamente encharcado, a cantar e dançar sob uma chuva cada vez mais intensa, encanta e convence tudo e todos e o filme torna-se na obra-prima do género por excelência. A face do musical nunca mais seria a mesma.
   Os anos 60 ainda viram alguns musicais obterem sucesso, foi o caso de "West Side Story - Amor sem Barreiras" (Robert Wise & Jerome Robbins, 1961) actualização do drama de William Shakespeare "Romeu e Julieta" para a actualidade,  apesar dos dez Oscares da Academia que ganhou, incluindo o de Melhor Filme do Ano, as tensões raciais não conseguiram convencer o público; "My Fair Lady- Minha Linda Lady" (George Cukor, 1964) a história de amor entre o professor snob e a florista conseguiu convencer o público e o filme receberia oito Oscares da Academia, incluindo o Melhor Filme do Ano; assim como "The Sound of Music - Música no Coração" (Robert Wise, 1965) cuja história semi-veridica da familia Von Trapp numa Áustria pré-II Guerra Mundial conseguiu cativar tudo e todos, levando a que o filme fosse um dos grandes  sucessos de bilheteira de sempre  e ganhasse cinco Oscares da Academia, incluindo o de Melhor Filme. Mas o maior sucesso de bilheteira da década seria "Mary Poppins" (Robert Stevenson, 1964), a história da ama mágica contratada para tomar conta dos filhos dum ocupadíssimo bancário, conseguiu cativar o público ao longo das gerações fazendo deste filme um dos maiores êxitos de bilheteira da Disney.
   Apesar do sucesso de alguns filmes musicais, outros houve que não conseguiram obter o sucesso pretendido. Filmes como "Camelot", "Hello Dolly", "Sweet Charity" "Paint your Wagon" ou "Song of Norway" mutilaram financeiramente  alguns estúdios no inicio da década de 70. Percebeu-se que o musical já tinha tido os seus dias e que era preciso repensar tudo.
   Considerado perigoso, o musical foi sendo progressivamente substituído pelo uso de música de cantores e grupos rock como pano de fundo, sempre na expectativa de se conseguir vender essa banda sonora ao público. O percursor neste novo estilo de musical foi "The Rocky Horror Picture Show - Festival Rocky de Terror", realizado em 1975 por Jim Sharman, que foi um fracasso de bilheteira quando estreou, mas que, as sessões à meia-noite nos cinemas, que estiveram na moda  durante os anos 80, o  tornaram num filme de culto. A década de 70 não haveria de terminar sem Bob Fosse, coreógrafo de sucesso nas décadas de 50 e 60, tornado realizador no final dos anos 60, apresentar o seu "All That Jazz - O Espectáculo vai Continuar" em 1979, um filme semi-autobiográfico onde Roy Scheider tem uma das grandes interpretações da sua carreira ao mostrar que sabe cantar e Jessica Lange surge mais angelical que nunca. O filme ganha diversos prémios, incluindo a Palma de Ouro em Cannes e torna-se numa das grandes obras da década e também do cinema.      
   Outros filmes que apareceram, durante a segunda metade da década utilizando este novo formato de Hollywood fazer musicais, como "Bugsy Malone", "Lisztomania", "New York, New York" foram sucessos relativos de bilheteira, ou "Grease" que foi um dos maiores sucessos  da década e que abriu caminho para, nas décadas seguintes, outros filmes provarem que esta fórmula estava correcta e que, com uma ajudazinha dada pela Broadway e pelo West End Londrino, chegou-se à conclusão que afinal ainda se podiam fazer  musicais com alguma confiança. Foi o caso de "Hair"(Milos Forman, 1979), "Annie"(John Huston, 1982), "Victor Victória"(Blake Edwards,1982) ou esse enorme sucesso de bilheteira que foi "Fame - Fama" (Alan Parker, 1980), "Absolute Beginners - Absolutamente Principiantes" (Julian Temple, 1986), "Evita" (Alan Parker, 1996).
   O final do século XX veria o musical estender-se aos filmes de animação, predominantemente da Disney, graças ao trabalho apurado de Howard Ashman, Alan Menken ou Stephen Schwartz que produziram inesquecíveis canções em filmes como "A Pequena Sereia", "Aladdin" "O Corcunda de Notre Dame", "A Bela e o Monstro" ou "Rei Leão" e que deram ao género um novo fôlego.
   No século XXI, o género parece ter ganho alguma popularidade com adaptações da Broadway para o grande écran. Filmes como "Moulin Rouge" (Baz Luhrmann, 2001), "Chicago" (Rob Marshall, 2002), "Phantom of the Opera - O Fantasma da Ópera" (Joel Schumacher, 2004), "Sweeney Todd - O Terrível Barbeiro de Fleet Street" (Tim Burton, 2007) ou "Mamma Mia" (Phyllida Lloyd, 2008), têm, de certa forma, feito reviver um género que se diz estar extinto, e que, uma nova geração de cineastas, actores e actrizes e público em geral, tem vindo a descobrir fazendo com que, tal como o Western, se adie a sua extinção.
   Só o tempo é que o poderá dizer.


