sábado, 19 de fevereiro de 2011

O Cálice Sagrado no Tempo

   Em 2003 o livro "O Código DaVinci" do escritor Norte-Americano Dan Brown veio relançar uma discussão que já em 1982 um outro livro, intitulado "O Sangue de Cristo e o Santo Graal" dos autores Michael Baigent, Richard Leigh e Henry Lincoln", havia iniciado, em torno do Santo Graal. Mas o que é isto do Santo Graal e qual a a sua importância na cultura em geral?
   O Santo Graal é considerado um objecto sagrado,  representa os mais altos ideais espirituais,  surge relacionado com alguma literatura e tradição Cristã e é habitualmente identificado como sendo uma taça ou cálice que teria sido usada por Jesus Cristo na Última Ceia e, diz-se, possui poderes milagrosos. Terá sido também  usado Por José de Arimateia para recolher o suor e sangue de Cristo enquanto este morria na cruz. Após a Ressurreição,  Jesus diz a José ou aos seus descendentes que levem o Cálice para o ocidente, até aos vales de Avalon na Bretanha, onde o seu rasto se perde durante séculos.
   O símbolo de um Cálice terá aparecido pela primeira vez por volta de 1190 em "El Conte del Graal" (História do Graal) do poeta Chrétien de Troyes, onde Parsifal, enquanto janta no castelo do Rei Pescador que está ferido na coxa, vê entrar um rapaz carregando uma lança ensanguentada, seguido por uma linda jovem que traz consigo um cálice muito brilhante que passa de mão em mão á volta da mesa. Como Parsifal não diz nada sobre o significado daqueles objectos, no dia seguinte acorda abandonado e mais tarde percebe que, se tivesse feito as perguntas correctas sobre o que viu, teria curado a ferida do seu anfitrião  e ganho honrarias com esse feito. O significado do poema inacabado de Troyes continua, ainda hoje, por explicar, mas outras interpretações do Cálice se seguiram, sempre num contexto Cristão.
   Por volta de 1200, Robert de Boron na obra "Joseph d'Arimathie" (José de Arimateia), o Cálice assume a designação de Cálice Sagrado e é descrito na forma que hoje tem. Nesta obra, Boron descreve a viagem do Cálice para o ocidente efectuada pelos descendentes de José de Arimateia e a fundação duma dinastia de guardadores do Cálice Sagrado, nos quais eventualmente se incluirá Parsifal.
   Daqui para a frente a literatura sobre o Cálice divide-se em duas classes, ambas importantes para os estudiosos: a primeira classe diz respeito à Matéria da Bretanha e inclui a lenda do Rei Arthur e a Demanda dos seus cavaleiros em busca do Cálice Sagrado e é a mais importante e a mais estudada; a segunda classe diz respeito à história do Cálice Sagrado no tempo de "José de Arimateia".
   Da primeira classe fazem parte "Perceval" de Chrétien de Troyes; "Parzival" de Wolfram von Eschenbach; "La Mort d'Arthur" de Thomas Mallory, sendo este último o mais conhecido e lido romance da Matéria da Bretanha.
   A história do Cálice sagrado e da sua Demanda tornou-se muito popular no século XIX. A literatura  popularizou-a com o Ciclo Arturiano "Idylls of the King" de Alfred Tennyson e a música tornou-a universal com a derradeira ópera  de Richard Wagner "Parsifal".

   Já no século XX, foi a vez do cinema se deixar encantar com o tema. A sua estreia deu-se com  "The Light of Faith" em 1922 e depois foram vários os filmes que focaram o tema como "The Silver Chalice" em 1954; "Lancelot du Lac" em 1974; "Monthy Python and the Holy Grail" em 1975; "Excalibur" em 1981; "Indiana Jones and the Last Crusade"em 1989 ou "Fisher King" em 1991, são os exemplos mais marcantes desse encanto.
O Cáice Sagrado habitualmente identificado
   Seja como for, enquanto houver estudiosos que se debrucem sobre o tema e o estudem,  escritores que o utilizem como ponto de partida ou chegada nos seus romances, cineastas que o adaptem para o pequeno ou grande écran ou simples curiosos, o Cálice Sagrado ou Santo Graal nunca será esquecido.


