sábado, 5 de março de 2011

As Viagens no Tempo na Ficção

   Viagem no Tempo é o conceito de nos movermos entre diferentes pontos no tempo, mas de uma maneira análoga àquela em que nos movemos entre diferentes pontos no espaço, quer ao enviarmos algum objecto para trás no tempo, ou para a frente do presente para o futuro sem a necessidade de estar presente no período intermédio.
   Apesar de ter sido apenas no século XIX que as viagens no tempo ganharam alguma notariedade com a publicação, em 1895, do livro "The Time Machine" (A Máquina do Tempo) escrito por H.G.Wells, sabe-se que outros trabalhos escritos em épocas anteriores já incluiam elementos  que sugeriam a possibilidade de se viajar no tempo. Folclore e mitos da antiguidade, por vezes, incluiam algo que tinha a ver com o viajar para o futuro; por exemplo, na Mitologia Hindú, "O Mahabharata" (circa 700 a.C.), fala no Rei Revaita, que viaja até ao céu para conhecer o seu criador Brahma e fica chocado quando se apercebe que muitos anos se passaram quando regressa à Terra; outra das histórias antigas que involve viagens ao futuro é o conto Japonês  de Urashima Tarõ, descrita no "Nihongi"(720 d.C.), em que um jovem pescador chamado Urashima Taro visita um palácio subaquático onde fica três dias. Quando regressa á sua vila, descobre que se passaram cerca de 3000 anos, a sua casa está  em ruínas, a sua familia morreu hà muitos anos e ninguém se lembra dele; mais recentemente, em 1819, Washington Irving escreveu a história de Rip Van Winkle em que mexe nos mesmos conceitos do conto japonês. Rip Van Winkle quando acorda duma soneca, descobre que está 20 anos á frente da sua época, foi esquecido pelos seus pares, a mulher faleceu e a sua filha já é mulher adulta.
   Mais moderna parece ser a ideia da viagem de regresso ao passado, mas a sua origem também é um pouco ambígua. Aqui, uma das primeiras histórias a abordar o tema é "Memoirs of the Twentieth Century" escrita por volta de 1733 onde, através  de cartas escritas entre 1997 e 1998, vários embaixadores de vários países descrevem ao Ministro dos Negócios Estrangeiros Britânico as condições de vida naquela era.
   Charles Dickens, em 1843, publicou aquela que é uma das primeiras obras contemporâneas a abordar as viagens no tempo. Em "A Christmas Carol" (Um Conto de Natal), a personagem principal, Ebenezer Scrooge é transportada aos natais do seu passado, presente e no futuro. Estas são consideradas meras visões fugazes e não viagens no tempo, porque a personagem não chega a interagir com eles; em 1889, Mark Twain e o seu "A Connecticut Yankee in King Arthur's Court" (Um Americano na Corte do Rei Arthur) ajudou a cimentar a ideia de viagem ao passado, já que o seu protagonista, depois de uma luta, vê-se transportado para o tempo de Rei Arthur e onde, pela primeira vez, a história é alterada devido ás acções do viajante do tempo (este termo tornar-se-á popular através da obra de H.G.Wells).
   As viagens no tempo podem ser o tema central de um livro, ou podem simplesmente ser um instrumento do enredo para alcançar a imaginação do público. Ambas as ideias estão bem patentes em  "A Máquina do Tempo", a obra que ainda hoje, mais de um século depois da sua publicação, ainda encanta o público das mais diversas idades.
   Os mais variados temas de viagens no tempo têm sido recorrentes nas histórias de ficção cientifica, com muita imaginação de modo a torná-las mais interessantes. Eis alguns exemplos:
- Aquelas em que o viajante do tempo (insisto no termo por ser o que melhor se aplica a este efeito) altera o curso da história, quer seja para o bem ou para o mal, por vezes acidentalmente, recorrendo a ajuda tecnológica do seu tempo. Em "Lest Darkness Fall"( A Luz e as Trevas)  de L.Sprague de Camp é o que acontece.
- Aquelas histórias em que o viajante do tempo vem dum futuro obscuro até ao presente para tentar resolver o problema de modo a que este influencie totalmente o futuro. Estas histórias podem aplicar-se a um ou a vários personagens até a uma sociedade em geral. Os filmes e os livros da série "Terminator" (Exterminador Implacável) são disso o melhor exemplo.
 - Finalmente as histórias em que o viajante do tempo altera os acontecimentos acidentalmente porque  apenas quer observar o passado, ou é para lá enviado contra sua vontade e tenta regressar ao seu tempo, mas pode acontecer que as suas acções alterem a história do que se vai passar. A série cinematográfica "Back to the Future" (Regresso ao Futuro) brinca com este último conceito.
   As viagens no tempo têm também uma função ideológica porque literalmente providenciam o necessário afastamento que a ficção cientifica precisa para poder aludir aos temas e assuntos que dizem respeito ás pessoas no presente.
   A Ficção Centifíca é, na sua essência, um tipo de Viagem no Tempo. Os acontecimentos dão-se num passado alterado, num tempo presente transformado ou num futuro próximo, transportando o leitor ou o espectador para outro tempo, outro local, dimensão ou mundo. Quando a ficção cientifica viaja, sabemos que estamos no seu dominio porque somos confrontados com uma narrativa dinâmica necessária para o género.