Nota: todas as imagens utilizadas neste texto foram retiradas da Internet


sábado, 16 de julho de 2011

Os Pequenos Vagabundos, uma série emblemática




  Sábado, 9 de Julho de 2011, 17:00, tive a certeza que a geração nascida na primeira década do século XXI, nunca se vai divertir nem ter imaginação para isso, como outras que as antecederam, principalmente a que cresceu na década de 70 do século passado. Passo a explicar: estava em casa, tinha acabado de vir do trabalho, o resto da familia ainda estava para chegar, quando me apeteceu ir ver qualquer coisa no DVD. Depois de alguma indecisão, optei por uma coisa antiga mas que sempre que a vejo faz-me regressar à minha infância. Estava a começar a ver quando chegam os meus filhos, "Pai - pergunta o mais velho - o que é que vais ver?" "Olha - digo eu - vou ver Os Pequenos Vagabundos" " O que é isso? - insiste ele" "é uma série do tempo em que o pai tinha a vossa idade...é  de aventuras..." "É como o Bando dos Quatro? - pergunta a mais nova" "É melhor - respondo eu - muito melhor!" "Então, vamos ver contigo!! - respondem em uníssono". Sentámo-nos e começamos a ver "Os Pequenos Vagabundos".
   "Les Galapiats" ou "Le Trésor du Château sans nom" no original,  "Os Pequenos Vagabundos", como se chamou em portugal,  está para o geração que cresceu na década de 70, como "O Verão Azul" está para a geração que cresceu na década de 80.
   Série televisiva co-produzida pelas televisões francesa, belga, suiça e canadiana, realizada por Pierre Gaspard-Huit, realizada em 1969, constituída por 8 episódios de cerca de 30 minutos cada, foi um enorme sucesso nos países onde foi exibida, incluindo portugal que a transmitiu na RTP1 (ainda a preto e branco), várias vezes ao longo da década de 70.
Os Pequenos Vagabundos
   Jean-Loup é um jovem francês que vai de férias para um acampamento de jovens na bélgica. Lá, conhece outros jovens de várias nacionalidades, apaixona-se pela bela Marion des Neige e todos juntos vão viver a aventura duma vida.
   Filmada na Bélgica, a cores (o que em 1969 era muito raro em produções europeias) e num tempo recorde de cerca de dois meses entre Maio e Julho de 1969, teve o condão de transformar os diversos locais onde foi filmada em autênticos locais turistícos na altura da exibição da série entre dezembro de 1969 e fevereiro de 1970 e que, em 2003 foram revisitados pelo actores da série.

   Série de culto, ainda hoje mantém toda a frescura que tinha na altura, é considerada A SÉRIE por excelência de todos aqueles e aquelas que cresceram durante a década de 70 do século passado e tem sido objecto de uma constante descoberta por quem não viveu naquela década.
   Sábado, 9 de Julho de 2011, por volta das 21.30, no écran da televisão corre o générico final de "Os pequenos Vagabundos" ao som do tema que ainda hoje, passados estes anos, trauteio com agrado. "Pai - diz o meu filho mais velho - é muit'a gira esta série!" "Eu sei, - digo -  vejo-a sempre com agrado...ainda bem que vocês gostaram..." "Oh Pai - pergunta a minha filha com os olhos a brilhar - tens mais filmes destes?" "Tenho outras, sim..." "Podemos vê-los?" "Sim, quando quiserem!" - disse eu enquanto retirava e guardava o DVD no armário. Porém, uma dúvida assolou a minha mente - Como é que uma geração que tem tudo ao seu alcance, ainda precisa destas relíquias para se divertir? - seguidamente juntei-me ao resto da família.




Nota: Todas as imagens e vídeos utilizados neste texto foram retirados da Internet

                                                               Grease - Um fenómeno musical fora de tempo!          Alguém disse, um ...