quarta-feira, 6 de abril de 2011

Uma Viagem pelo Cinema Português I

                                            I - Das Origens a 1974



Curta-Metragem de Aurélio Paz dos Reis
     O cinema em Portugal teve o seu início em 1896, na cidade do Porto com a exibição das primeiras curtas-metragens de Aurélio Paz dos Reis "A Saída do Pessoal Operário da Fábrica Confiança". Este não é nem mais nem menos do que  uma réplica do filme dos Irmãos Lumière "La Sortie de l'usine Lumière à Lyon" (1894-1895) que é considerado o primeiro filme da história do cinema e, ao mesmo tempo, o primeiro documentário. Paz dos Reis quer explorar o seu cinematógrafo e para isso organiza alguns espectáculos que não obtêm os resultados esperados. Desiludido, viaja para o Brasil para tentar a sua sorte mas regressa pouco tempo depois, junta-se a Manuel Maria da Costa Veiga, para fabricar imagens animadas e tornar-se exibidor de filmes em Lisboa.
   O cinema em Portugal, como indústria , terá o seu inicío em 1918 e durante a década subsequente dedica-se quase exclusivamente à transposição de clássicos da literatura portuguesa para o grande écran, entregando a realização a realizadores estrangeiros. "O Primo Basilío" baseado no romance de Eça de Queirós de George Pallu em 1922; "A Sereia de Pedra" de Roger Lion em 1922 ou ainda as aventuras de "José do Telhado" de Rino Lupo em 1929 são alguns exemplos da produção nacional. Alguns destes nomes serão determinantes na abordagem que os realizadores irão fazer ao cinema, principalmente George Pallu na forma como utiliza a paisagem para enquadrar a vida como ela é, quer seja no campo ou na cidade. Leitão de Barros será grandemente influencido pelo realizador francês, ao recorrer a temas já explorados mas inovando na forma para tentar gerar outro sentido. Com novas fantasias, a ficção explora a realidade.


   O mesmo Leitão de Barros realiza "A Severa" em 1931, o primeiro filme sonoro em Portugal. No ano seguinte constroem-se os Estúdios da Tobis Portuguesa de onde saírão muitas obras do cinema português.Com o desaparecimento do cinema mudo, surge uma nova geração de cineastas que influenciarão  muito o cinema nacional.
   Em 1935 é criado o Secretariado Nacional de Informação e percebe-se o interesse que o cinema tem para o regime. António Lopes Ribeiro torna-se a voz cinéfila de Salazar. A propaganda ideológica e política do regime tem que ser bem gerida como mostra  António Lopes Ribeiro em "A Revolução de Maio" (1937). Nos filmes que o público corre para ir ver, seduzido pelas imagens animadas, reinam actores de revista: Beatriz Costa, António Silva, Vasco Santana, Maria Matos, etc. É a época auréa da comédia. Temas prometedores como a vida boémia e raparigas bonitas em "A Canção de Lisboa" de Cottinelli Telmo de 1933; as touradas eternas em "Gado Bravo" de António Lopes Ribeiro de 1934; a pastora infeliz que vem servir para Lisboa em "Maria Papoila" de Leitão de Barros em 1937; a pureza da vida rural com  "A Aldeia da Roupa Branca" de Chianca de Garcia em 1939 ilustram  bem a cinematografia nacional.


Cena do filme "Camões" (1946)
     Aproveitando o sucesso da Exposição do Mundo Português de 1940, o regime promove o nacionalismo e obras, de grande fôlego épico recebem luz verde, como "Inês de Castro" (1944) ou "Camões" (1946) ambos de Leitão de Barros. Este último Salazar considera ser de interesse nacional, apresentado em Cannes em 1946 e seria o filme mais caro alguma vez feito em Portugal. Mas a década já começara com "Pai Tirano" de António Lopes Ribeiro (1941) e "O Pátio das Cantigas"  de Ribeirinho (irmão de A.Lopes Ribeiro) em 1942 e são ambos comédias bem ao gosto nacional. Também Manoel de Oliveira começa oficialmente a sua carreira de realizador com "Aniki-Bóbó"em 1942 e o filme, ao abordar de forma directa a vida e os amores de uma certa juventude na cidade do Porto, vai contra as regras do jogo.
   Para o grande público, Artur Duarte realiza "O Costa do Castelo" (1943) e "A Menina da Rádio" (1944); Armando de Miranda refaz "José do Telhado" (1945) e obtém um grande sucesso de bilheteira que repetirá com "Capas Negras" em 1947; "Fado, História de uma Cantadeira" de Perdigão Queiroga (1947), Com Amália Rodrigues e Virgilio Teixeira, explora a vertente populista daquele género de música e, ainda no mesmo ano e para o mesmo público, "Leão da Estrela" de Artur Duarte satiriza os adeptos do desporto-rei com enorme sucesso.
   As décadas subsequentes trariam períodos de estagnação e mudança, anunciando certas rupturas  no panorama do cinema nacional. Enquanto António Lopes Ribeiro tenta moralizar o público com "Frei Luís de Sousa" (1950) e Perdigão Queiroga fala ao imaginário da burguesia com "Sonhar é Fácil" (1951), Manuel Guimarães dá o primeiro sinal de mudança ao mostrar, com um toque de neo-realismo, o lado mais cru das coisas. "Saltimbancos" (1951) e "Nazaré" (1952) acentuam esse neo realismo que nunca acontecerá como o realizador pretendia. "Chaimite" de Jorge Brum do Canto de 1953 apela ainda a um certo nacionalismo mas os ventos são mesmo de mudança.
   Na década de sessenta a mudança opera-se numa ruptura dupla: de género e estilo, no que toca ao modo de filmar e o modo de produção, e é política. "Dom Roberto" de José Ernesto de Sousa (1962) e "Verdes Anos" de Paulo Rocha (1963) vêm imbuídos deste espiríto de mudança e de denúncia e marcam o início do chamado Cinema Novo. Fernando Lopes, António de Macedo ou António da Cunha Telles são nomes importantes nesta nova tendência da sétima arte portuguesa que tenta criar condições de auto-suficiência na produção de filmes e conciliar cinema de arte com cinema de grande público, o que nem sempre foi conseguido. No entanto filmes como "Belarmino" (1964), "Domingo à Tarde" (1965), "Sete Balas para Selma" (1967) ou "O Cerco" (1969), este último foi a Cannes, obteve êxito comercial e ainda ganhou alguns prémios oficiais,  são bons exemplos desta tendência.
   Alguns destes cineastas ainda seguem, já na década de setenta, o movimento do Novo Cinema. São eles: António de Macedo com "Nojo aos Cães", de 1969, mas estreado em 1970 e proibido pela censura;  Fernando Lopes com "Uma Abelha na Chuva" (1971) e ainda "O Cerco", três filmes produzidos com recurso a capitais pessoais,  material emprestado, e ajuda de amigos. Já com outros meios de produção, ainda alinham neste movimento realizadores como José Fonseca e Costa com "O Recado" (1971); António Pedro Vasconcelos com "Perdido por Cem" (1972), Fernando Matos Silva com "O Mal-Amado"(1973), Eduardo Geada com "Sofia e a Educação Sexual" (1973) ou Alberto Seixas Santos com "Brandos Costumes" (1974). António de Macedo exibe o resultado deste movimento em Cannes em 1973 com "A Promessa", seleccionado para a competição, é apenas o terceiro filme nacional a merecer tal distinção.
   A década vai ver nascer, ainda sob a égide do Estado Novo, o Instituto Português de Cinema em 1973, que era destinado a gerir financiamentos públicos para a produção de filmes nacionais. Surge também o recurso a uma inovação técnica originária dos anos sessenta: o uso de máquinas de filmar de 16 mm que vieram revolucionar não só as técnicas de filmar, como a própria linguagem cinematográfica, permitindo grande agilidade na filmagem e uma considerável redução nos custos de produção. A abordagem de certos temas torna-se mais fácil que levará alguns cineastas portugueses a optarem por praticar cinema directo, explorando assuntos que até então tinham escapado ao olhar da objectiva sob a forma de documentário. O filme político, o cinema militante, a docuficção e a etnoficção são géneros que marcam a cinematografia que se fez em Portugal na primeira metade da década de setenta e que nela se reinventam.
                                                                                                                          (continua)

