Battlestar Galactica – Odisseia Espacial em Televisão III



                II – Reinventar o Universo  (2003-2009)

   
Foi a partir de meados da década de 90 do século passado que começaram  as tentativas para revitalizar ou continuar a história de “Battlestar Galactica”.  Tom DeSanto, Bryan Singer ou até mesmo Richard Hatch, o Capitão Apollo da primeia temporada da série, estiveram envolvidos em projectos para recuperar a série.  Hatch fez mesmo várias tentativas para a revitalizar, incluindo co-escrever algumas histórias novas e uma série em Banda Desenhada e ainda foi mais longe ao produzir um “concept video”, em 1998, com alguns actores da série original e efeitos especiais de primeira, entitulado “Battlestar Galactica: The Second Coming”, baseado na continuação da série original, cuja acção se passava anos depois do ultimo episódio da primeira temporada, mas não convenceu e ficou por isso mesmo. Também em 1999, o produtor Todd Moyer e Glen A. Larson, anunciaram planos para um filme, baseado na série original, cuja personagem principal seria a “Estrela-de-Batalha “Pegasus”.
   A versão de Tom DeSanto e Bryan Singer era também uma continuação, cuja acção se passava cerca de 25 anos depois da série original. Contando com elementos da série original, retomando  os seus papéis, assim como com a introdução de novas personagens, chegou á fase de pré-produção antes de ser atrasada e, depois dos eventos do 11 de setembro de 2001, ser abandonada. Ambas as versões ignoravam os acontecimentos ocorridos em “Galactica 1980”.
   Em 2002, a Universal Pictures  (detentora dos direitos legais da série, cedidos por Glen A.Larson), optou por um “remake” em vez duma sequela. Para isso contratou  Ronald D.Moore, argumentista e produtor que trabalhara extensivamente nas várias series originadas pelo franchise “Star Trek” ao longo da década de 90. O remake entrou em produção em finais de 2002.
   
Foi reunido um elenco quase desconhecido para recuperar as personagens da série inicial: Jamie Bamber é o Capitão Lee “Apollo” Adama; James Callis interpreta o Dr. Gaius Baltar; Katee Sackhoff é a Tenente Kara “Starbuck” Trace; Tricia Helfer é a “Número Seis”; Grace Park  é a Tenente Sharon “Boomer” Valerii. Mas também foram chamdos alguns nomes conhecidos como Edward James Olmos que interpreta o Comandante William Adama ou Mary McDonnell, no papel de Laura Roslin, Presidente das Colónias humanas.
   
Após um armistício de 40 anos que se seguiu á guerra travada ente as Doze Colónias (os mundos habitados pelos humanos) e os Cylons (robots criados pelos humanos), estes últimos lançam um ataque nuclear com o intento de exterminar a raça humana.
Apanhada de surpresa, a população das Doze Colónias, é quase totalmente exterminada, assim como o pessoal militar é virtualmente destruído por uma sabotagem no computador da  rede de defesa. A “Galactica”, uma nave que estava destinada a ser um museu, por estar fora do alcance da  rede, é a única Estrela-de-Batalha que escapa á destruição e Adama, o comandante da “Galactica”, assume provisoriamente, o comando da frota enquanto tenta levantar a moral dos restos da população humana anunciando planos para tentar encontrar a lendária Décima-Terceira Colónia, Terra, cuja existência e localização haviam sido mantidos secretos pelos militares.
Inicialmente, pretendeu-se fazer uma mini-série de três horas de duração, apoiada pelo recém-criado Sci-Fi Channel, o argumentista Ronald D.Moore e o produtor David Eick não se pouparam a esforços para inovar este remake duma série de culto do final da década de 70 do século passado.
   
