Os Crimes dos Rios de Púrpura - Thriller "Made in França"


     O Thriller, sub-género cinematográfico situado, entre o policial e o filme de terror, uma das últimas criações a juntar-se ao longo historial do cinema, tem raízes um pouco por todo o mundo e tem constituido uma das melhores formas de entretenimento dos últimos anos. "Os Crimes dos Rios de Púrpura" é um desses exemplos.
   No Campus Universitário de Guernon, vila situada nos Alpes Franceses, acontece a estranha e horrível descoberta de um corpo assassinado e mutilado de uma jovem estudante da Universidade. É chamado para investigar o Comissário Pierre Niemans, uma espécie de Sherlock Holmes dos crimes em série, cuja perspicácia só é ultrapassada pelo seu pânico de cães. Ao mesmo tempo, um Tenente da Polícia local Max Kerkerian, investiga uma violação duma sepultura ocorrida numa outra vila próxima. Rapidamente se descobre que os casos estão, de algum modo, relacionados e os dois policías vão enveredar esforços para tentar resolver o  mistério. Aquilo que aparentemente seria uma investigação normal de um crime, torna-se algo bem mais complexo há medida que os corpos vão aparecendo.
O realizador e argumentista Mathieu Kassovitz
   Co-adaptado por Jean-Christopher Grangé, autor do romance original e  pelo realizador Mathieu Kassovitz, que já nos dera, entre outras obras, o fabuloso "O Ódio" (1995), centrado nas temáticas das diferenças de classes sociais,   raça, violência e brutalidade policial, filmado num preto-e-branco intenso que lhe confere o realismo necessário e projectou o realizador para a fama; "Gothika"(2003), um thriller fantástico em que nem a presença de Halle Berry ou Penelope Cruz o impediram de ser um fracasso comercial. 
   "Os Crimes dos Rios de Púrpura", consegue ser um thriller eficaz, algo violento, com alguns toques de terror, como se percebe logo no inicio, com a cena do cadáver a ser comido pelos vermes, e isto é apenas o principio, porque ao longo de todo o filme somos confrontados com outras situações próximas. Mas são estes pequenos toques ligeiros no género, que tornam o filme interessante graças a uma realização inteligente de Kassovitz que, utilizando panorâmicas e movimentos de camera, tirando máximo partido do cenário, homenageia o cinema (a cena em que a camera segue quase obsessivamente o carro  de Pierre Niemans enquanto este se aproxima da primeira cena do crime, é uma homenagem à abertura de "Shining" de Stanley Kubrick,  de quem o realizador é admirador confesso), usando todas as ferramentas ao seu dispôr, nos oferece um filme recheado de voltas e reviravoltas que só peca por se tornar demasiado evidente perto do final.
Vincent Kassel e Jean Reno em acção
   Jean Reno, na pele do Comissário Niemans, a jogar em casa, dá-nos uma interpretação poderosa, a que já nos habituou noutras produções como "Vertigem Azul" (Luc Besson,1988) ou "Leon - O Profissional" (Luc Besson,1994) ou "Código DaVinci" (Ron Howard, 2006), entre muitas outras, não fosse ele um dos actores franceses mais solicitados internacionalmente nos últimos anos. Perfeitamente secundado por Vicente Cassel, no papel de  Max Kerkerian, policia pouco ortodoxo, que não olha a meios para obter as confissões,nem que para isso tenha de andar à pancada com os seus possíveis suspeitos ( a cena do bar, com os skinheads, é disso exemplo). Cassel, aqui contracenado com o seu pai, Jean-Pierre Cassel, é um actor habituado a interpretar personagens que fervem em pouca água, emotivas e violentas como demonstrou em "O Ódio", ou no controverso e perturbante "Irreversível" (Gaspar Noé, 2002)  .
   "Os Crimes dos Rios de Púrpura" obteve um grande sucesso, principalmente em França, quer de público quer de crítica, o que levou a uma sequela "Os Anjos do Apocalypse" (Oliver Dahan, 2004) igualmente protagonizado por Jean Reno mas de qualidade inferior ao original.
Thriller europeu ao mais alto nível "Os Crimes dos Rios de Púrpura" é garantia de um bom espectáculo e onde se prova que no velho continente também se podem fazer bons filmes.
                                         
                                     
Nota: Todas as imagens e vídeos que ilustram este texto foram retirados da Internet


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