domingo, 24 de julho de 2011

O Musical - Um Género por Excelência

   Em 1974, por ocasião da comemoração dos 50 anos da  MGM (Metro-Goldwyn-Mayer), no filme-documentário "That's Entertainment - Isto é Espectáculo!", realizado por Jack Haley Jr.,  Frank Sinatra, um dos apresentadores, disse que o filme musical tinha adquirido a sua importância no cinema devido aos enredos simples que continha: "O rapaz conhece a rapariga, o rapaz e a rapariga apaixonam-se, não se entendem, o rapaz canta uma canção e o rapaz fica com a rapariga!" e, como veremos, não andava muito longe da verdade.
   O Musical é um género de filme que se apoia predominante ou exclusivamente em sequências de canções, música e dança coreografadas como forma de narrativa. O musical, sabe-se, foi um desenvolvimento natural da peça de teatro. A maior diferença entre os dois tipos de espectáculo é a utilização de cenários grandiosos por parte do filme musical, e que seria impraticável no palco. Os números musicais contêm reminiscências do teatro; os intérpretes habitualmente executam os números de dança e as canções como se estivessem a actuar perante uma assistência. De certo modo, o espectador torna-se o centro da atenção já que o intérprete olha directamente para a câmara e actua para ela.
   As décadas de 30, 40 e 50 são habitualmente consideradas como sendo a época de ouro do musical, embora tudo tenha começado um pouco antes. Em 1923-26, Lee De Forest fez diversas curtas metragens que chamou musicais utilizando bandas, vocalistas e dançarinos, nos quais uma banda sonora musical tocava enquanto os intérpretes representavam as suas personagens tal e qual se fazia nos filmes mudos: sem nenhum diálogo. Porém, em 1927, tudo mudou com o advento do som.
O Primeiro filme sonoro do cinema
   "The Jazz Singer - O Cantor de Jazz"  foi, não só, o primeiro filme sonoro da história do cinema, como também o primeiro filme musical, no qual Al Jolson cantava vários temas. Embora apenas os números de Jolson tivessem som, a maior parte do filme era mudo, todas as pessoas  na audiência sentiram que algo estava a mudar. Em 1928 os cinemas apressaram-se a instalar os novos equipamentos de som enquanto os estúdios se apressavam a contratar os compositores da Broadway para escreverem musicais para o cinema. O primeiro filme totalmente sonoro "Lights of New York" (Bryan Foy, 1928) incluia um número musical num clube nocturno. O entusiasmo das audiências foi tal que, em menos de 1 ano, todos os grandes estúdios estavam a produzir musicais.
   Em 1929, antes da crise económica, a MGM de Sam Goldwyn, torna-se no principal estúdio de cinema a produzir filmes musicais, graças ao filme "Broadway Melody", realizado por Harry Beaumont. Apresentdo pelo estúdio como o primeiro filme "totalmente falado, totalmente cantado, totalmente dançado", cuja história de duas irmãs do mundo do espectáculo, a competirem pelo amor de um talentoso cantor e dançarino, conseguiu cativar o público, foi um grande sucesso e ganhou o Oscar de Melhor Filme do Ano.
A Imagem-marca de Busby Berkeley
   No inicio da década de 30, Hollywood produziu cerca de 100 musicais, mas apenas uns meros 14 em 1931. As audiências pareciam estar, nesta altura, saturadas de filmes musicais e os estúdios viram-se forçados a cantar as partes musicais dos filmes em produção. Mas, em 1933, o gosto pelos musicais reavivou novamente, muito pelo trabalho do realizador/coreógrafo Busby Berkeley que, pouco a pouco, iria modificar os números de dança no filme musical. Em filmes como "42nd Street" ou "Gold Diggers of 1933", Berkeley deixou uma marca indelével e um estilo único: os seus números geralmente começavam num cenário específico, depois abriam para espaços maiores, onde as suas geniais coreografias envolviam corpos humanos como que a formarem padrões próprios, tipo caleidoscópio e em cuja intenção principal é que o espectador veja a acção de baixo para cima. 
   Foi pela sua mão que nomes como Fred Astaire ou Ginger Rogers, entre outros, se tornaram muito populares durante os anos dourados do género.  A dupla Astaire-Rogers resultou numa série de filmes de sucesso, hoje clássicos, como "Top Hat - Chapéu Alto" (Mark Sandrich, 1935), "Swing Time - Ritmo Louco" (George Stevens, 1936) ou "Shall we Dance - Vamos Dançar?" (Mark Sandrich, 1937) onde canções, danças e sapateado, ao serviço de  argumentos simplistas  e banais histórias de amor faziam as delícias do público. Surpreendentemente muitos actores e actrizes que ganharam fama com outros papéis, começaram como no filme musical. James Cagney, famoso pelos seus papeis de gangster e homem duro, começou como cantor e dançarino, mas  teve poucas  oportunidades de mostrar estes seus talentos, por isso não é de admirar que o seu único Oscar de Melhor Actor seja por "Yankee Doodle Dandy - A Canção Triunfal" (Michael Curtiz, 1942) onde  canta e dança.
Arthur Freed, responsável pela renovação do Musical
    Nas décadas de 40 e 50, a MGM, fez a transição entre a fórmula repetitiva e já ultrapassada dos musicais antigos, para algo novo. Arthur Freed foi o principal responsável por esta mudança. Trabalhando independentemente do estúdio principal, a chamada "Unidade Freed"produziu alguns dos melhores filmes do género e da história do cinema. Começou em 1944 com "Meet me in St.Louis - Não há como  a Nossa Casa" realizado por Vincente Minnelli,  continuou com "Easter Parade - Quando Danço Contigo" (Charles Walters, 1948), "On the Town - Um dia em Nova York" (Stanley Donen & Gene Kelly, 1949) este foi o primeiro musical a ser filmado em exteriores e que se tornaria prática comum nas décadas seguintes e  que "Seven Brides for Seven Brothers - Sete Noivas para Sete Irmãos" (Stanley Donen, 1954 ) é um exemplo acabado disso mesmo, ao tirar o melhor partido dos exteriores em que foi filmado (as montanhas do Utah) ou "Band Wagon - A Roda da Fortuna" (Vincente Minnelli, 1953) que trouxe de volta à ribalta Fred Astaire  depois de um breve período de retiro a que o actor se votara. Esta nova era do musical trouxe outros nomes que se tornariam símbolos do género: Vincente Minnelli, Judy Garland, Gene Kelly, Cyd Charisse, Donald O'Connor, Ann Miller, Howard Keel, entre outros.