                             
Nota: Todas as imagens foram retiradas da Internet




                          

  
  

sábado, 26 de março de 2011

O Rei Artur: Mito ou Realidade?

   O Rei Artur é uma figura lendária Britânica que, de acordo com histórias medievais e romances, teria comandado a defesa contra os invasores Saxões chegados à Grã-Bretanha (ou Bretanha como era conhecida na época) no início do século VI.  Os detalhes da sua história são compostos principalmente por folclore e literatura, a sua existência histórica, devido à escassez de antecedentes históricos ou por estes serem retratados em várias fontes, é debatida e contestada por historiadores modernos.
   A lenda do rei Artur ganha interesse através da popularidade do livro de Geoffrey Monmouth "Historia Regum Britanniae" (História dos Reis Britânicos) embora, o seu nome, tenha surgido em poemas e contos de Gales e da Bretanha, publicados antes deste livro. Neles, Artur surge com um grande guerreiro que defende a Bretanha dos homens e inimigos sobrenaturais e, portanto, associado com o Outro Mundo. No livro de Monmouth, mais baseado nos antigos do que inventado por ele, não existindo uma versão comprovada de veracidade do texto, os acontecimentos nele narrados são frequentemente usados como ponto de partida para as histórias posteriores. Geoffrey descreve o rei Artur como sendo um rei da Bretanha  que venceu os Saxões e estabeleceu um Império composto pela Bretanha, Irlanda, Islândia e Noruega.
   Na realidade muitos elementos e acontecimentos que fazem parte da história de Artur aparecem no livro de Geoffrey, incluindo Uther Pendragon, pai de Artur, o mágico Merlin, a espada Excalibur, o nascimento de Artur no castelo de Tintagel, Camelot, a sua batalha final em Camlann contra Mordred, e a ilha de Avalon. 
   A origem do rei Artur tem sido grandemente debatida pelos historiadores e estudiosos. Alguns acreditam que ele é baseado nalguma personagem histórica, provavelmente um chefe guerreiro da Bretanha que tenha vivido entre a Antiguidade Tardia e o inicio da Idade Média, donde terão sido criadas as lendas que hoje conhecemos. Outros acreditam que Artur é pura invenção mitológica, sem nenhuma relação com qualquer personagem real.
   O Artur histórico baseia-se em obras antigas como "Historia Brittonum" (História dos Bretões), escrito em Latim  por volta do ano 830 ou "Annales Cambriae" (Anais da Câmbria), escritos algures no século X, que relatam acontecimentos históricos ocorridos na Bretanha. Artur é apresentado como figura real, um líder romano-bretão (existiu um comandante romano que comandava os Sármatas na Bretanha no século II) que luta contra a invasão da Bretanha pelos Anglo-Saxões, situando a sua existência entre o final do século V e início do século VI. No entanto, ambas as obras tem sido postas em dúvida por estudos recentes que questionam a sua utilidade e  independência como fontes históricas. 
   Já o Artur mitológico terá vivido na Bretagne uma região da actual França, mais exactamente na região de Carnac e a sua história terá tido inicio no século V, quando Honório, imperador Romano mandou retirar as legiões e respectiva população romana da província da Bretagne, apenas as legiões situadas junto da Muralha de Adriano continuaram a cumprir o seu dever defendendo-a dos Pictos do norte e dos irlandeses que a atacavam constantemente. Inconformado com esta situação, Voltigern, um rei Picto pede ajuda aos Saxões do continente para tentar resolver esta situação. 
   Em finas do século V, Ambrosius Aurelianus, um romano da Bretanha, consegue derrotar os Saxões na famosa batalha de Mons Badicus e a situação acalma durante algumas décadas. Mas rápidamente a situação inverte-se e após uma série de batalhas, os reinos celtas da Bretanha ficam reduzidos à Cornualha e a Gales. No século VIII, Nennius, um Bretão, fala dos feitos de um comandante militar de nome Artur, que teria vencido 12 batalhas contra os Saxões. Mas, segundo os historiadores, Nennius tinha uma tendência de preencher lacunas com factos por ele inventados. Ele poderia muito bem ter embelezado a narrativa conforme as necessidades. Não foi ele, no entanto, o primeiro a referir o nome de Artur, já que baladas galesas do século VII, falavam num rei aventureiro do norte da Bretanha, que enfrentava seres fantásticos e corrigia injustiças.
   Nos finais do século XII, Chrétien de Troyes, escritor francês, escreve contos sobre as aventuras do Rei Artur, Sir Lancelot, Guinevere, o Santo Graal, Percival, Gawain, etc. Ao apoiar-se nos mitos populares, deu-lhes o seu cunho pessoal  e iniciou o género de romance arturiano que se tornou numa importante vertente da literatura medieval. Artur e as suas personagens eram muito populares na época e as histórias a partir da Bretanha, tinham-se espalhado por outros países. Salientam-se aqui algumas obras pela importância que tiveram para o nascimento do mito: O ciclo da "Vulgata" francesa (também conhecida como Matéria da Bretanha), "Parzival" de Wolfram von Eschenbach, "La Mort d'Arthur" (A Morte de Artur) de Thomas Mallory; Alguns escrevem sobre todo o ciclo desde a morte de Jesus Cristo até à morte de Artur, criando uma narrativa de séculos; outros descrevem apenas episódios que acontecem a cavaleiros (Tristão e Isolda é um exemplo) ou integram episódios sem ligação inicial ( O Mito do Santo Graal, a Távola Redonda, Tintagel, etc.), incorporam novas personagens ( Galahad).
   O século XVII viu o interesse neste género de narrativa perder algum interesse, embora na ópera se continue a utilizar o tema. Já o romantismo do século XIX fez renascer o interesse pelo tema (inclusive autores americanos como  Mark Twain com o seu "Um Americano na Corte do Rei Artur" homenageiam o género). No século XX, autores como Stephen Lawhead ( O ciclo Pendragon), Bernard Cornwell (O ciclo de "As Crónicas do Senhor da Guerra") e principalmente Marion Zimmer Bradley, conceituada escritora da ficção científica, revolucionou o tema com "The Mists of Avalon" (As Brumas de Avalon) ou a "Saga de Avalon", completaram o trabalho mantendo vivo o interesse e, com a ajuda do cinema e da banda desenhada, permitiram que cada vez mais público tenha acesso ao tema.
   Sem fim à vista, toda a polémica sobre a existência ou não do Rei Artur, continua bem viva: os historiadores, depois duma crítica ao mito, limitam-se a manter uma reserva sobre o assunto; os arqueólogos ( e estudiosos) preferem falar de um período sub-romano, definindo assim aquilo que poderia ser o período arturiano: os séculos V e VI. 
   Para nós, leitores e demais interessados, o que é que sobra, além das belas histórias? não sabemos se Artur existiu ou não, e não o podemos afirmar porque não existem relatos contemporâneos.
  