Nota: Todas as imagens que ilustram o texto foram retiradas da Internet
         

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Metropolis: A viagem de um clássico

Cartaz original de Metropolis
     Quando, em 1926, o realizador Alemão Fritz Lang viajou até Nova York, ficou encantado com a arquitectura da cidade e terá dito que encontrara a sua "Metropolis". A 10 de Janeiro do ano seguinte, estreava em Berlin o fime "Metropolis", por muitos, considerada a obra-prima do realizador Alemão e o mais importante filme de Ficção Científica de todos os tempos.
     A acção passa-se na cidade futurista de Metropolis, onde a sociedade se encontra dividida em duas classes distintas: Os Planeadores/Administradores que vivem em apartamentos luxuosos situados em altos arranha-céus; e a classe dos Trabalhadores que vivem nos subterrâneos, cujo trabalho e suor mantém a cidade imaculada. O filme centra-se também na história de amor entre Maria, da classe Trabalhadora e Freder, o filho do dono de Metropolis e nas lutas em que ambos se vão envolver.
   O filme utiliza o contexto de exploração dos trabalhadores pelos patrões ( simbolizado por Joh Fredersen, fundador, construtor e dono da cidade) para subtilmente criticar o Capitalismo e, na opinião de Lang, os efeitos nocivos que essa forma de sociedade pode trazer.
      Mais simplista que isto, o filme não podia ser e tinha tudo para ser um grande sucesso. Mas tal não aconteceu,  o filme fracassou e, contra vontade do realizador, foi objecto de remontagem por parte dos distribuidores Alemães. Muita da sua metragem perdeu-se. Ao longo das décadas seguintes, enquanto o filme ganhava importância dentro do género, fizeram-se esforços para localizar e recuperar essa metragem.
Cartaz da versão Giorgio Moroder, 1984
      Durante as décadas de 80 e 90 do século passado apareceram várias versões (mas em todas faltava variada quantidade de metragem), com a duração de cerca de 90 minutos, sendo a mais famosa delas a que Giorgio Moroder, produtor e músico, levou a cabo em 1984. Restaurou e remontou todo o material existente, colorizou-a e introduziu-lhe uma banda sonora pop. A "versão Moroder", como lhe chamaram, não deixou ninguém indiferente.              Apreciada por alguns cineastas modernos e defensores deste novo tratamento aos filmes antigos (colorização), rejeitada por outros, esta versão acabou por ter um sucesso moderado mas levou a que mais esforços se fizessem para recuperar a muita metragem que ainda faltava.
Cartaz da versão re-estreada em 2010
     Em 2002, os esforços conjugados da Fundação F.W. Murnau (que detém os direitos alemães do filme) e da Kino International (o distribuidor Americano do filme), lançaram uma versão digitalmente restaurada do filme, elevando a sua metragem para 124 minutos (3378 metros a 24 fotogramas por segundo), onde se incluia a banda sonora original,  alguns intertítulos e algumas cenas.
    Em 2008, nos arquivos do "Museo del Cine", em Buenos Aires, Argentina, foi descoberta uma versão em 16 mm do filme original estreado em 1927. Autenticada por historiadores de cinema, esta versão encontrava-se em muito mau estado, a sua recuperação levou cerca de 2 anos a ser feita  usando a mais moderna tecnologia e elevando a sua metragem para uns respeitáveis 145 minutos.
     A 12 de Fevereiro de 2010, a mais próxima versão do clássico de Fritz Lang (153 minutos, segundo o próprio realizador) re-estreava em Berlin...83 anos depois da sua primeira apresentação!



Nota: Todas as imagens que ilustram o texto foram retiradas da Internet

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