O Filme de Ficção Científica III - Os Anos da Maturidade


                      O Filme de Ficção Científica III
                3.    Os Anos da Maturidade  (1970 - 1979)


     Em 1969 com a chegada do Homem à Lua, o filme de ficção científica viu renascer o interesse do público. Os filmes do inicio da década começaram a explorar o tema da paranoia, na qual a humanidade se vê confrontada com as ameaças, quer ecológicas, quer tecnológicas, por si criadas. 
   Filmes como “Silent Running – O Cosmonauta Perdido” (Douglas Trumbull, 1971) cujo tema gira em volta da ecologia; “The Omega Man – O Último Homem na Terra” (Boris Sagal, 1971), em que um vírus matou quase todos os seres humanos na terra. Um cientista militar tenta encontrar a cura para a epidemia, descobre que outros seres querem matá-lo; “The Andromeda Strain – A Ameaça de Andrómeda” (Robert Wise, 1971), onde um grupo de cientistas deteta um vírus extraterrestre que destrói uma cidade e um grupo de cientistas tenta descobrir a sua origem e impedir que alastre; “Westworld – O Mundo do Oeste” (Michael Crichton, 1973) em que robots representam o maior perigo para com os seus próprios criadores; “THX 1138 – THX1138” (George Lucas, 1971) em que o pior inimigo do homem é o próprio estado por ele criado; “A Clockwork Orange – A  Laranja Mecânica” (Stanley Kubrick, 1971),onde a ameaça da lavagem cerebral paira sobre o ser humano e, num sentido mais lato, sobre a sociedade; “Rollerball – Os Gladiadores do século XXI” (Norman Jewison,1975), onde algures no século XXI um jogo motorizado, disputado numa arena, serve para aplacar os instintos violentos da população enquanto as grandes corporações empresariais tomam decisões a nível mundial, são alguns dos “filmes-paranoia” que surgiram no início da década. 
    Mas a par destes, também surgiram alguns outros que, apesar de se posicionarem no género ficção científica, o tema dominante era a conspiração em volta da sociedade. É o caso de “Soylent Green – Á Beira do Fim” (Richard Fleischer, 1973) onde, numa Nova York do futuro, um assassinato de um alto executivo põe a descoberto uma realidade horrível; ou “FutureWorld – O Mundo do Futuro” (Richard T.Heffron, 1976), espécie de continuação de “Westworld” em que o mundo de sonho de Delos, agora rebaptizado de “Futureworld”, está pronto a ser reaberto, mas os jornalistas encarregues de escrever sobre este evento, não estão convencidos de que, após os acontecimentos que levaram ao seu encerramento anterior, tudo esteja bem, até que alguém aparece morto e a coisa torna-se sinistra.
    Entretanto em 1972, da União Soviética, surge um filme surpreendente. “Solyaris – Solaris”, realizado por Andrei Tarkovski, baseado num romance de Stanislaw Lem, conta a história dum planeta inteligente e da influência psicológica que exerce sobre os astronautas que habitam a Estação espacial que orbita o planeta. É um filme lento que iguala e supera mesmo “2001” em alguns aspectos, na sua apresentação visual e na sua filosofia. Recebido pela crítica internacional como um filme revolucionário e entendido por muita gente como uma espécie de resposta europeia ao “2001: Odisseia no Espaço” de Stanley Kubrick.
    Em 1976 “Logan’s Run – Fuga no Século XXIII”, realizado por Michael Anderson traz de volta a temática do sistema contra o cidadão mas de um modo mais agravado do que em outros filmes: aqui a vida do ser humano termina aos 30 anos! E é contra isso que Logan, um guardião duma cidade que vive encerrada dentro duma redoma de vidro, vai lutar e tentar provar que a vida existe para além da idade limite. Produto típico da década de 70, com visual adequado á altura em que foi feito, mas não envelheceu, como aconteceu com muitos filmes desta época, antes pelo contrário, continua a ser uma agradável experiência ver este filme e apreciar todos os seus momentos. Contrariamente ao que se pensou na altura, o filme foi um sucesso de bilheteira e levou à criação duma série de televisão embora de pouca duração.
 Sentia-se, a meio da década de 70, que algo estava para mudar na indústria cinematográfica e, particularmente, no género da ficção científica.                 
    Foi então que em 1977 a aposta dos estúdios da Fox,  numa força imaginária que protegia uma série de nobres cavaleiros, defensores duma velha república situada num universo longínquo, contra as forças do mal lideradas por um imperador poderoso e um ser maléfico, meio homem meio máquina, resultou em pleno. O fantástico universo imaginado e criado por George Lucas em “Star Wars – A Guerra das Estrelas”, transformou radicalmente a face da ficção científica e elevando-a a patamares nunca antes atingidos e levou a uma subida de interesse e procura por filmes do género. 
     O filme foi um sucesso mundial a todos os níveis, foi, durante anos, o maior sucesso de bilheteira da história do cinema e é, ainda hoje, o filme de ficção cientifica mais premiado da história com sete Oscares da Academia. Seis filmes e mais de 30 anos depois da sua estreia, “a saga Star Wars” mantém ainda um incrível ranking nos melhores filmes da história do cinema com dois títulos posicionados no “top ten”. 
    Já “Close Encounters of the Third Kind – Encontros Imediatos do Terceiro Grau” (Steven Spielberg, 1977), onde nos são relatados os estádios por que poderá passar a humanidade caso venha a encontrar-se com extraterrestres, continha algumas reminiscências de elementos místicos com “2001”. Trata-se de um brilhante exercício cinematográfico de Spielberg, baseado no seu desejo de infância de ter um encontro imediato com um extraterrestre.
    As descobertas espaciais e os avanços tecnológicos criaram uma sensação de maravilha acerca do universo e levaram a que o final da década ainda visse surgirem algumas obras reveladoras da maturidade a que a ficção científica chegara: “Star Trek: Tjhe Motion Picture – Caminho das Estrlas – O Filme” (Robert Wise, 1979) trouxe para o grande écran, pela primeira vez, a muito apreciada série televisiva criada em 1966 por Gene Roddenberry; “Time After Time – Os Passageiros do Tempo” (Nicholas Meyer, 1979), numa viagem no tempo original, H.G.Wells confronta-se com Jack, O Estripador, na San Francisco do século XX; “Alien – O 8º Passageiro” (Ridley Scott, 1979), onde os tripulantes duma nave comercial são confrontados com um monstro que os vai eliminando um a um. Este último filme inaugurou uma nova fase nos filmes de ficção científica, conhecida como terror científico e demonstra bem a maturidade que o género atingiu ao longo da década de 70. 
     O cinema de ficção científica estava agora pronto para abraçar uma nova década.
                               (continua)                                          
                                 
  Nota: As imagens que ilustram este texto foram retiradas da Internet                                     
                                 



Comentários

  1. Considero até que esta foi uma das décadas mais variadas no que à ficção científica diz respeito. O género que antes jé nos havia dado filmes notáveis cresceu não só nas preocupações, como na variedade, assumindo-se de vez com obras de grande qualidade. Um abraço

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