Nota: Todas as imagens que ilustram o texto foram retiradas da Internet.

   
   

sábado, 19 de março de 2011

O Western: Origem e Mito

   O Western é, talvez, o género  mais conhecido do mundo. É aquele género que facilmente encontramos em filmes, televisão, literatura e em outras formas de arte como a pintura por exemplo. Os westerns contam-nos histórias do velho oeste americano passadas, maioritáriamente, na segunda metade do século XIX, embora houvesse westerns, cuja acção decorria entre a Batalha do Álamo (1836) e o fim da Guerra Civil Americana (1865), outros há, cuja acção decorre nos dias de hoje, em que as personagens são inspiradas nas chamadas "personagem-tipo"do western.
   A palavra "western"significa ocidental e refere-se à fronteira do Oeste Norte-Americano aquando da colonização do continente. Também conhecida como "Far West", é daqui que provém a expressão "faroeste" que se tornou popular em muitos países antes de ficar conhecido simplesmente como western.
   Os westerns, geralmente, retratavam modos de vida primitivos  confrontados com tecnologia moderna ou mudanças sociais. Os confrontos entre os nativos (índios) e os colonos que vinham ocupar as terras, entre criadores de gado e os agricultores ou ainda os rancheiros sentirem-se ameaçados com o advento da Revolução Industrial, são apenas alguns exemplos retratados nesse género.
   Os westerns produzidos nas décadas de 40 e 50 do século passado, davam enfâse aos valores de honra e sacrifício enquanto nas décadas de 60 e 70 esses valores foram substítuidos por uma visão mais pessimista, glorificando o anti-héroi rebelde, evidenciando o cinismo, a brutalidade e a falta de qualidade do Oeste Americano. Apesar de estarem fortemente ligados a períodos específicos da História Americana, estas temáticas permitiram que os westerns fossem produzidos e apreciados em todo o mundo.
   O género, muitas vezes, mostrava a conquista de zonas selvagens ou confiscação de direitos territoriais aos seus donos originais e a subordinação da natureza na fronteira em nome da civilização. O western move-se dentro duma sociedade organizada à volta de códigos de honra  e justiça pessoal, privada ou directa. A percepção popular do western  é a de uma história que se centra na vida de um vagabundo semi nómada, habitualmente um cowboy ou um pistoleiro. Tais protagonistas foram, muitas vezes considerados os descendentes literários dos cavaleiros nómadas que percorriam a Europa em tempos mais antigos e tal como estes salvavam donzelas em perigo, os cowboys  também o faziam. Similarmente, os protagonistas destas vidas nómadas partilhavam muitas características com a imagem do "Ronin" na cultura Japonesa.
   Pode-se considerar  "The Virginian" escrito por Owen Wister em 1902, o primeiro romance Americano deste género, mas já em 1826, James Fenimore Cooper com o seu "Last of the Mohicans" (O Último dos Moicanos) um romance histórico, dera o seu  contributo para a compreensão das lutas entre tribos indias e a colonização da Fronteira Americana. Até na Europa, particularmente na Inglaterra onde Arthur Conan Doyle, no primeiro romance de Sherlock Holmes "A Study in Scarlet" (Um Estudo em Escarlate) de 1887, na segunda parte deste, ele descreve a vida dos Mórmons no continente Norte-Americano usando todos os elementos de um conto do Oeste em finais do séc.XIX. O westerna já existia, portanto, antes do advento do cinema consagrado num género distinto de todos (como viriam a ser os seus filmes) onde autores como Zane Grey, Elmore Leonard ou Louis L'Amour, entre outros, deram o seu contributo definitivo.
Justus D.Barnes em "the Great Train Robbery" de 1903
   No cinema, o western deu os seus primeiros passos em 1903 com o filme "The Great Train Robbery" realizado por Edwin S.Porter. Tratava-se de um filme mudo mas que granjeou muita popularidade entre o público. Em 1914 "The Squaw Man" de Cecil B.DeMille tornava-se na primeira longa-metragem rodada em Hollywood. Nesse mesmo ano, DeMille transpunha para o écran a obra pioneira do género, "The Virginian" onde colaborou com o autor Owen Wister na elaboração do argumento. O género foi sofrendo uma evolução constante perante a crescente popularidade da fórmula. Em 1923 James Cruze realiza o primeiro western épico, "The Covered Wagon", sobre uma longa viagem pelos territórios selvagens até á Califórnia. No ano seguinte, John Ford com "The Iron Horse", sobre a construção dos caminhos de ferro, obteria um enorme sucesso que o iria definir como um dos nomes maiores do género.
   Durante a década seguinte, os estúdios chegavam a produzir mais de uma centena de westerns por ano, ainda que a maior parte deles fosse de série B, o género manteve-se sempre em alta junto do público.  Passou a utilizar-se a película de 70 milímetros que permitia englobar toda a paisagem da fronteira ocidental; John Wayne foi revelado ao público, tornando-se num verdadeiro ícone do western, e cuja participação em dezenas de westerns, lhe valeriam a alcunha de "O Duke"; em 1931 "Cimarron" de Wesley Ruggles recebia o Óscar para Melhor Filme do Ano e seria, durante anos, o único filme deste género  a receber tal distinção.
