Dune de Frank Herbert

   "Dune" (Duna ou simplesmente Dune em português) foi escrito por Frank Herbert em 1965. É considerado por muitos o maior romance de ficção científica de todos os tempos e também o mais vendido de todos os tempos. Em 1966 ganhou o prémio Hugo e recebeu também o Nebula para Melhor Romance logo no ano da sua estreia.
   A acção passa-se no futuro numa espécie de universo feudal governado por Casas Nobres planetárias que devem obediência à Casa Imperial Corrino. "Dune" conta a história da rivalidade secular entre as Casas Atreides e Harkonnen numa altura em que os primeiros são nomeados pelo Imperador para ir controlar o planeta Arrakis, seco e desértico, é onde se encontra a única fonte da Especiaria Melange que é a mais importante e valiosa de todo o universo e da qual todas as Casas são dependentes. Em Arrakis, também conhecido por Dune, a familia Atreides vai ser confrontada com a complexidade da politíca, religião, ecologia, tecnologia e emoções humanas, há medida que as forças do Império se defrontam pelo controle do planeta e da sua Especiaria.
   O interesse de Herbert pelo deserto começou em 1957, na altura ainda não era para ser cenário de livro, quando ele foi visitar em  Florence  no Oregon, as Dunas de Oregon. O Departamento de Agricultura do Governo dos Estados Unidos tinha-o convidado para escrever um artigo sobre "as experiências que estavam a ser levadas a cabo com colheitas pobres para estabilizar dunas de areia que poderiam danificar e engolir cidades inteiras, lagos, rios e até mesmo autoestradas". O artigo do escritor intitulado "They Stopped the Moving Sands", nunca foi completado, mas a sua pesquisa despertou-lhe o interesse pela ecologia.
O Autor Frank Herbert
   Herbert passou então os cinco anos seguintes a pesquisar, a escrever e a rever o texto que viria a ser o livro "Dune", que inicialmente aparecia na "Analog magazine" como dois pequenos trabalhos, "Dune World" (1963) e "The Prophet of Dune" (1965), mas que seriam aumentados, reescritos e rejeitado por inúmeros editores, até que, em 1965, o livro vê a luz do dia...e o resto é história!
   "Dune" tem sido considerado "o primeiro romance de ecologia planetária em grande escala". Mas a preocupação com as mudanças ecológicas e suas consequências só aconteceu a partir da publicação do romance "The Silent Spring" escrito por Rachel Carson em 1962. Em 1965 "Dune" respondeu a essa preocupação com as descrições complexas da vida em Arrakis, desde os gigantes Vermes da Areia que habitam o deserto profundo (para quem a água é mortal), até pequenas formas de vida tipo rato adaptadas para viver com água limitada. Os habitantes do planeta, "Os Fremen" têm um compromisso com aquele ecossistema, sacrificando alguma da sua vontade de verem o planeta carregado de água, para preservar os Vermes da Areia que são tão importantes para a sua cultura. Desde essa altura o romance, na sua criação de ecologias únicas e complexas, foi seguido por outros livros de outros autores. Ambientalistas, inclusive, disseram que muita da  popularidade do romance, ao descrever o planeta como uma coisa viva, por vezes complexa e surgir na mesma altura em que foram divulgadas as primeiras imagens da Terra vista do espaço, terá influenciado muitos movimentos ambientalistas  e terá sido decisiva na criação do Dia Internacional  da Terra.
   Grandemente influenciado pela cultura Árabe e Muçulmana, "Dune" utiliza termos dessas culturas na designação de muitas das suas situações, principalmente quando Paul Atreides, o estrangeiro que adopta os maneirismos do deserto e das suas gentes para tentar libertá-los, se torna no "Muad'Dhib", ou seja numa espécie de Messias (influência do Alcorão) que conduzirá os seus "Fremen" a uma "Jihad" (Guerra Santa) através do universo, vêmo-lo como uma espécie de T.E.Lawrence (mais conhecido como Lawrence da Arábia). A ascensão de Paul segue uma linha comum a todos os romances deste e de outros géneros onde  se decreve o nascimento de um herói. As circunstâncias são as de uma desgraça que cai sobre a personagem mas que, após um período de indecisão e exilio, ele enfrenta e vence o mal. Como tal, "Dune", é mais um representante dessa tendência que começara na ficção científica da década de 60, em que a personagem alcança um estatuto de semideus através de meios cientificos e eventualmente ganha uma espécie de omnisciência que lhe vai permitir assumir o controle do planeta e da galáxia e levar a que os fremen o adorem como a um deus. A diferenciação das personagens de "Dune" de outros superheróis como Superman acontece na forma como adquirem os seus poderes súbita e acidentalmente, Paul ganha os seus através de um lento e doloroso progresso pessoal e ainda ao contrário de outros heróis,  que eram excepções entre gente vulgar nos seus respectivos mundos, as personagens de Herbert cultivam os seus poderes através da aplicação de filosofias místicas e técnica. Foi aqui que "Dune" marcou a diferença que contribuiu definitivamente para o sucesso que ainda hoje tem.
A série original escrita por Frank Herbert
   Em 1969, devido ao grande sucesso obtido, Frank Herbert  publicava "Dune Messiah" dando continuidade ao romance anterior. 1976 vê sair o terceiro volume da série "Children of Dune", a que se seguiriam "God Emperor of Dune" (1981), "Herectics of Dune" (1984) e "Chapterhouse:Dune" (1985). Frank Herbert morreu em 1986.
Kevin J. Anderson & Brian Herbert
   Mais de uma década depois da morte do escritor, o seu filho Brian Herbert, usando notas deixadas pelo pai e em colaboração com Kevin J. Anderson, conceituado autor de alguns romances do universo "Star Wars", deram inicio a uma trilogia intitulada "Dune Prequel", "Dune: House Atreides" (1999)"; "Dune: House Harkonnen" (2000) e "Dune: House Corrino" (2001). A série passa-se anos antes dos acontecimentos de "Dune". O resultado foi acima do esperado, pelo que Herbert e Anderson resolvem  avançar com uma segunda trilogia intitulada "Legends of Dune" composta por "Dune: The Butlerian Jihad" (2002); "Dune: The Machine Crusade" (2003), e "Dune: The Battle of Corrin" (2004). Esta série, segundo Frank Herbert, teria ocorrido cerca de 10.000 anos antes dos acontecimentos de "Dune". O que para Herbert fora uma cruzada da humanidade contra computadores, máquinas pensantes e robots conscientes, é expandido por Brian Herbert e Kevin J.Anderson e transformado numa guerra de gerações entre humanos e máquinas.
   Em 2005 Brian Herbert encontrou 30 páginas dum esboço que seria a continuação de "Chapterhouse: Dune", que seu pai tinha fechado num cofre e intitulara simplesmente de "Dune 7". Novamente em colaboração com Anderson é editado "Hunters of Dune" (2006), seguido de "Sandworms of Dune"(2007), que completam a progressão cronológica da série original e resolvem situações que haviam começado com "Herectics of Dune". É o fechar de um ciclo iniciado em 1984.
   No prefácio de "Hunters of Dune", os autores afirmam pretender continuar a escrever livros sobre o universo de "Dune" num futuro próximo. Uma nova série intitulada "Heroes of Dune" já conta com dois títulos: "Paul of Dune" (2008) e "Winds of Dune" (2009) cuja acção decorre entre os períodos dos romances originais de Frank Herbert.
Esboço do cartaz de Dune realizado por Alejandro Jodorowski
   Claro que o cinema não poderia ficar à margem do sucesso de "Dune" e haveria de  querer adaptá-lo.  Durante a década de 70 várias foram as tentativas de transpor o romance para o grande écran, uma delas, a mais falada, seria pelo realizador Chileno Alejandro Jodorowski,  todas infrutíferas por esta ou aquela razão. 




