Metropolis: A viagem de um clássico

Cartaz original de Metropolis
     Quando, em 1926, o realizador Alemão Fritz Lang viajou até Nova York, ficou encantado com a arquitectura da cidade e terá dito que encontrara a sua "Metropolis". A 10 de Janeiro do ano seguinte, estreava em Berlin o fime "Metropolis", por muitos, considerada a obra-prima do realizador Alemão e o mais importante filme de Ficção Científica de todos os tempos.
     A acção passa-se na cidade futurista de Metropolis, onde a sociedade se encontra dividida em duas classes distintas: Os Planeadores/Administradores que vivem em apartamentos luxuosos situados em altos arranha-céus; e a classe dos Trabalhadores que vivem nos subterrâneos, cujo trabalho e suor mantém a cidade imaculada. O filme centra-se também na história de amor entre Maria, da classe Trabalhadora e Freder, o filho do dono de Metropolis e nas lutas em que ambos se vão envolver.
   O filme utiliza o contexto de exploração dos trabalhadores pelos patrões ( simbolizado por Joh Fredersen, fundador, construtor e dono da cidade) para subtilmente criticar o Capitalismo e, na opinião de Lang, os efeitos nocivos que essa forma de sociedade pode trazer.
      Mais simplista que isto, o filme não podia ser e tinha tudo para ser um grande sucesso. Mas tal não aconteceu,  o filme fracassou e, contra vontade do realizador, foi objecto de remontagem por parte dos distribuidores Alemães. Muita da sua metragem perdeu-se. Ao longo das décadas seguintes, enquanto o filme ganhava importância dentro do género, fizeram-se esforços para localizar e recuperar essa metragem.
Cartaz da versão Giorgio Moroder, 1984
      Durante as décadas de 80 e 90 do século passado apareceram várias versões (mas em todas faltava variada quantidade de metragem), com a duração de cerca de 90 minutos, sendo a mais famosa delas a que Giorgio Moroder, produtor e músico, levou a cabo em 1984. Restaurou e remontou todo o material existente, colorizou-a e introduziu-lhe uma banda sonora pop. A "versão Moroder", como lhe chamaram, não deixou ninguém indiferente.              Apreciada por alguns cineastas modernos e defensores deste novo tratamento aos filmes antigos (colorização), rejeitada por outros, esta versão acabou por ter um sucesso moderado mas levou a que mais esforços se fizessem para recuperar a muita metragem que ainda faltava.
Cartaz da versão re-estreada em 2010
     Em 2002, os esforços conjugados da Fundação F.W. Murnau (que detém os direitos alemães do filme) e da Kino International (o distribuidor Americano do filme), lançaram uma versão digitalmente restaurada do filme, elevando a sua metragem para 124 minutos (3378 metros a 24 fotogramas por segundo), onde se incluia a banda sonora original,  alguns intertítulos e algumas cenas.
    Em 2008, nos arquivos do "Museo del Cine", em Buenos Aires, Argentina, foi descoberta uma versão em 16 mm do filme original estreado em 1927. Autenticada por historiadores de cinema, esta versão encontrava-se em muito mau estado, a sua recuperação levou cerca de 2 anos a ser feita  usando a mais moderna tecnologia e elevando a sua metragem para uns respeitáveis 145 minutos.
     A 12 de Fevereiro de 2010, a mais próxima versão do clássico de Fritz Lang (153 minutos, segundo o próprio realizador) re-estreava em Berlin...83 anos depois da sua primeira apresentação!



Nota: Todas as imagens que ilustram o texto foram retiradas da Internet

Comentários

  1. ótimo blogue
    parabéns!
    MARIA OLIVEIRA
    reciclados.art@brturbo.com.br

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