John Ford no cenário de muitos dos seus westerns
   A idade de ouro do western, durante as décadas de 40 e 50 do século passado, teve como expoente máximo o trabalho de dois realizadores: o já citado John Ford que com "Stegecoach" (Cavalgada Heróica) de 1939, considerado como um dos melhores westerns de sempre e "My Darling Clementine" (A Paixão dos Fortes) de 1946, onde, de forma brilhante, conta a história de Wyatt Earp e Doc Holliday e do famoso tiroteio de Ok Curral - personagens e episódio verídicos e que se tornaram mitológicos na História Norte-Americana, mas foi com "The Searchers" (A Desaparecida) de 1956, onde passou em revista todos os temas do género que o seu nome se tornou incontornável na história do cinema; o outro é Howard Hawks, onde, só, os filmes "Red River" (Rio Vermelho) de 1948 ou o mítico "Rio Bravo" (Rio Bravo) de 1959, lhe garantem um lugar no Olimpo do género.
John Wayne um dos ícones do western
   A década de 60 trouxe a revisão da matéria dada e questionou muitos dos temas e caracteristícas próprias do género. Assim, os índios, afinal não eram tão maus como os retratavam (John Ford que, em "Stagecoach retratara os indios como maus, antecipa-se e, com o seu último western "Cheyenne Autum"em 1964 homenageia-os como as grandes vítimas que tinham sido ao longo do período áureo do género), o bom não era tão bom como aparentava ser e o mau não era tão mau. As audiências, fruto da década de mudanças que se atravessava, começaram a exigir  histórias mais complexas que não se limitassem ao duelo do bom contra o mau. Foi para responder a estas questões que surgiram "The Man who shot Liberty Valance" (o Homem que matou Liberty Valance") de John Ford ou "Little big man" (o Pequeno grande homem) de Arthur Penn. Mas percebia-se que o género estava em declínio, apesar desse grande clássico Americano que é "The Wild Bunch" (A Quadrilha Selvagem) de 1969 em que um grupo de foras-da-lei percebe que os seus dias estão contados e resolvem teminar a sua existência em  glória.
   Durante as décadas de 60 e 70, deu-se um certo revivalismo do género com os chamados "western-spaghetti", obras de baixo orçamento, produzidas por Italianos e filmadas em Espanha e Itália e que se caracterizavam por uma violência extrema, muita acção e algum melodrama tão ao gosto popular. Não há um herói no sentido clássico (leal e de inequívoca moral). O que temos é um "herói ao contrário" ou um anti-herói, o "Homem sem Nome", um mercenário, violento e de baixa moral. Além disso, o agente da lei é corrupto e os protagonistas não se envolvem em romances. O expoente máximo deste revivalismo foi o realizador Sergio Leone com a sua famosa "Trilogia dos Dólares" (Por um Punhado de Dólares em 1964, Por mais alguns Dólares em 1965 e O Bom, O Mau e o Vilão em 1966) que fez de Clint Eastwood uma vedeta e outro dos nomes indissociáveis do género, ou "Once Upon a Time in the West" (Aconteceu no Oeste) de 1968, que, além de homenagear todas as temáticas do género, ainda destacou o papel feminino dentro do western (Claudia Cardinale num dos seus mais importantes papéis no cinema). Além de Eastwood, outros actores como Lee Van Cleef,  James Coburn, Klaus Kinski, Franco Nero, Giuliano Gemma, Terence Hill, Bud Spencer ou até mesmo Henry Fonda foram presenças que garantiram o sucesso deste sub-género do western.
   As décadas finais do século XX, viram o género sub-desenvolver-se novamente no chamado "Western pos-apocaliptíco" no qual se retrata uma sociedade futura que tenta sobreviver depois de uma qualquer catástrofe social ou ecológica, num ambiente desolador que lembra muito a fronteira do Oeste Americano do século XIX. Filmes como "The Postman" (O Mensageiro) de 1997 ou os filmes "Mad Max" (As Motos da Morte) de 1979, ou "Mad Max II" (O Guerreiro da Estrada) de 1981 são bons exemplos disso.
   Caberia a  Clint Eastwood com o seu magnifico "Unforgiven" (Imperdoável) de 1992, fechar a porta do género. Utilizando novamente os elementos típicos do western, subverte as reacções e o comportamento das personagens que, em vez da dureza habitual, gritam, choram, lamentam-se e imploram misericórdia; em vez de aparecer um herói que vem salvar o dia, surge apenas a vingança, nua e crua, de alguém que não espera qualquer tipo de redenção; onde, em vez do "happy ending"habitual, vemos um pôr-do-sol e alguém recolhido em frente a uma campa em silêncio fechando-se assim  o mais querido género de cinema do mundo.
O Fim?
   Seja como for, o género ainda não morreu e continua  a ser revisitado quer pelo cinema, quer pela literatura e até mesmo pela televisão, sempre com boas referências e enquanto assim for, podemos sempre fazer como "Lucky Luke" faz na banda desenhada, álbum após álbum, cavalgar em direcção ao pôr-do-sol e esperar pelo próximo western.