Nota: Todas as imagens que ilustram o texto foram retiradas da Internet
  

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Os Oscares

   Anualmente, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (AMPAS), reconhece a excelência dos seus profissionais através da entrega de um prémio vulgarmente conhecido como Oscar.
   A cerimónia em que os prémios são entregues é das mais proeminentes nos media e é também das mais antigas em todo o mundo. As  suas equivalentes para a televisão  (Emmys), para o teatro (Tony) e para a música (Grammy) são baseadas na da Academia. A própria Academia de Artes e Ciências Cinematográficas foi criada por Louis B. Mayer,  patrão dos Estúdios Metro-Goldwyn-Mayer.
   Apesar de haver diversos tipos de prémios anualmente entregues pela Academia, dos quais se destacam o Irving G. Thalberg, o prémio humanitário Jean Hersholt, o prémio  Gordon E.Sawyer, entre outros, o Oscar é o mais conhecido de todos. Feito numa liga de metal com um banho de ouro e assente numa base metálica preta, mede 34 centímetros,  pesa 3,85 kgs e representa  um cavaleiro, a segurar uma espada de cruzado, em cima duma bobina de filme com cinco raios, representando os cinco principais ramos da Academia: Actores, Argumentistas, Realizadores, Produtores e Técnicos.
   A origem do nome dado ao prémio é ainda incerta. Um biógrafo de Bette Davis afirma que foi ela, em homenagem ao então seu primeiro marido, Harmon Oscar Nelson, quando o recebeu em 1936. Existem também registos anteriores, nomeadamente de Walt Disney quando, em 1932, foi receptor de um Oscar. A mais consensual história do nome do prémio vem de 1931 quando Margaret Herrick, Secretária Executiva de Louis B. Mayer, viu a estatueta e comentou que era parecida com "o seu tio Oscar". Seja qual for a origem, a verdade é que o nome pegou, como referiu na altura um colunista que estava presente quando Herrick pronunciou aquelas palavras, o nome foi oficialmente adoptado para Oscar, pela Academia, em 1939.
   Mais de 60 anos depois da Cerimónia ter lugar em meados de Março, a partir de 2004,  passou a ter lugar em finais de Fevereiro, sendo que as nomeações são apresentadas em finais de Janeiro e nelas só podem estar filmes que tenham estreado no Condado de Los Angeles, Califórnia, entre 1 de Janeiro e 31 de Dezembro do ano anteriror. os filmes são então submetidos ao processo de candidatura, no qual t~em de obedecer a certos trâmites legais (como ter um minimo de 40 minutos de duração, terem sido filmados em écran de 35 e/ou 70 mm, apresentarem uma velocidade de 24 e/ou 48 fotogramas/segundo, entre outras coisas relevantes) sob pena de, caso não estejam de acordo, serem desconsiderados e impedidos de ser nomeados em qualquer ano.
   Os candidatos são então votados pelos mais de 6000 membros da Academia nas respectivas categorias (Actores votam nos actores, argumentistas votam nos argumentistas, realizadores nos realizadores, etc.) determinando assim os nomeados em cada categoria. Para Melhor Filme, todos os membros podem apresentar candidatos. Os vencedores são então determinados numa segunda votação, na qual todos os membros podem votar a maior parte das categorias, incluindo a de Melhor Filme do Ano. No total são entregues anualmente quase 50 Oscares.
   A cerimónia, calcula-se, é vista por mais de 40 milhões de americanos e transmitada em directo para mais de 200 países no mundo inteiro onde outros tantos milhões de espectadores assistem.