A história é, em tudo semelhante á da primeira série: a “Galactica” protege uma frota de cerca de 75 naves civis ( na série inicial, eram cerca de 220!), com uma população que ronda (Segundo se vê nas estatisticas que estão na “Colonial One”, nave onde viaja  Laura Roslin, a Presidente Eleita das Colónias) cerca de cinquenta mil pessoas, sempre perseguidos pelos Cylons, procuram  a Terra, apesar de Adama acreditar que ela nada mais é que uma lenda.
   Mas onde esta nova série difere da original é na profundidade com que aborda toda a jornada: a série não se limita a mostrar aventuras e batalhas espaciais, ela explora também as relações humanas  numa civilização ameaçada de extinção, na qual os seres humanos lutam entre si tanto como contra os Cylons. Mas a grande novidade deste “reboot” (recomeço) de “Battlestar  Galactica” vem dos inimigos jurados dos humanos: os Cylons. Ficamos a saber que eles evoluiram  (ja estamos longe das naves com três Cylons como tripulantes,  as que surgem agora são muito mais modernas e ameaçadoras que as da série original) e desenvolveram-se ao  ponto de,  Segundo a “Número Seis”(uma sensual e bonita Cylon que admira a raça humana) diz a Baltar, adquiriram uma consciência própria. Já no final da mini-série, ficamos a saber que existem 12 modelos de Cylons, semelhantes aos humanos, que sentem como humanos e pensam que são humanos, dos quais existem  milhares de cópias ou “clones”, espalhados pelo universo. Além da “Número Seis”, na mini-série são revelados mais três. (um dos quais apenas  no surpreendente final). Esta nova situação foi trazer uma grande inovação á mini-série. O mote estava lançado, restava aguardar qual seria a reacção do publico.
   
Nos dias 8 e 9 de dezembro de 2003,  a nova versão de “Battlestar Galactica” estreava no Sci-Fi Channel. As duas partes conseguiram prender a atenção de 3.9 e 4.5 milhões de espectadores respectivamente, tornando-a no terceiro programa mais visto de sempre e recebendo critícas muitos positivas da imprensa especializada. Com tal sucesso em mãos, foi encomendada uma série  com carácter semanal.
   A primeira temporada começa pouco tempo depois do final da mini-série e continua a história dos restos das Doze Colónias humanas, depois da derrota infligida pelos Cylons, em busca da Décima-Terceira Colónia, Terra. Ao contrário de outras séries espaciais, “Battlestar Galactica” não tem os tão famosos aliens que fazem as delicias nessas séries. Muito pelo contrario, a maior parte das histórias  tratam  do efeito que a destruição apocalíptica das Doze Colónias teve sobre os sobreviventes e as escolhas morais que têm de fazer em relação ao declínio da raça humana e a sua guerra com os Cylons; outras histórias são sobre os ciclos perpétuos de ódio e violência  que conduzem  aos conflictos entre seres humanos e Cylons, e religião com uma implicação de que “Deus” tem um plano   que contemplará  todos os envolvidos..
   
Ao longo da série, a guerra entre Cylons e humanos, conhece muitas voltas e reviravoltas, com facções de Cylons a aliarem-se aos humanos, formando uma aliança insegura e fraca, contra o “Número Um”, o líder Cylon que se recusa a revelar o nome dos “Últimos Cinco”, os  cinco Cylons cujas identidades só  ele conhece e que são modelos mais antigos, criados por uma civilização   humana mais antiga.
   Todo o elenco da mini-série regressou para  as quatro temporadas de “Battlestar Galactica”,  Glen A. Larson, criador da série original  tornou-se Produtor Consultivo e a produção trouxe,como artistas convidados ao longo da série, Lucy Lawless, Dean Stockwell, Callum Keith Rennie e, como convidado especial, Richard Hatch, o Capitão Apollo da série original, para interpretar Tom Zarek, um terrorista que depois se torna politico. Hatch, que recusara entrar em “Galactica 1980”, apesar de não gostar do novo conceito, aceitou participar na série, já que a sua personagem lhe permitiu acrescentar ainda mais dramatismo ao enredo quando se dá a sua transformação de terrorista em politico activo que ascende á vice-presidência das Colónias.
   
A 14 de janeiro de 2004, estreava a primeira temporada de “Battlestar Galactica” com um “share” televisivo de 3.1 milhões de espectadores logo no primeiro episódio, tornando-o, tal como as duas partes da mini-série, um dos programas mais vistos de sempre no Sci-F Channel. Ao sucesso dos 13 episódios desta primeira temporada, seguiram-se mais 20 duma segunda temporada em 2005 (exibida nos Estados Unidos em duas partes intituladas 2.0 e 2.5) que continuou o sucesso levando o Sci-Fi Channel a encomendar uma terceira temporada em 2006, seguindo sempre a esteira do sucesso levando a que os interregnos entre as temporadas fosse cada vez menor. Finalmente em 2007, foram encomendados mais 22 episódios para uma quarta temporada que os produtores Ronald D.Moore e David Eick anunciaram ser a última.  Tal como a segunda, esta quarta temporada foi dividida em duas partes, por ter sido apanhada pela greve dos argumentistas  (2007-2008), respectivamente 4.0 (episódios 3 a 10) e 4.5 (episódios 11 a 22). A 20 de março de 2009, foi exibido o último episódio da série. Com cerca de três horas de duração, foi dividido em duas partes. Chegava, assim, ao fim um dos mais bem conseguidos “reboot” duma série de televisão.
   