Nota: Todas as imagens que ilustram o texto foram retiradas da Internet
   
   

sexta-feira, 11 de março de 2011

O Rock Progressivo na história da Música

   Rock Progressivo (também conhecido por  prog rock ou simplesmente prog), é um género de rock surgido no final da década de 60 do século passado, em Inglaterra. Muito popular durante a década de 70, ainda hoje, em pleno século XXI, tem muitos adeptos.
   Influenciado pela música clássica e jazz de fusão, o género foi  ganhando espaço na cena musical, dando origem a diversos sub-géneros como o rock sinfónico, space rock, krautrock ou mais recentemente o metal progressivo.
   As suas caracteristícas mais marcantes são:
   - Composições longas, com melodias complexas, aproximando-se muitas vezes da música erudita. Temas com 20 ou mais minutos, por vezes até utilizando o tempo de um álbum inteiro, são temas chamados épicos;
   - "Suites" musicais, ou seja divisão de um tema, ao estilo de música erudita, em duas ou mais partes como por exemplo "Close to the Edge" ou "And you and I" dos Yes que são divididas em quatro partes;
   - Composições feitas de várias peças, tipo "manta de retalhos", um bom exemplo é "Supper's Ready" de Genesis;
   - Composições feitas de variações ou progressões ao estilo do "Bolero" de Ravel, um bom exemplo é precisamente "Abbadon's Bolero" de Emerson Lake & Palmer;
   - Letras que abordam temas como ficção científica, fantástico, religião, guerra, amor, loucura ou até a própria história, embora muitos álbuns, principalmente durante a década de 70, fossem apenas instrumentais;
   - Álbuns conceptuais ( ou concept album) onde o tema ou a história é abordado ao longo de todo o álbum, tornando-se numa ópera-rock se se seguir uma história, neste último caso incluem-e os álbuns "The Lamb Lies down on Broadway " de Genesis em 1974 ou "Tales from Topographic Oceans" de Yes em 1973, entre muitos outros;
   - Capas com grafismos muito atractivos ao olhar e muito completas, cujo melhor exemplo são as capas feitas por Roger Dean, um mestre no que toca a ilustração, para quase todos os álbuns de "Yes" e mais recentemente para "Asia";
   - Utilização de instrumentos electrónicos, particularmente sintetizadores adicionados aos instrumentos habituais de rock (guitarra, baixo e bateria). A constante procura de nova sonoridades conseguidas através de sintetizadores e depois misturadas em estúdio é quase uma obsessão dos músicos e também admiradores, sempre em busca da perfeição sonora;
   - Inclusão de peças clássicas nos seus concertos. Casos de Yes, Emerson Lake & Palmer, Marillion entre outros.
   O rock progressivo nasceu, como já disse, nos finais da década de 60, influenciado por vários géneros musicais. Já os Beatles, na sua fase psicadélica, começaram a misturar o rock tradicional com instrumentos de música clássica. Também os primeiros trabalhos de Pink Floyd ou Frank Zappa já mostravam alguns elementos do género. O psicadelismo desse final de década continuou num constante experimentalismo e introduziram-se as peças longas sem, no entanto, tanto tratamento quanto á estrutura da obra.


Uma das obras-primas do Rock Progressivo
   O género ganhou adeptos quando, no final da década de 60, os adeptos do "Flower Power" sentindo-se desiludidos com os caminhos que o movimento traçara, se deixam encantar por temas mais complexos e obscuros que os convidam a outro tipo de reflexão. Rápidamente, se espalha pela Europa fora chegando ao Japão onde, por exemplo, Stomu Yamashta, conceituado músico no seu país, veio ao ocidente gravar entre 1976 e 1977 o projecto "Go", uma série de álbuns com músicos europeus. Na Alemanha Tangerine Dream e Kraftwerk davam origem ao "Krautrock", dinamizando a utilização de sintetizadores e introduzindo efeitos sonoros em temas e álbuns geralmente instrumentais, enquanto na Grécia os "Aphrodite's Child" de Vangelis e Demis Roussos davam os primeiros passos no Rock Progressivo. Até em Portugal o género acolheu adeptos em grupos como "Tantra" ou em artistas como José Cid, cujo álbum "10.000 depois entre Vénus e Marte" de 1978 é considerado uma obra-prima e está no top 100 dos melhores álbuns do género.
   Atingido o auge durante a década de 70,  grupos como Pink Floyd, Yes, Genesis, Emerson Lake & Palmer, Jethro Tull, etc. estavam constantemente nos tops de Inglaterra e dos Estados Unidos, viria a seguir-se o inevitável declinio.
   No final da década de 70 dá-se o advento do Punk, que opera uma mudança quase radical na cena musical Europeia, o gosto do público e da crítica volta-se agora para o estilo mais simples e agressivo deste género, levando a que os grupos progressivos fossem considerados pretensiosos e exagerados e alguns se extinguissem mesmo.
   Na década de 80 nova investida do género, desta vez sob a forma do sub-género neoprogressivo, em que os "Marillion"  e  "Asia" foram os percursores. Amplamente inspirados pelo rock progressivo, mas contendo igualmente elementos da "New Wave" é caracterizado ainda por um enorme dinamismo musical onde se incluem solos de guitarra e também de teclados. Alguns grupos fieis ao rock progressivo, mudam a sua orientação sonora, simplificando as composições (as longas suites são reduzidas para temas mais acessiveis), de modo a poderem incluir novas texturas electrónicas como a percussão.
   Durante a segunda metade da década de 80, surge a chamada terceira vaga de rock progressivo que se chama "Metal Progressivo" e que se mantém até hoje. O melhor exemplo desta nova vaga são os "Dream Theater".
   Comercialmente bem sucedido, este género une vários estilos desde rock progressivo até  heavy metal, trazendo para o género uma maior técnica, resultado duma grande aprendizagem e a capacidade renovada de explorar temas longos e fazer álbuns conceptuais tendo à disposição uma tecnologia moderna e em constante evolução. Mas o saber, esse vem dos primórdios da música  e é grande a sua influência nos grupos de hoje.