Nota: Todas as imagens que ilustram o texto foram retiradas da Internet
  
  
  

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Isaac Asimov


   Considerado um dos "três grandes da Ficção Cientifica" juntamente com Arthur C. Clarke e Robert A. Heinlein, Isaac Asimov, se fosse vivo, teria 91 anos e a "Fundação", a sua obra mais famosa, faz uns respeitáveis 60 anos.
   A série conta-nos a história de Hari Seldon, matemático que, ao longo de toda a sua vida, se dedica ao estudo e desenvolvimento da Psico-História, um misto de Sociologia e Matemática que, utilizando equações matemáticas complexas, consegue prever o futuro em larga escala. Utilizando esta ciência, Seldon prevê a queda  eminente do Império Galáctico (constituido por mais de 40 milhões de planetas, dos quais Trantor é a capital), seguindo-se um período de barbárie de 30.000 anos antes que um Segundo grande Império surja. A Psico-História também prevê uma alternativa em que o período negro é reduzido para apenas 1000 anos. Para que o conhecimento científico não se perca durante o período das trevas, Seldon tem a ideia de criar duas Fundações em locais opostos da galáxia.
   A série é mais conhecida como "A Trilogia da Fundação", que inclui os livros "Foundation"(Fundação), "Foundation and Empire" (Fundação e Império) e "Second Foundation" (Segunda Fundação). O termo "Série Fundação"é mais usado se quisermos incluir a série "Robots" e   a  série "Império", que se passam no mesmo universo, mas em épocas diferentes. No total são quinze volumes e dezenas de pequenas histórias.
   "Fundação" era originalmente uma série de oito contos publicados na "Astounding "Magazine" entre Maio de 1942 e Janeiro de 1950 e, segundo Asimov, a premisa é baseada em ideias retiradas do livro de Edward Gibbon "History of the Decline and Fall of  the Roman Empire" (História do Declinío e Queda do Império Romano), mas também tem reminiscências biblícas (a aparição do Mula é disso o melhor exemplo) e foi sendo inventada espontâneamente numa tentativa para conhecer o grande editor John W.Campbell.
   As quatro primeiras histórias, juntamente com uma nova que se passava antes das outras quatro, foram publicadas num único volume, em 1951, intitulado "Foundation" (Fundação). As restantes foram publicadas aos pares, respectivamente em "Foundation and Empire" (Fundação e Império) em 1952 e "Second Foundation" (Segunda Fundação) em 1953, resultando na chamada "Trilogia da Fundação" e foi com esta designação que a série foi conhecida durante décadas e também com a qual ganhou, em 1966, o prémio Hugo (espécie de Oscar para a literatura) de "Melhor Série de Todos os Tempos".
   Em 1981, depois de anos a negar, mas pressionado pelos seus editores, Asimov volta ao universo da fundação e escreve um quarto volume intitulado "Foundation's Edge" ( Para Além da Fundação) editado em 1982 e que ganharia os prémios Hugo e Nébula para melhor Livro do Ano. Quatro anos depois surgiu "Foundation and Earth" (Fundação e Terra), seguido dois anos depois, em 1988, pela primeira das prequelas que escreveu para a série, "Prelude to Foundation" (Prelúdio à Fundação) foi um enorme sucesso de vendas o que o encorajou a continuar a série.
   Em 1993, após a morte de Isaac Asimov (ocorrida em Abril de 1992), "Forward the Foundation" ( Memória para um Império Futuro), a segunda sequela de "A Fundação", foi editada e recebida com grande pesar pela comunidade cientifica, mais por ter sido o último livro escrito por Asimov, do que pertencer á série que o tornou famoso e um dos maiores escritores de todos os tempos.
   Depois da morte do escritor, Janet Asimov e os seus Herdeiros, autorizaram a publicação de  novas histórias de "A Fundação" e que acabaram por resultar no que se chamou "A Trilogia da Segunda Fundação" escrita por três autores distintos mas todos apreciadores da obra de Asimov: "Foundation's Fear" (Fundação: O Medo ), escrita por Gregory Benford que, cronologicamente, se situa entre os dois primeiros capítulos  de "Memória para um Império Futuro"; "Foundation and Chaos" (Fundação: O Caos) escrita por Greg Bear e que se passa no mesmo período que o primeiro capítulo de "A Fundação"; "Foundation's Triumph" (Fundação: O Triunfo), escrita por David Brin cuja acção se passa logo a seguir à gravação das memórias holográficas para a Fundação e ata pequenas pontas soltas.
   No epilogo do terceiro volume da Trilogia da Segunda Fundação, David Brin diz que a história da Fundação ainda não está terminada e deixa entreaberta uma porta para outros possíveis livros...se virão a existir ou não, só o tempo o dirá.