    No inicio da década de 80, Dino De Laurentiis, o super-produtor internacional e responsável por vários sucessos ao longo das décadas de 60 e 70, a pedido da filha Rafaella, adquire os direitos de livro de Herbert e entrega a realização a David Lynch, realizador que dera nas vistas com o filme "O Homem Elefante" (1980) e que recusara realizar um dos episódios da saga espacial "Star Wars".  Ao fim de cerca de dois anos de filmagens, com cenários idealizados por Salvador Dali e com Frank Herbert a bater a primeira claquette, "Dune"estreia em 1984 nos Estados Unidos e é exibido em ante-estreia em portugal no inesquecível ciclo de ficção científica organizado pela Cinemateca Portuguesa e a Fundação Calouste Gulbenkian (1984-85). A superprodução de ficção científica  idealizada por Lynch, tinha mais de quatro horas de duração e que, segundo o produtor, não podia ter mais de duas e vinte, é um enorme fracasso nas bilheteiras, fruto talvez de uma enorme expectativa gerada à volta do filme que saiu gorada e da qual Dino De Laurentiis nunca recuperou totalmente. Em 1988 o filme foi remontado numa versão para televisão, com cerca de três horas de duração, mas que Lynch nunca aceitou e mandou retirar o seu nome dos créditos.
   Em 2000 o Sci-Fi Channel estreia uma mini-série intitulada "Frank Herbert's Dune" baseada no livro "Dune" mas que em portugal nunca foi nem estreada, nem editada comercialmente. Em 2003 surge a sequela "Frank Herbert's Children of Dune", que adapta "Dune Messiah" e "Chidren of Dune" e que, ao contrário da sua antecessora, foi editada comercialmente, embora com os títulos despropositados de "Dune:   Império Atreides", "Dune: Império Corrino" e "Dune: Império Harkonnen". É claro que os três filmes vistos assim, não fazem sentido absolutamente nenhum, falta-lhes um principio...coisas à portuguesa, já estamos habituados a elas...
   Seja como for, o universo de Dune ainda não disse tudo o que tem a dizer e é sempre com alguma expectativa que se aguardam novas adições àquele mundo imaginado por Frank Herbert.


                Nota: todas as imagens e vídeos deste texto foram retirados da Internet


                        

Comentários

  1. O universo de Dune é de facto imenso e pena é que ao contrário do que aconteceu recentemente com O Senhor dos Anéis, ainda só vimos um pequeno vislumbre no cinema deste universo. É verdade que os livros de Herbert, à semelhança dos de Tolkien são de adaptação extremamente difícil. E nesse capítulo tenho pena que a versão de Jodorowky nunca tenha visto a luz do dia. Entre outras coisas, essa vers~çao contava com um senhor chamado Moebius como director artístico e já vimos nalguns lados alguns dos sketches que efectuou para essa versão. Quanto ao artigo é muito bom, como aliás é hábito por aqui. Um abraço.

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