Nota: Todas as imagens que ilustram o texto foram retiradas da Internet
  






sábado, 5 de março de 2011

As Viagens no Tempo na Ficção

   Viagem no Tempo é o conceito de nos movermos entre diferentes pontos no tempo, mas de uma maneira análoga àquela em que nos movemos entre diferentes pontos no espaço, quer ao enviarmos algum objecto para trás no tempo, ou para a frente do presente para o futuro sem a necessidade de estar presente no período intermédio.
   Apesar de ter sido apenas no século XIX que as viagens no tempo ganharam alguma notariedade com a publicação, em 1895, do livro "The Time Machine" (A Máquina do Tempo) escrito por H.G.Wells, sabe-se que outros trabalhos escritos em épocas anteriores já incluiam elementos  que sugeriam a possibilidade de se viajar no tempo. Folclore e mitos da antiguidade, por vezes, incluiam algo que tinha a ver com o viajar para o futuro; por exemplo, na Mitologia Hindú, "O Mahabharata" (circa 700 a.C.), fala no Rei Revaita, que viaja até ao céu para conhecer o seu criador Brahma e fica chocado quando se apercebe que muitos anos se passaram quando regressa à Terra; outra das histórias antigas que involve viagens ao futuro é o conto Japonês  de Urashima Tarõ, descrita no "Nihongi"(720 d.C.), em que um jovem pescador chamado Urashima Taro visita um palácio subaquático onde fica três dias. Quando regressa á sua vila, descobre que se passaram cerca de 3000 anos, a sua casa está  em ruínas, a sua familia morreu hà muitos anos e ninguém se lembra dele; mais recentemente, em 1819, Washington Irving escreveu a história de Rip Van Winkle em que mexe nos mesmos conceitos do conto japonês. Rip Van Winkle quando acorda duma soneca, descobre que está 20 anos á frente da sua época, foi esquecido pelos seus pares, a mulher faleceu e a sua filha já é mulher adulta.
   Mais moderna parece ser a ideia da viagem de regresso ao passado, mas a sua origem também é um pouco ambígua. Aqui, uma das primeiras histórias a abordar o tema é "Memoirs of the Twentieth Century" escrita por volta de 1733 onde, através  de cartas escritas entre 1997 e 1998, vários embaixadores de vários países descrevem ao Ministro dos Negócios Estrangeiros Britânico as condições de vida naquela era.
   Charles Dickens, em 1843, publicou aquela que é uma das primeiras obras contemporâneas a abordar as viagens no tempo. Em "A Christmas Carol" (Um Conto de Natal), a personagem principal, Ebenezer Scrooge é transportada aos natais do seu passado, presente e no futuro. Estas são consideradas meras visões fugazes e não viagens no tempo, porque a personagem não chega a interagir com eles; em 1889, Mark Twain e o seu "A Connecticut Yankee in King Arthur's Court" (Um Americano na Corte do Rei Arthur) ajudou a cimentar a ideia de viagem ao passado, já que o seu protagonista, depois de uma luta, vê-se transportado para o tempo de Rei Arthur e onde, pela primeira vez, a história é alterada devido ás acções do viajante do tempo (este termo tornar-se-á popular através da obra de H.G.Wells).
   As viagens no tempo podem ser o tema central de um livro, ou podem simplesmente ser um instrumento do enredo para alcançar a imaginação do público. Ambas as ideias estão bem patentes em  "A Máquina do Tempo", a obra que ainda hoje, mais de um século depois da sua publicação, ainda encanta o público das mais diversas idades.
   Os mais variados temas de viagens no tempo têm sido recorrentes nas histórias de ficção cientifica, com muita imaginação de modo a torná-las mais interessantes. Eis alguns exemplos:
- Aquelas em que o viajante do tempo (insisto no termo por ser o que melhor se aplica a este efeito) altera o curso da história, quer seja para o bem ou para o mal, por vezes acidentalmente, recorrendo a ajuda tecnológica do seu tempo. Em "Lest Darkness Fall"( A Luz e as Trevas)  de L.Sprague de Camp é o que acontece.
- Aquelas histórias em que o viajante do tempo vem dum futuro obscuro até ao presente para tentar resolver o problema de modo a que este influencie totalmente o futuro. Estas histórias podem aplicar-se a um ou a vários personagens até a uma sociedade em geral. Os filmes e os livros da série "Terminator" (Exterminador Implacável) são disso o melhor exemplo.
 - Finalmente as histórias em que o viajante do tempo altera os acontecimentos acidentalmente porque  apenas quer observar o passado, ou é para lá enviado contra sua vontade e tenta regressar ao seu tempo, mas pode acontecer que as suas acções alterem a história do que se vai passar. A série cinematográfica "Back to the Future" (Regresso ao Futuro) brinca com este último conceito.
   As viagens no tempo têm também uma função ideológica porque literalmente providenciam o necessário afastamento que a ficção cientifica precisa para poder aludir aos temas e assuntos que dizem respeito ás pessoas no presente.
   A Ficção Centifíca é, na sua essência, um tipo de Viagem no Tempo. Os acontecimentos dão-se num passado alterado, num tempo presente transformado ou num futuro próximo, transportando o leitor ou o espectador para outro tempo, outro local, dimensão ou mundo. Quando a ficção cientifica viaja, sabemos que estamos no seu dominio porque somos confrontados com uma narrativa dinâmica necessária para o género.