   A década de 50 viu também surgirem aqueles que ainda hoje são considerados os melhores filmes do género, igualmente pela mão da "Unidade Freed": "An American in Paris - Um Americano em Paris" realizado por Vincente Minnelli em 1951, que conta a história de Jerry (Gene Kelly) um ex-soldado americano que após o final da II Guerra Mundial, fica em Paris para tentar a sua sorte como pintor. As músicas de George Gershwin adaptadas em coreografias geniais por Gene Kelly (principalmente a fabulosa sequência-título do Ballet final que dura cerca de 17 minutos), os exteriores filmados numa quase declaração de amor a Paris, um elenco de secundários como Leslie Caron (o objecto da paixão de Jerry), Oscar Levant, Nina Foch ou George Guetáry, fizeram do filme um grande sucesso de bilheteira e o fiel depositário de seis Oscares da Academia, incluindo o de Melhor Filme do Ano e garantiu a Kelly um prémio especial pela coreografia genial na sequência do ballet.
   O outro filme é "Singin' in the Rain - Serenata à Chuva" realizado pela dupla Stanley Donen e Gene Kelly em 1952 e é considerado o melhor musical da história do cinema. A história passa-se durante a transição do cinema mudo para o cinema sonoro e conta as dificuldades sentidas pelos actores dum estúdio quando é decidido que o seu último filme tem que ser um musical.  Este filme consegue, no mesmo espaço, misturar drama, comédia, música, canções e dança, numa brilhante auto-paródia graças aos talentos dum elenco que parece ter sido reunido para este efeito: Gene Kelly, Donald O'Connor e Debbie Reynolds brilham como nunca nos fabulosos números musicais que enchem o filme "Mak' Em Laugh", "Moses", "Good Morning" ou na "Broadway Melody Ballet" (em que Cyd Charisse e Gene Kelly deslumbram completamente num número genialmente  coreografado por Kelly),  mas é no fabuloso número que dá o título ao filme, que este se destaca de todos os outros, pela simplicidade da cena e ganha o seu estatuto: Kelly, completamente encharcado, a cantar e dançar sob uma chuva cada vez mais intensa, encanta e convence tudo e todos e o filme torna-se na obra-prima do género por excelência. A face do musical nunca mais seria a mesma.
   Os anos 60 ainda viram alguns musicais obterem sucesso, foi o caso de "West Side Story - Amor sem Barreiras" (Robert Wise & Jerome Robbins, 1961) actualização do drama de William Shakespeare "Romeu e Julieta" para a actualidade,  apesar dos dez Oscares da Academia que ganhou, incluindo o de Melhor Filme do Ano, as tensões raciais não conseguiram convencer o público; "My Fair Lady- Minha Linda Lady" (George Cukor, 1964) a história de amor entre o professor snob e a florista conseguiu convencer o público e o filme receberia oito Oscares da Academia, incluindo o Melhor Filme do Ano; assim como "The Sound of Music - Música no Coração" (Robert Wise, 1965) cuja história semi-veridica da familia Von Trapp numa Áustria pré-II Guerra Mundial conseguiu cativar tudo e todos, levando a que o filme fosse um dos grandes  sucessos de bilheteira de sempre  e ganhasse cinco Oscares da Academia, incluindo o de Melhor Filme. Mas o maior sucesso de bilheteira da década seria "Mary Poppins" (Robert Stevenson, 1964), a história da ama mágica contratada para tomar conta dos filhos dum ocupadíssimo bancário, conseguiu cativar o público ao longo das gerações fazendo deste filme um dos maiores êxitos de bilheteira da Disney.
   Apesar do sucesso de alguns filmes musicais, outros houve que não conseguiram obter o sucesso pretendido. Filmes como "Camelot", "Hello Dolly", "Sweet Charity" "Paint your Wagon" ou "Song of Norway" mutilaram financeiramente  alguns estúdios no inicio da década de 70. Percebeu-se que o musical já tinha tido os seus dias e que era preciso repensar tudo.
   Considerado perigoso, o musical foi sendo progressivamente substituído pelo uso de música de cantores e grupos rock como pano de fundo, sempre na expectativa de se conseguir vender essa banda sonora ao público. O percursor neste novo estilo de musical foi "The Rocky Horror Picture Show - Festival Rocky de Terror", realizado em 1975 por Jim Sharman, que foi um fracasso de bilheteira quando estreou, mas que, as sessões à meia-noite nos cinemas, que estiveram na moda  durante os anos 80, o  tornaram num filme de culto. A década de 70 não haveria de terminar sem Bob Fosse, coreógrafo de sucesso nas décadas de 50 e 60, tornado realizador no final dos anos 60, apresentar o seu "All That Jazz - O Espectáculo vai Continuar" em 1979, um filme semi-autobiográfico onde Roy Scheider tem uma das grandes interpretações da sua carreira ao mostrar que sabe cantar e Jessica Lange surge mais angelical que nunca. O filme ganha diversos prémios, incluindo a Palma de Ouro em Cannes e torna-se numa das grandes obras da década e também do cinema.      
   Outros filmes que apareceram, durante a segunda metade da década utilizando este novo formato de Hollywood fazer musicais, como "Bugsy Malone", "Lisztomania", "New York, New York" foram sucessos relativos de bilheteira, ou "Grease" que foi um dos maiores sucessos  da década e que abriu caminho para, nas décadas seguintes, outros filmes provarem que esta fórmula estava correcta e que, com uma ajudazinha dada pela Broadway e pelo West End Londrino, chegou-se à conclusão que afinal ainda se podiam fazer  musicais com alguma confiança. Foi o caso de "Hair"(Milos Forman, 1979), "Annie"(John Huston, 1982), "Victor Victória"(Blake Edwards,1982) ou esse enorme sucesso de bilheteira que foi "Fame - Fama" (Alan Parker, 1980), "Absolute Beginners - Absolutamente Principiantes" (Julian Temple, 1986), "Evita" (Alan Parker, 1996).
   O final do século XX veria o musical estender-se aos filmes de animação, predominantemente da Disney, graças ao trabalho apurado de Howard Ashman, Alan Menken ou Stephen Schwartz que produziram inesquecíveis canções em filmes como "A Pequena Sereia", "Aladdin" "O Corcunda de Notre Dame", "A Bela e o Monstro" ou "Rei Leão" e que deram ao género um novo fôlego.
   No século XXI, o género parece ter ganho alguma popularidade com adaptações da Broadway para o grande écran. Filmes como "Moulin Rouge" (Baz Luhrmann, 2001), "Chicago" (Rob Marshall, 2002), "Phantom of the Opera - O Fantasma da Ópera" (Joel Schumacher, 2004), "Sweeney Todd - O Terrível Barbeiro de Fleet Street" (Tim Burton, 2007) ou "Mamma Mia" (Phyllida Lloyd, 2008), têm, de certa forma, feito reviver um género que se diz estar extinto, e que, uma nova geração de cineastas, actores e actrizes e público em geral, tem vindo a descobrir fazendo com que, tal como o Western, se adie a sua extinção.
   Só o tempo é que o poderá dizer.


