Ficção Científica - Género Maior da Literatura

    A Ficção Científica é um género de literatura de ficção cujo conteúdo se relaciona, de um modo plausível, com universos e tecnologias futuristas, viagens espaciais, aliens e habilidades paranormais. 
    O termo "ficção científica" ou simplesmente "sci fi" foi utilizado pela primeira vez por Forrest J.Ackerman,  criador da comunidade "science fiction fandom" para fans de ficção científica e fantasia, coleccionador de livros e filmes de ficção científica, numa conferência na UCLA (Universidade de Cinema de Los Angeles) em 1954, como termo comparável ao muito utilizado "hi-fi", numa altura em que a ficção científica já fazia parte da cultura popular, escritores e fans do género estavam a começar a associar o termo com as produções de baixo orçamento e pouca inovação tecnológica que acontecia nos filmes e em alguma produção literária de ficção científica.
    Explorar as consequências das inovações tecnológicas é um dos seus vários propósitos, tornando-a numa literatura de ideias. Muita da ficção científica é baseada em escritos acerca da racionalidade de mundos alternativos e possíveis futuros. É semelhante ao género de fantasia, mas é nestes aspectos que se afasta dela. Os seus cenários são geralmente contrários à realidade, embora se mantenham num patamar de descrença que se torna acessível ao leitor através de potenciais explicações ou soluções aos diversos elementos ficcionais.
Os Elementos de Ficção Científica incluem:
- A acção é passada num tempo futuro, numa cronologia alternativa ou num passado histórico contrário aos factos e história conhecida ou nos registos arqueológicos.
- Um cenário espacial ou noutros mundos ou ainda numa Terra subterrânea.
- Personagens que incluam aliens, mutantes, androides ou robots.
- Tecnologia futurista
- Princípios cientificos que contradigam as leis universalmente aceites, tais como viagens no tempo.
- Novos e diferentes estados sociais e politícos.
- Habilitações paranormais tais como controle de mente, telepatia, telecinésia, teleportação, etc.
     Apesar das primeiras referências à ficção cientifica remontarem aos tempos da Mitologia, o seu início como género literário aparece referenciado em obras como "Lucian's True History" datada do século II; em alguns contos das "Arabian Nights - 1001 Noites"; em "The Tale of the Bamboo Cutter" que surgiu por volta do século X ou em "Theologus Autodidactus" de Ibn al-Nafis, por volta do século XIII.
    Mas foi por alturas da chamada Idade da Razão (séc.XVII) e do desenvolvimento da ciência moderna que surgem as primeiras obras literárias do género: "As Viagens de Gulliver" (1726)  de Jonathan Swift; "Micromégas" (1752) de Voltaire ou "Somnium" de Johannes Kepler (1620-1630), que Carl Sagan e Isaac Asimov consideraram ser a primeira história de ficção científica do mundo moderno. Nela conta-se a história duma viagem à  lua e como se via  de lá o movimento da terra.
    Seguindo o desenvolvimento, no século XVIII, da novela como forma de literatura, no século XIX os livros "Frankenstein" e "The Last Man", ambos de Mary  Shelley, assim como "The Unparalleled Adventures of  One Hans Pfaal" de Edgar Alan Poe, que descreve um vôo até à Lua;  "Viagem ao Centro da Terra" (1864); "20000 Léguas Submarinas" (1870); "Da Terra à Lua" (1865) e a sua "sequela" "À Volta da Lua" (1870), todos de Júlio Verne, ajudaram a definir a forma da ficção científica.
    Com o advento das novas tecnologias como a electricidade, o telégrafo, escritores, como Júlio Verne ou H.G.Wells, publicaram obras que se tornaram mais-valias para a literatura, e foram extremamente populares entre as diversas camadas da população. Além dos trabalhos já citados de Verne, foi o livro de H.G.Wells, "A Guerra dos Mundos", publicado em 1898, que mais impacto criou entre a população. Nele descreve-se uma Inglaterra victoriana que é alvo duma invasão de Marcianos que usam máquinas trípodes e armamento avançado. É um primeiro esboço duma invasão alienígena à terra.
    Já no século XX, revistas como a "Amazing Stories" (1926) de Hugo Gernsback ou mais tarde a "Astounding Science Fiction" (1939), de John W.Campbell, ajudaram a desenvolver o género e a revelar novos autores que formariam uma geração  de escritores de ficção científica. Nomes como Isaac Asimov, Frederic Pohl, James Blish, E.E."Doc" Smith,  Robert A. Heinlein,  Arthur C.Clarke, A.E.van Vogt, Stanislaw Lem, entre outros,  iniciaram aquela que ficou conhecida como "A Idade Dourada da Ficção Científica",  iriam atravessar todo o século e cujos escritos ainda hoje influenciam muitos autores. Em 1912 Edgar Rice Burroughs, antes de se tornar conhecido como o criador de Tarzan, escreveu uma série de contos acerca de John Carter, um héroi da Guerra Civil Americana, raptado por aliens, que, ao salvar uma princesa em marte, envolve-se nas guerras marcianas. Os contos acabaram por se tornar numa longa série de livros escritos ao longo de mais 30 anos e que ficaram conhecidos com "As Crónicas de Barsoom". Em 1928 é publicada na revista "Amazing Stories a primeira história de Buck Rogers intitulada "Armageddon 2419" da autoria de Philip Nolan, que se tornaria num marco do género e que levaria à aparição de "comics" com Buck Rogers (1929),  Brick Bradford (1933) e Flash Gordon (1934) que se transformariam em séries que viriam a popularizar a ficção científica.
    A década de 50, viu surgir a geração "beat" da ficção cientifica. Escritores  como William S. Burroughs, começaram a introduzir uma nova tendência no género. A escrita especulativa, marcada pelo experimentalismo, tanto na forma como no conteúdo, duma escrita sob influência, explorava novas ideias e estilos de escrita que se viria a acentuar durante as décadas de 60 e 70, principalmente na Grâ-Bretanha, enquanto autores como Frank Herbert, Roger Zelazny ou Harlan Ellison se tornavam adeptos desta nova tendência, outros como Larry Niven, Poul Anderson, redefiniam o termo ficção cientifica de modo torná-lo mais próximo dos tempos que se viviam. Outros houve, como Ursula K.LeGuin, que se tornaram pioneiros duma ficção cientifica mais suave.
    A década de 80, viu surgir uma outra geração, encabeçada por William Gibson, Bruce Sterling e Neal Stephenson, que se afastou radicalmente do optimismo da ficção cientifica e defendia o progresso do género para outras áreas. Visando mais a história e as personagens em detrimento duma certeza cientifica. Beneficiando mais a exploração de vidas extraterrestres do que os desafios complexos da ciência. Esta nova tendência viria a influenciar o género nas décadas seguintes, mas agora associada a novos desafios.
     Na década de 90, temas emergentes como o ambiente, as implicações da comunidade global, a expansão do universo da informação, questões relacionadas com Biotecnologia e Nanotecnologia, bem como temas relacionados com o pós-guerra fria e  as cicatrizes que deixou nalgumas sociedades,  que "The Diamond Age" de Neal Stephenson, explora profundamente. 
    As temáticas tornam-se recorrentes, orientando toda uma geração de escritores para essas preocupações, sem nunca, no entanto, perder de vista a ficção cientifica, género que os continua a motivar no século XXI.
  

Nota: Todas as imagens que ilustram o texto foram retiradas da Internet


   

Comentários

  1. É indiscutivelmente um dos meus géneros de eleição. Gostei de ficar a saber algumas curiosidades que referes no teu texto. Um abraço.

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