Nota: Todas as imagens que ilustram o texto foram retiradas da Internet
  

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Os Oscares

   Anualmente, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (AMPAS), reconhece a excelência dos seus profissionais através da entrega de um prémio vulgarmente conhecido como Oscar.
   A cerimónia em que os prémios são entregues é das mais proeminentes nos media e é também das mais antigas em todo o mundo. As  suas equivalentes para a televisão  (Emmys), para o teatro (Tony) e para a música (Grammy) são baseadas na da Academia. A própria Academia de Artes e Ciências Cinematográficas foi criada por Louis B. Mayer,  patrão dos Estúdios Metro-Goldwyn-Mayer.
   Apesar de haver diversos tipos de prémios anualmente entregues pela Academia, dos quais se destacam o Irving G. Thalberg, o prémio humanitário Jean Hersholt, o prémio  Gordon E.Sawyer, entre outros, o Oscar é o mais conhecido de todos. Feito numa liga de metal com um banho de ouro e assente numa base metálica preta, mede 34 centímetros,  pesa 3,85 kgs e representa  um cavaleiro, a segurar uma espada de cruzado, em cima duma bobina de filme com cinco raios, representando os cinco principais ramos da Academia: Actores, Argumentistas, Realizadores, Produtores e Técnicos.
   A origem do nome dado ao prémio é ainda incerta. Um biógrafo de Bette Davis afirma que foi ela, em homenagem ao então seu primeiro marido, Harmon Oscar Nelson, quando o recebeu em 1936. Existem também registos anteriores, nomeadamente de Walt Disney quando, em 1932, foi receptor de um Oscar. A mais consensual história do nome do prémio vem de 1931 quando Margaret Herrick, Secretária Executiva de Louis B. Mayer, viu a estatueta e comentou que era parecida com "o seu tio Oscar". Seja qual for a origem, a verdade é que o nome pegou, como referiu na altura um colunista que estava presente quando Herrick pronunciou aquelas palavras, o nome foi oficialmente adoptado para Oscar, pela Academia, em 1939.
   Mais de 60 anos depois da Cerimónia ter lugar em meados de Março, a partir de 2004,  passou a ter lugar em finais de Fevereiro, sendo que as nomeações são apresentadas em finais de Janeiro e nelas só podem estar filmes que tenham estreado no Condado de Los Angeles, Califórnia, entre 1 de Janeiro e 31 de Dezembro do ano anteriror. os filmes são então submetidos ao processo de candidatura, no qual t~em de obedecer a certos trâmites legais (como ter um minimo de 40 minutos de duração, terem sido filmados em écran de 35 e/ou 70 mm, apresentarem uma velocidade de 24 e/ou 48 fotogramas/segundo, entre outras coisas relevantes) sob pena de, caso não estejam de acordo, serem desconsiderados e impedidos de ser nomeados em qualquer ano.
   Os candidatos são então votados pelos mais de 6000 membros da Academia nas respectivas categorias (Actores votam nos actores, argumentistas votam nos argumentistas, realizadores nos realizadores, etc.) determinando assim os nomeados em cada categoria. Para Melhor Filme, todos os membros podem apresentar candidatos. Os vencedores são então determinados numa segunda votação, na qual todos os membros podem votar a maior parte das categorias, incluindo a de Melhor Filme do Ano. No total são entregues anualmente quase 50 Oscares.
   A cerimónia, calcula-se, é vista por mais de 40 milhões de americanos e transmitada em directo para mais de 200 países no mundo inteiro onde outros tantos milhões de espectadores assistem.


Nota: Todas as imagens que ilustram o texto foram retiradas da Internet
  
  
  

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Isaac Asimov


   Considerado um dos "três grandes da Ficção Cientifica" juntamente com Arthur C. Clarke e Robert A. Heinlein, Isaac Asimov, se fosse vivo, teria 91 anos e a "Fundação", a sua obra mais famosa, faz uns respeitáveis 60 anos.
   A série conta-nos a história de Hari Seldon, matemático que, ao longo de toda a sua vida, se dedica ao estudo e desenvolvimento da Psico-História, um misto de Sociologia e Matemática que, utilizando equações matemáticas complexas, consegue prever o futuro em larga escala. Utilizando esta ciência, Seldon prevê a queda  eminente do Império Galáctico (constituido por mais de 40 milhões de planetas, dos quais Trantor é a capital), seguindo-se um período de barbárie de 30.000 anos antes que um Segundo grande Império surja. A Psico-História também prevê uma alternativa em que o período negro é reduzido para apenas 1000 anos. Para que o conhecimento científico não se perca durante o período das trevas, Seldon tem a ideia de criar duas Fundações em locais opostos da galáxia.
   A série é mais conhecida como "A Trilogia da Fundação", que inclui os livros "Foundation"(Fundação), "Foundation and Empire" (Fundação e Império) e "Second Foundation" (Segunda Fundação). O termo "Série Fundação"é mais usado se quisermos incluir a série "Robots" e   a  série "Império", que se passam no mesmo universo, mas em épocas diferentes. No total são quinze volumes e dezenas de pequenas histórias.
   "Fundação" era originalmente uma série de oito contos publicados na "Astounding "Magazine" entre Maio de 1942 e Janeiro de 1950 e, segundo Asimov, a premisa é baseada em ideias retiradas do livro de Edward Gibbon "History of the Decline and Fall of  the Roman Empire" (História do Declinío e Queda do Império Romano), mas também tem reminiscências biblícas (a aparição do Mula é disso o melhor exemplo) e foi sendo inventada espontâneamente numa tentativa para conhecer o grande editor John W.Campbell.
   As quatro primeiras histórias, juntamente com uma nova que se passava antes das outras quatro, foram publicadas num único volume, em 1951, intitulado "Foundation" (Fundação). As restantes foram publicadas aos pares, respectivamente em "Foundation and Empire" (Fundação e Império) em 1952 e "Second Foundation" (Segunda Fundação) em 1953, resultando na chamada "Trilogia da Fundação" e foi com esta designação que a série foi conhecida durante décadas e também com a qual ganhou, em 1966, o prémio Hugo (espécie de Oscar para a literatura) de "Melhor Série de Todos os Tempos".
   Em 1981, depois de anos a negar, mas pressionado pelos seus editores, Asimov volta ao universo da fundação e escreve um quarto volume intitulado "Foundation's Edge" ( Para Além da Fundação) editado em 1982 e que ganharia os prémios Hugo e Nébula para melhor Livro do Ano. Quatro anos depois surgiu "Foundation and Earth" (Fundação e Terra), seguido dois anos depois, em 1988, pela primeira das prequelas que escreveu para a série, "Prelude to Foundation" (Prelúdio à Fundação) foi um enorme sucesso de vendas o que o encorajou a continuar a série.
   Em 1993, após a morte de Isaac Asimov (ocorrida em Abril de 1992), "Forward the Foundation" ( Memória para um Império Futuro), a segunda sequela de "A Fundação", foi editada e recebida com grande pesar pela comunidade cientifica, mais por ter sido o último livro escrito por Asimov, do que pertencer á série que o tornou famoso e um dos maiores escritores de todos os tempos.
   Depois da morte do escritor, Janet Asimov e os seus Herdeiros, autorizaram a publicação de  novas histórias de "A Fundação" e que acabaram por resultar no que se chamou "A Trilogia da Segunda Fundação" escrita por três autores distintos mas todos apreciadores da obra de Asimov: "Foundation's Fear" (Fundação: O Medo ), escrita por Gregory Benford que, cronologicamente, se situa entre os dois primeiros capítulos  de "Memória para um Império Futuro"; "Foundation and Chaos" (Fundação: O Caos) escrita por Greg Bear e que se passa no mesmo período que o primeiro capítulo de "A Fundação"; "Foundation's Triumph" (Fundação: O Triunfo), escrita por David Brin cuja acção se passa logo a seguir à gravação das memórias holográficas para a Fundação e ata pequenas pontas soltas.
   No epilogo do terceiro volume da Trilogia da Segunda Fundação, David Brin diz que a história da Fundação ainda não está terminada e deixa entreaberta uma porta para outros possíveis livros...se virão a existir ou não, só o tempo o dirá.