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sábado, 16 de julho de 2011

Os Pequenos Vagabundos, uma série emblemática




  Sábado, 9 de Julho de 2011, 17:00, tive a certeza que a geração nascida na primeira década do século XXI, nunca se vai divertir nem ter imaginação para isso, como outras que as antecederam, principalmente a que cresceu na década de 70 do século passado. Passo a explicar: estava em casa, tinha acabado de vir do trabalho, o resto da familia ainda estava para chegar, quando me apeteceu ir ver qualquer coisa no DVD. Depois de alguma indecisão, optei por uma coisa antiga mas que sempre que a vejo faz-me regressar à minha infância. Estava a começar a ver quando chegam os meus filhos, "Pai - pergunta o mais velho - o que é que vais ver?" "Olha - digo eu - vou ver Os Pequenos Vagabundos" " O que é isso? - insiste ele" "é uma série do tempo em que o pai tinha a vossa idade...é  de aventuras..." "É como o Bando dos Quatro? - pergunta a mais nova" "É melhor - respondo eu - muito melhor!" "Então, vamos ver contigo!! - respondem em uníssono". Sentámo-nos e começamos a ver "Os Pequenos Vagabundos".
   "Les Galapiats" ou "Le Trésor du Château sans nom" no original,  "Os Pequenos Vagabundos", como se chamou em portugal,  está para o geração que cresceu na década de 70, como "O Verão Azul" está para a geração que cresceu na década de 80.
   Série televisiva co-produzida pelas televisões francesa, belga, suiça e canadiana, realizada por Pierre Gaspard-Huit, realizada em 1969, constituída por 8 episódios de cerca de 30 minutos cada, foi um enorme sucesso nos países onde foi exibida, incluindo portugal que a transmitiu na RTP1 (ainda a preto e branco), várias vezes ao longo da década de 70.
Os Pequenos Vagabundos
   Jean-Loup é um jovem francês que vai de férias para um acampamento de jovens na bélgica. Lá, conhece outros jovens de várias nacionalidades, apaixona-se pela bela Marion des Neige e todos juntos vão viver a aventura duma vida.
   Filmada na Bélgica, a cores (o que em 1969 era muito raro em produções europeias) e num tempo recorde de cerca de dois meses entre Maio e Julho de 1969, teve o condão de transformar os diversos locais onde foi filmada em autênticos locais turistícos na altura da exibição da série entre dezembro de 1969 e fevereiro de 1970 e que, em 2003 foram revisitados pelo actores da série.

   Série de culto, ainda hoje mantém toda a frescura que tinha na altura, é considerada A SÉRIE por excelência de todos aqueles e aquelas que cresceram durante a década de 70 do século passado e tem sido objecto de uma constante descoberta por quem não viveu naquela década.
   Sábado, 9 de Julho de 2011, por volta das 21.30, no écran da televisão corre o générico final de "Os pequenos Vagabundos" ao som do tema que ainda hoje, passados estes anos, trauteio com agrado. "Pai - diz o meu filho mais velho - é muit'a gira esta série!" "Eu sei, - digo -  vejo-a sempre com agrado...ainda bem que vocês gostaram..." "Oh Pai - pergunta a minha filha com os olhos a brilhar - tens mais filmes destes?" "Tenho outras, sim..." "Podemos vê-los?" "Sim, quando quiserem!" - disse eu enquanto retirava e guardava o DVD no armário. Porém, uma dúvida assolou a minha mente - Como é que uma geração que tem tudo ao seu alcance, ainda precisa destas relíquias para se divertir? - seguidamente juntei-me ao resto da família.




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sexta-feira, 8 de julho de 2011

O Polvo - O segredo do sucesso

 



   É uma das séries Italianas mais famosas de sempre. "La Piovra", assim se chama no original. Em Portugal foi exibida com o título de "O Polvo", na RTP1 (no tempo em que só havia dois canais) e em horário nobre,  que, na década de 80, só as novelas brasileiras tinham direito. Em Portugal, como nos cerca de 80 países onde foi exibida, a série obteve enorme sucesso.
   Produzida pela RAI entre 1985 e 1999, a série teve 10 temporadas, umas melhores, outras menos boas, mas nunca perdeu qualidade, conseguindo mesmo obter  audiências pouco habituais no país: só a primeira série conseguiu no primeiro episódio uma audiência de cerca de 8 milhões de espectadores e chegou ao sexto e último com as audiências situadas nos 15 milhões de espectadores  que iriam culminar no último episódio da quarta série (1989) com o maior share de audiência em  televisão alguma vez visto. As séries foram realizadas por alguns dos mais conceituados nomes do cinema e televisão italianas, como Damiano Damiani, Luigi Perelli, Florestano Vencini ou Giacomo Battiato.
    Corrado Cattani, comissário da polícia Italiana é enviado para a Sicília para chefiar a Brigada Móvel da policia local, ao mesmo tempo que é encarregue de chefiar a investigação da morte do seu antecessor. Cedo se apercebe que o crime tem ramificações profundas, que o conduzem  até ao tráfico de droga, na sociedade local onde existe uma espécie de conspiração de silêncio para lhe dificultar o trabalho e a própria investigação. Decide então dar inicio a uma verdadeira cruzada contra os traficantes locais, sem olhar ás consequências que serão muitas para si e para a sua vulnerável família, ao longo das séries seguintes. O Polvo ainda agora tinha começado a estender os seus tentáculos sobre a sociedade. A proporção de inimigos que gravitam em volta do corajoso comissário cresce na mesma medida em que lhe vão surgindo os aliados mais improváveis como a corajosa Juiza Silvia Conti  que, a partir da quinta série, assume o protagonismo e a chefia da cruzada policial contra a Máfia enquanto investiga as razões que estão por detrás do assassinato do comissário Cattani. A ela junta-se David Licata, um antigo policia que tem um problema do seu passado a resolver. Juntos tentam descobrir e denunciar  a Cúpula de "O Polvo", a missão não se revela nada fácil e haverá novamente  consequências imprevisíveis.
   Particularmente importante é a forma como a narrativa se desenvolve e nos é apresentada. Esta  mostra como o crime organizado se expande de  forma tentacular (daí o título da série): começa como sendo uma investigação de homicídio, cedo se descobre que tem ramificações com o tráfico de droga local, ligações ao tráfico de armas, evolui para as lojas de receitas do Estado, depois avança para os bancos, cujas movimentações de dinheiro os torna  associados à Mafia e cujo centro de operações se situa a norte de  Itália e ainda se intensifica mais quando "O Polvo" tenta atingir os Seguros Internacionais e criar o caos financeiro na Itália e em toda a Europa (a acção passa-se antes da União Europeia). Toda esta  história de intriga politica, financeira e criminal é inspirada em acontecimentos reais que se passaram em Itália nos anos que antecederam a série e a ideia que fica é que a verdadeira Mafia não é aquela que nos dada a conhecer como sendo uma história de controle e vingança levada a cabo por homens de boné e arma na mão, mas sim algo bem mais complexo e perigoso, o que originou alguma  polémica ao longo das  primeiras séries e levou a que os produtores, a dada altura, tenham alterado substancialmente a acção. Somos então confrontados com um flashback que nos transporta até aos anos 50 e 60  (8ª e 9ª séries) na Sicília e ao inicio da ascensão da máfia local, surgem personagens e situações  que  terão importância futuramente e irão condicionar a acção. De certa maneira funcionam como prólogo à série.
A morte de um justo
   A 20 de Março de 1989, a série faz história e, por acréscimo a RAI. No final do último episódio da quarta série, O comissário Corrado Cattani morria debaixo dos tiros da cilada que a Máfia lhe montara. Não obstante o facto de se saber antecipadamente o que iria acontecer, porque os produtores assim quiseram, os índices de audiência subiram acima dos 90%. Nessa noite praticamente toda a Itália estava em frente aos televisores a assistir ao desfecho da quarta temporada da série de televisão mais vista de sempre. O mesmo aconteceu em todos os países onde foi exibida, inclusive em portugal onde a RTP1 obteve  um share televisivo de cerca de 80% . Para o Guiness Book of Records ficou  o maior share televisivo jamais atingido na Europa (onde ainda hoje permanece).
    O elenco, marcado pela forte presença de  Michele Placido, como comissário Corrado  Cattani, Patricia Milardet como a Juiza Silvia Conti, Remo Girone como Tano Caridi, o arqui-inimigo de Corrado Cattani e de Silvia Conti; além dum elenco de secundários onde pontuam nomes como Florinda Bolkan, Bruno Cremer, François Périer, Vittorio Mezzogiorno, entre outros, só teve a ganhar com a sua participação neste clássico televisivo pois as suas carreiras ganharam novos fôlegos.
   Referência obrigatória no panorama televisivo da década de 80 do século passado, ganhou rapidamente notariedade e foi elevada ao estatuto de clássico e serviu de inspiração a outras séries que abordaram os meandros da Máfia, algumas com grande sucesso, como por exemplo "Os Sopranos" (1999-2007) e mantém, ainda hoje, a frescura, a originalidade e principalmente o realismo de então.