Entre a terceira e a quarta temporadas, surgiu o telefilme “Battlestar Galactica: Razor” que serviria para criar expectativa em relação ao que se iria seguir na série. “Razor” é a junção dos dois primeiros episódios da quarta temporada. Narrando os acontecimentos da Estrela-de-Batalha “Pegasus” em dois tempos, ambos “no passado” em relação à continuidade da quarta temporada. O tempo “presente”situa-se na altura em Lee Adama assume o comando da “Pegasus”, na última metade da temporada 2, enquanto o tempo “passado” se situa quando Helena Cain é a Comandante da nave, no período entre o ataque Cylon  (que se vê na mini-série) e a reunião com a “Galactica” na  segunda temporada.  
   
Ainda mal tinha terminado “Battlestar Galactica” , já o Sci-Fi Channel anunciava um telefilme intitulado “Battlestar Galactica: The Plan – Galactica – O Plano” (Edward James Olmos, 2009).  O filme, constituído por  material novo e cenas da mini-série e temporadas, acompanha a história de  duas versões do Cylon Cavil, uma quer testemunhar a destruição da raça humana, a outra tenta dissuadir a primeira, admitindo que podem estar a cometer um erro. Contado em “flashback”, o telefilme reconta a mini-série e as duas primeiras temporadas  com maior enfâse na perspectiva dos Cylons e do seu Plano para destruir a raça humana. Os “Cinco Finais” têm aqui um papel mais proeminente.
   
 
Em abril de 2006, o Sci-Fi Channel anunciava que uma prequela (um termo criado no século XXI), de “Battlestar Galactica” estava em desenvolvimento. “Caprica”, assim se chamava a prequela, a acção situa-se mais de 50 anos antes da série, antes da Guerra Cylon e conta-nos a história da família Adama e da sociedade Capricana assim como nos fala dos avanços tecnológicos que  levarão á Revolta Cylon. Em março de 2008, Ronald D.Moore, produtor e argumentista, confirmou que “Caprica” iria entrar em produção, começando com episódio-piloto de duas horas. Em dezembro de 2008, o canal aprovou e deu luz verde para a série. Devido a fracas audiências, “Caprica” só teve uma temporada, constituída por 19 episódios e foi exibida entre janeiro e outubro de 2010.
   
Anunciada em 2011, “Battlestar Galactica: Blood & Chrome”  é a segunda prequela do universo “Battlestar Galactica”. A acção situa-se no décimo ano da Primeira Guerra Cylon e segue o percurso do jovem William “Husker” Adama, piloto da “Galactica”, uma das mais poderosas Estrelas-de-Batalha da frota Colonial. A série, criada por Michael Taylor e David Eick,  descreve os acontecimentos entre “Caprica” e a mini-série de 2003 e estreou, em novembro de 2012, como uma série “on-line” de 10 episódios de mais ou menos 15 minutos de duração. Distribuída  pela “Machinima Network” e exibida no “Machinima  Youtube Channel”, um canal  pertencente ao “Youtube”, a série teve uma  recepção positiva.
   Em 2013,  o Sci-Fi Channel anunciou a sua intenção de exibir a série como um telefilme e estava em cima da mesa a possibilidade de se criar uma série de televisão.
Facilmente se percebe que  o “reboot” de “Battlestar Galactica”  abriu muitas portas a futuras prequelas, continuações, quer em forma de série ou em filmes e telefilmes. Enfim todo um manancial de possibilidades ao dispôr de quem queira dar continuidade ao projecto, “So Say We All!” – os fans, claro!! 

Nota: As Imagens e vídeo que ilustram o texto foram retiradas da Internet

Comentários

  1. A Serie Battelaster Galactia, é na verdade uma espécie de escola da realidade.
    Quem escreveu as versões anterior, sabia o que estava fazendo, pois o conteúdo dos argumentos, é na verdade uma transposição daquilo que esta acontecendo ou vai acontecer num futuro não muito distante.

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