Nota: Todas as imagens que ilustram o texto foram retiradas da Internet

sábado, 19 de fevereiro de 2011

O Cálice Sagrado no Tempo

   Em 2003 o livro "O Código DaVinci" do escritor Norte-Americano Dan Brown veio relançar uma discussão que já em 1982 um outro livro, intitulado "O Sangue de Cristo e o Santo Graal" dos autores Michael Baigent, Richard Leigh e Henry Lincoln", havia iniciado, em torno do Santo Graal. Mas o que é isto do Santo Graal e qual a a sua importância na cultura em geral?
   O Santo Graal é considerado um objecto sagrado,  representa os mais altos ideais espirituais,  surge relacionado com alguma literatura e tradição Cristã e é habitualmente identificado como sendo uma taça ou cálice que teria sido usada por Jesus Cristo na Última Ceia e, diz-se, possui poderes milagrosos. Terá sido também  usado Por José de Arimateia para recolher o suor e sangue de Cristo enquanto este morria na cruz. Após a Ressurreição,  Jesus diz a José ou aos seus descendentes que levem o Cálice para o ocidente, até aos vales de Avalon na Bretanha, onde o seu rasto se perde durante séculos.
   O símbolo de um Cálice terá aparecido pela primeira vez por volta de 1190 em "El Conte del Graal" (História do Graal) do poeta Chrétien de Troyes, onde Parsifal, enquanto janta no castelo do Rei Pescador que está ferido na coxa, vê entrar um rapaz carregando uma lança ensanguentada, seguido por uma linda jovem que traz consigo um cálice muito brilhante que passa de mão em mão á volta da mesa. Como Parsifal não diz nada sobre o significado daqueles objectos, no dia seguinte acorda abandonado e mais tarde percebe que, se tivesse feito as perguntas correctas sobre o que viu, teria curado a ferida do seu anfitrião  e ganho honrarias com esse feito. O significado do poema inacabado de Troyes continua, ainda hoje, por explicar, mas outras interpretações do Cálice se seguiram, sempre num contexto Cristão.
   Por volta de 1200, Robert de Boron na obra "Joseph d'Arimathie" (José de Arimateia), o Cálice assume a designação de Cálice Sagrado e é descrito na forma que hoje tem. Nesta obra, Boron descreve a viagem do Cálice para o ocidente efectuada pelos descendentes de José de Arimateia e a fundação duma dinastia de guardadores do Cálice Sagrado, nos quais eventualmente se incluirá Parsifal.
   Daqui para a frente a literatura sobre o Cálice divide-se em duas classes, ambas importantes para os estudiosos: a primeira classe diz respeito à Matéria da Bretanha e inclui a lenda do Rei Arthur e a Demanda dos seus cavaleiros em busca do Cálice Sagrado e é a mais importante e a mais estudada; a segunda classe diz respeito à história do Cálice Sagrado no tempo de "José de Arimateia".
   Da primeira classe fazem parte "Perceval" de Chrétien de Troyes; "Parzival" de Wolfram von Eschenbach; "La Mort d'Arthur" de Thomas Mallory, sendo este último o mais conhecido e lido romance da Matéria da Bretanha.
   A história do Cálice sagrado e da sua Demanda tornou-se muito popular no século XIX. A literatura  popularizou-a com o Ciclo Arturiano "Idylls of the King" de Alfred Tennyson e a música tornou-a universal com a derradeira ópera  de Richard Wagner "Parsifal".

   Já no século XX, foi a vez do cinema se deixar encantar com o tema. A sua estreia deu-se com  "The Light of Faith" em 1922 e depois foram vários os filmes que focaram o tema como "The Silver Chalice" em 1954; "Lancelot du Lac" em 1974; "Monthy Python and the Holy Grail" em 1975; "Excalibur" em 1981; "Indiana Jones and the Last Crusade"em 1989 ou "Fisher King" em 1991, são os exemplos mais marcantes desse encanto.
O Cáice Sagrado habitualmente identificado
   Seja como for, enquanto houver estudiosos que se debrucem sobre o tema e o estudem,  escritores que o utilizem como ponto de partida ou chegada nos seus romances, cineastas que o adaptem para o pequeno ou grande écran ou simples curiosos, o Cálice Sagrado ou Santo Graal nunca será esquecido.


Nota: Todas as imagens que ilustram o texto foram retiradas da Internet
         

                                                               Grease - Um fenómeno musical fora de tempo!          Alguém disse, um ...