 




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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Lawrence da Arábia, O Melhor Filme de Aventuras da História do Cinema!




   Steven Spielberg disse uma vez sobre David Lean que todo o seu talento estava resumido na cena final de "Doctor Zhivago (1965), em que o General Yevgraf Jivago (Alec Guiness) pergunta à sua suposta sobrinha Tonya (Rita Tushingham) se ela sabe tocar a Balalaika, o seu namorado responde que ela é um génio com aquele instrumento, o General pergunta quem a ensinou e ela diz que ninguém.  Sorrindo, o general diz que então é um dom". Dom esse que só é dado a alguns, como ficou provado em“Lawrence da Arábia”.
   Thomas Edward Lawrence é um Oficial do exército Britânico que, descontente com a vida que leva, aceita ir investigar a revolta das tribos árabes contra os turcos durante a Iª Guerra Mundial. Sentindo uma atracção inexplicável pelo deserto, vai ter uma intervenção decisiva no desenrolar dos acontecimentos.
David Lean 
   Magistralmente realizado por David Lean, foi o seu projecto seguinte a seguir ao multipremiado “Ponte do Rio Kwai” (1957) que era um excepcional exercício sobre comportamento humano em tempo de guerra tendo como pano de fundo um campo de prisioneiros japonês. “Lawrence da Arábia” insere-se perfeitamente na temática da obra anterior do seu realizador. Graças ao perfeccionismo latente de Lean, pode dizer-se que este filme prolonga o choque dos comportamentos que percorrem todo o universo de “A Ponte do Rio Kwai”, apesar de ambos se situarem em guerras e cenários diferentes, esse conflito está sempre presente mesmo quando se estende ao cenário e personagem principal de todo o filme: o deserto.
   Ao longo de quase quatro horas de duração este cenário imenso, com a sua pureza e limpeza (como diz, a dado momento, Lawrence ao repórter que o entrevista) é o palco dessa eterna luta de vontades e comportamentos. Essa percepção faz-se na cena em que Lawrence simplesmente apaga o fósforo com um ligeiro sopro e a acção passa para o deserto, assinalando o seu inicio um magnifico nascer do sol e a excepcional e inconfundível banda sonora de Maurice Jarre. É difícil, hoje em dia, dissociar as orquestrações de Jarre das belissímas imagens que Lean nos proporciona. Nunca o deserto foi tão bem filmado e nos pareceu tão interminável como nesta obra.
O realizador em acção
    Todo o filme é um desfilar de cenas brilhantemente construídas, sob o olhar perfeccionista de David Lean, como por exemplo o primeiro encontro entre Lawrence e o Xerife Ali com este a aparecer no horizonte e a aproximar-se lentamente ante a curiosidade do militar inglês; a travessia do deserto a caminho de Aqaba; a própria movimentação das tropas de Auda; só para citar alguns dos exemplos marcantes do filme.
As cenas de acção são excepcionalmente bem encenadas e coreografadas. Hà, para além do cuidado posto na realização, um sentido de espectáculo próprio de uma superprodução nas cenas como por exemplo na do ataque a Aqaba; a sabotagem das linhas férreas; ou na carga que Lawrence manda fazer sobre as tropas Turcas em retirada; para além da própria tomada de Damasco que é, talvez, a cena mais bem conseguida de todo o filme. Aliás o seu estilo visual influenciou realizadores como George Lucas, Sam Peckinpah, Martin Scorsese e muitos outros que reconhecem o filme como um milagre cinematográfico.
   Baseado maioritariamente na obra homónima de T.E.Lawrence “Seven Pillars of Wisdom” (Sete Pilares da Sabedoria), outras fontes também foram usadas, tais como "Hero: The Life and Legend of Lawrence of Arabia" uma biografia escrita por Michael Korda; ou fontes históricas como "The Arab Revolt 1916-1918" de  David Murphy.
   Um primeiro rascunho do argumento foi escrito por Michael Wilson mas David Lean mostrou-se insatisfeito porque este apenas  focava os aspectos históricos e políticos da revolta Árabe. O que o realizador pretendia era um argumento que desse um estudo do carácter de Lawrence. Lean contratou então o argumentista Robert Bolt para reescrever o argumento. Enquanto muitas das personagens e cenas pertencem à versão de Wilson, practicamente todos  os diálogos que aparecem na versão final do filme são da autoria de Bolt. Somos confrontados com as impressões, os pensamentos e as opiniões do militar sobre o conflito entre Àrabes e Turcos, onde ele participou activamente. Personagem complexa como ele próprio se apresenta, ninguém, tal como as pessoas que, no inicio do filme, assistem ao seu funeral e falam sobre ele (a última das quais é o irmão mais novo de T.E.Lawrence), chegou realmente a conhecê-lo.
   Interpretado por um elenco de luxo onde, para além de actores consagrados como Alec Guiness, Omar Sharif ou Anthony Quinn, se encontrava um quase estreante de nome Peter O’Toole sobre quem caiu a enorme responsabilidade de interpretar o papel de Lawrence, o que faz com considerável sucesso, mercê de algum treino adquirido nos palcos londrinos e que iria marcar a carreira do actor para todo o sempre. Apesar de já ter uma carreira longa, onde interpretou todo o género de personagens, desde vilões a aventureiros passando por papéis dramáticos e cómicos, O’Toole nunca conseguiu desvincular-se desta personagem.