Nota: Todas as imagens que ilustram o texto foram retiradas da Internet

sábado, 19 de fevereiro de 2011

O Cálice Sagrado no Tempo

   Em 2003 o livro "O Código DaVinci" do escritor Norte-Americano Dan Brown veio relançar uma discussão que já em 1982 um outro livro, intitulado "O Sangue de Cristo e o Santo Graal" dos autores Michael Baigent, Richard Leigh e Henry Lincoln", havia iniciado, em torno do Santo Graal. Mas o que é isto do Santo Graal e qual a a sua importância na cultura em geral?
   O Santo Graal é considerado um objecto sagrado,  representa os mais altos ideais espirituais,  surge relacionado com alguma literatura e tradição Cristã e é habitualmente identificado como sendo uma taça ou cálice que teria sido usada por Jesus Cristo na Última Ceia e, diz-se, possui poderes milagrosos. Terá sido também  usado Por José de Arimateia para recolher o suor e sangue de Cristo enquanto este morria na cruz. Após a Ressurreição,  Jesus diz a José ou aos seus descendentes que levem o Cálice para o ocidente, até aos vales de Avalon na Bretanha, onde o seu rasto se perde durante séculos.
   O símbolo de um Cálice terá aparecido pela primeira vez por volta de 1190 em "El Conte del Graal" (História do Graal) do poeta Chrétien de Troyes, onde Parsifal, enquanto janta no castelo do Rei Pescador que está ferido na coxa, vê entrar um rapaz carregando uma lança ensanguentada, seguido por uma linda jovem que traz consigo um cálice muito brilhante que passa de mão em mão á volta da mesa. Como Parsifal não diz nada sobre o significado daqueles objectos, no dia seguinte acorda abandonado e mais tarde percebe que, se tivesse feito as perguntas correctas sobre o que viu, teria curado a ferida do seu anfitrião  e ganho honrarias com esse feito. O significado do poema inacabado de Troyes continua, ainda hoje, por explicar, mas outras interpretações do Cálice se seguiram, sempre num contexto Cristão.
   Por volta de 1200, Robert de Boron na obra "Joseph d'Arimathie" (José de Arimateia), o Cálice assume a designação de Cálice Sagrado e é descrito na forma que hoje tem. Nesta obra, Boron descreve a viagem do Cálice para o ocidente efectuada pelos descendentes de José de Arimateia e a fundação duma dinastia de guardadores do Cálice Sagrado, nos quais eventualmente se incluirá Parsifal.
   Daqui para a frente a literatura sobre o Cálice divide-se em duas classes, ambas importantes para os estudiosos: a primeira classe diz respeito à Matéria da Bretanha e inclui a lenda do Rei Arthur e a Demanda dos seus cavaleiros em busca do Cálice Sagrado e é a mais importante e a mais estudada; a segunda classe diz respeito à história do Cálice Sagrado no tempo de "José de Arimateia".
   Da primeira classe fazem parte "Perceval" de Chrétien de Troyes; "Parzival" de Wolfram von Eschenbach; "La Mort d'Arthur" de Thomas Mallory, sendo este último o mais conhecido e lido romance da Matéria da Bretanha.
   A história do Cálice sagrado e da sua Demanda tornou-se muito popular no século XIX. A literatura  popularizou-a com o Ciclo Arturiano "Idylls of the King" de Alfred Tennyson e a música tornou-a universal com a derradeira ópera  de Richard Wagner "Parsifal".