A Restauração de um Clássico
       Produção acidentada, conheceu vários momentos em que esteve para nunca acontecer principalmente devido a conflitos que opunham o realizador David Lean ao seu produtor Sam Spiegel.             O próprio filme acabou por ser vitima disso mesmo: Pouco tempo antes da estreia, Spiegel achou que o filme era grande demais e decidiu reduzir-lhe a duração. Contra os protestos do realizador, o filme foi reduzido para uma versão de 188 minutos e foi essa a versão que estreou em 1962 e que se manteve até meados da década de 70, quando o filme já era famoso e David Lean já não realizava devido ao fracasso comercial e critíco que tinha sido “A Filha de Ryan” (1970) e também ao abortar consecutivo dos planos para uma nova versão de "A Revolta na Bounty", um projecto que Lean acarinhava há já alguns anos, o filme foi então remontado e a sua metragem aumentada para 210 minutos e feita nova estreia com considerável sucesso. Finalmente em 1989, Lean, com a ajuda de vários realizadores entre os quais se contavam Martin Scorsese, Steven Speilberg, Francis Ford Coppola e George Lucas, confessos admiradores do realizador, conseguia restaurar o filme na sua duração real de 222 minutos (incluindo a abertura, intervalo e música de encerramento), com imagem e som, principalmente do material novo, melhorado.  A maior parte das cenas cortadas eram sequências de diálogos e  cenas onde se inclui a abertura do II Acto, e a cena em que o Princípe Faisal é entrevistado pelo jornalista Bentley. Todos os actores que ainda se encontravam vivos na altura da restauração, regressaram para dobrar os seus diálogos.
   O sucesso obtido por esta nova restauração foi enorme levando a uma nova estreia, desta vez com pompa e circunstância, conseguindo o feito de chegar a um novo público e a consequente elevação do filme à classificação de obra-prima do cinema.
Filme de aventuras, filme de guerra, drama, “Lawrence da Arábia” foi galardoado com sete Óscares da Academia, incluindo Melhor Filme do Ano e Melhor Realizador.
   Considerado uma obra-prima do cinema mundial, presença obrigatória em qualquer lista de Melhores Filmes de Sempre, continua, passados estes anos todos, a ser um dos melhores exemplos da arte de fazer cinema e a melhor superprodução de todos os tempos. Sem dúvida nenhuma o melhor filme de aventuras da história do cinema.


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quarta-feira, 22 de junho de 2011

Asia - De Asia a Omega...30 anos de carreira!

Nota: Este texto refere-se apenas à formação original do grupo e todas as imagens e vídeos utilizados foram retirados da Internet


   No inicio da década de 80 do século passado, no panorama musical adivinhava-se uma mudança. O Punk dissolvera-se na New Wave e esta quase que já desaparecera, os Neo-Romãnticos perfilavam-se no horizonte, uma nova vaga de rock progressivo (agora com o nome de rock sinfónico) começava a espreitar numa tentativa de recuperar o terreno que perdera durante a segunda metade da década de 70.
   Em 1981 John Kalodner, homem forte da editora A&M, e David Geffen, director da recém-nascida Geffen Records, fazem planos para formar um supergrupo de rock que abale o panorama musical. Juntam então John Wetton e Steve Howe a quem pedem que escrevam temas para um álbum. Em breve juntão-se-lhes Carl Palmer e Geoff Downes e era preciso um nome atractivo. Do nada surgiu a designação "Asia" que reuniu o consenso dos quatro músicos, todos eles oriundos da mesma área musical: John Wetton vinha dos King Crimson, mas antes tocara nos Uriah Heep, nos Roxy-Music e nos Wishbone Ash; Steve Howe vinha dos Yes; Geoff Downes tocara nos Buggles e nos Yes; finalmente Carl Palmer tocara com Crazy World of Arthur Brown, Atomic Rooster e em Emerson Lake and Palmer.
   O primeiro álbum do grupo surge em 1982, chamava-se apenas "Asia". Uma capa simples desenhada por Roger Dean, um dos melhores ilustradores de sempre e responsável pelas capas dos álbuns de Yes, Uriah Heep, Rick Wakeman, entre outros, uma série de temas, hoje clássicos, como "Heat of the Moment", "Sole Survivor", "Only Time will Tell" ou "Wildest Dreams".O álbum  obteve considerável sucesso, esteve nove semanas consecutivas em número1 e vendeu mais de cinco milhões de cópias e encorajarou o grupo a continuar e a trabalhar num novo disco. 
   "Alpha" assim se chamou o álbum seguinte e foi ainda mais ambicioso que o primeiro. Uma capa graficamente bela e extremamente atractiva ( talvez a melhor capa da discografia do grupo, Roger Dean claro!) e uma selecção mais cuidadosa de temas onde "Don't Cry" e "The Smile has left your eyes" são os temas mais fortes, mas também "Open your eyes e "The Heat goes on" são obrigatórios em qualquer concerto do grupo. O álbum conseguiu um modesto sexto lugar no top britânico e foi recebido com alguma indiferença pelos críticos. Tal resultado nas vendas, rapidamente criou alguma tensão dentro do grupo  e começa o entra-e-sai de elementos do grupo que nunca foi devidamente explicado.
   Várias formações e vários álbuns depois, chegamos a 2006, os Asia estão a comemorar 25 anos de carreira. Downes e os outros três membros originais anunciam o seu regresso e uma tournée mundial para assinalar o seu quarto de século de existência. O sucesso é total,  nasce o CD/DVD "Asia: Fantasia live in Tokyo" que documenta os sete concertos que deram no Japão onde obtiveram as maiores audiências da tournée 2006-2007. A meio de 2007 o grupo decide entrar em estúdio e gravar novas canções, o que não acontecia desde 1983.
   Em Abril de 2008 é editado o novo álbum de nome "Phoenix" que não podia ser mais propositado, qual Fénix renascida (a capa exibe uma Fénix em frente ao logotipo do grupo), este renascer das cinzas, indicia um novo rumo  do grupo que esteve patente na tournée que começou nos Estados Unidos e estendeu-se até ao extremo oriente,  apresentando-se pela primeira vez em Portugal em Maio de 2008,  onde deram inicio à "leg" Europeia da "Phoenix World Tour", num concerto que ficou na memória de quem lá esteve (regressariam a Portugal em Junho de 2011). O passado foi revisitado nos temas antigos dos dois primeiros álbuns, assim como o presente em temas como "An Extraordinary Life", "Never Again", "Heroine" ou "I Will remember You". Para a história fica "Parallel Worlds/Vortex/Déyà" que com os seus mais de oito minutos de duração é o maior tema que os os Asia alguma vez escreveram em toda a sua existência onde todo o talento musical do grupo é perfeitamente ilustrado num tema dividido em três partes: uma vocal e duas instrumentais que completam aquele que será sem dúvida um dos melhores temas do grupo.
   O sucesso obtido na tounée  permitiu que, em 2010, o grupo fosse novamente para estúdio gravar o sucessor de "Phoenix", que se chamou "Omega" onde continua a via do sucesso,  com temas como "End   of the World", "There was a  Time" "Holy War", "I Believe" ou "Light the Way" que têm sido os temas mais tocados nos concertos.
   Qual será o futuro do grupo? o título do álbum, pode querer dizer uma de duas coisas: como é sabido Omega é a última letra do alfabeto grego e isto poderá querer dizer que é o último álbum do grupo; por outro lado, poderá ser apenas uma feliz coincidência e que o grupo ainda está para durar...só o tempo o dirá... a demonstrar pelo que se viu nos concertos nacionais, ainda teremos muito Asia nos próximos tempos!

                                                               


                                                            








sábado, 18 de junho de 2011

Morris L. West, Uma vida literária

   Desde muito novo, Morris Langlo West, nascido em 1916 em Melbourne, na Austrália, filho mais velho de seis irmãos, sentiu uma propensão para contar histórias, propensão herdada dos seus pais, principalmente da sua mãe. Durante a sua infância, enquanto estudava num colégio interno, contactou com a religião católica, através da ordem religiosa "Christian Brothers", pondo-se em contacto com o espírito religioso dessa ordem que irá servir durante algum tempo. Terminado o ensino oficial, ingressa na Universidade de Melbourne onde se licencia em 1937. Durante alguns anos dá aulas em vários locais.
   Durante a II Guerra Mundial, West serviu nas forças Australianas no Corpo de Comunicações colocado no Pacifíco sul. Foi durante esta estadia que ele escreveu o seu primeiro romance "A Moon in My Pocket" (1945), baseado nas suas experiências na ordem religiosa, que publicará sob o pseudónimo de Julian Morris, um dos vários que utilizará na sua carreira. O romance, ao questionar práticas religiosas, tornar-se á um sucesso de vendas. Depois de ser disponibilizado do exército, Morris West  foi escriturário, radialista e jornalista, profissões que desempenhou com paixão onde obteve sucesso. Em 1955 abandona a Austrália, indo viver para diversos sítios, passando pela Aústria, Itália, Inglaterra e Estados Unidos da América, para prosseguir a sua carreira de escritor.
   Após a publicação do seu primeiro romance, West sente-se motivado a prosseguir esta nova carreira  e publica, entre 1955 e 1998, mais vinte e oito romances, entre os quais se destacam "Gallows on the Sand" (O Tesouro, 1956), "The Big Story" (A Conspiração, 1957), "Devil's Advocate" (O Advogado do Diabo, 1959), "Daughter of Silence" (A Filha do Silêncio, 1961), "The Shoes of the Fisherman" (As Sandálias do Pescador, 1963), "Cassidy" (Cassidy, 1986), "The Ringmaster" (O Mestre de Cerimónias, 1991), entre outros. os seus romances venderam, no total, perto de 70 milhões de cópias em todo o mundo, estão traduzidas em inúmeras línguas, fazendo de Morris West um nome internacionalmente reconhecido.
   Abordando temas muitas vezes considerados polémicos como o nascimento de um novo Fascismo em Itália em "Salamander" (A Salamandra, 1973), a guerra do Vietname em "The Ambassador" (O Embaixador, 1965), o conflito entre Israel e os países Árabes em "Tower of Babel" ( Conflito no Médio Oriente, 1968), todos os seus livros eram percorridos por uma grande questão: quando tantas organizações usam a violência extrema para atingir os seus fins, quando e em que circunstâncias será moralmente aceitável responder com violência? West costumava dizer que todos os seus livros tratavam de um  aspecto da vida, ou seja, o dilema em que, mais tarde ou mais cedo, estamos perante uma situação daquelas que ninguém sabe o que fazer. Reflectida também em alguma da sua obra  estava a sua fé católica, principalmente nos romances religiosos em que ansiava por uma igreja onde o perdão estivesse primeiro que o castigo.
   Na sua obra encontramos também algo de ficção cientifica e de profético. No primeiro situamos "The Navigator" (O Navegante, 1976) onde uma expedição procura localizar uma ilha desconhecida onde, segunda as lendas, repousavam os grandes navegadores de outrora e "The Clowns of God" (Os Palhaços de Deus, 1981), cuja acção se passa algures no final do século XX. No segundo encontramos "The Ringmaster" (O Mestre de Cerimónia, 1991), onde West antecipa no tempo o desmembramento da União Soviética que aconteceria alguns anos depois e "The Shoes of the Fisherman" (As Sandálias do Pescador), publicado pouco tempo antes da morte do Papa João XXIII, em que em que o escritor antevê a eleição de um Papa de leste...15 anos antes disso acontecer realmente! com este livro, Morris West dava inicio à chamada "Trilogia do Vaticano" que continuou com "Os Palhaços de Deus", que conta a história de um Papa que resigna ao seu Papado por acreditar que o fim do mundo e o Segundo Advento de Cristo estão prestes a acontecer, terminando com "Lazarus" (Lázaro, 1990) em que o Papa reinante é submetido a um "bypass" e transforma-se radicalmente em outro homem.
O maior sucesso literário de Morris West
   Morris West chegou á fama mundial com " O Advogado do Diabo", que foi o seu maior sucesso de vendas. A história do processo de canonização de Giacomo Nerone, um resistente italiano massacrado pelos comunistas Italianos no final da II Guerra Mundial, venerado como um santo pelo povo da sua aldeia e da investigação levada a cabo pela Igreja Católica feita por um padre Britânico que, quer queira quer não, será o Advogado do Diabo em todo o processo, cativou o público, também a crítica literária e deu ao seu autor inúmeros prémios. Muitos estudiosos da obra do autor consideram este livro como parte integrante da série sobre o vaticano, na qual também se deve incluir "Eminence" (Eminência, 1998) com o qual West continua a sua análise do Papado e do Vaticano. Foi o último romance publicado em vida pelo autor. Faleceu em 1999 aos 83 anos de idade.
O romance inacabado de Morris West
   Em 2000 a familia do autor decide editar o seu último romance inacabado, sem nenhuma edição de modo a deixar à imaginação do leitor como é que poderia terminar. "The Last Confession" ( A Última Confissão) conta a história dos últimos dias de Giordano Bruno, um monge dominicano aprisionado e torturado pelo Santo Ofício da Inquisição. Escrito sob a forma de um diário que pretendia cobrir o último mês de vida do monge, por morte de West durante a sua escrita, acaba por só cobrir uns escassos 14 dias.   O prefácio de Thomas Keneally, uma nota do seu editor e um epílogo co-escrito pelo seu assistente e pela sua viúva terminam a obra de um dos grandes contadores de histórias do século XX.
   Morris West tinha um lema próprio, ele costumava dizer que escrevia sobre o que pensava que deveria escrever e que se uma coisa lhe interessava, então também deveria interessar a muitas outras pessoas.
Quem somos nós para questionar tal certeza?
   Também o cinema se deixou enfeitiçar pela obra de West e adaptou alguns dos seus romances para o grande écran: logo em 1965 "The Crooked Road também conhecido como The Big Story" realizado por Don Chaffey; em 1968, Michael Anderson fez a mais conhecida (e melhor ) adaptação com "As Sandálias do Pescador", seguiram-se " O Advogado do Diabo"(não confundir com o filme com o mesmo nome protagonizado por Al Pacino em 1997), realizado em 1977 por Guy Green; "Salamander" realizado em 1981 por Peter Zinner; "Naked Country" de Tim Burstall em 1984; "Second Victory" realizado por Gerald Thomas em 1987 e "Cassidy" realizado  em 1989 por Carl Schultz.
   Se exceptuarmos  o filme de Michael Anderson que, além do elenco de luxo que inclui Anthony Quinn, Laurence Olivier, David Janssen, Oskar Werner, entre outros, consegue captar o espírito do romance e da época ( a guerra fria), nenhuma das outras adaptações está ao nível dos romances do escritor que possuem características próprias e difíceis de captar para o grande écran.