   Já no século XX, foi a vez do cinema se deixar encantar com o tema. A sua estreia deu-se com  "The Light of Faith" em 1922 e depois foram vários os filmes que focaram o tema como "The Silver Chalice" em 1954; "Lancelot du Lac" em 1974; "Monthy Python and the Holy Grail" em 1975; "Excalibur" em 1981; "Indiana Jones and the Last Crusade"em 1989 ou "Fisher King" em 1991, são os exemplos mais marcantes desse encanto.
O Cáice Sagrado habitualmente identificado
   Seja como for, enquanto houver estudiosos que se debrucem sobre o tema e o estudem,  escritores que o utilizem como ponto de partida ou chegada nos seus romances, cineastas que o adaptem para o pequeno ou grande écran ou simples curiosos, o Cálice Sagrado ou Santo Graal nunca será esquecido.


Nota: Todas as imagens que ilustram o texto foram retiradas da Internet
         

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Metropolis: A viagem de um clássico

Cartaz original de Metropolis
     Quando, em 1926, o realizador Alemão Fritz Lang viajou até Nova York, ficou encantado com a arquitectura da cidade e terá dito que encontrara a sua "Metropolis". A 10 de Janeiro do ano seguinte, estreava em Berlin o fime "Metropolis", por muitos, considerada a obra-prima do realizador Alemão e o mais importante filme de Ficção Científica de todos os tempos.
     A acção passa-se na cidade futurista de Metropolis, onde a sociedade se encontra dividida em duas classes distintas: Os Planeadores/Administradores que vivem em apartamentos luxuosos situados em altos arranha-céus; e a classe dos Trabalhadores que vivem nos subterrâneos, cujo trabalho e suor mantém a cidade imaculada. O filme centra-se também na história de amor entre Maria, da classe Trabalhadora e Freder, o filho do dono de Metropolis e nas lutas em que ambos se vão envolver.
   O filme utiliza o contexto de exploração dos trabalhadores pelos patrões ( simbolizado por Joh Fredersen, fundador, construtor e dono da cidade) para subtilmente criticar o Capitalismo e, na opinião de Lang, os efeitos nocivos que essa forma de sociedade pode trazer.
      Mais simplista que isto, o filme não podia ser e tinha tudo para ser um grande sucesso. Mas tal não aconteceu,  o filme fracassou e, contra vontade do realizador, foi objecto de remontagem por parte dos distribuidores Alemães. Muita da sua metragem perdeu-se. Ao longo das décadas seguintes, enquanto o filme ganhava importância dentro do género, fizeram-se esforços para localizar e recuperar essa metragem.
Cartaz da versão Giorgio Moroder, 1984
      Durante as décadas de 80 e 90 do século passado apareceram várias versões (mas em todas faltava variada quantidade de metragem), com a duração de cerca de 90 minutos, sendo a mais famosa delas a que Giorgio Moroder, produtor e músico, levou a cabo em 1984. Restaurou e remontou todo o material existente, colorizou-a e introduziu-lhe uma banda sonora pop. A "versão Moroder", como lhe chamaram, não deixou ninguém indiferente.              Apreciada por alguns cineastas modernos e defensores deste novo tratamento aos filmes antigos (colorização), rejeitada por outros, esta versão acabou por ter um sucesso moderado mas levou a que mais esforços se fizessem para recuperar a muita metragem que ainda faltava.
Cartaz da versão re-estreada em 2010
     Em 2002, os esforços conjugados da Fundação F.W. Murnau (que detém os direitos alemães do filme) e da Kino International (o distribuidor Americano do filme), lançaram uma versão digitalmente restaurada do filme, elevando a sua metragem para 124 minutos (3378 metros a 24 fotogramas por segundo), onde se incluia a banda sonora original,  alguns intertítulos e algumas cenas.
    Em 2008, nos arquivos do "Museo del Cine", em Buenos Aires, Argentina, foi descoberta uma versão em 16 mm do filme original estreado em 1927. Autenticada por historiadores de cinema, esta versão encontrava-se em muito mau estado, a sua recuperação levou cerca de 2 anos a ser feita  usando a mais moderna tecnologia e elevando a sua metragem para uns respeitáveis 145 minutos.
     A 12 de Fevereiro de 2010, a mais próxima versão do clássico de Fritz Lang (153 minutos, segundo o próprio realizador) re-estreava em Berlin...83 anos depois da sua primeira apresentação!



Nota: Todas as imagens que ilustram o texto foram retiradas da Internet

                                                               Grease - Um fenómeno musical fora de tempo!          Alguém disse, um ...