Nota: todas as imagens que ilustram o texto foram retiradas da Internet


  

sábado, 11 de junho de 2011

Laranja Mecânica - A Visão Profética de Stanley Kubrick

                                                                    

                                                                                             

Stanley Kubrick, um perfeccionista obsessivo
   Em 1948 um escritor inglês tinha um texto, para o qual não tinha título. Falava de um mundo futurista com uma ordem totalitária no qual falar, pensar ou agir tinha que ser feito com todo o cuidado pois o "Big Brother" estava sempre vigilante e punia todos os que se revoltassem contra o sistema. George Orwell assim se chamava o escritor, invertendo os últimos dois digítos da data, obtém o título e torna a obra, à data, profética. Entre o livro e a data surgiu "Laranja Mecãnica", onde o mundo imaginado por Orwell adquire uma outra realidade na escrita de Anthony Burgess e no olhar perfeccionista de Stanley Kubrick.
   Inglaterra, algures num futuro próximo, Alex DeLarge e os seus companheiros vagueiam ao sabor da noite espancando, violando e roubando quem se lhes cruza no caminho. Um dia Alex é apanhado pelas forças de segurança, feito prisioneiro e mais tarde será voluntário para um tratamento experimental desenvolvido pelo governo para lidar com os problemas da criminalidade. mas nem tudo corre como Alex pensara e o resultado será imprevisível.
   Brilhantemente realizado por Stanley Kubrick , "Laranja Mecânica" é baseado num livro de Anthony Burgess escrito em 1962 que retratava um bando de jovens delinquentes futuristas baseado nos "Mods" e "Rockers" que lutavam nas praias de Inglaterra no final da década de 50, principio da de 60. O romance trata simplesmente do facto desses jovens se entregarem aos seus desejos de violação, violência, drogas, roubo e outros vícios. Utilizando uma linguagem criada de propósito para o livro, Kubrick consegue, no filme, transmitir todo o sarcasmo presente nas palavras proferidas por Alex, quer em voz-off, quer nos próprios diálogos entre as personagens. O texto de Burgess parece trancrito na integra para a tela fazendo com que aquele rápidamente se tornasse num best-seller na década de 70 do século passado e termos como ultra-violência viessem a fazer parte de alguns dicionários.
   É sabido que Kubrick nunca gostou de sequelas (nem sequer gostava do termo). Na década de 80 do século passado, o realizador recusou fazer mesmo "2010" a continuação do seu mitíco "2001:Odisseia no Espaço" (1968), baseado no livro do mesmo título de Arthur C.Clarke, porque entendeu que nada mais havia a dizer sobre o assunto; o filme foi feito por Peter Hyams em 1984 e o resultado foi...para esquecer!
   Mas hà algo de "2001" em "Laranja Mecânica": atente-se na cena final de "2001" quando o bébé abre os olhos e olha na direcção da terra ao som da fabulosa fanfarra de Richard Strauss "Assim Falava Zaratrusta" e o inicio de "Laranja Mecânica" com o grande plano do olhar de Alex: este pode muito bem ser entendido como uma continuação daquele sem, no entanto, o ser efectivamente. É um contraste absoluto: o olhar sereno do bébé no final de "2001" e o olhar violento, algo malicioso de Alex no inicio de "Laranja". Stanley Kubrick alguma razão terá tido para começar "Laranja Mecãnica" com esse fabuloso grande plano inicial, sob uma voz off, que depois vai recuando progressivamente e vamos vendo o local onde Alex e os seus compinchas se encontram a beber o seu leite antes de irem para a cidade onde espancam um bêbado, lutam com um bando rival que se entretinha a violar uma jovem rapariga, roubam um carro, conduzem que nem uns doidos , assaltam a casa dum escritor, à sua frente violam-lhe a mulher e espancam-no violentamente,  num dos inícios de filme mais violentos que alguma vez se viu...o resto é história!
Stanley Kubrick e Malcolm McDowell
   Malcolm McDowell interpreta Alex, o delinquente que gosta de ultra-violência, violações e Beethoven (excelente aproveitamento musical de peças do compositor e de outros, em versões electrónicas tocadas por Wendy Carlos, que inicialmente assinou a banda sonora como Walter Carlos para não criar problemas ao realizador). O actor é absolutamente fantástico na sua composição. Foi a sua interpretação do jovem aluno rebelde numa instituição privada de ensino em Inglaterra no filme "If..." (Lindsay Anderson, 1968) que chamou a atenção do realizador que viu nele o seu Alex. Aliás toda a carreira do actor girou sempre em torno desta personagem, porque, se exceptuarmos "Calígula" (Tinto Brass, 1979) onde dá vida ao imperador romano, nada mais podemos acrescentar à sua carreira que seja sufucientemente relevante.
O cuidado com a imagem
   Usando e abusando dos grandes planos que depois se tornam médios planos até formarem uma imagem de composição (ver por exemplo a fabulosa cena nocturna do espancamento do velho no tunel ou o já citado inicio), Stanley Kubrick filma cenas inesquecíveis e de uma beleza plástica acima de qualquer reparo: além das já citadas cenas, ver por exemplo a violação da senhora dos gatos; as cenas da prisão governamental ou as cenas do tratamento a que Alex é submetido com a utilização da música de Beethoven: absolutamente violento e ao mesmo tempo irónico,  ironia que se mantém até ao final, quando Alex, depois de ter sido raptado e torturado ao som da "Gloriosa Nona Sinfonia de Beethoven", sente repúdio pela música,  tenta o suicídio que não acontece e vem o próprio ministro, que criou o Método Ludovico para o qual Alex  se voluntariou, oferecer-lhe um emprego com um bom salário em troca duma cooperação com a imprensa. Alex ouve a "Nona de Beethoven" e pensa em ter sexo com uma mulher - sorri, está mesmo curado. É livre para ser perverso novamente. Estamos  perante um "Kubrick vintage".
   O filme provou ser demasiado polémico e, no entender, de alguma imprensa Britânica, único responsável por incidentes onde alguma da sua extrema violência foi imitada por pessoas que diziam ter sido o filme que as levara a isso.  Kubrick defendeu-se dizendo "Tentar atribuir à arte qualquer responsabilidade nos acontecimentos da vida é tentar inverter as coisas...". Este argumento não resultou muito bem e o filme foi proibido de ser exibido publicamente no Reino Unido entre 1974 e 2000, já depois da morte do realizador.
   Obra-prima intemporal, "Laranja Mecânica", 40 anos depois da sua estreia, continua tão actual como então. É um filme que nos convida a refectir sobre o seu tempo e também ( e este é o grande feito do filme!) nos obriga a uma reflexão sobre o tempo em que vivemos. Impressiona ver o que o realizador conseguiu ver antes do tempo e a maneira como transpôs a sua visão para o grande écran.
Inesquecível sempre e obrigatório também.



Nota: Todas as imagens e vídeos que ilustram este texto foram retirados da Internet

sábado, 4 de junho de 2011

Bandas Sonoras II

                                                 II - O Processo criativo da Banda Sonora

   A Partitura musical de um filme é, regra geral, fruto do trabalho de um ou mais compositores,  de acordo com as indicações do realizador e/ou produtor, habitualmente tocada por um grupo de músicos onde se incluem uma orquestra, uma banda, coro e vocalistas.
   As partituras musicais abarcam uma variedade de estilos músicais, dependendo do género de filme para a qual se está a trabalhar. Desde sempre que uma partitura musical era um trabalho orquestral com ramificações da música clássica ocidental. Desde os anos 50 que esta tendência mudou afim de incluir influências de Jazz, Pop, Rock, Blues, electrónica, além duma variedade enorme de música étnica , de modo a que uma banda sonora feita actualmente seja um híbrido de música orquestral com elementos de música electrónica.
   O compositor geralmente entra no processo criativo já perto do final da rodagem ou na altura em que o filme está na post-produção, ou seja, na sala de montagem, apesar de, em alguns casos, o compositor estar presente quando é pedido aos actores que tenham de cantar, como acontecia no tempo do musical.
Maurice Jarre e o realizador David Lean
   Ao compositor é então mostrada uma primeira versão (chamada "rough cut") do filme antes da montagem final. Em conjugação com o realizador e /ou produtor, o compositor decide sobre que tipo de música, em termos de tom e estilo, vai ser utilizada no filme. Um e outro assistem ao filme. Durante este processo, o compositor tira notas sobre quais as cenas que vão necessitar de música. Ocasionalmente, ao contrário da norma, o realizador pode montar o filme sobre música previamente composta, como o fez Sergio Leone com o final de "O Bom, o Mau e o Vilão" (1966), ou os seus filmes  "Aconteceu no Oeste" (1968) ou "Era uma Vez na América" (1983) foram montados de acordo com as bandas sonoras de Ennio Morricone, cuja amizade e colaboração com o realizador, lhe permitiu tê-las prontas muito antes das produções estarem completas. Similarmente, a montagem final de "E.T. - O Extraterrestre" (Steven Spielberg, 1982) foi feita de acordo com a banda sonora composta por John Williams, colaborador habitual do realizador. Ao que parece, Spielberg deu liberdade total ao compositor para criar a banda sonora sem o filme.
   Menos frequente é a um compositor ser pedido que componha uma banda sonora baseada nas impressões que ele (a) retirem do argumento, sem verem qualquer imagem filmada, é-lhes dada maior liberdade criativa sem haver necessidade de estarem ligados a qualquer especificação musical ou ao tom musical desta ou daquela cena, como aconteceu com o filme "Sorcerer - O Comboio do Medo" (William Friedkin, 1977) em que a música foi toda composta pelo grupo alemão Tangerine Dream sem nunca terem visto uma imagem ou uma cena  filmada, baseada apenas no argumento que o realizador lhes deu. Esta aproximação  pode ser feita pelo realizador sempre que entender que é o melhor para o seu filme e pode sempre ser inserida durante o processo de post-produção.
O Método tradicional da escrita duma partitura musical
   O método de escrita de uma partitura musical varia de compositor para compositor. Alguns preferem o método tradicional utilizando a pauta musical e, com uma caneta, vão escrevendo notas enquanto executam ao piano as ideias e alterações que vão surgindo; outros preferem escrever directamente em computador usando um equipamento sofisticado para criação de música. Em qualquer um dos métodos, o tempo que o compositor tem para criar a música varia de projecto para projecto: dependendo do tempo que possa levar a post-produção do filme, ele tem desde duas semanas a três meses para fazer o trabalho. Em circunstâncias normais, o processo de escrita, do princípio ao fim, nunca leva menos de seis semanas. Tudo isto depende do tipo de música que se quer para o filme e o que se pretende que ela mostre. Uma banda sonora pode conter centenas de combinações sonoras, de instrumentos, de vozes, pode ter a ver com o período e localização em que decorre a acção, gostos musicais das personagens. Como parte da preparação duma banda sonora, o seu autor tem que fazer uma pesquisa sobre as diferentes técnicas e géneros musicais apropriados para aquele projecto.
A Gravação duma banda sonora
   Depois da escrita, segue-se a fase do arranjo e da gravação. Aqui também varia de compositor para compositor, consoante o tipo de projecto. Mas basicamente, o arranjo pega no trabalho feito pelo compositor, escreve-se a partitura musical para cada instrumento que cada elemento da orquestra vai tocar. A maior parte das vezes, o compositor é também quem faz os arranjos da sua própria partitura podendo assim tirar partido de todo o seu trabalho. Pode dar-se o caso de  o compositor ser menos detalhado e pedir a algum orquestrador que lhe "preencha os espaços em branco", contribuindo este com alguma criatividade para dinamizar mais a banda sonora permitindo que esta se torne parte integrante do filme. Composta a música e feitos os arranjos, a partitura está pronta para ser gravada. Chega a vez da orquestra ou do grupo tocarem o material, a maior parte das vezes com o compositor a conduzir o trabalho. Esta gravação é feita em frente a um écran grande onde passa o filme ou , em alguns casos, uma série de cenas com um contador de tempo que permite ao maestro sincronizar a música com a duração das cenas no filme. Os músicos nunca são creditados no filme e, muitas vezes, nem o são no álbum resultante dessa gravação, mas esta política tem vindo a mudar.
   As bandas sonoras têm uma estrutura própria que é  traduzida em diferentes temas para as personagens, acontecimentos, ideias, objectos, etc., estes são tocados em diferentes variações, de acordo com a situação que querem mostrar, espalhadas por música incidental. O melhor exemplo desta técnica está contido nas bandas sonoras da saga de "Star Wars", compostas por  John Williams e os numerosos temas associados ás personagens como Darth Vader, Luke Skywalker, Princesa Leia Organa e muitos outros que se entrelaçam ao longo de seis filmes e seis bandas sonoras. A mesma técnica tem sido utilizada por outros compositores como Ennio Morricone ou Howard Shore na magnifica trilogia de "O Senhor dos Anéis". Casos há em que a banda sonora original é rejeitada em favor de outra composta por peças musicais já existentes. É o caso de "2001: Odisseia no Espaço" (Stanley Kubrick, 1968) em que o realizador optou por outra banda sonora em detrimento da original composta por Alex North.
   As canções habitualmente não são consideradas como fazendo parte da banda sonora de um filme. A partitura musical nunca contempla canções e deve ser considerada como um todo instrumental. Nas últimas décadas esta tendência tem vindo a modificar-se, com o advento de alguns filmes filmes "ditos musicais",  em que  canções pop ou rock, ganham alguma expressão quando o compositor escreve uma canção específica para enfatizar o tom de determinada cena. Nascem assim as bandas sonoras cujo conteúdo é  constituído por canções  inspiradas no filme ou na sua música.
   As bandas sonoras, sejam elas instrumentais ou não, têm vindo a ganhar algum espaço tanto no filme, como fora dele e, hoje em dia, com o advento dos vídeoclips  e estes a servirem de apresentação a esses mesmos filmes, é quase impossível dissociar uma do outro.


Nota: Todas as imagens que ilustram o texto foram retiradas da Internet
   

                                                               Grease - Um fenómeno musical fora de tempo!          Alguém disse, um ...